Como Discutir Uma Reforma da Previdência Honestamente

 

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Sempre que você estiver diante de um novo problema, liste o que em administração chamamos de “personagens de um problema”.

Liste todas as pessoas possivelmente envolvidas, aquelas que têm algo a perder ou ganhar, aquelas que poderão ajudar ou atrapalhar na análise ou na solução.

Acadêmicos tendem a focar só nos números, no tamanho do deficit, na idade média, na idade mínima de aposentadoria, e assim por diante.

E não é surpresa que jamais implantam suas ideias devido a enorme oposição de personagens que eles esqueceram.

Lendo as propostas de reforma da previdência até agora, a maioria acha que os “personagens” são: os aposentados, os contribuintes e o Estado insolvente. Simples.

E que a solução é aumentar a idade mínima, a arrecadação, ou diminuir fraude.

Mas não é tão fácil assim.

Se alguém quiser discutir este assunto seriamente a questão não tem início de discussão se vocês não fizerem um mínimo de lição de casa.

Neste caso elencando inicialmente todos os “personagens do problema”.

Então, vamos simular o que vocês aprenderiam num curso de MBA.

Coloquem nos comentários todos os possíveis “personagens do problema de uma reforma da previdência”.

Devo adiantar que passam de 15, todos com interesses próprios, que podem ajudar ou atrapalhar.

Vou dar um exemplo para esclarecer o que quero dizer.

Um dos personagens do problema que ninguém está pensando é o personagem “contribuinte prestes a se aposentar”.

E são estes justamente que estão apresentando as propostas de reforma.

Se você não pensar de antemão neste “personagem” você não vai perceber a enorme armadilha nessas propostas.

O “contribuinte prestes a se aposentar” não quer uma solução rápida, que seria necessária dada a gravidade do rombo do sistema.

Não surpreendentemente, eles estão mais preocupados nas “regras de transição” do que qualquer outro item.

E pelo número de anos que estas “regras de transição” devem vigorar, eu aposto que serei capaz de dizer a idade atual do proponente.

Por que uma transição se o problema requer solução imediata? Para acomodar os interesses daqueles que estão formulando a reforma?

Nojento, mas é assim que o ser humano funciona. Não o cientista honesto.

E aí vem a pergunta. Alguém “prestes a se aposentar” é uma pessoa intelectualmente isenta para fazer uma proposta destas? Não.

E uma pergunta ainda mais importante.

Quem seria a pessoa ou grupo de pessoas que poderiam realmente propor uma reforma honesta e isenta?

São eles quem precisamos perguntar e ouvir.

 

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