A Postura Ética de Certas Nações

 

Dilma fez muito bem em ter reclamado da emissão de 8 trilhões em moeda dos países europeus e dos Estados Unidos.

A solução de um nunca deveria se tornar o problema do outro, que é o que está ocorrendo.

Como já definimos, ética para um administrador é tudo aquilo que não faremos para alcançar os nossos objetivos. Leiam Ambição e Ética.

Ética se torna especialmente importante, quando estamos diante de problemas complicados que temos que enfrentar, quando surgem algumas possibilidades não muito éticas de resolvermos um problema da empresa.

Pior ainda, quando o problema foi causado por nós mesmos e estamos querendo salvar nossa pele, que é o que está acontecendo nestas nações.

Poderíamos, por exemplo, mentir para os acionistas, os trabalhadores ou até aos clientes.

Poderíamos tentar subornar um funcionário público, um diretor de compras ou fazer um acordo com a concorrência, todas possibilidades não éticas.

Por isto, no ensino de administração, damos vários cursos de Ética nos Negócios e Responsabilidade Social, desde 1910. Começado em Harvard e Stanford.

Poucas outras profissões dão tanta ênfase para que seus alunos aprendam o que não se deve fazer sob pressão ou para sair de uma enrascada.

Imprimir moeda para resolver um problema de curto prazo deveria ser uma delas.

A história do mundo já tem claros exemplos do perigo de imprimir moeda para resolver problemas de curto prazo.

Já causou décadas perdidas no Brasil, causou a Segunda Guerra mundial, e assim por diante.

Existe na literatura econômica centenas de livros que defendem imprimir moeda para resolver problemas de curto prazo, que isto seria até uma obrigação diante das alternativas.

São argumentos muito convincentes. Evitam consequências horríveis, evita sofrimento humano, isto se a análise e a teoria forem corretas. E, se a promessa que o dinheiro agora impresso para comprar títulos será de fato esterilizada no futuro, quando os títulos ilíquidos forem eventualmente pagos.

Algo que quase todo mundo duvida.

Quando leio que “Imprimir Moeda” virou “Quantitative Easing“,  e que nenhum formador de opinião alerta sobre o que está realmente acontecendo, mesmo depois da Presidente do Brasil sair a público com o tema, é muito assustador.

Que certas nações tenham usado o estratagema de simplesmente imprimir moeda para resolver seus problemas, sem um prévio plebiscito entre os eleitores, é preocupante.

O fato de que algumas nações nunca colocaram “imprimir moeda”, como parte da Responsabilidade Fiscal desta nação, é algo que me preocupa ainda mais.

Colocam limites no endividamento, mas não colocam limites na quantidade de moeda que se pode emitir numa crise?

Não vejo a diferença.

E se os Estados Unidos e a Europa acham que são assuntos totalmente diferentes, fica claro que eles não consideram esta emissão uma dívida, que terá de ser resgatada um dia.

Pior, não será isto que reduzirá os 54% de americanos que temem perder o emprego. Pelo contrário.

Acham corretamente que estão numa “armadilha de liquidez”, mas não sabem a causa e estão baixando a febre e não tratando o problema.

Como venho defendendo há algum tempo, controle deve ser exercido nos insumos e não nos resultados.

Precisamos criar cursos de Ética em todas as profissões, com definições bem claras do que cada profissão jamais fará num momento de crise.

Ter tido estes cursos de ética foi muito positivo na minha vida. Me deu força para fincar firme na minha posição.

Me permitiu pensar nestas questões muito antes, e não no calor do momento quando nosso raciocínio já está sob pressão.

Me permitiu tomar algumas decisões com segurança, porque já havia há muito internalizado que imprimir moeda numa empresa não é nada ético.

Ética não é decidir o certo e o errado, é decidir de antemão que opções nunca usaremos no momento de uma grave decisão.

 

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