ERRONOMICS - Stephen Kanitz https://blog.kanitz.com.br/artigos/administracao-economica/economia-administracao-economica/erronomics/ Blog para se Pensar Tue, 07 Jul 2026 14:07:34 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.7.5 https://blog.kanitz.com.br/wp-content/uploads/2021/06/stephenkanitz-favicon-150x150.png ERRONOMICS - Stephen Kanitz https://blog.kanitz.com.br/artigos/administracao-economica/economia-administracao-economica/erronomics/ 32 32 Uma Aula com Delfim Netto na FEA https://blog.kanitz.com.br/uma-aula-com-delfim-neto-na-fea/ https://blog.kanitz.com.br/uma-aula-com-delfim-neto-na-fea/#comments Tue, 13 Aug 2024 12:32:00 +0000 https://blog.kanitz.com.br/?p=29778 Quando ainda aluno na FEA assisti uma aula do Prof. Delfim Netto, que foi enigmática e explica o crescimento do socialismo no Brasil, e a estagnação de nosso crescimento por 50 anos. “O livre mercado proposto pelos liberais é uma falácia.” “Imaginem a confluência da Avenida São João e a Avenida Ipiranga, se os ideais […]

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Quando ainda aluno na FEA assisti uma aula do Prof. Delfim Netto, que foi enigmática e explica o crescimento do socialismo no Brasil, e a estagnação de nosso crescimento por 50 anos.

O livre mercado proposto pelos liberais é uma falácia.”

“Imaginem a confluência da Avenida São João e a Avenida Ipiranga, se os ideais liberais prevalecessem.”

“Seria um caos.” 

“O livre mercado, como o livre trânsito, não funciona”.

“Todos os grandes cruzamentos das cidades, como da nossa economia, precisam de um “guarda de trânsito”, para orientar, intervir e disciplinar o mercado.”.  

“Os liberais acreditam que motoristas espontaneamente, irão criar alguma regra tipo 4 minutos para cá, 5 minutos para lá, ou que um motorista abnegado irá largar o seu carro por meia hora e dirigir espontaneamente o tráfego.

 Ingenuidade de Hayek, Milton Friedman e Adam Smith.”

“Por isto, vocês meus alunos precisamos tomar o poder, pelo menos os principais cruzamentos estratégicos desse país.”

“Esta é a nossa missão como economistas, cuidar de todos os grandes cruzamentos da Economia Brasileira, para que possamos evitar esses congestionamentos e o caos criado pelo do mercado.”

Precisamos tomar o poder do BB, Vale, Cacex, Tesouro, BNDES, CVM, Ministérios da Economia, Saúde e Educação, Sudene, Banco do Nordeste, Banco Central e A Própria Presidência da  República,  sermos os guardas do crescimento econômico, nas nossas mãos, e não na mão de motoristas abnegados.”

Os alunos saíram radiantes, eu inclusive, era um futuro promissor e poderoso.

Delfim, que era um Socialista Fabiano mas só agora admite,  estava não somente dando poder a um grupo de jovens, mas com um sentido humanitário e altruísta, que todo jovem adora. 

Poder para serem úteis para a sociedade, evitando o caos do livre mercado, proposto pelos economistas ingleses e americanos, que todos tinham que estudar na faculdade.

Até eu, futuro administrador, achei a lógica do Delfim muito convincente.

Na época havia o Socialismo e o Comunismo que defendiam tomar todas as ruas de um país.

Mas este brilhante economista defendia tomar somente os cruzamentos estratégicos, e convenceu o governo militar a fazer o mesmo.

Com a ida do Delfim ao Governo Militar, esses seus alunos rapidamente aceitaram todos os convites e convenceram os militares a não convocar eleições em 1966.

Os adeptos do Delfim foram tomando praticamente todos os cruzamentos chaves da economia brasileira. 

Criaram Agências Reguladoras para cada setor da economia, temos guardas de trânsito em tudo o que é lugar.

O aparelhamento do Estado não começou com o PT, começou com Delfim, e seus alunos muitos estão no poder até hoje.

Delfim levou os famosos Delfim Boys, economistas escolhidos a dedo para serem os “guardas” da economia. 

Os socialistas Fabianos achavam que o socialismo na mão do proletariado não funcionaria, o que de fato não funcionou.

Mas na mão de professores inteligentes como Afonso Pastore, Arminio Fraga, Aloysio Mercadante, Pérsio Arida, estrategicamente colocados funcionaria sem chamar muita atenção.

Os Militares deixaram o poder mas a estratégia do Delfim se mantém até hoje.

 De 1965 a 1984, todos os presidentes do BNDES eram engenheiros, que sabiam avaliar os enormes projetos de infraestrutura deste pais.

De 1984 para cá tivemos 25 economistas escolhidos pelo Projeto Delfim, a maioria nunca tendo sido nem gerente de Banco.

