Reservas Internacionais do Brasil

Publiquei em 2004 na Veja, o artigo “Faça um Colchão de Segurança”, onde colocava uma preocupação com o baixo nível de reservas internacionais do Brasil na época, e que diante da crise que viria em 2008 foi presciente.

“Volatilidade faz parte da vida – e sempre fará. O correto é conviver com ela, e não tentar impedi-la.

Governos anteriores acreditavam que saberiam intervir inteligentemente no câmbio ou nos juros, a cada nova crise, e portanto acumular reservas seria desnecessário e custoso.” 

Mesmo argumento que Nassim Taleb irá defender 10 anos depois em AntiFragility, livro que deve ser lido.

Nunca criamos reservas internacionais suficientes para enfrentar crises.

Em 2004 tínhamos somente 18 bilhões de dólares, dez dias de nosso PIB. 

Reservas financeiras substanciais compram tranquilidade e tempo, já que nenhuma crise dura para sempre.

TODAS as crises foram nefastas para o Brasil porque nossas reservas sempre terminaram antes. Criar reservas nunca foi nossa prioridade.

A China vive uma fase de prosperidade porque possui nada menos que 420 bilhões de dólares, o suficiente para enfrentar a pior crise que se possa imaginar.

“Ninguém sabe como será o amanhã, exceto que teremos muitas crises pela frente. Se você tiver zero de reservas familiares, a crise o afetará 100%. Quanto mais reservas você tiver, menos ela o afetará.

Quem enfrenta uma crise sem ter reservas acaba contraindo mais dívidas, como sempre acontece com o Brasil.”

Gostaria de dizer que Lula leu este artigo na Veja e mandou o Banco Central começar a acumular os 200 bilhões de reservas que acabou nos protegendo da crise de 2008.

Certamente foi incentivado por Henrique Meirelles, primeiro administrador financeiro guinado ao Banco Central, que pensa como todo administrador

Reservas internacionais será um legado do governo Lula, que nenhum sucessor terá coragem de desmontar.

Reservas internacionais

Dizer que Lula surfou a onda dos 18 bilhões de reservas deixadas pelo Plano Real é uma bobagem monumental. 18 bilhões não seguram crise alguma, desaparecem em duas semanas, como desapareceram em 1998 no final do Primeiro Mandato de FHC.

Lula ao criar estas reservas de 200 bilhões lutou contra dezenas de especialistas, inclusive acadêmicos de seu próprio partido, que achavam que 200 bilhões de reservas deveriam ser gastos em “saúde e educação”.

Estas reservas, apesar de óbvias, eram politicamente complicadas devido ao seu custo elevadíssimo.

O governo tinha que financiá-las a um juro interno de 16% ao ano, e só recebia 4% de juros quando aplicadas em títulos estrangeiros.

A crise americana de 2008 foi até uma benção, ao provar a tese de que reservas são necessárias, sempre.

Nunca mais teremos que recorrer ao FMI, ou à amizade de um Bill Clinton.

Estas reservas acumuladas por Lula serão um legado para sempre.

Nos salvou da crise de 2008, bem diferente do desastre da crise de 1998 quando não tínhamos reservas suficientes.

Ter reservas suficientes será política de todo futuro governo, e precisamos ficar atentos e protestar se um futuro presidente decidir torrar as reservas, como algo custoso e desnecessário.

(Lido por 226 pessoas até agora)

24 Comments on Reservas Internacionais do Brasil

  1. Prof. Kanitz,
    parabéns pelo post e principalmente pela honestidade intelectual, já que, pelo que tenho lido, me parece que o senhor não é nem jamais foi petista.
    Peço ainda que informe ao sr. Anderson, do PSDB, quantos trilhões de dólares o governo dos EUA jogou na economia para “sair da crise” que na verdade foi apenas adiada.
    Saúde e paz!

  2. Caro Sr.Stephen;
    Até a data de ontem (12/04/2010), eu achava que os 85% dos brasileiros que aprovam o governo do Sr.Lula, não estvam em São Paulo, estou feliza de saber que alguém com sua sabedoria e conhecimento reconhece os feitos do governo, não como aquela besta quadrada do Reinaldo de Azevedo e seu bando de comentaristas.Parabens agradeço por saber que existe mas Administradores do que economistas.

  3. Ao invés de toda essas análises que, em resumo, são combinações ” de soluções de um problema matricial em que o no. de variáveis supera em ordens de grandeza o no. de equações , o que eu queria ver mesmo é o BRasil usando recursos para criar polos que desenvolvam tecnologia de ponta…. que tal uns 10 ou 15 MIT aqui na terra dos sapos barbudos ?

