ENTENDA O MUNDO QUE TE CERCA - Stephen Kanitz https://blog.kanitz.com.br/artigos/politica/entenda-o-mundo/ Blog para se Pensar Tue, 07 Jul 2026 14:09:47 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.7.5 https://blog.kanitz.com.br/wp-content/uploads/2021/06/stephenkanitz-favicon-150x150.png ENTENDA O MUNDO QUE TE CERCA - Stephen Kanitz https://blog.kanitz.com.br/artigos/politica/entenda-o-mundo/ 32 32 O Erro Fatal da Direita https://blog.kanitz.com.br/o-erro-fatal-da-direita/ https://blog.kanitz.com.br/o-erro-fatal-da-direita/#comments Fri, 22 Aug 2025 15:21:29 +0000 https://blog.kanitz.com.br/?p=30033 O que é ser de direita? Pergunte a um jovem brasileiro e ele provavelmente não saberá responder. Muitos acreditam que “ser de direita” significa apenas preocupar-se com dinheiro, enriquecer a qualquer custo, desprezar os outros e proteger a própria fortuna. Mesmo entre jovens que se identificam com a direita, quase ninguém conhece os valores históricos […]

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O que é ser de direita?

Pergunte a um jovem brasileiro e ele provavelmente não saberá responder.

Muitos acreditam que “ser de direita” significa apenas preocupar-se com dinheiro, enriquecer a qualquer custo, desprezar os outros e proteger a própria fortuna.

Mesmo entre jovens que se identificam com a direita, quase ninguém conhece os valores históricos que a sustentaram por mais de dois mil anos: cooperação humana, preocupação com a ética, lisura, reputação pessoal e o dever de deixar um legado às próximas gerações.

O problema é que a direita brasileira abandonou seu papel de defensora desses valores para se transformar em uma força quase exclusivamente de ataque à esquerda.

Por isso o resultado foi a polarização que paralisa o país até hoje.

É verdade que foi a esquerda que iniciou o embate com slogans violentos: “morte à burguesia”, “enforcar os capitalistas com a corda que eles mesmos fabricaram”, ou ataques à família, à poupança pessoal, à relação paciente-médico, e assim por diante.

Os nossos intelectuais da direita quase todos influentes no combate ao socialismo e ao progressismo dentro da Igreja.

Foi assim que a direita abandonou seu patrimônio mais valioso: o discurso da conduta humana, do não mentir, não roubar, não abandonar a família, não ser um peso na velhice, e centenas de outros princípios que organizam sociedades prósperas e coesas.

Hoje vivemos no pior dos dois mundos:

1. Uma esquerda em pânico, sem razão, que superestima a força da direita.

2. E uma direita sem voz própria, incapaz de divulgar seus verdadeiros valores e mostrar os benefícios concretos de vivê-los: prosperidade pessoal, estabilidade familiar e cooperação social entre ricos e pobres.

Em suma, a direita só terá futuro quando recuperar seu discurso afirmativo, lembrando aos brasileiros que valores conservadores não são meras tradições antiquadas, mas regras práticas já testadas de convivência, cooperação e prosperidade.

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A Volta do Antiamericanismo https://blog.kanitz.com.br/a-volta-do-antiamericanismo/ https://blog.kanitz.com.br/a-volta-do-antiamericanismo/#comments Fri, 15 Aug 2025 00:46:49 +0000 https://blog.kanitz.com.br/?p=30025 Os Estados Unidos são o país com o maior mercado consumidor logo ao nosso lado. Os americanos são um povo meio ingênuo, vivi com uma família por ano, e dois anos com meus colegas de Harvard. Não se interessam nem um pouco pelo Brasil, acham corretamente que temos pouco a oferecer além do samba. São […]

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Os Estados Unidos são o país com o maior mercado consumidor logo ao nosso lado.

Os americanos são um povo meio ingênuo, vivi com uma família por ano, e dois anos com meus colegas de Harvard. Não se interessam nem um pouco pelo Brasil, acham corretamente que temos pouco a oferecer além do samba.

São comunitaristas, do tipo que começam cooperando, acreditam num ganha-ganha para ambos os lados, jamais um soma zero como acham quem nunca negociou com eles.

Os super-ricos são de esquerda, Bill Gates, Elon Musk irão doar tudo para os pobres, algo que ninguém da esquerda brasileira pretende fazer.

Contudo o antiamericanismo no Brasil é mais do que uma opinião política: é um traço cultural, um mito nacional, um reflexo do nosso complexo de inferioridade travestido de soberania e não consequências de maus tratos ou guerras.

Cultivado por gerações de intelectuais, reforçado por militares, encenado por diplomatas e idolatrado por estudantes, esse sentimento tem custado caro ao país em termos de desenvolvimento, inserção internacional e até mesmo governança interna.

Em vez de exportar para o mercado americano como fizeram o Japão, Coreia do Sul e China, nossos economistas fizeram o contrário, pois insistem na política de substituição das importações americanas, por produtos nacionais fabricados aqui.

China, Coreia e Japão estão agora na frente, e o Brasil nunca mais conseguirá alcançar. Nesse período, estes países administrados por administradores e não por economistas criaram marcas poderosíssimas com Sony, Yamaha, Samsung, BYD, que americanos jamais permitiriam serem taxados.

Em suma, a única marca internacional que possuímos, a Varig, faliu.

Vargas usou a rivalidade entre americanos e alemães para barganhar investimentos, como a CSN. Recebeu ajuda, mas manteve um projeto nacionalista e autárquico.

Nos anos 50 a 70, a esquerda brasileira transformou os EUA no grande vilão do capitalismo internacional.

Curiosamente, mesmo durante a ditadura militar alinhada geopoliticamente aos EUA persistia um discurso nacionalista na economia e na cultura, desconfiando de multinacionais e resistindo à “entrega” de setores estratégicos.