Fiquei fora do país por três anos cursando a Harvard Business School, e quando voltei percebi por acaso, a falácia do Delfim.

Entre a minha casa e a USP, onde voltara a ser professor, havia 35 cruzamentos estratégicos.

34 controlados por um simples semáforo, que possuía uma regra, uma lei pré determinada.

Mas tinha um único cruzamento na Praça da Árvore, Rebouças com Avenida do Jóquei, que era controlado por um “guarda de trânsito”.

Era a mais  demorada e imprevisível justamente porque tinha um “economista no poder”.

Ficávamos 4 minutos para atravessar a rua, quando na maioria dos semáforos era de 30 segundos.

Aí percebi porquê.

Depois de algum tempo o guarda se enchia.

Ser guarda de trânsito deve ser a profissão mais chata do mundo. 

Logo, o guarda percebia que “dar preferência para alguns”, era uma forma de poder.

E dito e feito.

Quantas vezes a gente percebia que a Rebouças já estava vazia, mas o “guarda” chamava um táxi solitário, e mantinha o sinal até ele poder passar. 

E o táxi passava sorridente, agradecendo o favor recebido. 

E de favores em favores, o Delfim ficou cada vez mais poderoso e foi o Tsar da Economia por muito tempo.

Como todos nós sabíamos desta regra, depois de 1 min e 45 segundos já engatávamos a primeira marcha e prestávamos atenção.

Mas com economistas no poder, nunca sabíamos o que poderia acontecer.

Um congelamento, uma maxi, um sequestro de todo o nosso dinheiro no Banco, um imposto retroativo, enfim.

A partir de  1965 o Brasil se tornou um dos países mais instáveis do mundo.

José Serra, outro socialista fabiano, calculou que nos últimos 50 anos a política econômica mudou nada menos que 164 vezes.

Nós administradores, em vez de colocar um administrador em cada cruzamento estratégico da economia, e morrer de tédio, teríamos há muito tempo colocado semáforos inteligentes.

Que pasmem, graças a Delfim, ainda não temos. Não faz parte de nossa cultura aprender lentamente o fluxo de tráfego do momento e ir mudando a regra conforme o mercado. 

Empresas administradas são exatamente isto.

Criamos sistemas que andam sozinhos, que aprendem e se adaptam espontaneamente a mudanças de mercado. 

Esta é a grande diferença entre Administração e Economia.

Hoje temos os resultados.

Uma economia 50% centralizada, parada, personalista, corrupta, que depende de favores e incentivos dos “guardas estratégicos”. 

Pior, temos uma economia cheia de gargalos. 

Gargalos nos aeroportos, energia, estradas, educação, hospitais, falta tudo e temos filas para tudo. 

Temos congestionamentos e filas, justamente naqueles pontos tomados pelo “Projeto Delfim”.

Delfim faleceu ontem, mas seu legado continuará firme por mais 50 anos.

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O Desastre Dessa Reforma Tributária https://blog.kanitz.com.br/o-desastre-dessa-reforma-tributaria/ https://blog.kanitz.com.br/o-desastre-dessa-reforma-tributaria/#comments Thu, 11 Jul 2024 15:56:09 +0000 https://blog.kanitz.com.br/?p=29697 A reforma tributária brasileira, vendida sob o pretexto de simplificação e modernização, esconde distorções que penalizam a eficiência econômica e o desenvolvimento social. Longe de entregar um sistema justo, o modelo da atual gestão econômica ignora realidades contábeis básicas e impõe um retrocesso burocrático que sufoca quem mais gera valor, engessa a autonomia de estados […]

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A reforma tributária brasileira, vendida sob o pretexto de simplificação e modernização, esconde distorções que penalizam a eficiência econômica e o desenvolvimento social. Longe de entregar um sistema justo, o modelo da atual gestão econômica ignora realidades contábeis básicas e impõe um retrocesso burocrático que sufoca quem mais gera valor, engessa a autonomia de estados eficientes e sobrecarrega a juventude no momento mais crítico de sua formação patrimonial. O cenário das novas diretrizes não é apenas ineficiente; trata-se de uma inversão de lógica que pune a produtividade e transforma a promessa de desburocratização em um verdadeiro emaranhado de custos e injustiças fiscais.

