A Crise Keynesiana


A causa principal e o motor desta crise não foram a ganância e a super alavancagem dos bancos, mas sim uma política econômica de inspiração neokeynesiana, um estímulo governamental e fiscal que permite a todo americano deduzir da renda tributável os juros da compra da casa própria, da casa de campo e até de um veleiro.

Até o limite de 1 milhão de dólares de dívida.

Este deve ser o incentivo fiscal mais equivocado da história econômica, porque obriga os americanos a se endividar até o teto: quem compra a vista não tem benefício fiscal.

“Mortgage interest is tax deductible only if the debt you acquire is secured debt – meaning your home is pledged as collateral on the debt.” (IRS)

Um bom economista brasileiro teria reduzido o IPI, como fizemos com muito sucesso no setor automobilístico.

Agora vocês entendem como surgiu o subprime, e porque os bancos devotam 50% do crédito ao setor imobiliário-governamental.

Não é a ganância do capitalismo que estimulou esta farra, foram benesses neokeynesianas.

Estímulos fiscais para o setor que mais emprega, para atingir o Pleno Emprego, mantra do Keynesianismo. E os Republicanos apoiando porque casa própria e propriedade fazem o eleitorado mais “conservador”.

A juros de 6,0%, um americano pode abater US$ 60.000,00 de sua renda tributável de US$ 200.000,00 por ano, por exemplo, e pagar imposto de renda somente sobre US$ 140.000,00.

Multiplique por 30 anos, e você abate US$ 1.800.000,00 de sua renda de uma compra de US$ 1.000.000,00 a prazo.

Como o imposto de renda federal, estadual e municipal chega a quase 50% (42% para ser exato), em 30 anos você economiza US$ 900,000,00: um subsídio que chega a quase 90%, pago pelo governo.

Por isso, fazia tanto sentido vender casas mesmo para as famílias insolventes, o subprime, porque 30 a 50% da casa era o governo quem pagava, já que o imposto de renda é menor.

Artigos que dizem que a crise de 2008 é a vitória do keynesianismo precisam ser analisados com cautela.

A crise foi consequência direta de uma política econômica essencialmente keynesiana, que:

1. Estimula o super endividamento de todo o povo americano.

Quanto maior a sua dívida imobiliária, maior será o seu subsídio de juros dedutíveis. Por isso, os americanos se endividam. Você faria o mesmo.

2. Uma política econômica inflacionária estimula a superprodução e bolhas imobiliárias.

Não foram os bancos que causaram a crise de 2008, foram os keynesianos e os republicanos.

Esta política estimula a procura de casas com o mínimo de entrada, o máximo de dívida e o máximo de juros.

3. O imposto de renda americano permite deduzir 100% do juro nominal, o que equivale a 200%, a 300% do juro real. Ou seja, parte da amortização da casa é dedutível, outro absurdo monumental.

4. Como a inflação corrói anualmente a prestação mas aumenta o valor da casa, de tempos em tempos o americano implora ao banco uma segunda e uma terceira hipotecas, a única forma de continuar a farra da dedução dos juros nominais do imposto de renda.

O americano usa essa segunda hipoteca para comprar carro com juro e amortização subsidiados.

Se comprasse direto da GM, não teria juros dedutíveis.

Imaginem a reação de sua esposa brasileira se você, depois de 25 anos, voltasse com uma dívida imobiliária na estaca zero.

Mulheres querem casas quitadas depois de 25 anos, e não casas endividadas.

5. Mas os keynesianos têm razão num aspecto: os monetaristas também colaboraram com esta crise, porque em 2000, 2001 e 2002 o FED imprimiu um juro real negativo. Ninguém reclamou na época, ninguém previu a farra que iria ocorrer: nem Krugman, Roubini, Sachs ou Bernanke, quando era ainda professor.

O termo “juro negativo” confunde as pessoas, porque negativo significa que você recebe juros em vez de pagar juros.

A partir de 2000, para cada US$ 1.000.000,00 de dívida imobiliária, você recebia US$ 20.000,00 por ano de juros negativos.

Multiplicado por 30 anos, seriam US$ 600.000,00. Somem-se mais os US$ 30,000,00 do Mortgage Interest Tax Deduction e você poderia receber US$ 1.500.000,00 em 30 anos se comprasse uma casa de US$ 1.000.000,00.

