A Importância de Uma Visão do Futuro

 

“Nosso maior problema como prisioneiros de guerra“, diz Viktor Frankl no seu livro “O Significado da Vida”, “era não ter uma visão de futuro“.

Ao contrário de presos comuns, não havia para o prisioneiro de guerra uma data certa para a liberdade.

Isto gerava consequências trágicas.

Muitos prisioneiros de guerra achavam que seriam libertados antes do Natal de 1944, porque as Forças Inglesas e Americanas já haviam desembarcado na Normandia.

Mas o Natal passou e a guerra somente acabaria em Junho de 1945.

Decepcionados e desiludidos, centenas de prisioneiros morreram logo depois do Natal, sem explicação, numa frequência duas vezes o estatisticamente normal.

Simplesmente desistiram de viver por acharem que não tinham mais futuro. Erraram por alguns meses.

Nos últimos 30 anos, nossos filhos têm sido bombardeados pelos nossos intelectuais, imprensa e professores universitários que nosso país não tem futuro.

Nos inúmeros textos escritos por intelectuais para as comemorações dos 500 anos do Descobrimento em vez de olharmos para um futuro a fazer, usaram a ocasião para mostrar que nem passado tínhamos.

Intelectuais nos lembraram que somos um país de corruptos por termos sido colonizados por desterrados e criminosos, mas nunca revelam que nossas Universidades Públicas contratam mais professores de Sociologia e Política do que professores de Auditoria e Fiscalização.

A USP tem um único professor de Auditoria e dezenas de professores de Filosofia e Sociologia, um que virou até Presidente do Brasil.

Perdemos a nossa Visão de Futuro em 1964, quando imperava que a visão de futuro era a do administrador, do advogado, do engenheiro, do empresário, do empreendedor.

Para estes, o futuro é para ser feito, com suor, lágrimas e trabalho, não simplesmente previsto com “modelos estatísticos”.

O futuro é nosso para ser criado da forma que desejamos, não “esperado” num Deus que o dará pela bola de cristal.

Mas a Revolução de 1964 colocou no poder mais de 600 acadêmicos especializados em previsões, que controlam o país até hoje.

O Japão e a Alemanha do pós guerra não pautaram sua reconstrução em previsões econométricas  porque sequer tinham mais uma economia para ser prevista.

Decidiram construir seu novo futuro ao ponto que suplantaram seus vencedores, a Inglaterra e os Estados Unidos, tal o poder desta postura perante o futuro.

Precisamos resgatar a visão de futuro dos engenheiros, dos carpinteiros, empreendedores, advogados e administradores e rejeitar de vez a visão niilista dos previsores do futuro, que preveem o futuro da volatilidade, do câmbio, do juro para poder especular, e das previsões de curto prazo que levam a nada.

Ficamos tão preocupados com as marolas que esquecemos de ver as ilhas do horizonte.

Administradores muitas vezes quebram a cara não conseguindo fazer o que pretendiam, nem sempre criam empresas de sucesso como gostariam.

Mas a favor dos administradores, eles têm o mérito de ter pelo menos tentado.

Tentado fazer, em vez de simplesmente tentado prever, sentados em cátedras acadêmicas com suas redomas de vidro.

Única forma de devolver aos nossos filhos um sentido para suas vidas é mostrar que existe uma outra visão de mundo, de ação construtiva e não de especulação que gerou a enorme crise de 2008.

Afinal, o futuro é para ser feito não para ser previsto.

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