  4. Markakis,você que já viu palestras do Kanitz, privilégio que ainda não tive, o acusa de ter “pirado na batatinha”, mas quem “pirou na batatinha” foi você.
    Você diz que no governo anterior não entrava US$ porque existia um “metalúrgico sem dedo” que atemorizava o mercado, quem se arriscaria a aplicar no país? A seguir você diz que o governo, o atual, foi obrigado a comprar US$ porque ele entrava aos borbotões.
    Conseguiu ver tua piração? O motivo do impedimento da entrada dos dolares no reinado anterior – segundo Markakis – é o mesmo da enxurrada de entrada no governo atual.

  5. Prof. Kanitz,
    A Economia não é uma ciência exata tal qual a Administração. Não existe esse “lance” do certo e do errado.
    É por isso que estudamos as escolas econômicas. E, não há em momento algum da história da humanidade, concordância sobre o que deve ser feito em termos de política econômica.
    Não quero ensinar a missa ao vigário, mas se compararmos os mercantilistas com os fisiocratas ou com os bulionistas, veremos propostas que se adaptaram a uma sociedade específica em um espaço de tempo específico.
    Mesmo as teorias clássicas, keynesianas, marxistas e assim por diante tinham limitações ora metodológicas, ora de limitação de informação ou por motivos diversos.
    Basta olharmos que os pressupostos keynesianos foram defendidos até o início da década de 1980, quando uma corrente mostrou-se mais relevante para aquele contexto social e, então, entramos na era do neoclassicismo, também conhecido como neoliberalismo econômico.
    Na realidade, o exercício da Política Fiscal e da Política Monetária ficará sempre subordinado a visão da função do Governo das pessoas que estiverem no poder em dado período e as necessidades que acontecerem em dado momento histórico.
    Sem essas múltiplas realidades históricas (acontecimentos ou percepções dos acontecimentos) não seria necessário abandonar-se os pressupostos clássicos, nem os pressupostos keynesianos, nem mais recentemente os pressupostos neoliberais.
    Eu concordo com alguns dos colegas que postaram anteriormente. O serviço da dívida é caro e uma cesta de moedas não pode estar viciada, ou seja, não pode conter apenas dólares. Afinal, corrija-me se eu estiver errado, foi por esse motivo que o padrão ouro foi abandonado no passado.
    A Política Econômica do Governo Lula, para surpresa minha e de muitos do meu partido, está mostrando-se eficaz. Nós conseguimos passar com relativa facilidade pela última crise financeira. Mas não podemos esquecer que esse não foi um efeito meramente brasileiro. Precisa-se lembrar que a taxa de crescimento da economia americana no último trimestre foi da ordem de 3,5%, ou seja, os EUA, que foram o país mais afetado pela crise, também já saiu dela.
    Isso se dá pela capacidade de conhecimento dos agentes econômicos, que a cada nova crise obtém melhores vacinas anticiclicas. Esses remédios vão sendo usados e experimentados a cada nova crise. Na última, por exemplo, já tínhamos as experiências da década de 1930 e da década de 1970. Por isso, o Gordon Brown foi tão efusivo ao vociferar a ajuda aos Bancos.
    Muitos outros argumentos poderiam ser postos, mas acho que esses serão suficientes.
    Agradeço,
    Anderson Gonçalves dos Santos
    Secretário de Formação Política
    JPSDB – Diretório Municipal São Paulo/SP
    angssp@gmail.com

  6. Parabéns professor
    A sua analise e visão são a realidade do Brasil, endossada pelos comentarios. Vimos e vemos que um pais se faz pela cultura e pelo feeling e as críticas dirigidas ao artigo são o reflexo de quem ainda confunde homem com partido e acha que formação academica é mais importante que formação da vida, que é a única que traz experiência. Quanta bobagem comentada por aí. Tá bom que o equilibrio está no Meireles, mas penso que acima de tudo está no homem que o segura. Ouvi muitas críticas quando o Brsil liquidou a divida externa. Afinal o conelismo não existe só no nordeste mas cancerosamente, no sudeste, centro-oeste e sul. Agora os partidários da tsunami ladram enquanto a caravana da marolinha passa.

  7. Georgios Markakis, quanta besteira!
    Você sabe quanto tempo demora para o capital espeulativo estranhgeiro entrar/sair do país? Você acha que o tal “discurso terrorista” impediria alguem de investir durante os 8 ANOS de governo FHC, por exemplo? Em 4 anos dá pra gringo enriquecer muito especulando por aqui, sem perigo de nenhum “sem dedo” tomar o poder. Já ouvi alguns bons discursos anti-lula. O seu, certamente, é o mais imbecil de todos.