Decretamos a “Moratória da Dívida Externa” bestamente em praça pública, assustando todos os depositantes dos bancos, em vez de ligar as 16 horas dizendo que não poderíamos pagar, e ninguém precisava ficar sabendo.

Durante os governos do PT, especialmente sob Lula e Dilma, o antiamericanismo ganhou status oficial.

O Brasil se aproximou dos BRICS, sabotou a Alca, criticou guerras americanas no Oriente Médio e buscou protagonismo no Sul Global.

Nas universidades e na cultura, o antiamericanismo é praticamente hegemônico. Livros, teses, filmes e músicas retratam os EUA como corruptores, violentos, racistas, imperialistas.

A elite cultural brasileira se define, muitas vezes, mais por aquilo que rejeita (EUA, liberalismo, capitalismo) do que por aquilo que propõe.

Enquanto isso, modelos administrativos, técnicos e educacionais americanos focados em eficiência, mérito e responsabilidade são descartados como “neoliberais” ou “coloniais”. Minha luta pró administrador nem obteve apoio das escolas de administração.

A insistência em ver os EUA como inimigo impediu o Brasil de fazer alianças estratégicas, como fizeram Coreia do Sul, Taiwan, Polônia ou Índia. Enquanto outros países usavam o capital, a tecnologia e o conhecimento americanos para se desenvolver, o Brasil preferia “resistir” e permaneceu estagnado.

Em nome da soberania, mantivemos estatais ineficientes, universidades ideologizadas e um setor público hostil à inovação.

Soberania volta às manchetes, reforçando mais 50 anos de substituição das importações, e ignorar o imenso mercado americano, bem como parcerias tecnológicas imprescindíveis pois nossas universidades nada pesquisam que seja útil para as empresas.

O Que Ganhamos com Isso?

Pouco. Um senso falso de independência, talvez. Um discurso soberano para consumo interno. Mas perdemos relevância internacional, acesso a mercados, investimentos em tecnologia e influência diplomática.

Portanto, está na hora do Brasil abandonar essa adolescência diplomática.

Os EUA não são um inimigo a ser odiado, nem um pai a ser bajulado.

São um parceiro estratégico, com o qual podemos e devemos ter relações pragmáticas, baseadas em interesses mútuos.

O antiamericanismo pode ser um excelente discurso para assembleias estudantis.

Mas é um péssimo alicerce para um projeto de país.

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A Negociação Tarifária Lula e Trump https://blog.kanitz.com.br/a-negociacao-tarifaria-lula-e-trump/ https://blog.kanitz.com.br/a-negociacao-tarifaria-lula-e-trump/#comments Thu, 07 Aug 2025 22:12:48 +0000 https://blog.kanitz.com.br/?p=30019 O consenso é que Trump é um idiota metido a sabichão, enquanto Lula, o “sábio ponderado”, vai conduzir uma negociação onde o Brasil sairá vencedor e ele, claro, reeleito. Até quando vamos continuar com essa ingenuidade suicida? Vamos aos fatos. Lula é um ex-torneiro mecânico que passou a vida negociando greves sindicais, não tratados comerciais. […]

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O consenso é que Trump é um idiota metido a sabichão, enquanto Lula, o “sábio ponderado”, vai conduzir uma negociação onde o Brasil sairá vencedor e ele, claro, reeleito.

Até quando vamos continuar com essa ingenuidade suicida?

Vamos aos fatos.

Lula é um ex-torneiro mecânico que passou a vida negociando greves sindicais, não tratados comerciais.

Nunca se profissionalizou, não fala inglês, depende de intérprete nomeado por político de estimação e achamos mesmo que ele vai “enfrentar” Trump numa mesa de negociação?

Trump, goste-se ou não, é um estrategista, escreveu “The Art of the Deal”, cercado de profissionais com décadas de experiência.

Lula tem… Janja, e um PowerPoint mal elaborado do Haddad.

Em suma, negociação é técnica, é estratégia, é timing.

Existe BATNA, ZOPA, escuta ativa, preparação. Lula acha que BATNA é marca de cigarro, e ZOPA, nome de cachorro.

Aliás ele sabe mentir, mas não sabe blefar.

Contudo sabe discursar, mas não sabe escutar. E principalmente: nunca defende o Brasil só seu partido, sua base e sua biografia.

Acham que Lula e Trump será uma luta equilibrada, com Lula esperto que é levará vantagem.

Quando participei da renegociação da dívida externa brasileira, sugeri contratar William Ury, meu colega de Harvard e coautor de “Getting to Yes”, para nos ajudar a entender a lógica dos banqueiros.

Afinal, um especialista, um aliado. “Mas ele é americano!”, berraram os nacionalistas de jaleco acadêmico. Resultado: fomos engolidos.

Pois bem. Ury é amigo de Trump. E Lula sequer leu “The Art of the Deal”. Nem ele, nem o anestesista que virou vice, nem o filósofo que virou Ministro da Fazenda.

Estamos mandando uma equipe de amadores para enfrentar profissionais. Gente que nunca negociou nada relevante na vida nem aluguel. E acreditamos que vão trazer bons acordos?

Isso não é política externa. É roteiro de comédia.

Mas a conta, como sempre, quem paga somos nós.

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O Intelectual de Uma Variável Só https://blog.kanitz.com.br/o-intelectual-de-uma-variavel-so/ https://blog.kanitz.com.br/o-intelectual-de-uma-variavel-so/#comments Fri, 18 Jul 2025 10:25:21 +0000 https://blog.kanitz.com.br/?p=30013 O Brasil é vítima de cientistas fake, que eu chamarei de “Intelectuais de Uma Variável Só”. Como aqueles que afirmam que se combate inflação como uma taxa de juros nominal de curto prazo e nada mais. Ou que o problema da nossa dívida são os bancos, que o problema do Brasil é devido a concentração […]

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O Brasil é vítima de cientistas fake, que eu chamarei de “Intelectuais de Uma Variável Só”.