  1. É simplesmente um absurdo taxar mais as empresas que mais valor acrescentam ao consumidor, e taxar menos as empresas que menos valor acrescentam à sociedade. Duas empresas, de mesmo faturamento e número de funcionários, aquela que acrescenta valor e deveria ser estimulada, é penalizada, aquela que menos valor acrescenta é menos taxada.
  2. Simplicação de 6 impostos para 2. Empresas fazem 3.000 pagamentos por mês, para funcionários ou fornecedores. Reduzir em 4 pagamentos gerando essa confusão toda é o absurdo do absurdo.
  3. Bernard Appy, sendo economista, nada entende de contabilidade, não sabe que empresas elaboram o Demonstrativo de Valor Adicionado, com valor X, que multiplicado por 26%, bastava. Mas não, continua o sistema absurdo de pinçar o imposto de cada venda, e subtrair o imposto de cada compra.
  4. Estados eficientes, estados com governadores da direita, não mais poderão reduzir seus impostos, repassando esses ganhos de produtividade para atrair novas empresas. O governo federal determinará uma alíquota única.
  5. Contadores ficarão malucos contabilizando 2 sistemas paralelos por 20 anos. Os custos contábeis irão simplesmente dobrar, e os erros contábeis irão triplicar.
  6. Impostos devem corresponder aos serviços prestados pelo governo, estado e municípios, a rigor deveríamos ter um imposto específico para cada serviço prestado. Empresas que não importam bens nem exportam não deveriam custear o Itamaraty. Empresas que não contratam alunos de Faculdades Estatais, não deveriam pagar pelo seu ensino, empresas que reciclam seu lixo, assim por diante.
  7. Companhias de Seguro Saúde não estão acrescentando valor quando lhe tratam de uma doença, elas estão simplesmente devolvendo suas anuidades de forma atuarial, tirando os riscos daqueles menos afortunados em termos de saúde. Agora vão pagar 26%.
  8. A ideia populista e petista do cash back para os mais pobres é simplesmente eleitoreira, e prejudica os mais jovens. É um absurdo taxarmos jovens de 18 a 28 anos, no início de suas vidas, agora em 26% de IBS, mais 28% de INSS, quando precisam comprar casa, fogões e móveis. Cash back deveria ser para eles no início de suas vidas, mas não pensaram nisso.

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Não Foi Perón Que Destruiu a Argentina, Mas Sim Raúl Prebisch https://blog.kanitz.com.br/nao-foi-peron-que-destruiu-a-argentina-mas-sim-raul-prebisch/ https://blog.kanitz.com.br/nao-foi-peron-que-destruiu-a-argentina-mas-sim-raul-prebisch/#comments Tue, 02 Jan 2024 13:29:26 +0000 https://blog.kanitz.com.br/?p=29622 Termos de troca

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Raúl Prebisch, filho de um imigrante alemão e contador de banco, nutria uma forte aversão aos grandes produtores de cana-de-açúcar argentinos, que considerava a classe dominante. Ele dedicou sua vida a tentar diminuir o poder desta classe.

Prebisch foi o economista mais influente na CEPAL, impactando não só a geração de economistas argentinos, mas também brasileiros, como José Serra, Luciano Coutinho, Guido Mantega e Dilma Rousseff, além de instituições como a Unicamp.

Ele defendeu a industrialização da Argentina como meio de enfraquecer o monopólio de poder da classe agrícola dominante, implementando políticas como a utilização de subsídios e proteção tarifária.

Prebisch optou pela política econômica de Substituição de Importações, em contraste com o modelo de Exportações adotado por países como Japão, Coreia do Sul e China.

Seu argumento baseava-se em um gráfico teórico, que propunha que as elasticidades da agricultura e os termos de troca favoreciam a industrialização em detrimento da agricultura.

Propôs que carros americanos da Ford, anteriormente importados pela elite, fossem produzidos localmente na Argentina, utilizando a marca e a rede de distribuidores já existente, assim como outros produtos importados.

Contudo, na época, a Argentina tinha apenas cerca de 10 milhões de habitantes, dos quais somente 500.000 eram considerados ricos, uma base insuficiente para sustentar uma indústria de produção em massa.

Essa política levou Argentina e Brasil a desenvolverem indústrias economicamente inviáveis, sustentadas por subsídios e preços internos muito elevados.

Essa situação deu origem ao Peronismo e ao Petismo, com sindicalistas descontentes que continuam a ter influência na Argentina e novamente no Brasil.

Portanto, não foi o Peronismo que destruiu a Argentina, mas sim a abordagem de Raúl Prebisch, que enfraqueceu a competitiva agricultura argentina.

No Brasil, similarmente, negligenciamos nossa agricultura por 50 anos, criando uma indústria hoje obsoleta.

Felizmente, como a agricultura é o setor menos regulado e taxado do Brasil, estamos agora no caminho certo.

Não fosse esse retrocesso, espero temporário, de reconduzir ao poder o sindicalismo que tanto prejudicou a Argentina e o Brasil.

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Meu Encontro com Lula https://blog.kanitz.com.br/meu-encontro-com-lula/ https://blog.kanitz.com.br/meu-encontro-com-lula/#comments Tue, 26 Dec 2023 11:58:10 +0000 https://blog.kanitz.com.br/?p=29611 Meu encontro com Lula

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Foi em 2001, e Lula, mais uma vez candidato à Presidência, desejava discutir economia com pessoas diferentes dos usuais intelectuais do PT.