  8. Sr. Georgios Markakis,
    O senhor realmente acredita que um “metalúrgico sindicalista sem dedo” (eu sinto vergonha pelo senhor por ter se referido a um cidadão com tamanho preconceito) tem tanto poder assim para aterrorizar o mercado internacional?
    Aliás, eu acompanhei a campanha de 1998 e não lembro de ouvir nenhum “metalúrgico sindicalista sem dedo” dizendo que iria estatizar tudo se ganhasse, até porque, se ele usasse isso como “retórica de campanha”, como o senhor falou, o senhor poderia estar certo de duas coisas: 1) ele seria muito, mas muito burro de usar uma retórica dessas em tempo neoliberais; e 2) ele não teria sido eleito. Se ele fosse um canalha, ele teria feito o contrário: usado retórica pró-neoliberalismo e depois estatizado tudo, mas não foi isso o que ele fez, conforme a história o mostra, o que descontentou até alguns de seus partidários. Tudo isso é uma questão muito simples de lógica. Qualquer “metalúrgico sindicalista sem dedo” entende isso. Só empresário tosco sem inteligência é que não.

  9. á parou para estimar o custo destas reservas? No mínimo uns R$30 bilhões por ano. É um custo muito alto, é mais que os gastos com edução. São mais de 3 bolsa-família. E para que servem essas reservas? Para garantir a saída tranquila dos especuladores que vêm aqui ganhar muito no mercado financeiro: ganham nas ações, na dívida pública e com a valorização do real. Esse dinheiro de curto prazo pouco contribui para o desenvolvimento do país.
    Não vivem dizendo que o Brasil depende de capital estrangeiro para se financiar? Mas as reservas não são aplicadas em títulos da dívida dos EUA? Você tomaria dinheiro emprestado no cheque especial para aplicar na poupança? Mas é essa a política das reservas.
    Essa conversa de que precisamos atrair capital estrangeiro é conversa fiada. Entram os dólares, o BC compra os dólares e em contrapartida emite dívida pública. Ele fica sentado nesses dólares até que o “investidor” decide sair ao menor sinal de crise. E somos nós contribuintes que sustentamos essa farra.
    Há outros meios de manter certa estabilidade cambial. Por exemplo o professor de Economia Política Internacional de Harvard Dani Rodrik sugere que os países em desenvolvimento como o Brasil limite a entrada ou a saída de capitais de curto prazo. Afinal é esse capital volátil que entra num primeiro momento valorizando o câmbio, tirando competitividade das nossas empresas e estimulando importações. No momento seguinte esse mesmo capital sai de forma desordenada bagunçando as contas externas.
    O capital que o Brasil precisa é daquelas empresas que vem para cá construir fábricas, trazer novas tecnologias. E boa parte desse capital está aqui mesmo, nos fundos girando em falso na ciranda da dívida pública. Um autor que explica bem a questão das distorções causadas no Brasil pelo excesso de liberdade do capital financeiro internacional é Bresser-Pereira (professor da FGV). Não é o autor que mais admiro, mas é bem didático nesta questão.
    Tentativa de crescer com poupança externa é estratégia errada
    Valor Econômico, 18.9.2009
    http://www.bresserpereira.org.br/view.asp?cod=3557
    Crises financeiras nos anos 1990 e poupança externa
    http://www.bresserpereira.org.br/view.asp?cod=2927
    É o câmbio, sr. presidente
    http://www.bresserpereira.org.br/view.asp?cod=3491

  10. Concordo contigo. É que o nosso amigo Kanitz ao defender a política de reservas ele está olhando somente para aqueles que ganham no mercado financeiro.
    As reservas brasileiras tem servido somente para a saída tranquila daqueles que vem ao Brasil participar dos altos ganhos do mercado financeiro.

  11. Estranho… A Alemanha tem reservas enormes e nem por isso saiu ilesa da crise. Seria uma crise de crédito ou uma crise cambial?
    O Brasil, a terra do gênio finaceiro Lulla, não está indo pelo mesmo caminho americano sustentando o consumo com o endivadamento cada vez maior da população e do governo?

  12. Não era o Lula que dizia que iria estatizar tudo, eram vocês que falavam isso dele com suas Reginas Duarte tentando apavorar a população e seus dirigentes da FIESP falando em desemprego se ele ganhasse. Até quando vocês da direita vão distorcer a história? Porque vocês são tão injustos?
    Vocês são joguetes na mão da midia. A midia era contra o golpe em Honduras, quando descobrem que o Lula também é, até entrevistam o Micheletti na Veja. Prestem atenção e vocês verão que os sapos não são tão barbudos quanto vocês pensam. E este ano, vocês vão ver como a direita vai fazer com que o Brasil pareça o pior país do mundo. Mesmo com a esquerda tendo feito um governo melhor que o deles e não é por patriotismo, é apenas pelos comandos que lhes foram solapados.

  13. Prof. Kanitz
    Sou um fã do Sr., o senhor fez uma analise até relevante de como ” saímos” da crise, mas muito, muito superficial mesmo… infelizmente isso demonstra em “Petissismo” muito forte, não que eu admire o PSDB, mas concordo com tudo que o Georgioi Markakis disse.
    Abraços.

