Precisamos Acabar Com o FGTS

 

Todo mês o Estado retiram 8% de nosso salário para depositar no FGTS e nos devolver com juros menores do que de “mercado” no dia em que perdermos o emprego.

Só que os juros sobre os depósitos são abaixo do “mercado”, nem alcançavam de perto a inflação.

Não seria mais fácil e mais barato simplesmente recebermos todo mês a contribuição do FGTS diretamente acrescida no nosso salário, e fim de papo?

As empresas anexariam um singelo bilhete dizendo: “Guarde este acréscimo para os dias negros de uma recessão, nunca se sabe quando ela virá. Invista, não gaste“.

Economizaríamos milhões em custos administrativos para manter milhões de contas especiais do FGTS, com guias especiais, contabilização especial, filas adicionais e processos judiciais contra o governo.

Recentemente, o Supremo Tribunal confirmou a manipulação dos índices de correção monetária pelos governos passados, mas, em vez de colocar os responsáveis na cadeia, se estuda o aumento de impostos para cobrir o rombo.

O FGTS foi criado para financiar saneamento básico e habitação, atividades nobres e sociais, mas pagar somente 30% dos juros de mercado e manipular índices de correção é imoral e está longe de ser a “conquista social” que prometeram.

O FGTS faz parte das medidas econômicas da Ditadura Militar, uma compensação para aqueles que perderam seu emprego vitalício, que vigorava na época. Mas isto já foi há muito tempo, e não precisamos continuar com a Ditadura das leis que fizeram.

O FGTS trouxe também efeitos negativos, que o governo Militar não previram na época: a maioria dos trabalhadores quando atravessa uma dificuldade financeira não tem outra saída além de lutar para ser demitido, a fim de levantar o fundo.

Como consequência, nossas empresas, diferentemente das do resto do mundo, não treinam pessoal, pois todos querem ser demitidos assim que o FGTS atinge certo valor.

Diretores de treinamento se desesperam porque todo o dinheiro eventualmente investido em treinamento acaba indo direto para a concorrência.

São raríssimas as empresas no Brasil que mantêm grandes centros de treinamento, e as que os tinham reduziram-nos depois da introdução do FGTS, como por exemplo a IBM.

IBM tinha um dos melhores centros de treinamento do Brasil na Gávea, Rio de Janeiro. Não mais.

Mais uma consequência não pensada dos nossos intelectuais bem intencionados.

Por isso, o Brasil tem um dos maiores índices de rotatividade de mão-de-obra, e, consequentemente, um dos menores índices de produtividade pessoal.

Numa pesquisa que realizei no meu blog, 88% dos pesquisados prefeririam administrar seus FGTS pessoalmente a ver esse dinheiro minguar nas mãos do Estado.

Boa notícia para os candidatos à presidência à procura do que pode resultar em até 30 milhões de votos, de trabalhadores cansados desse falso paternalismo de Estado, cansados de ter de processar o governo de tempos em tempos para reaver o que lhes é de direito.
Publicado originalmente na Veja em Março de 2001, e o FGTS continua firme sendo retirado 8% todo mês do trabalhador brasileiro, e nenhum partido político questiona.

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