Seu contador, Antoninho Trevisan, reuniu Walter Appel, Guilherme Leal, Luiz Cezar Fernandes e eu para compartilharmos nossa visão dos grandes problemas nacionais.

Guido Mantega estava acompanhando Lula.

Na minha vez de falar eu apontei o que achava que era o problema mais urgente e importante.

Disse eu: “O problema número um é o sistema de previdência por repartição, onde o Estado retira 28% dos salários dos trabalhadores jovens para pagar as aposentadorias da velha geração de funcionários públicos, professores de sociologia e idosos em geral.

Isso mantém os jovens eternamente pobres, forçados a se endividar, enquanto o país fica sem recursos financeiros a longo prazo, ideais para o financiamento empresarial.

Se esses 28% não fossem gastos, mas investidos para o futuro, estaríamos hoje com 16 trilhões em fundos de pensão, o equivalente a 45 BNDES.

Se você não realizar imediatamente uma reforma no primeiro ano de governo, uma reforma conforme a Constituição manda no artigo 201 “observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial“ o Brasil não crescerá nos próximos 30 anos.

Além disso, nossa produtividade permanecerá estagnada, nossos jovens continuarão pobres, e nossos juros reais permanecerão elevados.

Hoje, temos um sistema em que os jovens são escravizados pelos mais velhos, algo inaceitável no século 21.”

Era algo que eu já vinha escrevendo, inclusive na Veja há 20 anos. Portanto, estava bem a par do assunto.

Discutimos por cerca de três horas vários assuntos e ao final, Lula agradeceu nossa contribuição e disse:

“Ainda bem que, segundo o Kanitz, eu já sou aposentado, pois isso significa que já garanti o meu.”

Não publiquei essa declaração porque foi dita em tom de brincadeira e o encontro era confidencial.

Mas não pude deixar de pensar que isso era típico do PT, e tudo o que eles defendiam e ainda defendem até hoje.

Direitos e mais direitos, direitos adquiridos em detrimento da nova geração, dos mais pobres, pois acima de R$ 7.000,00 por mês, aos ricos não incide INSS.

Lula tinha condições, com sua popularidade, de mudar o país, acabar com a escravidão dos jovens, reduzir a taxa média dos juros, fazer o país crescer com caixa e não dívidas, como fez, enquanto o problema estava em seu início, em 2002.

Hoje, a dívida da nova geração com a velha é de 136 trilhões de reais, o custo de uma transição para um regime de acumulação solidária.

O fato de que essa dívida agora é 80% impagável significa que idosos literalmente morrerão de fome, não poderão se aposentar e terão que competir com os jovens por empregos.

Vinte anos de governos do PT, onde esse problema foi deliberadamente escondido por economistas como Guido Mantega, que afirmou no encontro que “não havia deficits”, selaram nosso futuro, que será de um enorme conflito intergeracional.

Jovens recusando pagar o INSS e economistas achando outras formas de taxá-los.

Fico incrédulo como nossos intelectuais ignoraram esse problema, e o pouco apoio que tive nesses 50 anos.

Alertando quase todo ano sobre esse problema desde 1983, sem um sinal nem da velha geração nem da nova, como o MBL, condenados à pobreza por direitos supostamente adquiridos, mas não são.

Seremos uma nação de escravos, como de fato já somos.

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Reavaliando o Papel dos Bancos Centrais. Série Desaprenda Economia https://blog.kanitz.com.br/reavaliando-o-papel-dos-bancos-centrais-serie-desaprenda-economia/ https://blog.kanitz.com.br/reavaliando-o-papel-dos-bancos-centrais-serie-desaprenda-economia/#comments Thu, 07 Dec 2023 10:31:37 +0000 https://blog.kanitz.com.br/?p=29578 Por que precisamos de bancos centrais ?

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Os Bancos Centrais, historicamente concebidos como instrumentos vitais para a estabilidade econômica, são hoje percebidos por alguns como parte integrante dos problemas econômicos contemporâneos. 

Originalmente, essas instituições foram estabelecidas com o objetivo de mitigar crises financeiras, fornecendo liquidez e suporte financeiro a bancos que enfrentavam dificuldades temporárias de liquidez.

Historicamente, os depósitos bancários eram frequentemente à vista, enquanto os empréstimos possuíam prazos mais longos (variando entre 60 a 600 dias), resultando em um descompasso no fluxo financeiro. 

Este desequilíbrio ficou evidente durante a Crise Knickerbocker nos Estados Unidos em 1907, quando as corridas bancárias levaram à falência de diversas instituições financeiras e culminaram na criação do Sistema da Reserva Federal em 1913, com o intuito de prevenir tais corridas bancárias.

No entanto, a eficácia desses Bancos Centrais em prevenir crises tem sido questionada, particularmente ao se observar eventos históricos significativos. 

A Grande Depressão, ocorrida entre 1925 e 1930, é um exemplo notório, onde falências bancárias maciças contribuíram para uma das mais severas crises econômicas da história.