  14. Se voce cidadao, colocasse todas as suas reservas do jeito que esse governo está fazendo, estaria QUEBRADO.
    As reservas sao virtuais, pois sao feitas com dinheiro emprestado em Reais.O Custo interno dessas reservas como o Sr. Kanitz mesmo diz é de 16% ao ano e só ganhamos com elas 4%. Só que o sr. Kanitz não fala é que as reservas em dolar estão DESVALORIZANDO. So esse ano perdemos 20%. Em outras msgs eu disse que perdemos mais de 100 bilhoes de reais, só esse ano. No ano que vem vai ser pior e a perda pode ser o dobro. O Brasil está muito mal e só o Lula e os 81% que o apoiam não enxergam. Só esterei errado se as reservas estiverem em outras moedas mais fortes. Responda Sr. Kanitz.

  15. Concordo com tudo em genero numero e grau com o que diz o Sr. Georgios Markakis. Lula costuma comparar seu governo com aquele periodo de FHC em que imperava o Panico, que o sapo barbudo mesmo criou. Foi canalhice, mesmo. Se Lula nao tivesse agido assim, naquele ano teriamos crescido mais de 5%. Depois de eleito ele acalmou todo mundo e apenas colheu o crescimento que ROUBOU de FHC!!! Nós ja fomos a oitava economia do mundo e hoje somos a nona ou decima. poderiamos ser hoje a quinta e talvez sejamos só em 2016, isso se a Dilma nao ganhar. Andamos relativamente para trás.

  16. As reservas em termo bruto cresceram muito, mas em reais estamos nos ferrando, pois as reservas em dolares valem cada vez menos em Reais(perdeu mais de 130 BILHOES em reais so este ano), enquanto a divida interna em reais, explode. Só se as tivessemos em moeda forte como o Euro, Franco Suiço ou prata e ouro. Do jeito que está é puro Marketing.

  17. Execelente artigo…
    Demonstra que em se poupando tudo dá…até uma estabilidade monetaria, sim, porque nem com a crise nossas reservas se extinguiram.
    Homens certos nos lugares certos….Lula e Meireles.
    Melhor impossivel……
    Parabens

  18. Prof. Kanitz.
    Sou seu fã. Já fui em algumas palestras suas, e sempre concordei com seus pontos de vista. Mas agora acho que você pirou na batatinha. Você deu uma escorregada FEIA.
    Nosso ilustre presidente Lula não criou essas reservas porque ele é um gênio financeiro. Ele foi quase que obrigado a comprar dólares pois a moeda americana entrou (e continua entrando) aos borbotões. É uma enxurrada que não pode ser contida.
    E você pode perguntar porque é que esses dólares não entravam na época dos governos anteriores. Simples: É porque naquela época existia um metalúrgico sindicalista sem dedo que aterrorizava o mercado internacional, dizendo que se ganhasse a eleição, iria estatizar tudo por aqui. Qual investidor estrangeiro iria arriscar seu dinheiro diante de um quadro desses?
    Depois de eleito, levou um tempo para mostrar que era só retórica de campanha, e os fluxos financeiros começaram a correr.
    A estratégia dele pode até ter dado certo, mas eu me recuso a aplaudir tamanha canalhice.

  19. É realmente verdade. Não precisamos ter plano mirabolante, basta alisarmos com quem usa o dinheiro em demasia, o que acontece com quem não economiza, não faz poupança. O próprio trabalhador também pode usar esse mesmo critério. Economizem para o tempo de “vacas magras”. A bíblia já nos ensina a dezenas de décadas e ainda tem gente que não aprende! Os empresários também deve se fazerem desse mesmo critérios.
    Parabéns pelo artigo!

  20. Professor,
    já disse no post introdutório que não encontrei qualquer partidarismo em seu post, e sim um nacionalismo. Parabens, porém achei que a exposição sobre os legados seria mais extensa e analítica.

  21. Prof. Kanitz, o governo FHC não acumulou reservas porque não quiz ou porque não pode, devido a realidade economica mundial do seu governo ser bem diferente da era Lula?

  22. Kanitz, realmente você é demais, isso responde o quanto você é apartidário e que realmente se liga nos fatos, e não tem nada a ver com o Partido Trabalhista, como diseram por aí. Parabéns, tenho que dizer que espero ancioso pelos outros sete.

  23. È verdade Kanitz, nenhum regime político nos dias atuais pode se dar ao luxo de não ter reservas, seja ele capitalista, socialista, comunista (os istas da vida). O Adminstrador deve ser o pilar de qualquer economia que deseja permanecer alicerçada, criando condições de ajustes futuros em qualquer política de sã consciência.

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