Por isso, o pior aconteceu na Flórida e na Califórnia, porque latino-americanos percebem quando o juro é negativo por terem vivido em países inflacionários.

O Canadá, um país tão capitalista e com a mesma estrutura bancária americana, quase um país espelho, não teve nenhuma das crises americanas.

Por quê? É que não adotaram estes estímulos fiscais de incentivo à casa própria, e precificaram os contratos imobiliários com juros reais, e não nominais.

Os verdadeiros culpados desta crise não foram o livre mercado, os bancos, os bônus e a ganância.

Eles foram na onda por assim dizer destes subsídios e os juros negativos estipulados pelo órgão regulador.

Foi esta política econômica de incentivo à moradia que distorceu o mercado, dando incentivos absurdamente elevados (juro nominal) de forma equivocada (via endividamento).

Segundo o New York Times, essa política keynesiana jamais será revogada, o que significa que novamente teremos a crise de 2008 daqui uns 15 anos provavelmente.

“There are no cows more sacred in the tax code than the deductions for mortgage interest and property taxes. Together, they add up to at least a $75 billion annual subsidy for housing and homeowners.” (New York Times)

Como os keynesianos estão habilmente escondendo estes fatos, a maioria dos jornalistas não fica sabendo dessa “boa” notícia.

Nos próximos 30 anos, o governo americano irá continuar com este sistema de subsídios, num total de US$ 2,2 trilhões de dólares.

Assim que os preços dos imóveis parar de cair, 3 milhões de americanos prestes a casar, irão exigir o seu “incentivo” keynesiano, e comprarão imóveis para poder pagar menos imposto de renda.

Nos próximos anos, iremos ler dezenas de “papers” pedindo mais controle de bancos, de seus administradores, das empresas de ratings, de uma nova ordem mundial, etc…

Mas ninguém pedirá mais controle sobre estes subsídios keynesianos que obviamente precisam ser eliminados para não colocar o mundo em risco novamente.

Stephen Kanitz

(Lido por 1590 pessoas até agora)

29 Comments on A Crise Keynesiana

  1. Considerações:
    1) o objetivo da medida teria sentido nos idos da 1ª e 2ª grande guerra, dado o esforço de reconstrução dos paises, desde q vigesse pelo tempo necessario.
    2) a nao revogação da medida, alem de questoes politicas, mostra firmemente a intençao do governo central … socializar a perda de receita por toda a sociedade em detrimento de quem nao compra imovel.
    mantendo um paralelo, aqui no Brasil com a isençao de IPI para carros tambem se pratica o populismo e com essa medida em detrimento das classes mais pobres da sociedade q nao tem como comprar carros, sao convocadas a pagar a parte dos q podem comprar carros. é inconstitucional, mas os politicos e o judiciario temem perder popularidade se mexerem no assunto, alem da Lei de Responsabilidade Fiscal nao endossar isso.
    3) os oportunistas rentistas observando essa situação aproveitaram para ganhar mais dinheiro.
    4) nao satisfeitos criaram monstrengos financeiros e venderam aos incautos: “Por isso, fazia tanto sentido vender casas mesmo para as famílias insolventes, o subprime, porque 30 a 50% da casa era o governo quem pagava, já que o imposto de renda é menor.” vale dizer – é açao em má fé ou é moeda de troca para eleger presidentes …

  2. Por aqui temos subsídio para rendas menores, muita burocracia na contratação de um empréstimo imobiliário, altas taxas, nem o desconto do IRPF é contado negativamente na hora da contratação/simulação, porém não se pode reclamar, dias piores já foram vivenciados, o que se vê hoje só não é mais admirado pois nossa geração reclama até do favor recebido.

  3. Professor, obrigado pela resposta. Eu li sim o artigo e não estou negando que o incentivo não existe. É real.

    Como comentei é um assunto muito rico e com muitas variáveis para um debate escrito, mas é o que temos e vamos tentando. E não quis também inferir que era ideológico o artigo. Se parece, favor desconsiderar.

    O ponto principal que quis me centrar era no fato de que esses incentivos não são os principais causadores da crise. Foi um conjunto de fatores que levaram a isso, como por exemplo uma baixa supervisão ao Freddie Mac, os bancos participando no mercado especulativo e a falta de supervisão pois esses sub-primes são os pacotes “contaminados” que os bancos criaram para crescer seus portfolios e claro venderam como um bom negócio.