 Alguns argumentam que as falhas do Federal Reserve (FED) nesse período tiveram implicações que ultrapassaram o âmbito econômico, influenciando até mesmo o cenário político global, como a eclosão da Segunda Guerra Mundial.

Outras crises econômicas também lançam dúvidas sobre a eficácia dos Bancos Centrais. 

Por exemplo, a Crise da Dívida Latino-Americana na década de 1980, envolvendo diversos países, incluindo o Brasil; 

a Crise das Poupanças nos Estados Unidos entre as décadas de 1980 e 1990;

 a Crise Financeira Asiática de 1997-1998, que se alastrou por vários países asiáticos;

 a Crise Financeira Russa em 1998;

 a Crise Econômica Argentina entre 1999 e 2002; 

a Crise Financeira Global de 2007-2008, originada nos Estados Unidos; 

e a Crise da Dívida Soberana Europeia nos anos 2010.

Estes eventos levantam questões pertinentes sobre a natureza e a função dos Bancos Centrais. 

Uma questão que todo economista formado deveria se perguntar  é por que os bancos podem alavancar seu capital em proporções significativamente maiores (12 vezes ou mais) do que outras entidades econômicas, que operam com níveis de alavancagem mais conservadores. 

Vide o gráfico da situação das 500 maiores empresas brasileiros, do banco de dados que administro.

Por que bancos conseguem se alavancar 12 vezes seu capital, enquanto o resto da economia , por prudência , alavanca bem menos, 1,67 por exemplo?

Por que capitalistas banqueiros arriscam seu capital 12 a 36 vezes, com o risco de perder tudo com uma queda de 8% a 3% nos depósitos?

Em contraste, outros setores, como comércio e indústria, geralmente operam com uma alavancagem de apenas 67% do capital investido, em vez dos 1200% comuns no setor bancário. 

Estas discrepâncias apontam para uma necessidade de revisão e reavaliação crítica do papel dos Bancos Centrais na economia contemporânea, bem como das práticas bancárias.

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O Déficit de 2024 Não é de 1% Como Noticiado https://blog.kanitz.com.br/o-deficit-de-2024-nao-e-de-1-como-noticiado/ https://blog.kanitz.com.br/o-deficit-de-2024-nao-e-de-1-como-noticiado/#comments Sun, 05 Nov 2023 19:52:49 +0000 https://blog.kanitz.com.br/?p=29498 Como nossos déficits orçamentários são mal calculados.

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O déficit orçamentário da União não corresponde a apenas 1% do PIB, como divulgam economistas e jornalistas.

A dificuldade de economistas em medir adequadamente esse problema dificulta sua resolução.

Por isso em Administração ensinamos Contabilidade de Custos, orçamento gerencial e estatística corporativa para evitar erros no início da análise e, assim, facilitar a busca por soluções verdadeiras.

Para o ano de 2024, as Receitas estão estimadas em 5,546 trilhões, enquanto as Despesas alcançam 5,666 trilhões, resultando em um déficit de 120 bilhões.

O que corresponde a 1% do PIB de 10 trilhões.

Economistas acham que esse déficit de 1% será facilmente financiado por mais dívida, o que de fato seria razoável se o número fosse correto.

No entanto, o déficit real é de 6% para 2024 e aumentará para 7% nos anos seguintes, incluindo 2025 e 2026.

A questão central é que Haddad e Lula estão considerando as contribuições previdenciárias como Receitas do Governo, quando na verdade são Dívidas a Longo Prazo, obrigações a serem pagas pelos próximos governos.

Portanto, as Receitas reais de 2024 serão de apenas 5 trilhões, enquanto as Despesas atingirão 5,666 trilhões, resultando em um déficit de 666 bilhões, que corresponde a 6% do PIB.

É importante destacar que as contribuições previdenciárias representam uma Dívida de Longo Prazo, não uma Receita corrente.

Que contribuições previdenciárias são uma Dívida a Longo Prazo e não uma Receita corrente não há a menor discussão possível, porque é justamente por isso que vocês empregados estão contribuindo com 28% de seus salários.

Porque te prometeram uma aposentadoria vitalícia daqui 30 anos, o que é uma Dívida Líquida e certa e você ainda acredita que um dia será paga.

Esse déficit de 26% durante o governo Lula terá que ser financiado por dívidas que serão pagas pelos governos futuros, o que pode ser considerado antiético e injusto, embora não seja inconstitucional.

Uma parte significativa desse financiamento, ou seja, 540 bilhões, já está assegurado e será proveniente dessas contribuições previdenciárias dos cidadãos, em vez de serem destinadas a fundos de pensão próprios, como muitos liberais e conservadores sugerem.

Este déficit de 26% do PIB em 4 anos é de proporções monumentais e deve ser cuidadosamente considerado.

