A Escolha das Escolas de Seus Filhos

 

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A escolha da escola de seus filhos é uma das mais difíceis a ser feita por uma mãe e por um pai de família. Primeiro porque a maioria dos pais não sabe exatamente o que está escolhendo, nem sabe o que está fazendo. Basicamente, vocês estão terceirizando uma importante função materna e paterna.

Antigamente quem educava os filhos eram os próprios pais. Era dos pais que os filhos recebiam os ensinamentos, os valores, a ética e a moral, e a profissão a seguir, seja marceneiro ou ferreiro.

Antes de 1620, a educação era basicamente um livro lido em voz alta na cozinha pelo único membro da família que sabia ler. A Bíblia. Hoje, há famílias que sequer livros possuem nas suas casas.

A maioria das pessoas acha, corretamente, que as melhores escolas são aquelas que têm os melhores professores. Deveriam ser, mas curiosamente a maioria dos pais não escolhe usando esse critério. Tanto é que nem conversam com os futuros professores, às vezes nem sabem quem serão.

Pais normalmente avaliam o prédio, as instalações, o tamanho da biblioteca, o tamanho do playground e do jardim, o menor preço de mensalidade, mas não sentam pelo menos uma hora para assistir a uma aula dos professores.

Poucas escolas sequer anunciam os currículos dos seus professores, as notas que eles tiraram no vestibular, o QI de cada um, e se eles estão no primeiro ou no terceiro casamento, para quem se preocupa com o “investimento paternal” dos que serão os guias de seus filhos.

Muitos acham que as escolas com os melhores alunos, com as melhores notas no ENEM, terão os melhores professores, por definição. Ledo engano. Notas no ENEM podem ser um resultado estatístico enganoso. Isto porque as melhores escolas muitas vezes são aquelas que selecionam os melhores alunos. Se os melhores alunos são os que entram na escola, os que saem da mesma escola também serão os melhores, independentemente do que tenha sido ensinado.

Essa estratégia, usada pelas melhores escolas, até tem um nome, chama-se o “arco do triunfo”: selecione os melhores alunos da cidade, coloque-os em fila, mande-os passar debaixo de um arco, e, voilà, os que passam serão os melhores da cidade.

Basta ter um playground, biblioteca fantástica e instalações boas que o número de pais interessados será maior do que o de vagas, permitindo um processo de seleção. O processo de seleção permite aceitar os alunos mais inteligentes, e excluir os que têm QI menos, justamente os que mais precisam da escola.

Nas universidades públicas nem instalações boas são necessárias, é só dar aula de graça para ter mais candidatos do que vagas. E aí, o ensino público acaba só ensinando os mais inteligentes, para os quais o ensino nem fará diferença — nem positiva nem negativamente. É isso o que a maioria dos professores quer, não correr risco de má avaliação.

O ensino público deveria ser organizado por bairros, sem vestibular, para os menos inteligentes que precisam muito mais de professores do que os primeiros colocados no vestibular. Se o seu filho não entrar na melhor escola, não se preocupe, isso não significa que ele não terá os melhores professores.

Os reis da Inglaterra não iam para as melhores escolas, eles tinham tutores. Em vez de terceirizar a educação de seus filhos, seja o tutor do seu próprio filho. Compre 480 livros que é o que ele conseguirá ler, caso se dedique a ler dois livros por mês por vinte anos.

Entre novos, usados e baixados da internet, isso não vai custar mais que R$ 8.000,00. Ao longo de 20 anos, serão R$ 400,00 por ano. Dá para encarar. Mesmo assim são poucas as famílias que compram 480 livros para os seus filhos, além dos obrigatórios para fins escolares.

Em vez de se locomover para a melhor escola do outro lado da cidade, ele agora poderá ir para a escola do bairro, terá tempo para ler aqueles livros, e terá um cérebro não impregnado de CO2 e fuligem — e dez pontos de QI a menos.

A escola de bairro é fácil de escolher. Fique uma tarde na hora da saída e converse com quem está buscando a criançada. Se forem pais como você, seu filho terá colegas cujos pais colocam suas famílias em primeiro lugar.

Se você encontrar motoristas particulares e seguranças, você já sabe que seu filho terá colegas cujos pais são do tipo G, são os endinheirados que não têm tempo nem para buscar os filhos no colégio. Nesse caso, você terá mais preocupações com drogas, valores, ética, e terá de explicar para os seus filhos o que significa a expressão “famílias alternativas” nas quais um filho fica com a mãe num dia, e no outro fica com o pai.

Se você quer os seus filhos compartilhando os seus valores, coloque seu filho numa escola cujos pais compartilham os seus valores.

 

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