    Voltando ao ponto dos incentivos ao credito imobiliário não me limitaria a ele pois as deduções para “instituições de caridade” por exemplo que podem ser de 20%, 30% e até 50% do seu salário bruto totalizam valores muito mais altos, perto de 300 bilhões ao ano de acordo com a Reuters (dados de 2011). http://www.reuters.com/article/2012/06/19/us-usa-charity-idUSBRE85I05T20120619

    Enfim, um ótimo assunto para conhecermos melhor o que fazem e como fazem os outros países. O que tem em comum no US Tax Code com os demais países é que ele é muito complicado e cheio de benesses para certos grupos. Eu sou à favor de um “flat tax” por exemplo e de uma simplificação na supervisão dos bancos (menos regras, mais simples), do que o que temos hoje.

    Atenciosamente,

    Helder

  4. Helder,

    “A Lei incentiva os bancos a emprestarem a quem não podia pagar”, e aí você acha que os Bancos eram idiotas. Claro que não. Leia o artigo de novo. E note que eu coloco dados e não ideologia. O governo americano incentiva compra da casa propria, exigindo que se contraia uma divida para abater os juros. Segundo você o problema não existe mais, mas garanto que o incentivo continua.

  5. Achei o artigo realmente desconectado com a realidade. Me surpreende o Professor a quem tenho o maior respeito. Um tema tão complexo ser tratado assim. O mesmo é em uma pequena resposta tentar contra argumentar. Só quero lembrar 3 coisas que foram os causadores da crise:
    1) A Lei que permitiu os grande bancos voltarem ao merecado especulativo. Assinada pelo Presidente Clinton com o apio de todos. Os Bancos Americanos não podiam entrar no mercado especulativo desde a grande depressão.. voltaram a aprovar.. durou pouco. Veja porque isso não acontece no Brasil nem no Canada;
    2) A Lei chamada dde Community Reinvestment Act, assinada pelo Carter em 1977, incentiva os bancos a emprestarem dinheiro pra quem não pode pagar. Os chamados NINJA – No income, no Jon, no asset;
    3) Os juros baixíssimos depois de 2001 no Governo Bush, apoioados pelo Alan Greeenspan. Demoraram demais para reajustar os juros daí as casas começaram a subir muito de preço.

    Os bancos se aproveitaram desses 3 elementos para vender casas mais caras (inflacionadas) pelo mesmo pagamenteo mensal do cliente. Se você pagava 1,000 /mes com juro alto, o banco ao invés de te refinanciar com juros mais baixos, eles faziam isso oferecendo uma casa muito mais cara.. Aí começou a inflação das casas… Na Flórida os imóveis dobraram de preço e essa prática de vender casas par aquem não podia pagar incrementou o subprime.
    Tem estados que a crise das casas não aconteceu. A Florida, California, Nevada foram muito afetados.

    A Crise doi o estouro da boiada (bolha) dos preços. Não tem a ver com as tais deduções que o artigo sugere. Foram os bancos empurrando casas mais caras (inflacionadas) para clientes que não podiam pagar. Uma receita pro desastre.

  6. Parece-me que a questão é sobre como o Brasil deve posicionar-se: se aderimos ao pensamento americano, somos engolidos junto às Repúblicas bolivarianistas ou permanecemos encima do muro… particularmente me abraço nos americanos.

  7. Muito interessante ver as opiniões porém é necessário entrar nesta conta o estudo da universidade da Califórnia que da base a todo este incentivo onde a habitação tem o Maior efeito multiplicador na economia. Para cada 1 dólar investido retorna em 30 anos 18 dólares..para se comparar o automóvel é 1 para 9.
    2 milhões de casas no minha casa minha vida por existirem após ficarem prontos consumirão 2 milhões de iptus,icms nas contas de água de luz nas compras dos eletrodomésticos ,etc .
    A existência do bem de enorme impacto na composição do pib,continua depois de entregue contribuindo com impostos .
    No lado contrario esta o cigarro que depois de acesso seu efeito multiplicador será no aumento de custos na saúde.

