Entenda Inovação Reversa

Uma das frases infelizes mas muito usadas no movimento de globalização das empresas, foi “Think Global Act Local” do Presidente da ABB Asea Brown Bovery, Percy Barnevik.

Adotada por centenas de outras multinacionais, a ideia era criar um produto de uso global, o carro global, o Iphone Global, e agir localmente criando um marketing específico, canal específico ao país, etc.

Foi por muito tempo a estratégia do McDonald’s, de socar um produto único goela abaixo de bilhões de consumidores.

A outra desvantagem era que todo o pensamento, o “thinking” do produto era feito na matriz, esquecendo-se de consultar o resto do mundo.

Há 20 anos tenho divulgado uma estratégia empresarial justamente contrária. “Think Local, Act Global“.

A vantagem de ser uma multinacional global, deveria ser justamente o contrário.

O de poder pensar localmente, descobrir coisas localmente, mas que graças à estrutura global poderiam ser adotadas em outros países.

Uma inovação ou pensamento criados no Brasil poderiam ser usados na Índia, Turquia e outros mercados parecidos.

Foi esta ideia de Percy Barnevik que gerou este mal estar com o conceito de globalização, a ideia de que um produto poderia servir igualmente centenas de mercados diversos.

Foi com certa alegria que li um texto da Adriana Machado, presidente da GE do Brasil, portanto concorrente da ABB Asea Brown Bovery, defender a Inovação Reversa.

“Inovação Reversa”, diz Adriana, é gerar “inovação localmente, para atender as necessidades locais, mas de forma conectada à rede global de inovação, com a possibilidade de ser implantada também em outros mercados, saindo do tradicional modelo em que inovação ocorria apenas em países ditos desenvolvidos.”

É justamente isto que nossos intelectuais deveriam ter defendido nestes últimos anos, em vez de lutar contra a globalização, como fizeram.

Sem pensar foram por 20 anos contra a criação de produtos para o povo brasileiro, mesmo vindo de multinacionais, como agora faz a GE.

Adriana até cita uma turbina de avião feita pela GE, que foi adaptada para gerar energia elétrica a partir do etanol.

Como não fabricamos turbinas de avião seria natural que somente a GE tivesse condições de encontrar esta inovação, que de fato encontrou.

Foi muito triste para mim ver o BNDES e os Ministros da Indústria e Comércio, dar empréstimos a juros subsidiados a dezenas de multinacionais, sem ao menos exigir que tivessem centros de pesquisas no Brasil, ou transferissem um centro de pesquisa para o Brasil.

Tese agora até defendida por executivas de multinacionais, como a Adriana.

Este é o verdadeiro caminho da Globalização.

Usar a competência alheia para criar produtos adequados ao consumidor brasileiro, em vez de adaptar o consumidor brasileiro para um produto feito para americanos.

Parabéns Adriana.

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