O Custo das Nossas Reservas

Leiam, e tentem de imediato achar três erros primários, que invalidam os cálculos feitos.

O debate sobre o custo de nossas reservas internacionais é um interessante exemplo da visão da Economia Administrativa.

Acadêmicos acusaram o então Presidente Henrique Meirelles de desperdiçar 45 bilhões ao ano, valor superior ao total de investimentos públicos daquele.

Foi um dado que visava derrubar o Presidente do BC mais longevo deste país.

Acusação por sinal gravíssima que mereceria imediata demissão do culpado e investigação pelo Ministério Público.

Leiam, e tentem de imediato achar três erros primários de economia, que invalidam a manchete abaixo.

Reservas externas custam R$ 45 bilhões ao País.

A manutenção das reservas internacionais superiores a US$ 280 bilhões custa ao contribuinte brasileiro cerca de R$ 45 bilhões ao ano (o equivalente a 1,5% do Produto Interno Bruto), segundo estimativas de economistas.

O valor supera o total de investimentos públicos previstos para 2010.

As reservas custam caro porque o BC aplica a maior parte dos recursos em títulos públicos de países desenvolvidos.

A taxa básica brasileira está em 10,75% ao ano.

A diferença entre o juro externo e interno é o custo das reservas.

Pare para pensar antes do continuar.

Erro Número 1. O governo recebe impostos sobre estes 10,75%, entre 15 a 38%. Impostos não são custos para o governo, mas sim receita. Portanto é 8% e não 10%.

Erro Número 2. Juro Nominal não é o juro real.

Por isto, Economistas Administrativos usam para os seus cálculos o Juro Real, que como o nome indica, é o verdadeiro juro.

O juro real hoje, depois do IR, é mais próximo de 3% do que de 10,75%. Ou seja, o custo seria 1/3 do noticiado, os 15 bilhões. 

Erro Número 3. Esqueceram de incluir o custo de não ter reservas de R$ 280 bilhões.

O custo que teríamos com a brutal recessão dos Estados Unidos e Europa, e que essas reservas nos permitiram evitar.

Se a crise tivesse a mesma intensidade no Brasil, o custo seria na casa dos 100 bilhões, em incentivos , quantitative easing, etc.

Nos Estados Unidos já está em 3 trilhões, por baixo o custo desta crise.

Na Crise de 1998, quando não tínhamos estas reservas acumuladas por Meirelles, só o empréstimo do FMI foi de 40 bilhões, e de dólares.

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