  8. Kanitz,
    E o que você acha do programa “Minha casa, minha vida”?
    Não é uma forma de empréstimo sub-prime subsidiado pelo governo?
    Quem vai pagar a conta da dívida se a economia brasileira desacelerar e os participantes do programa não puderem honrar os compromissos?
    Você tem acompanhado o declínio das ações das construtoras brasileiras na bovespa? MRV, Brooksfield, Cyrella, etc… estão sendo bastante castigadas na bolsa.
    Um abraço.
    Sergio

  9. Com tantos comentários com as mais diversas opiniões… Como posso saber o que é correto ou pelo menos “mais viável”? Ou é assim mesmo?
    Não sou do ramo, mas me interesso e leio com frequência. Sinto que a diferença tanto do artigo quanto a dos comentários ocorrem por linhas de raciocínio diferentes…

  10. Estranho, todo mundo diz que o artigo está
    errado ‘por que não foi possível prever a
    crise’, claro que foi, Schift (de quem posso
    discordar em muitos pontos) tinha alertado
    já para os riscos do sistema americando.
    Sabe o que fizeram? Riram dele…
    As pessoas insistem em carimbar os empresários
    como malvados e aproveitadores. O fato de
    alguém ser empresário não o torna nem mais
    honesto nem mais desonesto que ninguém. Por
    que o especulador que ganha dinheiro com
    ações é ‘malvado’ e o trabalhador que
    investiu seu FGTS não é?
    Para mim a semente da crise está muito
    claramente descrita, o problema começou
    nas SPs e os motivos estão demonstrados,
    só não ver quem não quer. Se um governo
    promove uma farra de crédito e depois ainda
    assume a ressaca a culpa é de quem lucra
    com isso e não do governo? Por que?

  11. Prezado Kanitz;
    Um alvo movel, engrandece o talento do cacador. Neste caso especifico, sou um conservador que mantem o alvo em movimento. Ja o talento, eh todo seu.
    Mandei-lhe uma planilha dos custos de uma casa na Florida para tornar mais tecnica a discussao da tese que levanta no artigo. Os valores aqui sao originados dela. Minha experiencia no mercado imobiliario (Real Estate) eh limitado, mas meus 20 anos em consultoria economica a empresas me subsidiam na elaboracao de planilhas e analise de distorcoes. Assim seguem tres novos alvos para a discussao original.
    Primeiro, a transferencia de recursos do governo federal para o governo municipal acontece baseada no valor da propriedade privada. Explico; se for comprado hoje uma casa de U$300 mil na Florida, o comprador podera abater no imposto de renda, que eh federal, os valores U$71,533 e U$41,580 (total de U$113,113) nos proximos 30 anos. Sao deducoes de 28% dos juros e de parte do Imposto da Propriedade respectivamente. Neste mesmo periodo o comprador pagara ao Municipio um imposto sobre sua propriedade de U$148,500. Ou seja, paga-se anualmente o montante de 1.5% a 2% do valor do imovel. Grande parte deste Imposto da Propriedade (Property Tax) eh para a educacao fundamental e medio dos residentes do municipio. Concluindo; no ‘cash flow’ o comprador ira desembolsar aproximados so U$35 mil com impostos.
    Segundo, existe um estimulo intangivel a comercializacao de imoveis em curto prazos. Explico; no financiamento de 30 anos o pagamento dos juros pode ser assim dividido; nos primeiros 10 anos paga-se 50% do total de juros. Nos 10 anos seguintes mais 31% do total e nos 10 ultimos anos os 19% restante. Ou seja, mais valem 3 compradores, um a cada 10 anos, ao inves de 1 comprador por 30 anos. Assim o emprestador recebera de juros U$383,215 pelos 3 compradores do que o total de juros (U$255,477) de um so comprador. Concluindo, na Florida a media de permanencia no imovel proprio eh de 7 anos. O emprestador agradece.
    Terceiro, o ‘capitalismo camarada’ eh um incentivo aa exuberancia de crescimento (vulgo bolha). Quando as securitizadoras Fannie Mae (1938) e Freddie Mac (1970) foram criadas pelo governo Americano para garantir o contrato de financiamento do imovel residencial e comercial ficou implicito a participacao publica na garantia do contrato de financiamento. Com o IPO das gemeas em Dezembro de 86 e Agosto de 89 as duas foram para o controle privado. O mercado continuou considerando a participacao publica na garantia, uma vez que os valores cobrados para garantir o contrato eram irrisorios. Em Julho de 2007 Ben Bernanke deixou claro a nao responsabilidade do governo nas operacoes de garantia das gemeas. O mercado imobiliario implodiu. Para consertar, o governo parcialmente reassume as gemeas e mais a AIG que tinha garantido tambem um volume grande de contratos. Concluindo, Os bancos ficaram com o mico. Mico tambem chamado de ativo podre, ou seja, um contrato onde o comprador nao honrou, uma securitizadora que quebrou, um investidor furioso querendo o dinheiro de volta e a economia em colapso.
    Contudo o alvo continua movel uma vez que as razoes individuais que estimularam a exuberancia e a crise sao intrinsecas do capitalismo. E somente este caminho eh o mais indicado para criar prosperidade, Abracos