Como aqueles que afirmam que se combate inflação como uma taxa de juros nominal de curto prazo e nada mais. Ou que o problema da nossa dívida são os bancos, que o problema do Brasil é devido a concentração de renda.

Para verdadeiros cientistas é obvio que o mundo é mais complexo do que isso, por isso nós sempre analisamos n variáveis.

Mas infelizmente nossos jornalistas preferem e só divulgam diagnóstico fácil.

Enquanto alguns intelectuais sérios se debruçam sobre modelos complexos que tentam captar a realidade como ela é multifacetada, imprevisível, sistêmica, outros ganham os holofotes apontando um único culpado para todos os males do mundo. Racismo. Capitalismo. Desigualdade. Patriarcado. Clima. O que for.

Devo ter sido um dos primeiros economistas a usar planilha econômica, era o Visicalc na época, e que me permitiu simular dezenas de variáveis ao mesmo tempo, vide Superestimação da Inflação, nada menos que 40 anos atrás.

Nossa inflação continua sendo superestimada porque a maioria dos economistas não sabem ler planilhas somente regressão lineares.

Mas no Brasil são os intelectuais de uma variável só que mais fazem sucesso.

Eles são adorados pela mídia, pelas redes sociais e por políticos em busca de slogans.

Eles entregam aquilo que o mundo moderno mais deseja: simplicidade com autoridade. Uma explicação única. Um vilão claro. Um remédio fácil.

Mas a realidade é outra.

Problemas sociais, econômicos e culturais são, por natureza, multicausais.

A criminalidade, por exemplo, não é “só” fruto da desigualdade, da pobreza, ou do racismo estrutural. É uma combinação complexa de fatores: colapso familiar, ausência de instituições, impunidade, incentivos distorcidos, baixa capacidade estatal, normas culturais, entre outros.

No entanto, a narrativa que aponta “um único fator explicativo” é mais sexy. Mais digerível. Mais vendável.

E assim, quem mais simplifica, mais influencia.

Os intelectuais mais responsáveis, que ponderam múltiplas variáveis, admitem incertezas, são justamente os que menos aparecem.

Contudo eles não viralizam, suas análises não cabem em tweets, suas conclusões não alimentam paixões ideológicas. E, por isso, são esquecidos, mesmo quando estão mais próximos da verdade.

 Como Resolver Esse Problema?

1. Expor os custos da simplicidade: Toda simplificação é uma mutilação. Devemos exigir de nossos intelectuais modelos com variáveis reais.

2. Criar incentivos à complexidade: Se o ambiente intelectual premia certezas e frases de efeito, teremos sempre mais ideólogos que pensadores. Precisamos recompensar quem estuda, compara, duvida.

3. Ensinar a pensar em sistemas, não em slogans: A formação educacional precisa sair do binarismo (“culpa do mercado” vs. “culpa do Estado”) e cultivar a análise sistêmica. O mundo é feito de interações não-lineares, feedbacks, termo que nunca traduzimos, e efeitos colaterais, não de causas únicas.

4. Confrontar os intelectuais-celebridade com variáveis ausentes:

Pergunte sempre: o que está faltando na equação? Qual é a variável que o guru ignora porque complica sua tese?

O verdadeiro pensador ilumina. O pregador apenas inflama.

Enquanto celebramos quem grita certezas, talvez estejamos ignorando quem sussurra verdades incômodas, mas reais.

A história tem sido cruel com os intelectuais de uma variável só. Seus diagnósticos podem até conquistar o presente, mas quase sempre afundam o futuro.

Talvez esteja na hora de pararmos de premiar quem tem respostas simples e voltarmos a ouvir quem tem perguntas sérias.

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A Gerontocracia e a Encruzilhada dos Jovens de Hoje https://blog.kanitz.com.br/a-gerontocracia-e-a-encruzilhada-dos-jovens-de-hoje/ https://blog.kanitz.com.br/a-gerontocracia-e-a-encruzilhada-dos-jovens-de-hoje/#comments Sun, 30 Mar 2025 13:21:55 +0000 https://blog.kanitz.com.br/?p=29911 O conflito geracional nunca esteve tão acirrado quanto hoje. As gerações Z e Y, chamadas de “preguiçosas” ou “ingratas”, olham para os Baby Boomers e enxergam mais que uma simples diferença de valores: um legado de promessas quebradas e um mundo em “ruínas”. Se antes as disputas eram entre esquerda e direita, agora o verdadeiro […]

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O conflito geracional nunca esteve tão acirrado quanto hoje.

As gerações Z e Y, chamadas de “preguiçosas” ou “ingratas”, olham para os Baby Boomers e enxergam mais que uma simples diferença de valores: um legado de promessas quebradas e um mundo em “ruínas”.

Se antes as disputas eram entre esquerda e direita, agora o verdadeiro embate parece ser geracional.

Os Baby Boomers viveram um período de crescimento econômico, com acesso à educação e a ilusão de progresso infinito. Exploração de recursos parecia inesgotável, e o impacto ambiental era ignorado.

Mas, em vez de usarem sua posição privilegiada para criar um futuro sustentável, consolidaram estruturas que priorizaram lucros a curto prazo e perpetuaram sistemas com políticos obsoletos.

Os piores governam, não saem mais. Criaram a “ditadura dos partidos”.

A encruzilhada dos jovens:

Hoje, o mercado de trabalho é precário, a educação não garante dignidade, habitação virou luxo, e as mudanças climáticas ameaçam o futuro.

Pior, decisões seguem nas mãos de líderes de uma geração que insiste em manter o controle. A gerontocracia — domínio dos mais velhos — paralisa as mudanças que os jovens clamam.

O custo da estagnação:

Nos parlamentos, conselhos e corporações, Boomers ainda dominam. Governam um mundo que não compreendem e ignoram uma sociedade digital, globalizada e em crise climática.

