Assinem China Today

Toda noite eu leio o China Today porque já é amanhã na China.

Durmo tranquilo, só tem boas notícias.

Só tem elogios ao Xi Jinping, não se fala de tentativas de impeachment no meio de uma epidemia.

Nem falam mal do Trump, de vez em quando uma cutucada leve.

Falam de progresso, de coisas boas que acontecem na China e no Mundo.

Foi no China Today que li os detalhes do projeto Starlink do Elon Musk.

Tem até um caderno de Administração, que aqui nem temos.

Eu sei que quem escreve o China Today são datilógrafos.

Não existem jornalistas na China, talvez essa seja a vantagem.

O China Today é um órgão do Partido Comunista Chinês.

Tudo é recado dirigido.

Foi com uma agradável surpresa que li um editorial Opinions, conclamando o povo chinês a não reclamarem de prováveis aumentos de preço em restaurantes depois do Covid.

“Entendam que os donos de restaurantes não podem arcar com os prejuízos sozinhos.”

“Aceitem aumentos moderados numa boa, afinal se eles reduzirem a qualidade ou a quantidade, o perdedor será você.”

Não acreditei, e li mais duas vezes.

Jamais teríamos lido um editorial desses na Folha, no O Estado, na Globo, muito menos no Jornal da USP.

(Lido por 1321 pessoas até agora)

6 Comments on Assinem China Today

  1. Na china quem escreve é datilógrafos, no ocidente, de Londres a Paris, passando pelos States e Brasil são jornalistas travestidos de datilógrafos, cujas noticias tentam e conseguem a conformidade do presente sem mudanças para o futuro. Só muda o lucro que é sempre crescente para poucos. Aqui só se fala em adm que favorece o lucro de poucos. É uma ditadura com feições aparentes de democracia. Grande ilusão. Só temos tecnicistas probos.

  2. Temos que ter a consciência de que nossa democracia é jovem, com Presidentes que até aqui nem na teoria entendem de administração pública, nunca praticaram ética (por ignorância, não sabem o que é), não reconhecem o vocábulo do seja moral e desconhecem o sentido de “governo para todos”. Tivemos um ladrão condenado, uma disléxica “inocente”, um ladrão à ser condenado e um agora um “sargento birrento” que não sabe qual o significado das palavras conciliação/acordo/paz, pois com o Centrão só aprenderá o que é “presidencialismo de coalizão”, “toma lá dá cá” ou “é dando que se recebe”. No meio de disso tudo a imprensa puxando para seu “lado”, que não é o “nosso” lado. Caminhamos para a desinformação sistêmica de todos os lados, sem “notícia”, só “pontos de vista”. Triste fim de uma esperança precoce. Aguardemos o próximo capítulo.

  3. Permito-me citar outro visionário que também esteve em Harvard e, assim como S. C. Kanitz, aprendia com o passado, administrava o presente e previa o futuro: (“A notícia é algo que alguém quer suprimido.”
    “Notícia é o que alguém, em algum lugar, não quer publicada: todo o resto é propaganda.”
    “Jornalismo é publicar aquilo que alguém não quer que se publique. Todo o resto é publicidade.”), W. R. Hearst

  4. É isso aí Steve!! Melhor ainda é aprender chinês. Por que eles vão mandar muito bem!! Abraço!

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