  12. GOSTEI DO ARTIGO, PRINCIPALMENTE PORQUE ME AUXILIOU NAS PESQUISAS DE UM TRABALHO DA FACULDADE QUE ESTOU FAZENDO SOBRE POLÍTICA MONETÁRIA.

  13. Sorry, isto existe sim. E se chama Second Mortgage, ou Home Equity Carve Out. Isto faz com que sua dívida sempre volte ao que era.
    E ninguém está falando mal do seu EUA querido, René. Estamos criticando seu sistema imobiliário.
    Este é o grande problemas dos americanos, são totalmente incapazes de aceitar críticas, mesmo quando corretas.

  14. Prezado Kanitz;
    Dados completos dos custos de compra e demais despesas de uma casa na Florida.
    O financiamento eh de 30 anos e 4.5% ao ano de juros(atuais).
    O valores que seguem sao em dolar.
    Valor da Casa = $300,000;
    Necessidade de Rec. Proprio(no FHA so 3%)= $9,000;
    Principal= $291,000;
    Juros Total= $255,477;
    Pagamento Mensal (Juros + Principal) (a)= $1,518;
    Pagamento Mensal dos custos extras (b)= $1,101;
    Custo mensal medio (a) + (b)= $2,619;
    Custos da casa em 30 anos:
    Juros&Principal= $546,476;
    Deducao no Imp. de Renda de ate 28% dos juros(-)= $(71,533);
    Inflacao sobre Juros&Principal(-2% a.a.)= $(134,175);
    Deducao do Imp. Propriedade no Imp.de Renda= $(41,580);
    Imposto da Propriedade (media 2% do valor)= $148,500;
    Seguro = $90,000;
    Jardim, piscina (opcional)= $3,600;
    Condominio (Florida opcional)= $79,560;
    Manutencao (0.8% do valor da casa)= $72,000;
    Outras Manutencoes & Custos da compra= $8,000;
    Custo da Inflacao (3%aa)= $228,082;
    PMI (seguro pelo recurso proprio)= $13,776;
    Custo Total= $942,706;
    Valorizacao da Casa apos 30 anos (4% a.a)= $973,019.
    Necessariamente o abatimento de um terco dos juros no imposto de renda acontece porque os juros do financiamento da casa sao em media 6% ao ano. Ja a valorizacao historica da casa eh de 4% a.a.
    O retorno de U$33 mil em 30 anos nao eh, a principio, atrativo. Ate comparar com o aluguel, ai a historia muda.
    Abracos

  15. Prezado René,
    Isto existe, sim, e se chama Sistema Americano de Amortização. Nele você paga apenas os juros durante o prazo do empréstimo e deixa o principal para pagar ao final. Aliás, ao que me parece após ler o artigo do Kanitz, ele foi “inventado” justamente para possibilitar esse tipo de “coisa”.
    Rafael Araújo.