Enquanto isso, jovens pagam a conta de escolhas irresponsáveis.

O real inimigo:

O problema não é odiar indivíduos, mas reconhecer o impacto estrutural de uma geração que falhou em preparar o terreno para a próxima.

A gerontocracia resiste ao progresso enquanto perpetua modelos econômicos e sociais insustentáveis.

O que fazer?

Os jovens precisam ocupar espaços de poder, substituir a gerontocracia por uma meritocracia geracional e moldar o futuro que viverão.

Boomers que desejam um legado positivo devem apoiar como mentores, não líderes. A encruzilhada não é esquerda ou direita, mas submissão ou transformação. E essa transformação exige o fim do domínio de uma geração que falhou em cuidar do amanhã.

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O Brasil Não É Um País Capitalista https://blog.kanitz.com.br/o-brasil-nao-e-um-pais-capitalista/ https://blog.kanitz.com.br/o-brasil-nao-e-um-pais-capitalista/#comments Tue, 16 Apr 2024 21:54:09 +0000 https://blog.kanitz.com.br/?p=29657 Esse é um dos maiores erros cometidos por nossos intelectuais, economistas e marxistas de esquerda. O Brasil não é Capitalista porque não temos o capital mínimo e necessário para ele funcionar. Capitalismo sem Capital simplesmente não funciona, nem “capitalismo” é. Simples assim. Jovens de esquerda jogam sua juventude fora numa batalha equivocada. O Socialismo nunca […]

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Esse é um dos maiores erros cometidos por nossos intelectuais, economistas e marxistas de esquerda.

O Brasil não é Capitalista porque não temos o capital mínimo e necessário para ele funcionar.

Capitalismo sem Capital simplesmente não funciona, nem “capitalismo” é. Simples assim.

Jovens de esquerda jogam sua juventude fora numa batalha equivocada.

O Socialismo nunca funcionou pela mesma razão, porque até combatem esse capital mínimo e necessário, que é grande contradição do Socialismo que a esquerda custa a perceber.

Sem o capital mínimo necessário as empresas já começam mal, demoram para crescer, quebram na primeira recessão ou crise bancária, nunca chegam ao pleno emprego, nunca tem condições de remunerar trabalhadores e acionistas o justo e necessário.

Quase todas as construtoras brasileiras nos últimos 50 anos começavam sem o capital mínimo necessário, isso era tão óbvio é claro, e quase todas já quebraram.

O grande erro de Karl Marx foi não ter desenvolvido o conceito de “capital mínimo necessário” muito menos o conceito de “Capital Adequado”.

“Karl Marx never discussed “adequate and necessary” capital as a specific subject”. Chat GPT.

Marxistas partem da premissa que o capital é abundante mas mal distribuído. Capital é escasso quanto mais pobre o país for, justamente o contrário.

É como concluir que antibióticos não funcionam só por que médicos deram doses pequenas.

De fato na época de Karl Marx, muitas empresas capitalistas começaram subcapitalizadas, especialmente as médias e pequenas, e por isso pagavam mal e atrasado.

Marx porém observou a amostra errada e não analisou as 500 maiores da época.

Na minha primeira edição das 500 maiores em 1974 ficou evidente esse fato, e eu publicava uma tabela todo ano alertando nossos economistas deste fato.

Mas isso é má administração financeira e não perversidade capitalista.

A maioria dos brasileiros sequer analisam o “capital mínimo necessário e suficiente” para crescer e os sustentar no seu primeiro emprego

Um erro infantil de início de carreira que pode ser fatal.

Nossos sindicatos fazem greve por maiores salários, mas nunca por maior segurança no trabalho e mais aporte de capital dos acionistas.

A verdade nunca dita é que capitalismo com capital suficiente e adequado mais do que funciona e foi ele que tirou 90% do mundo da pobreza.

Menos para os que vivem no Socialismo onde começam afugentando o capital, proíbem o lucro que lentamente geraria o capital que tanto precisam e mantém o povo em baixa produtividade e pobres.

Como no Brasil.

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Da Inviabilidade  Eleitoral da Direita https://blog.kanitz.com.br/da-inviabilidade-eleitoral-da-direita-2/ https://blog.kanitz.com.br/da-inviabilidade-eleitoral-da-direita-2/#comments Mon, 12 Feb 2024 16:39:34 +0000 https://blog.kanitz.com.br/?p=29644 A direita não será reeleita jamais

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A direita jamais será eleita no futuro do Brasil.

E se a direita for eventualmente eleita por um lapso da história, como ocorreu com Collor e Bolsonaro, jamais será reeleita.

Como de fato não foram Collor e Bolsonaro.

E ambos foram proibidos de se reelegerem no futuro, afastados do poder.

Verdade seja dita em ambos os casos, a direita foi um vencedor improvável e inesperado, e nem os liberais nem os conservadores brasileiros os apoiaram inicialmente.

A razão pela qual a direita nunca mais será eleita é a mesma que ocorre em Cuba, Rússia, Albânia, Coreia do Norte, Vietnã etc.

Após 50 anos de governos de esquerda, o povo esquece a maioria das competências e necessidades para viver em liberdade ou numa democracia liberal.

No Brasil, o povo não sabe mais como escolher bons médicos, porque quem decide os médicos é o Estado.

Não saberiam escolher psicólogos, porque é o Estado que escolhe quando são necessários, independente da linha de terapia ser freudiana, rolfiana, centrada no paciente ou kleiniana.

Não sabemos nem precisamos escolher as escolas e os professores de nossos filhos nem a filosofia educativa a ser empregada. É tudo igual do Oiapoque ao Chuí.

Quem está no Bolsa Família há 10 anos já esqueceu sua profissão e não acompanhou as inovações do período. Vai depender de bolsas para o resto da vida.

Brasileiros não sabem aplicar seu FGTS, é o Estado que decide.

