Televisão e Educação

[pullquote]Restringir o uso de TV tem sido um hábito muito comum entre as famílias brasileiras, por óbvias razões.[/pullquote]

 

 

 

 

 

 

Robert Putnam escreveu um livro sobre a destruição do comunitarismo e do associativismo, Bowling Alone.

Foi este livro que me inspirou a criar, em 1993, o site www.voluntarios.com.br.

Um site que permite você ser voluntário na sua própria comunidade.

Putnam conta que entre os esquimós a introdução da TV reduziu o tempo comunitário deles praticamente em duas semanas por mês, após a instalação da antena geral.

No Brasil, a situação foi pior porque aqui a TV veio antes do telefone, isolando as famílias ainda mais.

Nos Estados Unidos, a telefonia universal existia desde 1930. Aqui isso só ocorreu efetivamente no ano de 2003, como consequência da desestatização da Telebras em 1998.

Em cinco anos, passamos de 10% de famílias com telefone para 90%.

Foi o início da queda do poder da televisão no Brasil, lentamente sendo substituída pela internet nas suas infinitas formas.

Portanto, nos Estados Unidos a televisão fez menos estrago nas famílias — tanto que eles ainda possuem o den ou family room, e nós só temos a sala de visitas.

Restringir o uso de TV tem sido um hábito muito comum entre as famílias brasileiras, por óbvias razões.

1. Elimina um competidor em termos de valores morais e éticos, o que no caso brasileiro é extremamente preocupante. Primeiro, porque os valores da TV não são os valores morais da sua família.

Segundo, são valores morais alternativos que deveriam ser expostos depois que seus filhos tenham adquirido os seus. Caso contrário, seus filhos farão as escolhas que mais lhe convierem. Em vez de terem uma ética moral coerente e coesa, escolherão um pouco de cada, numa mistura alternativa inconsistente.

Não sou contra expor filhos a éticas alternativas, isso fatalmente irá ocorrer mais dia menos dia. Só sou contra mostrar éticas alternativas enquanto seu filho está aprendendo a ética que manteve a sua família coesa por duzentos anos, normalmente uma ética religiosa ou uma ética política específica.

2. Seus filhos ficarão menos expostos à erotização da TV, o que hoje é uma constante. No seriado JK metade das cenas era sexual, e foi uma produção histórica de grande valor educacional para os seus filhos. Mas com tanto estímulo sexual quando eles sequer têm a capacidade de satisfazê-lo, é um milagre que nossos jovens não façam bacanais na escola aos onze anos de idade.

3. Erotização da propaganda. Metade da propaganda é insinuar aos homens que eles terão todas as mulheres do mundo. É uma constante no mundo da propaganda. 

4. Por que TV é de graça? Por que você pode assistir a novelas caríssimas sem pagar absolutamente nada por elas? Ou a filmes de Hollywood sem pagar nada por eles? Porque no fundo esses programas não são gratuitos. Você e sua família irão pagar um preço elevado; serão menos família, mais consumistas, mais violentos, mais erotizados e terão um pregador moral competindo com você na educação dos filhos.

Substituir uma mãe autêntica por uma babá eletrônica é um custo muito elevado para a sua família pagar.

 

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6 Comments on Televisão e Educação

  1. Professor … eu vejo um novo cenario se aproximando: quem sabe em dez anos nem televisao nos moldes de hoje teremos. ja cresce no País as tvs smart, que porão fim aa tv comum pela possibilidade de se acessar as tvs abertas pelo endereço eletronico e chamarmos os programas favoritos para assistir. serah o fim da tv a cabo. e para vermos filmes isso ja existe com preço muito acessivel.

  2. É um grande desafio criar meus filhos, quando de fato a tv desensina em muitos aspectos no que se refere a valores ensinados no seio familiar. Aqui em casa as famosas “novelas” daquele “canalzinho” dominante, já não são bem-vindas há tempo.
    Excelente artigo! Parabéns!

  3. um grande desafio. gostei muito da parte sobre a ética alternativa…. temos que ensinar nossos filhos e esperar que o ensino dê frutos bons!

  4. Com a utilização de conteúdo transmitido por STREAMING o negócio tende a ficar ainda mais frenético. Todas as distrações individualistas que em via de regra vinham no aparelho fixo na residência passam a ser móveis, com o conteúdo móvel e disponível a qualquer momento.

    Se pessoas vão visitar amigos e levam os filhos, a tal Galinha Pintadinha pode ser levada junto hipnotizando a molecada e buzinando na cabeça dos adultos.

    Se adultos cresceram distraindo-se com lixo, por que diabos não fornecerão o lixo para a molecada uma vez que esse pode lhes dar algum sossego momentâneo?

    Quando minha mulher ficou grávida, reativei o violão e tasquei-me eu mesmo a aprender algumas músicas, fora livros e quetais que servem de distração para a criança e possibilitam um tempo conjunto de qualidade tanto para o filho como para o pai.

    Fugir da Galinha Pintadinha é o desafio dos pais novos. As crias dessa Galinha serão alvos muito fáceis para os gaviões que rondam por aí.

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