Portanto, é crucial conscientizar os contribuintes sobre esse déficit de 26% do PIB, pois economistas, tanto do setor privado quanto do governo, podem estar inadvertidamente conduzindo recursos previdenciários para um Estado com sérios problemas financeiros e insolvente.

Compartilhe esta análise, pois é essencial que informações precisas sejam disseminadas.

O déficit será de 26% do PIB e os contribuintes para a previdência precisam saber disto.

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Princípios Básicos https://blog.kanitz.com.br/principios-basicos/ https://blog.kanitz.com.br/principios-basicos/#comments Tue, 08 Dec 2020 13:05:00 +0000 https://blog.kanitz.com.br/?p=26963 A maioria das pessoas são bem intencionadas. Os psicopatas sociais são poucos, mas fazem um enorme estrago. A maioria das pessoas se norteiam na vida por princípios básicos, fáceis de decorar, simples e diretos. Ame o próximo, por exemplo. Difícil de executar, dia após dia. Para quem gosta do que escrevo, uma confissão. Muitas das […]

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A maioria das pessoas são bem intencionadas.

Os psicopatas sociais são poucos, mas fazem um enorme estrago.

A maioria das pessoas se norteiam na vida por princípios básicos, fáceis de decorar, simples e diretos.

Ame o próximo, por exemplo.

Difícil de executar, dia após dia.

Para quem gosta do que escrevo, uma confissão.

Muitas das minhas críticas são dirigidas a pessoas ou intelectuais que não estão mais respeitando os princípios básicos.

Por ignorância, por conveniência, por má fé.

Vou dar um exemplo que vocês já conhecem de tanto eu repetir.

O princípio básico do termo juro, é que ele se refere ao preço do dinheiro.

“Quanto vai me custar alugar seu dinheiro por um ano?”

TODOS os economistas responderão hoje 2,25%.

Mas não é. Depende da inflação futura que é uma receita que se abate desse número que os economistas acreditam.

Não sabem a diferença entre juro real e juro nominal, mesmo aqueles que nesse momento estão lendo e acham que sabem.

Se seguirmos Princípios Básicos, nenhum economista sequer usaria o termo juro real, e sim juro.

Juro real é juro puro.

Isso é muito sútil, mas com enormes consequências nefastas.

Juro real é a verdadeira remuneração do emprestador.

Juro nominal na realidade é a soma do custo do dinheiro mais uma compensação pela perda inflacionária sobre o montante emprestado.

É juro mais inflação, qualquer matemático sabe que Juro = Juro + Inflação, e juro só existirá se Inflação for zero, o que raramente ocorre.

O termo certo para juro real é juro, pura e simplesmente.

Perceberam agora a encrenca em que economistas do mundo inteiro se meteram?

O juro hoje é 0,25% e mesmo assim depende da inflação que ninguém acerta a previsão.

Investir em títulos estatizados sem saber exatamente qual é o juro a receber?

Então o que seria esse juro “nominal” de 2,25%?

É um “juro irreal e incerto”, portanto um fake news que afeta todos que usam esse valor como o “juro”.

Hoje, muitos economistas estão se opondo a um juro nominal negativo, por acharem um absurdo. “Pagar, para ficarem com o meu dinheiro?”

Se entendessem de primeiros princípios, não teriam esse problema, juro é obviamente o juro real.

Não preciso ter um PHD em Economia em Chicago para saber que juro real é pleonasmo.

A Crise de 1929, que foi o maior desastre econômico da história, foi causada porque recusaram reduzir o juro nominal abaixo de zero, nem menor do que 0,25% ao ano.

Com a deflação de preços em 1929 e 1930 de 10% ao ano, os JUROS foram elevados por esses economistas para 11% ao ano quebrando de agricultores a empresas e mais 10.000 bancos.

Dezenas de outros problemas no mundo são causados porque fugimos dos princípios básicos por ignorância, incompetência e má fé.

Neste caso os Bancos Centrais conseguem colocar seus títulos a 2,25% mentindo, do que a 0,25% ou até negativo, dizendo a verdade.

Muitos dos problemas do mundo se resolveriam se voltássemos aos princípios básicos, back to basics, definindo a realidade como ela é.

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Nos Bastidores do Poder https://blog.kanitz.com.br/bastidores-do-poder/ https://blog.kanitz.com.br/bastidores-do-poder/#comments Tue, 06 Oct 2020 13:05:00 +0000 https://blog.kanitz.com.br/?p=26902 Decidi contar um pouco da minha vida pública. Uma das partes mais elucidativas foi quando trabalhei no Governo, e descobri como as decisões econômicas do governo são realmente tomadas. Acho que mais administradores que participaram do Governo deveriam contar como esse país é (pessimamente) administrado, para sabermos quais são nossos verdadeiros problemas. O então Ministro […]

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Decidi contar um pouco da minha vida pública.