Não saberíamos como aplicar os 28% que nos são retirados em impostos da previdência, garantindo assim uma aposentadoria de fato.

Nossos liberais erram já de início ao lutarem por liberdade, porque não saberíamos como usar essa liberdade de escolha mesmo que a tivéssemos.

Tanto é que o povo brasileiro é conservador, mas vota na esquerda porque já não sabe cuidar de si.

O mundo poderá até estar caminhando lentamente para a direita, mas os eleitores votarão na esquerda porque não sabem viver em outro tipo de regime.

Por isso, a estratégia dos liberais e conservadores não deveria ser querer serem eleitos, para depois perder as eleições.

A luta é muito mais simples.

Lutar para que aqueles que queiram escolher seus médicos, administrar seu FGTS, aplicar pessoalmente suas reservas previdenciárias, escolher a escola de seus filhos, entre outros, possam fazê-lo.

Quem quiser renunciar a uma aposentadoria do Estado, estaria livre para aplicar os 28% de contribuições previdenciárias num fundo de pensão de sua própria escolha, por exemplo. Idem com o FGTS.

Somente seremos livres se nossas escolas passarem a ensinar todos os brasileiros a serem capazes de cuidar de si e não depender eternamente do Estado.

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O Discurso Completo de Javier Milei em Davos https://blog.kanitz.com.br/o-discurso-completo-de-javier-milei-em-davos/ https://blog.kanitz.com.br/o-discurso-completo-de-javier-milei-em-davos/#comments Mon, 22 Jan 2024 02:06:36 +0000 https://blog.kanitz.com.br/?p=29630 Esta é uma transcrição do discurso especial de Javier Milei, Presidente da Argentina, que ocorreu durante a Reunião Anual do Fórum Econômico Mundial em Davos. Boa tarde. Muito obrigado. Hoje estou aqui para dizer que o mundo ocidental está em perigo. E está em perigo porque aqueles que deveriam defender os valores do Ocidente foram […]

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Esta é uma transcrição do discurso especial de Javier Milei, Presidente da Argentina, que ocorreu durante a Reunião Anual do Fórum Econômico Mundial em Davos.


Boa tarde. Muito obrigado.


Hoje estou aqui para dizer que o mundo ocidental está em perigo.

E está em perigo porque aqueles que deveriam defender os valores do Ocidente foram cooptados por uma visão de mundo que inexoravelmente leva ao socialismo e, por consequência, à pobreza.

Infelizmente, nas últimas décadas, os principais líderes do mundo ocidental abandonaram o modelo de liberdade por diferentes versões do que chamamos de coletivismo.

Alguns foram motivados por indivíduos bem-intencionados dispostos a ajudar os outros, e outros foram motivados pelo desejo de pertencer a uma casta privilegiada.

Estamos aqui para dizer que experimentos coletivistas nunca são a solução para os problemas que afligem os cidadãos do mundo.

Pelo contrário, são a causa raiz. Acreditem em mim: ninguém está em melhor posição do que nós, argentinos, para testemunhar estes dois pontos.

Trinta e cinco anos após adotarmos o modelo de liberdade, em 1860, nos tornamos uma potência mundial líder. E quando abraçamos o coletivismo ao longo dos últimos 100 anos, vimos como nossos cidadãos começaram a empobrecer sistematicamente, e caímos para a posição número 140 globalmente.

Mas antes de ter a discussão, seria primeiro importante olharmos para os dados que demonstram por que o capitalismo de livre mercado não é apenas o único sistema possível para acabar com a pobreza mundial, mas também é o único sistema moralmente desejável para alcançar isso.

Se olharmos para a história do progresso econômico, podemos ver como entre o ano zero e o ano 1800 aproximadamente, o PIB per capita mundial praticamente permaneceu constante durante todo o período de referência.

Se você olhar para um gráfico da evolução do crescimento econômico ao longo da história da humanidade, verá um gráfico em forma de bastão de hóquei, uma função exponencial que permaneceu constante por 90% do tempo e que foi disparada exponencialmente a partir do século XIX.

A única exceção a esta história de estagnação foi no final do século XV, com a descoberta do continente americano, mas para esta exceção, ao longo de todo o período entre o ano zero e o ano 1800, o PIB per capita global estagnou.

Agora, não é apenas que o capitalismo trouxe uma explosão de riqueza desde o momento em que foi adotado como um sistema econômico, mas também, se você olhar para os dados, o que verá é que o crescimento continua a acelerar durante todo o período.

E ao longo de todo o período entre o ano zero e o ano 1800, a taxa de crescimento do PIB per capita permanece estável em cerca de 0,02% ao ano.

Então, quase nenhum crescimento.

A partir do século XIX, com a Revolução Industrial, a taxa anual de crescimento composto foi de 0,66%.

E nessa taxa, seriam necessários cerca de 107 anos para dobrar o PIB per capita.

Agora, se você olhar para o período entre o ano 1900 e o ano 1950, a taxa de crescimento acelerou para 1,66% ao ano.

Então, você não precisaria mais de 107 anos para dobrar o PIB per capita – mas sim 66.

E se você considerar o período entre 1950 e o ano 2000, verá que a taxa de crescimento foi de 2,1%, o que significaria que em apenas 33 anos poderíamos dobrar o PIB per capita mundial.

Essa tendência, longe de parar, continua bem viva hoje.

Se considerarmos o período entre os anos 2000 e 2023, a taxa de crescimento acelerou novamente para 3% ao ano, o que significa que poderíamos dobrar o PIB per capita mundial em apenas 23 anos.

Dito isto, quando você olha para o PIB per capita desde o ano 1800 até hoje, o que você verá é que após a Revolução Industrial, o PIB per capita global multiplicou-se mais de 15 vezes, o que representou um boom no crescimento que tirou 90% da população mundial da pobreza extrema.

