Globalização ou Comunitarismo?

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Um dos meus artigos que vive caindo nos vestibulares de redação, por parecer de esquerda, é o “Você Está Despedido”, de 2001.

Vale a pena ler, e ele se refere a uma aula que tive onde o professor de administração, Prof. Athos, expulsou da sala um aluno que queria economizar 5% demitindo pessoal.

Para sempre.

“Agora você sabe o que é ser demitido.”

45 anos depois, eu me lembro perfeitamente dessa aula, uma lição de moral.

Nos meados dos anos 1980, a escola de Economia de Chicago começou a atacar essa linha de Administração Socialmente Responsável, que fora capitaneada por Harvard e Stanford.

“Esses administradores não estão maximizando lucro”, bradavam Milton Friedman e seus colegas liberais.

“A responsabilidade social da empresa é maximizar lucros”, a frase mais calhorda já emitida por um intelectual de direita.

E foi a partir dessa constatação que eles começaram a minar o movimento de Administração Socialmente Responsável, com sucesso.

De fato não estávamos maximizando lucro a curto prazo a cada trimestre como queriam os teóricos de Chicago.

Não estávamos demitindo e transferindo fábricas inteiras para a China para ter 5% mais de lucro a curto prazo.

Sabíamos que salários baixos não iriam prevalecer para sempre na China, portanto seria uma economia de curto prazo.

Foi aí que a Escola de Economia de Chicago surgiu com as ideias de “stock options”, bônus milionários para executivos que maximizam lucros para os acionistas, lucros trimestrais, etc. E dane-se o social.

É isso basicamente que Milton Friedman está dizendo com todas as letras.

Foi a partir daí que as empresas americanas começaram a despedir seus funcionários, vizinhos das fábricas, e contratar chineses a 20.000 km de distância.

Trump está indo justamente contra a Escola de Chicago e por isso é odiado por 99 entre 100 economistas liberais.

Trump também estudou esse famoso caso espanhol no seu MBA, e também viu um aluno ser demitido.

E deve ter aprendido a mesma lição.

“Será que não podemos obter a mesma economia de 5% de uma outra forma, sem despedir toda a nossa força de trabalho e contratar mexicanos e chineses, como querem esses economistas?”

“Será que vale a pena maximizar lucro até esse ponto, destruindo nossa comunidade, nossa motivação e o espírito de equipe da nossa empresa?”

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