Escolhendo Uma Profissão

[pullquote]Se estiver na dúvida quanto à profissão, tire um ano mochilando pelo mundo. É preferível “perder” um ano a perder toda uma vida profissional.[/pullquote]

Todo jovem tem de tomar pelo menos duas grandes importantes decisões na vida. A escolha da profissão e a do cônjuge.

A maioria estuda e namora o futuro cônjuge nos mínimos detalhes, mas escolhe e descarta dezenas de profissões com uma única frase.

Muitos passarão mais tempo no emprego do que com o marido, a esposa e a família.

Quando chegarem em casa, todos já estarão dormindo.

Como melhorar a escolha da profissão com a mesma dedicação com que se escolhe um cônjuge?

1. Namore também sua futura profissão.

Se seus pais possuem um conhecido que exerça uma profissão, peça permissão para acompanhá-lo por algumas semanas para sentir como é seu dia-a-dia.

Mesmo que tenha de ficar nos corredores, você verá o ambiente, sentirá um pouco a rotina diária.

Assista a uma semana de aulas em sua futura faculdade.

Comece a explorar as variantes da profissão, descubra as linhas de pensamento, os estilos.

Quem são as “feras” dessa área e como são os estilos de vida. Combinam com o seu?

Siga @Dia_Na_Vida onde retuito 40 profissionais para vocês saberem o que eles vivem falando, como é o dia a dia deles.

2. Não se apresse.

Se você estiver na dúvida quanto à escolha da profissão, tire um ano mochilando pelo mundo afora.

É preferível “perder” um ano a perder toda uma vida profissional.

A escolha da profissão precisa ser cuidadosa, porque hoje em dia é mais fácil trocar de cônjuge que de profissão.

Aos 32 anos você não terá mais disposição para prestar um novo vestibular.

Essa pressão da sociedade e dos pais para uma escolha imediata vem do tempo em que a expectativa de vida de um adulto era de somente quarenta anos.

Hoje a expectativa média de vida é de 82 anos. Um ano ou dois não farão a mínima diferença.

3. O não por exclusão.

Nossa tendência é sempre achar algum defeito numa ideia nova.

“Engenheiros sujam as mãos”, “contabilidade é para tímidos”, “advocacia é para quem fala bem”, “finanças e economia são para especuladores”.

Toda profissão tem seus defeitos.

Se você andou escolhendo algumas profissões por exclusão, volte atrás e pense de novo.

4. Explore o cinza.

Justamente porque o estereótipo do advogado é aquele que fala bem, existe enorme falta de advogados que sejam bons em matemática.

Por isso, advogados tributaristas, os que mexem com números, são muito bem pagos no Brasil.

5. Não confunda interesse com proposta de vida.

Todos nós deveríamos ter interesse em história e filosofia.

Espero que nos fins de semana vocês leiam esses temas, e não mais um livro técnico.

Todo mundo deveria estudar um pouco de economia, psicologia e direito, mas nem todos irão querer estudar essas matérias a vida inteira.

O simples interesse não é suficiente para fazer de você um profissional dedicado e totalmente comprometido para o resto da vida.

Uma fã do pianista Arthur Moreira Lima disse que daria a vida para tocar como ele. “Pois eu dei a minha vida”, respondeu Moreira Lima.

Se você está disposto a dar sua vida por história ou filosofia, aí não é um mero interesse, é sem dúvida uma vocação.

Portanto, vá em frente.

Se você escolher uma profissão no par-ou-ímpar, lembre-se de que poderá estar tirando a vaga de alguém que tem vocação, a vaga de um futuro Moreira Lima.

Faça um favor à sociedade e àqueles que adorariam estar em seu lugar: não tome a vaga de quem realmente precisa.

A sociedade, os excluídos e seus futuros professores agradecerão efusivamente.

Portanto, vá com calma.

Estude a vida inteira e escolha sua profissão de uma forma profissional.

Boa sorte e meus votos de sucesso.

(Lido por 49 pessoas até agora)

8 Comments on Escolhendo Uma Profissão

  1. Curioso esse tema. Eu, aos 32 anos estou querendo aposentar a chuteira de Advogada e seguir na Administração Pública. Há 3 meses me formei na 2ª faculdade (Adm. Pública) e pretendo ingressar no mestrado nessa área. Enfrento vários narizes torcidos todos os dias, tendo em vista a “vida ganha” com o escritório de advocacia da família. Será que é loucura jogar tudo para o alto?? Não é não…não me arrependo nem um minuto de ter estudado 10 anos de graduação (direito + adm. pública). Fica a dica: siga em frente, estude para o vestibular dos seus sonhos, agora estamos mais maduros…não desista!Não importa a idade!!!

  2. tenho 39 anos e ainda não encontrei algo q realmente goste. conversando com outras pessoas percebi que muitas pessoas andam infelizes com suas escolhas profissionais pois não namoraram suas profissões quando jovens. você poderia escrever algo nesse sentido para orientar pessoas como eu? obgd!

  3. Meu mestrado é em Análise Econômica do Direito. Até onde eu sei, a Universidade Católica de Brasília é a única universidade do país com esse programa.
    A proposta é, justamente, afastar intuições, “achismos” e retórica baseada em valores do discurso jurídico.
    A revista do programa (da qual faço parte do corpo de revisores e avaliadores) tem um artigo muito interessante para quem quiser explorar um Direito mais objetivo.
    Muito bem escrito e de facílima compreensão!
    Segue o link: http://portalrevistas.ucb.br/index.php/EALR/article/view/1460/1110

  4. Curiosamente, aos 32 anos estou repensando minha profissão de…advogado e professor universitario
    Me peguei pensando que não foi uma escolha, mas uma “condução” para essa atividade jurídica.
    Hoje, com a alma mais aberta, começando a prezar as verdadeiras escolhas, me pego em duvida
    Há 6 meses eu comento metade das dicas desse texto com a minha esposa. Porque hoje as conheço “na pele”
    Parabens, Kanitz.
    É um sacrilegio obrigar, ainda que placida ou tacitamente, um menino/a de 17 anos a escolher uma profissão, com o cenario que temos hoje.

  5. Bom voce pode fazer design de instrumentos musicais, de aparelhos de som.
    Voce pode tocar musica como hobby
    Voce pode especializar se em musica digital ou em alguma nova tecnologia que venha a ter com musica.
    Musica como instrumentistas ou solista é que não ta facil hoje em dia.

  6. Vou fazer o quê?
    Gosto muito de três coisas: Psicologia, Música e Design.
    Não foi uma escolha irresponsável, mas circunstancial: Deu Design.
    Mas lendo seu texto, parei pra pensar e eu daria minha vida pela música. Sério.
    Paro tudo e volto?

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