Devemos lembrar que, até o ano de 1800, cerca de 95% da população mundial vivia em extrema pobreza. E essa porcentagem caiu para 5% até o ano de 2020, antes da pandemia. A conclusão é óbvia.

Longe de ser a causa dos nossos problemas, o capitalismo de livre mercado como sistema econômico é o único instrumento que temos para acabar com a fome, a pobreza e a extrema pobreza em nosso planeta. A evidência empírica é inquestionável.

Portanto, uma vez que não há dúvidas de que o capitalismo de livre empresa é superior em termos produtivos, a doutrina de esquerda atacou o capitalismo, alegando questões morais, dizendo – isso é o que os detratores afirmam – que ele é injusto.

Dizem que o capitalismo é maligno porque é individualista e que o coletivismo é bom porque é altruísta. Claro, com o dinheiro dos outros.

Então, eles defendem a justiça social. Mas esse conceito, que no mundo desenvolvido se tornou popular recentemente, em meu país tem sido constante no discurso político há mais de 80 anos.

O problema é que a justiça social não é justa, e não contribui para o bem-estar geral. Muito pelo contrário, é uma ideia intrinsecamente injusta porque é violenta.

É injusta porque o estado é financiado por meio de impostos e os impostos são coletados de forma coercitiva.

Ou será que algum de nós pode dizer que paga impostos voluntariamente?

Isso significa que o estado é financiado por meio da coerção e que quanto maior a carga tributária, maior a coerção e menor a liberdade.

Aqueles que promovem a justiça social partem da ideia de que a economia é um bolo que pode ser compartilhado de forma diferente. Mas esse bolo não é um dado. É riqueza que é gerada no que Israel Kirzner, por exemplo, chama de processo de descoberta de mercado.

Se os bens ou serviços oferecidos por um negócio não são desejados, o negócio falhará a menos que se adapte ao que o mercado está exigindo.

Eles terão sucesso e produzirão mais se fizerem um produto de boa qualidade a um preço atrativo. Então, o mercado é um processo de descoberta no qual os capitalistas encontrarão o caminho certo à medida que avançam.

Mas se o estado pune os capitalistas quando eles têm sucesso e interfere no processo de descoberta, eles destruirão seus incentivos, e a consequência é que eles produzirão menos.

O bolo será menor, e isso prejudicará a sociedade como um todo.

O coletivismo, ao inibir esses processos de descoberta e dificultar a apropriação das descobertas, acaba amarrando as mãos dos empreendedores e os impede de oferecer melhores bens e serviços a um preço melhor.

Então, como pode a academia, organizações internacionais, teóricos econômicos e políticos demonizarem um sistema econômico que não apenas tirou 90% da população mundial da extrema pobreza, mas continuou a fazer isso cada vez mais rápido?

Graças ao capitalismo de livre comércio, o mundo está vivendo seu melhor momento. Nunca na história da humanidade houve um período de mais prosperidade do que hoje. Isso é verdade para todos.

O mundo de hoje tem mais liberdade, é rico, mais pacífico e próspero. Isso é particularmente verdadeiro para os países que têm mais liberdade econômica e respeitam os direitos de propriedade dos indivíduos.

Os países que têm mais liberdade são 12 vezes mais ricos do que aqueles que são reprimidos. O percentil mais baixo em países livres está em melhor situação do que 90% da população em países reprimidos.

A pobreza é 25 vezes menor e a extrema pobreza é 50 vezes menor. E os cidadãos em países livres vivem 25% mais tempo do que os cidadãos em países reprimidos.

Agora, o que queremos dizer quando falamos sobre libertarianismo?

E deixem-me citar as palavras da maior autoridade em liberdade na Argentina, o Professor Alberto Benegas Lynch Jr, que diz que o libertarianismo é o respeito irrestrito pelo projeto de vida dos outros baseado no princípio da não-agressão, em defesa do direito à vida, liberdade e propriedade.

Suas instituições fundamentais são a propriedade privada, mercados livres de intervenção estatal, livre concorrência e a divisão do trabalho e cooperação social, em que o sucesso é alcançado apenas servindo aos outros com bens de melhor qualidade ou a um preço melhor.

Em outras palavras, empresários capitalistas bem-sucedidos são benfeitores sociais que, longe de se apropriarem da riqueza dos outros, contribuem para o bem-estar geral.

Em última análise, um empresário de sucesso é um herói.

E este é o modelo que estamos defendendo para o futuro da Argentina. Um modelo baseado no princípio fundamental do libertarianismo.

A defesa da vida, da liberdade e da propriedade.

Agora, se o capitalismo de livre empresa e a liberdade econômica se mostraram instrumentos extraordinários para acabar com a pobreza no mundo, e estamos agora no melhor momento da história da humanidade, vale a pena perguntar por que digo que o Ocidente está em perigo.

E digo isso precisamente porque em países que deveriam defender os valores do livre mercado, propriedade privada e outras instituições do libertarianismo, setores do estabelecimento político e econômico estão minando as bases do libertarianismo, abrindo as portas para o socialismo e potencialmente nos condenando à pobreza, miséria e estagnação.

Nunca se deve esquecer que o socialismo é sempre e em todo lugar um fenômeno empobrecedor que falhou em todos os países onde foi experimentado.

Foi um fracasso econômico, social, cultural e também matou mais de 100 milhões de seres humanos.

O problema essencial do Ocidente hoje não é apenas que precisamos enfrentar aqueles que, mesmo após a queda do Muro de Berlim e a esmagadora evidência empírica, continuam a advogar pelo socialismo empobrecedor.

Mas também estão nossos próprios líderes, pensadores e acadêmicos que, confiando em um arcabouço teórico equivocado, estão minando os fundamentos do sistema que nos deu a maior expansão de riqueza e prosperidade em nossa história.

