Religiões Comunitárias

[pullquote]Em vez de aceitar os costumes locais, ficou a tradição de levar consigo um Deus ou Idelologia pessoal e não aceitar os valores da comunidade.[/pullquote]


Existe até hoje um conflito entre as religiões onde o Deus é comunitário e ecológico, versus as religiões onde o Deus é pessoal, nômade e acompanha o povo eleito nas suas peregrinações.

Queremos deixar bem explícito, que ambas as formas religiosas funcionam no seu contexto. Funciona se o povo é nômade, funciona se o povo é Comunitário ou sedentário.

O grande problema religioso, inclusive o primeiro choque religioso ocorreu entre estes dois tipos de concepção de religião e se encontram lado a lado.

Vejamos um exemplo bem distante de nosso tempo.

O Deus de Uruk era Anu, que protegia a cidade como um todo e as terras comunitárias em volta.

Os judeus da época, sendo nômades, desenvolveram deuses tribais, cada um protegendo a sua tribo.

Jeovah era o Deus nômade que acompanhava os judeus onde estivessem.

Só que existe uma enorme incompatibilidade em seguir os ditames, a moral, a ética e os valores compartilhados de um Deus nômade, se por alguns anos você pretende morar ou por força ou por circunstâncias, numa cidade que possui um Deus territorial com valores compartilhados com ética e moral totalmente diferentes.

Lembre-se que naquela época Estado e Religião se confundiam, as leis eram únicas.

E as leis de Deuses nômades nem sempre eram as mesmas, certamente também não eram os ritos e cerimônias.

Isto gerava uma série de conflitos com os residentes, os mesmos que vemos hoje na França entre franceses e islâmicos, em Israel entre judeus e palestinos.

Quem iria ceder?

Quem diz que numa mesma cidade ou comunidade todos devem ter a mesma ética, valores compartilhados, rituais?

Quem diz que numa mesma cidade ou comunidade não se possa ter o multiculturalismo, várias etnias morando em harmonia, sem preconceito, respeitando os valores dos outros?

Provavelmente foram os próprios Rabinos judeus os primeiros a perceber este conflito religioso, Nomadismo versus Comunitarismo, e foram os primeiros a sugerir uma solução:

O monoteísmo e o multiculturalismo.

O monoteísmo como uma solução ao afirmar que no fundo existe um único Deus, um meme corajoso na época mas hoje considerado lógico e inquestionável.

E o multiculturalismo, que sugere que mesmo com um único Deus e seus valores comuns e compartilhados, é possível ter uma sociedade com valores diversos e não compartilhados, um contrassenso que muitos não percebem.

Mas devido aos problemas dos conflitos de Religiões, esta solução dos Rabinos nos serviu por 2.000 anos, e somente agora está sendo questionada.

Aos leitores judeus quero deixar bem claro que faz todo sentido para um povo que estava temporariamente subjugado no Egito. E, que pretendia voltar um dia para Israel e manter o seu Deus nômade, e não respeitar os Deuses do Egito como queriam os Faraós, os Papas Católicos, os Pastores Alemães.

Por outro lado, faz todo sentido que uma cidade como Alexandria que possui um Deus comunitário se sinta ameaçada por estrangeiros que se recusam a adotar a religião local.

Dois mil anos depois, este mesmo conflito se deflagra aqui ao lado em Portugal, onde os locais exigiram que os judeus se tornassem Cristãos Novos, o que muitos concordaram.

Os reis e a Igreja de Portugal erraram ao exigir dos judeus a “assimilação”, um termo um tanto forte que lembra negação.

O termo correto seria “aceitação”, como se alguém dissesse “como eu não sou mais nômade, e pretendo viver nesta cidade para sempre, aceito compartilhar seus valores compartilhados para que possamos viver em harmonia, mesmo que de imediato não concorde com tudo que está aí “.

Em vez de aceitar os costumes locais, ficou a tradição de levar consigo um Deus pessoal e não aceitar o da comunidade.

Tradição que nós Cristãos adotamos também, talvez não tão intensamente.

Cristãos carregam Jesus nos corações, enviamos missionários para todos os cantos do mundo, acreditamos num único Deus, no monoteísmo.

Como resolver este problema?

Algo para se pensar.

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