Uma das partes mais elucidativas foi quando trabalhei no Governo, e descobri como as decisões econômicas do governo são realmente tomadas.

Acho que mais administradores que participaram do Governo deveriam contar como esse país é (pessimamente) administrado, para sabermos quais são nossos verdadeiros problemas.

O então Ministro do Planejamento me levou aos Estados Unidos, para que eu expusesse meu “Plano de Renegociação da Dívida Externa” para o Paul Volcker, Presidente do Banco Central Americano.

Fui o primeiro a usar em Economia uma planilha eletrônica para resolver um problema econômico.

Nesse caso descobri que nossa dívida era pagável porque seria totalmente corroída pela inflação americana.

Gritos de Moratória, romper com o sistema internacional, que acabaram fazendo, eram equivocados porque nosso problema era a inflação americana e não os juros “brasileiros”.

Nenhum outro economista chegara a essa conclusão, porque nenhum havia feito o fluxo de caixa até o final dos 30 anos.

Fui um dos poucos, portanto, a perceber que o problema não eram os juros, diagnóstico de 100% dos economistas da época, mas a inflação americana que havia disparado.

Ao simular os pagamentos para os 30 anos seguintes com inflação zero, hipótese maluca por isso ninguém fez, descobri que o problema se resolvia imediatamente.

Para quem não sabe nossa História Econômica, nossos Ministros da Fazenda da era Militar assinaram vultosas dívidas externas com bancos internacionais para estimular os investimentos em infraestrutura.

Só que, pasmem, assinaram esses contratos sem estabelecerem previamente os juros a serem pagos pela duração desses contratos, digamos 6% ao ano.

Assinaram contratos com juros “flutuantes”, que flutuavam APÓS a assinatura do contrato, e, portanto, incluíam imediatamente os picos de inflação.

Fazem isso até hoje, se comprometem a pagar a “Selic”, e não digamos 4%.

Quando historiadores econômicos acusam “Volcker elevou os juros para 19% que afetou todo mundo”, eles omitem que esse aumento só afetou de fato países que “assinaram juros que flutuavam após a assinatura do empréstimo”.

Quem assinou juros fixos ou pré determinados, escapou, óbvio.

Volcker não aumentou os juros retroativamente aos contratos já assinados, algo sempre esquecido.

Meu plano mereceu um editorial da Revista Euromoney, “Entra Em Cena O Alquimista”, que era eu, que achara a verdadeira causa do problema, a inflação americana.

Economistas brasileiros não leem Euromoney e aqui a tese não “pegou”, mas graças ao editorial eu passei a negociar a minha solução com os banqueiros internacionais.

Achamos dezenas de fundos de pensão americanos que queriam comprar um título com juros reais fixos (3,5% e não os 16% da época) pela duração do contrato.

Em troca, no final dos 30 anos pagaríamos a dívida sem ser corroída pela mesma inflação, com exportações que sobem naturalmente com a mesma inflação.

Era tudo o que eu e eles desejávamos.

Seria um ganha-ganha para o Brasil e para esses Fundos de Pensão, eliminando assim o risco da incerteza atuarial, e para nós, o risco dos juros flutuantes.

Divulguei esse Plano de Renegociação em mais de 100 jornais e revistas, e uma cópia está aqui www.spell.org.br/documentos/download/19132.

Vocês, professores de Economia, têm um interessante Estudo de Caso para discutirmos mais um erronomics que a turma fez.

O “Plano de Renegociação” foi eleito um dos 10 melhores pelo Internacional Finance Corporation.

Junto com o plano do Pablo Kuczynski do Peru, únicas propostas vindas de intelectuais dos países devedores.

Só assim chamou a atenção dos economistas do Governo Brasileiro, que não leram o Euromoney, e me levaram para explicar pessoalmente ao Volcker.

Minha reunião com Volcker foi na Embaixada Brasileira e curta.

Ministro do Planejamento- “Mr. Volcker, quero apresentar Stephen Kanitz, formado em Harvard, que tem uma proposta para Renegociar a Dívida Brasileira, e gostaria que o ouvisse.”

Volcker- “Pois não.”

Kanitz- “Eu tenho uma “solução de mercado” e, já tenho os fundos de pensão, e os atuais bancos que aceitam fazer um Swap de Juros Nominal-Real.”

Volcker (rindo)- “Você deve ser o único economista brasileiro que está propondo uma “solução de mercado”, em vez de “perdão da dívida”, “moratória”, “pagar somente % das exportações”, ou atrelar ao crescimento.”

Kanitz- “Exatamente Mr. Volcker. Por isso preciso da sua ajuda e total apoio.”

Volcker- “Está dado.”

Agradeci, virei as costas e saí da sala.

O Ministro do Planejamento saiu correndo atrás de mim.

“Espera aí, você não vai explicar o seu plano? Nós lhe trouxemos aqui para isso.”

“Claro que não. Você não ouviu que ele já me deu seu total apoio?