O arcabouço teórico a que me refiro é o da teoria econômica Neoclássica, que projeta um conjunto de instrumentos que, sem querer ou sem intenção, acabam servindo à intervenção do estado, ao socialismo e à degradação social.

O problema com os Neoclássicos é que o modelo de que se apaixonaram não mapeia a realidade, então eles atribuem seus erros a supostas falhas de mercado em vez de revisar as premissas do modelo.

Sob o pretexto de uma suposta falha de mercado, introduzem-se regulamentações. Estas regulamentações criam distorções no sistema de preços, impedem o cálculo econômico e, portanto, também impedem a poupança, o investimento e o crescimento.

O problema reside principalmente no fato de que nem mesmo supostos economistas libertários entendem o que é o mercado porque, se entendessem, rapidamente veriam que é impossível haver falhas de mercado.

O mercado não é um mero gráfico descrevendo uma curva de oferta e demanda. O mercado é um mecanismo de cooperação social, onde você troca voluntariamente direitos de propriedade. Portanto, com base nessa definição, falar de falha de mercado é um oximoro. Não existem falhas de mercado.

Se as transações são voluntárias, o único contexto em que pode haver falha de mercado é se houver coerção e o único capaz de coagir geralmente é o estado, que detém o monopólio da violência.

Consequentemente, se alguém considera que há uma falha de mercado, sugiro que verifique se há intervenção do estado envolvida em países livres vivem 25% mais tempo do que os cidadãos em países reprimidos.

Consequentemente, se alguém considera que há uma falha de mercado, sugiro que verifique se há intervenção do estado envolvida.

E se constatar que não é o caso, sugiro que verifique novamente, porque obviamente há um erro. Falhas de mercado não existem.

Um exemplo das chamadas falhas de mercado descritas pelos Neoclássicos é a estrutura concentrada da economia. A partir do ano 1800, com a população se multiplicando por 8 ou 9 vezes, o PIB per capita cresceu mais de 15 vezes, então houve retornos crescentes que reduziram a pobreza extrema de 95% para 5%.

No entanto, a presença de retornos crescentes envolve estruturas concentradas, o que chamaríamos de monopólio. Então, como algo que gerou tanto bem-estar para a teoria Neoclássica é uma falha de mercado?

Economistas Neoclássicos pensam fora da caixa.

Quando o modelo falha, não devemos nos irritar com a realidade, mas sim com o modelo e mudá-lo. O dilema enfrentado pelo modelo Neoclássico é que eles dizem desejar aperfeiçoar a função do mercado atacando o que consideram ser falhas.

Mas ao fazer isso, não só abrem as portas para o socialismo, mas também vão contra o crescimento econômico.

Por exemplo, regular monopólios, destruir seus lucros e destruir retornos crescentes destruiriam automaticamente o crescimento econômico.

No entanto, diante da demonstração teórica de que a intervenção estatal é prejudicial – e a evidência empírica de que não poderia ter sido diferente – a solução proposta pelos coletivistas não é maior liberdade, mas sim maior regulamentação, o que cria um espiral descendente de regulamentações até que todos sejamos mais pobres e nossas vidas dependam de um burocrata sentado em um escritório de luxo.

Diante do fracasso retumbante dos modelos coletivistas e dos avanços inegáveis no mundo livre, os socialistas foram forçados a mudar sua agenda: deixaram para trás a luta de classes baseada no sistema econômico e a substituíram por outros supostos conflitos sociais, igualmente prejudiciais à vida e ao crescimento econômico.

A primeira dessas novas batalhas foi a luta ridícula e antinatural entre homens e mulheres. O libertarianismo já prevê a igualdade entre os sexos. A pedra angular de nossa crença é que todos os seres humanos são criados iguais e que todos têm os mesmos direitos inalienáveis concedidos pelo Criador, incluindo vida, liberdade e propriedade.

Tudo o que a agenda do feminismo radical levou foi a uma maior intervenção estatal para dificultar o processo econômico, dando empregos a burocratas que não contribuíram em nada para a sociedade. Exemplos são ministérios da mulher ou organizações internacionais dedicadas a promover esta agenda.

Outro conflito apresentado pelos socialistas é o dos seres humanos contra a natureza, alegando que nós, seres humanos, danificamos um planeta que deve ser protegido a todo custo, chegando ao ponto de defender mecanismos de controle populacional ou a agenda do aborto. Infelizmente, essas ideias prejudiciais ganharam força em nossa sociedade.

Neo-marxistas conseguiram cooptar o senso comum do mundo ocidental, e isso eles alcançaram ao se apropriar dos meios de comunicação, cultura, universidades e também organizações internacionais.

O último caso é provavelmente o mais sério, pois são instituições que têm uma enorme influência nas decisões políticas e econômicas de seus estados membros.

Felizmente, há cada vez mais de nós que ousamos fazer ouvir nossas vozes, pois vemos que, se não lutarmos verdadeira e decisivamente contra essas ideias, o único destino possível é termos níveis crescentes de regulamentação estatal, socialismo, pobreza e menos liberdade, e, portanto, piores padrões de vida.

O Ocidente, infelizmente, já começou a seguir esse caminho. Eu sei, para muitos pode parecer ridículo sugerir que o Ocidente se voltou para o socialismo, mas isso só é ridículo se você se limitar à definição econômica tradicional de socialismo, que diz que é um sistema econômico onde o estado possui os meios de produção.

Essa definição, a meu ver, deve ser atualizada à luz das circunstâncias atuais.

Hoje, os estados não precisam controlar diretamente os meios de produção para controlar todos os aspectos da vida dos indivíduos.

Com ferramentas como impressão de dinheiro, dívida, subsídios, controle da taxa de juros, controles de preços e regulamentações para corrigir supostas falhas de mercado, eles podem controlar a vida e os destinos de milhões de indivíduos.