  16. Ora, ora a que ponto chegamos, a crise não é decorrente da ganancia. O que é ganancia? Não há como separar a analise racional da economia com a natural
    existencia dos sentimentos (coração,ideologias, dogmas)
    Haviam 2 donos do mundo. A URSS acabou, com ela o comunismo, socialismo real e infelizmente o socialismo utópico. Resta o atual dono, os EUA, pai da globalização. O capitalismo, neo liberalismo, o livre mercado. Como tal representa o pensamento único, o fim da história.
    Se ele está acabando, qual o novo modelo que a humanidade começa a construir?
    Quais os pressupostos básicos de cada um? Estado, planejamento da produção, evolução espiritual e material factível do povo? Do outro o Estado mínimo, o livre mercado, a evolução natural proporcionada pela mão invisível supervisionando a busca do proveito próprio.
    Como regime, o socialismo não existindo, tudo o que acontece de errado no planeta, destruição ambiental, aumento da miséria, concentração de renda, só posso atribuir ao capitalismo. Quais as melhorias ideológicas são pertinentes para o capitalismo?
    Do meu ponto de vista somente aquelas que caminharam para um incipiente socialismo como cogestão, a participação nos lucros, a economia solidária, o cooperativismo. Para fazer frente aos instintos de sobrevivência, posse e poder que são imanentes no inconsciente humano e que portanto prevalece no campo econômico é primordial uma educação integral (ciência, artes, filosofia, religião) gratuita estatal ou privada subsidiada. O sucesso do cooperativismo industrial e financeiro de Mondragon é uma prova inquestionável. Seu idealizador D. José Arrizmendi chegara a Mondragon em 1941. Em 1950 funda uma escola de formação profissional com o lema “educação técnica e humana de qualidade. Dizia “Primeiro devemos formar pessoas para depois formarmos cooperativas”. A primeira cooperativa se inicia em 1956 o Talleres ULGOR
    Os capitalistas, os adeptos do livre mercado ainda insinuam que o que deu errado é não termos feito a nossa lição de casa preconizada pelos paises ricos que adotam o capitalismo puro!.
    Cada ser se afirma como o sentido da vida, idéias e sentimentos que lhe são imanentes ou adquiridos. Para mim é difícil aceitar os “princípios do livre mercado”
    Os do socialismo, são considerados por eles como uma utopia inalcançável. O são os mandamento do ”amar o próximo como a ti mesmo” ou o principio “de cada um de acordo com a sua possibilidade, para cada um de acordo com a sua necessidade”
    Considero o livre mercado como a admissão do caos, do pragmatismo, da naturalidade do egoísmo, do individualismo. Esse dogma de que o mercado é sabidamente mais eficiente
    para resolver os conflitos distributivos.
    Tudo isso lembra a mentalidade grega de que trabalho é uma função aviltante, não apropriada ao bom pensar intelectual.
    Também parece uma luta ideológica baseada simplesmente em pressupostos subjetivos. Os de direita dogmas capitalistas, os de esquerda dogmas socialistas.

  17. Bruno a teoria Keinesiana na possui todos os subsídios necessários para explicar a crise presente. Esta só poderá ser questionada pelos preceitos da teoria do caos!

  18. Sr. Kanitz,
    O seu artigo não explica toda a crise, mas aborda uma de suas causas mais perversas e o início da explosão de uma grande bolha. Acredito que o momento atual é de reflexão sobre as causas diante das consequências que estamos vivendo e nessas horas muitos tentam explicar e prognosticar. É a hora dos midialistas aparecerem, mas eles querem aparecer e acabam se expondo pelo seu apressamento.
    Os diversos comentários ao seu artigo demonstram o que afirmei anteriormente.
    Acredito que ainda não temos uma análise muito clara das causas da atual crise, ou antes, estão sendo expostas razões que ainda prescindem de uma análise mais profunda. No momento as “explicações” estão muito contaminadas de viés ideológico e, portanto, pecam muito na essência, ou seja, não estão baseadas em dados sólidos, são, na sua grande maioria, manipulação de dados que lhe sustentam, porém omitem outros que as derrubam.
    O certo é que vivemos um momento que devemos aproveitar para uma profunda análise de todos um quadro que veio se desenrrolando nos últimos 40 anos.
    A alavancagem dos países asiáticos foi uma forma de se vencer a expansão política do comunismo e acabaram por criar competidores muito fortes perante à disciplina que é uma marca dos povos daquela região. Hoje se verifica a inversão do poderio produtivo e se tenta combatê-lo com o protecionismo. Como tal prática é ao mesmo tempo combatida, pois pode ser usada na contra-mão, os EUA criaram “soluções” para sua mitigação e isso talvez possa expliicar os benefícios fiscais para alavancar internamente um setor amplamente gerador de mão de obra. Esse mesmo filme vimos no Brasil com benefícios fiscais para alavancar regiões pobres e que acabaram por enriquecer os mais abonados, sem gerar o prometido desenvolvimento.
    Sem me alongar mais. Volto a afirmar que o momento é de profunda análise para que se verifique, sem emoções idealistas, as verdadeiras causas. Deixemos que os midialistas apareçam. Essa é a sua oportunidade.
    Abraços e parabéns pela possibilidade do debate e pelo plantio da semente da polemica.
    Paulo Aguiar

