Como Liberais Erraram na Desestatização

Qual seria a destinação dos recursos obtidos pela desestatização das 600 empresas estatizadas?

Você não sabe?

Mas não deveria saber depois de dois anos desse assunto ser discutido?

Será que os políticos do contra não se preocuparam com essa omissão?

Ninguém sabe, ninguém tem certeza, como eu.

Se soubéssemos que usariam os recursos para pagar salários atrasados de funcionários públicos, você acha que eles seriam contra?

Ou se usassem para custear Saúde e Educação, o Congresso seria contra?

Procurem as entrevistas de Salim Mattar e veja se ele diz como a grana seria gasta, não achei nada oficial.

Só achei uma frase que parece que usariam, talvez, para reduzir a dívida do Estado.

Vender algo que deveria gerar um retorno de 12% ao ano, para saldar dívidas que custam 1% ao ano é administrar irresponsavelmente a nação.

Se era para privatizar para se ter empresas bem administradas, bastaria trocar os gestores.

Se bem administradas, tanto faz se é estatal ou privada.

O que elas precisam é ser de capital aberto e democrático, onde todo funcionário público poderia participar, não somente o Estado.

As dívidas do Estado foram contraídas, a rigor, para fazer obras de infraestrutura.

Mas as Estatais foram criadas com nossas contribuições previdenciárias, e aplicadas pelo Fundo de Equilíbrio Financeiro e Atuarial determinado pelo artigo 201 da Constituição.

Como todo fundo previdenciário.

Nesse caso criaram e investiram em empresas como a Petrobras, Banco do Brasil, Vale e Caixa Econômica.

Se fossem desestatizadas, os recursos somente poderiam ser usados pelo FEFA para comprar outras empresas rentáveis, uma troca de portfolio somente.

Salim Mattar nem entendeu o que estava fazendo.

FHC vendeu a Vale e sumiu com o dinheiro, que foi desviado do FEFA, prejudicando funcionários públicos e privados aposentados.

Como seria com Salim Mattar.

E o que é mais ridículo, todos os Fundos de Equilíbrio Financeiro e Atuarial atuais de funcionários de estatais investem hoje na Vale.

Percebem que não mudou nada?

Percebem que toda essa celeuma, oposição, discurso de ódio, privatização versus desestatização, daria quase na mesma?

O que não queremos é CONTROLE estatal.

O governo ter 45% de 600 empresas, tanto faz.

Especialmente se forem ações PNs, sem direito de voto, ao contrário do que é hoje.

Petrobras já é 63% privada, só que não temos direito de voto. Petrobras é privada, mas ninguém sabe disso.

Ainda bem que os liberais saíram em debandada.

Adam Smith, Hayek e Mises nada entendem de fundos de pensão e como planos de previdência precisam ser administrados.

Precisamos é de mais ARN e menos Mises.

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4 Comments on Como Liberais Erraram na Desestatização

  1. Professor acho muito interessante ler artigos como este, parece mais simples quando você fala, principalmente tantas vezes que cita ARN, gostaria de mais exemplos de empresas que são administradas assim.
    Um outro ponto que me chama atenção, em uma empresa mantida como “ESTATAL” em que tivéssemos um administrador responsável, como ele conseguiria lidar com os sindicatos, greves e como teria condições de atacar tantos privilégios, horários diminutos, bonificações e afins?! Quando comparamos empresas como a própria Petrobas aos seus pares internacionais vemos o quanto ela esta fora de sintonia, imagina comparar os correios com um FEDEX?

  2. Entendo que a idéia de privatizar as estatais federais é primeiramente diminuir os cabides de empregos, reduzindo custos e, com o resultado apurado, diminuir a dívida interna.
    O exemplo dado pelo Sr. Salim Mattar dos Correios me faz pensar dessa forma.Att.

  3. Ótimo ponto para discussão. Por vezes vi o governo, inclusive o presidente, tratar o assunto das privatizações como uma abertura das empresas para participações de private equity, inclusive como justificativa para manutenção do controle estatal pelo risco de a China obter controle sobre as áreas de infraestrutura. O Sr. já apontou diversas vezes que o problema é a falta de administração profissional, a qual é sustentada através da abertura do capital das empresas, com controle na mão de acionistas, não na do governo ou na de holding familiares, mas essa discussão parece que nunca se torna pública. Todo o debate orbita um falso dualismo público X privado, Estado X Mercado, esquerda X direita, e de alguma forma parece que todos são impelidos a adotar explicitamente uma das posições.

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