É assim que chegamos ao ponto em que, usando diferentes nomes ou disfarces, uma boa parte das ideologias geralmente aceitas na maioria dos países ocidentais são variantes coletivistas, sejam elas abertamente comunistas, fascistas, socialistas, social-democratas, nacional-socialistas, democratas-cristãos, neokeynesianos, progressistas, populistas, nacionalistas ou globalistas.

No final, não há grandes diferenças. Todos eles dizem que o estado deve dirigir todos os aspectos da vida dos indivíduos. Todos defendem um modelo contrário ao que levou a humanidade ao progresso mais espetacular de sua história.

Viemos aqui hoje para convidar o mundo ocidental a voltar ao caminho da prosperidade. Liberdade econômica, governo limitado e respeito ilimitado pela propriedade privada são elementos essenciais para o crescimento econômico.

O empobrecimento produzido pelo coletivismo não é uma fantasia, nem é um destino inescapável. É uma realidade que nós, argentinos, conhecemos muito bem.

Vivemos isso. Passamos por isso porque, como disse anteriormente, desde que decidimos abandonar o modelo de liberdade que nos tornou ricos, fomos apanhados em uma espiral descendente – uma espiral pela qual estamos cada vez mais pobres, dia após dia.

Isso é algo que vivenciamos e estamos aqui para alertar sobre o que pode acontecer se os países do mundo ocidental, que se tornaram ricos através do modelo de liberdade, permanecerem neste caminho de servidão.

O caso da Argentina é uma demonstração empírica de que, não importa quão ricos vocês possam ser, quanta riqueza natural possam ter, quão qualificada seja sua população, quão educada, ou quantas barras de ouro vocês possam ter no banco central – se forem adotadas medidas que dificultam o livre funcionamento dos mercados, a concorrência, os sistemas de preços, o comércio e a propriedade privada, o único destino possível é a pobreza.

Portanto, em conclusão, gostaria de deixar uma mensagem para todos os empresários aqui presentes e aqueles que não estão aqui pessoalmente, mas que estão acompanhando de todo o mundo.

Não se intimidem pela casta política ou pelos parasitas que vivem às custas do estado. Não se rendam a uma classe política que só quer permanecer no poder e manter seus privilégios. Vocês são benfeitores sociais. Vocês são heróis. Vocês são os criadores do período mais extraordinário de prosperidade que já vimos.

Não deixem que ninguém lhes diga que sua ambição é imoral. Se vocês ganham dinheiro, é porque oferecem um produto melhor a um preço melhor, contribuindo assim para o bem-estar geral.

Não se rendam ao avanço do estado. O estado não é a solução. O estado é o problema em si. Vocês são os verdadeiros protagonistas desta história e tenham certeza de que a partir de hoje, a Argentina é sua aliada firme e incondicional.

Muito obrigado e viva a liberdade!

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A Importância da Contabilidade na Educação Básica Para Promover a Literacia Financeira  https://blog.kanitz.com.br/a-importancia-da-contabilidade-na-educacao-basica-para-promover-a-literacia-financeira/ https://blog.kanitz.com.br/a-importancia-da-contabilidade-na-educacao-basica-para-promover-a-literacia-financeira/#comments Wed, 27 Dec 2023 10:49:03 +0000 https://blog.kanitz.com.br/?p=29618 Educação contábil

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Como Ministro da Educação, uma das minhas iniciativas primordiais seria a implementação de um módulo introdutório de Contabilidade em todos os currículos do ensino médio. 

Esta medida teria o objetivo de equipar os estudantes com ferramentas essenciais para o gerenciamento eficiente de suas finanças pessoais, contribuindo assim para a prevenção contra práticas fraudulentas.

A Contabilidade, mais do que uma mera disciplina técnica, oferece uma perspectiva dualística essencial para a compreensão da realidade financeira e econômica. 

Esta perspectiva bifocal, encapsulada nos conceitos de débito e crédito, permite uma análise mais profunda e equilibrada das transações e dos eventos econômicos. 

Diferentemente de outras ciências que tendem a adotar uma abordagem unidimensional, a Contabilidade incita o indivíduo a questionar e a analisar as implicações bidirecionais de qualquer ação financeira. 

Por exemplo, ao considerar a aquisição de um direito, como uma aposentadoria, sob a ótica contábil, questiona-se imediatamente a fonte da obrigação correspondente, ilustrando assim o princípio de que os direitos de uma parte são frequentemente as obrigações de outra.

Quando alguém me diz que possui um Direito Adquirido, eu sempre respondo “Contra Quem?”

Economistas, advogados, jornalistas normalmente respondem “Como contra quem, contra ninguém, é um direito meu.”.

99% dos brasileiros contribuem com 28% dos seus salários, e não pensam duas vezes para onde este dinheiro vai. 

Assustador que seus pais que contribuíram por 30 anos, nunca pensaram no Débito, onde aquela dinheirama toda está sendo investida, se é que está.

Mas um contador saberá que os aposentados se aposentam retirando dinheiro da nova geração, o famoso pacto entre gerações que vocês nunca assinaram. 

A análise contábil se estende também ao domínio dos investimentos públicos, como a compra de títulos do governo. 

Enquanto um leigo pode ver apenas o aspecto do crédito, um profissional contábil irá explorar a natureza do débito associado, avaliando a sustentabilidade e a eficácia do uso dos recursos. 

Essa dualidade de visão é vital não apenas para as finanças pessoais, mas também para a compreensão mais ampla das políticas econômicas e fiscais. 

A falta de conhecimento em Contabilidade por parte de muitos economistas, por exemplo, pode levar a uma interpretação simplista de conceitos como o regime de caixa e de competência, confundindo assim a análise econômica.

Portanto, a Contabilidade não é apenas uma ferramenta para a prosperidade individual, mas também um componente crítico para o entendimento e a análise crítica das políticas econômicas e sociais. 

A inclusão dessa disciplina no currículo escolar poderia ser um passo significativo na direção de uma sociedade mais informada e financeiramente responsável.

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