  19. A desvalorização cambial da china que gera um acumulo de reservas em moeda estrangeira e derruba o preço dos bonds de curto médio e de longo prazo aumentaram o apetite por risco. Qualquer ativo que representasse duas a três vezes a taxa livre de risco era muito facilmente vendida ( por bancos e agências de rating)o que levou à criação dos mais diversos produtos exóticos. O mortgage quebrou antes. Poderia ter sido outro qualquer em um prazo um pouco mais longo.
    Agora mantemos o mesmo cenário de desvalorização cambial dos tigres asiáticos, um aumento considerável na base monetária americana e estamos aguradando mais um pouco para o mercado se recuperar e começar a vender outros ativos do mesmo tipo.
    O apetite pra risco quando se têm uma taxa real quase zero é grande. Hoje existe a desconfiança. Mas o apetite continua e a próxima crise está prevista. Até lá estou comprado.

  20. Vocês escrevem:
    “A juros de 6,0%, um americano pode abater US$ 60.000,00 de sua renda tributável de US$ 200.000,00 por ano, por exemplo, e pagar imposto de renda somente sobre US$ 140.000,00.
    Multiplique por 30 anos, e você abate US$ 1.800.000,00 de sua renda de uma compra de US$ 1.000.000,00 a prazo. Como o imposto de renda federal, estadual e municipal chega a quase 50%, (42% para ser exato) em 30 anos você economiza US$ 900,000,00: um subsídio que chega a quase 90%, pago pelo governo.”
    Recomendo que vocês revisem as pressuposições utilizadas para calcular esses valores … sua matemática requer que alguém (com renda de US$ 200 mil) receba um empréstimo de 1 milhão, a 6%, e só pague juros (e nada do principal) por 30 anos. Sorry, isso não existe!
    E isso sem entrar no mérito de seu cálculo da porcentagem do imposto de renda (“42% para ser exato”) que certamente não condiz com a realidade.
    Se vocês querem falar mal dos EUA, pelo menos façam sua lição de casa corretamente.
    René C. Duvekot
    http://www.duvekot.com

  21. As contas estao erradas!!!! A amortizacao dos juros nao eh constante ao longo do tempo; se ela comecar em 60mil, depois de 20 anos esta bem mais baixa. E o efeito eh sobre os juros, nao o principal. A nao ser que se tenha opcoes de investimento com juros maiores que o juro menos o redutor de IR, vale a pena comprar a vista sim… (e como inflacao eh imprevisivel, a relacao juro nomimal vs juro real nao pode ser determinada ex-ante, entao fica a relacao entre juros de investimento vs juros da divida menos o redutor do IR para a decisao de investimento/divida) ou seja, o raciocinio acima tem potenciais problemas matematicos que levam a conclusoes erradas. E… se fosse como descrito acima, porque as “mentes brilhantes” (que era como eles se descreviam para justicar salarios que comecavam nos milhoes) nao viram essa questao basica, e ao inves disso criaram produtos para facilitar esse processo?

  22. Um pouco ideologigamente enviesado seu ponto de vista Alexandre. Vc não argumento com fatos mas com ideias do senso comun propagado pela midia.

  23. Caro Dr. Kannitz
    Pelo amor de deus!
    Quem ficou com os lucros desta ajuda governamental que você demostra?!!!
    Quem ainda esta ganhando com esta virtualização da riqueza bastante destacada da economia real?
    Acho este discurso uma distorção. Como você mesmo sabe, os “organismos de controle” da engenharia financeira que possíbilitou transformar este “mercado”- este sim perversamente manipulado – pelos puros e nada ganânciosos “capitalistas” (que estão mais para monopolistas do ganho)se posso ser irônico, estão, está, nas mãos deles mesmos(vide atuais secretários americanos).
    Como diz o ex ministro que você costuma citar:”economia não é uma ciência exata”.O fator humano pesa e muito.
    O mecanismo perverso que você explicita sobre as hipotécas americanas não tem nada de estado a controlar a economia e acho que esta crise deixou bem claro que foi a falta de controle com “espirito público” que permitiu a criação deste verdadeiro esquema de agiotagem virtual sobre o cidadão comum a quem em troca da inexistência de empregos na economia real se ofereceu bonus pelo status fictício de consumidor “triple aaa”. Massa de manobra para a obtenção de lucros marotamente empacotados por “capitalistas” “liberais” ( não sei para quem? ) a tratar o “mercado” como território da sua própria cosa nostra.Levar isto para o lado de foi intervencionismo do estado o grande culpado me assusta.Principalmente vindo de uma pessoa como você.

