Não Mentirás

 

Os 10 mandamentos podem ser considerados umas das primeiras constituições ou cartas de princípios a reger um povo.

Contém os princípios que, na visão do seu formulador, permitiriam àquele povo nômade e errante se instalar em Canaan permanentemente, de uma forma harmoniosa e civilizada.

Poderíamos considerar os 10 mandamentos a primeira constituição a ser criada no mundo, embora pela simplicidade do conceito de Estado na época, o mais correto seria definir os 10 mandamentos como um código de ética.

São 10 princípios básicos, o primeiro estabelecendo o poder de autoridade que regeria aquele povo, Deus.

O segundo mandamento, mas o primeiro a tratar de assuntos mundanos regia: “Não Mentirás”.

A Constituição de 1988 possui mais 1350 preceitos e princípios básicos que regem a nação brasileira.

Não mentirás, por exemplo, não faz parte dela.

Nossa Constituição inclui pérolas como: “Os requisitos a que se refere o Inciso I do parágrafo anterior serão reduzidos em cinco anos, para o professor que comprove exclusivamente tempo de efetivo exercício das funções de magistério na educação infantil e no ensino fundamental e médio.

Não Mentirás” não faz parte dos princípios básicos da nossa nação, da nossa Constituição, e nem da nossa ética.

Quantos problemas poderíamos ter evitado se “Não Mentirás” fosse parte dos nossos princípios básicos como nação, de nossos políticos, de nossas campanhas eleitorais?

Quando um namorado ou namorada é flagrado mentindo, normalmente se rompe o relacionamento e fim de papo.

Mentiu uma única vez em uma questão importante é o suficiente para o fim de qualquer relacionamento.

Infelizmente no nosso Congresso isto não ocorre, e nossos deputados podem mentir, porque “Não Mentirás” não está na nossa Constituição, nem cláusula pétrea é, está no código civil.

Não há dúvida em minha mente que somente faremos um país mais solidário, justo e seguro se tornarmos este país menos mentiroso.

Por razões culturais, fui criado com uma ética muito forte de não mentir e sempre dizer a verdade.

Isto me traz inúmeros problemas sociais, porque não consigo me sair bem quando me perguntam se gostei do café ou do jantar, do discurso do meu chefe ou da roupa da minha esposa.

Em países latinos, mentir para o bem dos outros faz parte da cultura.

Entre não magoar e não mentir, preferimos não magoar.

“Seu vestido está lindo, querida.”

Recebo dezenas de emails elogiando a minha “coragem” de dizer verdades que precisam ser ditas.

Um elogio curioso e assustador, pois não é isto o que todo mundo deveria estar fazendo?

Verdade deveria ser o “default” da sociedade, o princípio básico, condição sine qua non de qualquer artigo publicado em qualquer lugar.

Eu quero políticos que me representem dizendo a verdade.

Eu quero amigos que me digam sempre a verdade, toda a verdade e somente a verdade.

Aliás, esta é a minha definição de um verdadeiro amigo.

Aquele que me diz a verdade.

Somente seremos um país de verdade, quando colocarmos “Não Mentirás“, em primeiro ou segundo lugar.

 

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