A Lenta Decadência da Editora Abril

 

Fico triste em ver a Editora Abril indo para uma provável recuperação judicial, agora que seu Patrimônio Líquido virou negativo.

O que aconteceu?

Como é possível, na era da informação, quando precisamos de dados e mais dados para planejarmos nossas vidas, a Editora de Veja e Exame estar em apuros?

Todos nós pagaríamos por informações relevantes, que nos fossem úteis, que nos permitissem decisões mais apuradas e rentáveis.

Mais um caso de uma empresa familiar que não conseguiu fazer a transição para uma empresa profissional.

E por isso mesmo, acabou sendo dominada pelos jornalistas da empresa, que mandam na empresa, em vez do consumidor.

Nunca me esqueço quando eu comecei minha coluna na Veja eu pedi o perfil do leitor, ao editor.

Ele não tinha, e pelo jeito nem achava essa informação importante.

Felizmente eu conhecia o Orlando Marques, do Comercial, que me deu o perfil do leitor da Veja.

Descobri que metade dos leitores eram mulheres, e a coluna Investimentos era escrita com frases “o investidor deve ter cautela”.

Metade eram jovens ainda sem dinheiro, e escrevi muitos artigos sobre “Invista na Sua Profissão”, “Vale a Pena Estudar no Exterior”.

Ao longo dos seis meses, minha coluna passou de 2% de índice de leitura para 30%, um pouco abaixo da matéria de capa que tinha 35%, em média.

Foi por esse sucesso que fui despedido logo em seguida, só por ter colocado o leitor em primeiro lugar, algo que todo administrador profissional teria feito.

É por isso que vocês não compraram Bitcoins a R$ 800,00, eles acabaram cortando a Coluna de Investimentos, tornando a Veja cara pelas informações que não divulgava.

 

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