  24. Sr. Kanitz,
    É sempre um privilégio fazer as leituras dos seus artigos especialmente no contexto atual onde não me dou muito ao trabalho de ler as ilações técnicas de economistas “blogueiros” !
    Concordo plenamente com as observações do Sr.Bruno, principalmente naquilo que tange ao aspecto macroeconômico da economia americana, ou seja, a diluição do incentivo fiscal liquido minimiza essa prática.
    Entendo que o Sr. Krugman fala muito e gosta da midia internacional portanto, em algum momento, pode acertar ou não. Afinal, economistas não são videntes !
    Um abraço…

  25. Caro Kenitz, na minha opinião está não é a causa, é um procedimento, uma cultura daquela nação.
    A causa é outra, é a perda progressiva de renda devido a transferência de unidades de produção para asia, em busca de redução de custos. (vampirismo)
    Com isto houve desemprego da mão-de-obra operacional /técnica, assim como uma sensível redução dos bônus dos executivos do médio escalão.
    É quando entra a sua análise econômica, estas pessoas, que eram motivadas a endividar-se perderam o poder de pagamento, uns porque ficaram desempregados e como tinham dívidas viram suas rescisões evaporarem, e outras que dependiam de bônus (também cultura daquela nação) não conseguem manter o pagamento de suas hipotécas.
    Penso que o que deve ser repensado é a política do “vampirismo”, não estou aqui defendendo o comunismo, mas a agressividade crescente das políticas de lucros da empresas devem ser reavaliadas.
    Fala-se tanto de responsabilidade social, de ética, e onde entra isto quando busca-se mão-de-obra quase escrava para maximizar resultados.
    Se me permite ser mais profundo, penso que ficou muito mais barato para estas empresas deixarem seus quadros de executivos mais jovens, bem preparados tecnicamente, mas com quase nada de experiência. Isto tem levado a tomada decisões que visam resultados imediatos “o amanhã vemos amanhã”, mas o amanhã chegou, agora é “preciso ver”.

  26. Sr.Kanitz,
    Lá e cá, as “coisas”, como vêm, vão …
    Um olhar distanciado sobre o processo decisório subjacente ao fluxo de recursos públicos pode revelar fragilidades comprometedoras à qualidade dos resultados desejados.
    É assustador ver/ouvir debates sobre financiamento de campanhas políticas X perfil de candidatos X formas de acesso ao partidos políticos…

  27. A renda média de uma família americana é de cerca de 60 mil dólares por ano, menos de um terço do exemplo que o senhor usa (200 mil). As pessoas abaixo nessa faixa de renda usam a – mais vantajosa – tabela de dedução padrão, não tiram proveito dos descontos sobre os juros pagos em hipoteca.
    O custo para obter uma hipoteca nos EUA é de cerca de 15 mil dólares (closing cost, taxas federais, estaduais, municipais e depósito de garantia), dinheiro que tem que ser pago no ato da implementação do empréstimo. Isso representa até 7% do preço de uma casa nos EUA, cujo custo médio em 2008 foi de 292 mil dólares. Além disso, o custo de se manter uma casa nos EUA é alto. Uma propriedade de 200 mil dólares custa approximadamente 5000 dólares em impostos (property tax, school tax…) no Estado de NY.
    É verdade que, mesmo assim, o montante de incentivos totaliza 75 bilhões. Entretanto, é necessário deduzir desse valor o total de impostos coletados dessas transações todas.
    O ponto que o senhor menciona é verdade, mas somente parte da verdade, e pode ser que esse fator seja mínimo quando colocado dentro do contexto macroeconômico. Tentar explicar a crise com esse samba de uma nota só é bastante difícil, mas, concordo, esse raciocínio lógico é mais que suficiente para uma palestra. Entretanto, as bobagens que o Krugman diz são, ao menos, bem mais abrangentes…

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