Agora eu posso ligar para todos os bancos irem em frente e só preciso repetir essa frase do Volcker que você acaba de ouvir.

Se começasse a entrar nos pequenos detalhes, como você quer, poderíamos perder esse apoio.”

Infelizmente, meses depois esse mesmo Ministro boicotou o trabalho da nossa equipe de oito pessoas, ao assinar a Moratória da Dívida Externa Brasileira em 1988.

Essa moratória foi irresponsável, pois a dívida era pagável e nos causou quase duas décadas perdidas.

Sem crescimento a juros baratos de 3,5% ao ano que eu já havia acertado com os Fundos de Pensão.

Ou seja, o problema não era o Brasil nem o Volcker, mas o tipo de juro negociado, nominal em vez de real.

Quem baixar a planilha que fiz em 1986, verá que projetava Reservas Internacionais de US$ 348 bilhões em 2016, 30 anos depois.

Não conheço economista que acertou uma previsão de 30 anos.

Tenho a absoluta certeza de que os Ministros que assinaram essas dívidas sequer fizeram planilhas para projetar as consequências futuras de suas decisões arriscadas.

Administração Responsável das Nações, precisamos tornar essa matéria obrigatória em todos os cursos de Economia e Administração.

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O Erro de Fabio Giambiagi https://blog.kanitz.com.br/o-erro-de-fabio-giambiagi/ https://blog.kanitz.com.br/o-erro-de-fabio-giambiagi/#comments Sat, 19 Sep 2020 09:55:00 +0000 https://blog.kanitz.com.br/?p=26885 O Economista Fabio Giambiagi está em campanha para convencer o Banco Central a acabar com a LFT, que são os títulos que corrigem o valor investido até a data de vencimento. A LFT oferece somente um juro (real) mais baixo do que o nominal porque recusa incluir a inflação no juro nominal, mais elevado se […]

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O Economista Fabio Giambiagi está em campanha para convencer o Banco Central a acabar com a LFT, que são os títulos que corrigem o valor investido até a data de vencimento.

A LFT oferece somente um juro (real) mais baixo do que o nominal porque recusa incluir a inflação no juro nominal, mais elevado se a inflação for positiva.

Giambiagi é mais um economista que acha que títulos que corrigem a planilha de amortização pela inflação passada são um erro.

Prefere correção monetária imediata incluindo a estimativa de inflação na taxa de juro.

O que é um desastre quando a amortização é do tipo daqui 5 a 30 anos, como agora e na época da dívida externa.

É assustador saber que existem economistas, e esse era um dos melhores que o Brasil tinha, que acham que incluir a inflação futura na planilha dos juros de hoje seja um instrumento de política monetária melhor.

É assustador que Giambiagi não saiba até hoje que seu juro nominal é a soma de um juro real incerto mais uma estimativa da inflação futura mais incerta ainda.

Giambiagi, essa incerteza aumenta o juro real demandado, até parece que você nunca investiu em títulos pré-fixados.

O fato de que a soma dos dois é um número certo, nada significa.

Temos que aprender a fazer uma planilha Excel para perceber certas bobagens.

Pagar mais em juros nominais hoje, para pagar uma dívida corroída pela inflação depois, não faz o menor sentido para um administrador financeiro.

Quando se eliminam títulos com “correção monetária”, a única coisa que acontece é que o juro real de 3% ao ano passa imediatamente a ser um juro nominal de 20% como ocorreu no Plano Real.

O estrago é imediato, falta de capital de giro das empresas e baixo crescimento, o que ocorreu com o Plano Real.

Paramos de crescer depois de sua ideia implantada.

O fato de que a dívida será corroída pela mesma inflação embutida no juro nominal mais adiante, não refresca em nada as empresas que quebraram, como o Brasil na Moratória.

Foi isso que ocorreu com a famosa crise da Dívida Externa Brasileira na década dos 80, quando o juro nominal subiu para 17%, mas o juro real era negativo.

Faça os cálculos, publique a planilha da sua proposta.

Ou aos economistas que irão lhe defender, que publiquem uma planilha de 30 anos para perceberem o erro cometido por Giambiagi.

Você mesmo admite que a LFT é indexada aos juros, e não ao principal.

Eu luto por uma política monetária baseada em juros reais e amortizações reais, e não fake.

Juro real para nós administradores é pleonasmo, deveria ser também para vocês economistas.

Giambiagi, pelo bem da ciência econômica, pare de usar o termo real, e perceba a encrenca em que vocês se meteram.

Juro nominal é juro irreal, por definição de vocês mesmos.

O que você chama de uma jabuticaba, um atraso para um Brasil moderno, que ainda representa 40% de nosso endividamento, é uma benção.

Administração Responsável das Nações, precisamos dela já, ou iremos para trás com o apoio da grande imprensa que filtra o “melhor” pensamento que há no momento.

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