Aos Que Admiram Karl Marx

Karl Marx foi o primeiro a ver o início da revolução industrial e o estrondoso aumento de produtividade que as máquinas criadas pelos engenheiros mecânicos proporcionaram na época.

Estudou em particular a indústria têxtil, cujo amigo Engels era dono de uma empresa.

Um tecelão trabalhando para si em casa produzia, digamos, 1 metro de tecido ao mês, que valia 200 reais, digamos, seu salário.

Um tecelão trabalhando com um tear automático passou a produzir 10 metros a mais por dia, mas ganhava somente 300 reais.

(O capitalismo precisou pagar mais aos tecelões de casa porque agora havia horário marcado e o deslocamento para a fábrica.)

“Isso é injusto”, observou Marx, o mesmo tecelão está agora produzindo 10x mais, deveria receber 2.000 reais por mês ou algo perto disso.

Óbvio que há um erro de lógica aqui, o engenheiro mecânico que inventou e pagou pelo tear receberia zero, o que também é injusto e inibiria o crescimento.

(Marx no final do livro já percebe esse erro, e “permite” ao engenheiro recuperar a depreciação da máquina e os custos de manutenção, e certamente teria, com mais tempo, permitido ser também remunerado pela máquina ou direito de invenção.)

Para reforçar ainda mais o raciocínio de Marx, os primeiros tecelões normalmente construíam seus próprios teares, com a madeira fornecida pelo engenheiro.

Ou seja, Karl Marx tinha um bom exemplo para afirmar que “somente o trabalhador (chão de fábrica) acrescenta valor” e o engenheiro mecânico mereceria zero.

E que a mais valia seria 9 metros de tecido que estava sendo expropriado do tecelão.

Mas Marx foi traído pela sua pequena amostra, o setor têxtil.

Ele não viveu o suficiente para ver os preços dos tecidos despencarem com o aumento da produtividade.

O setor têxtil foi um dos poucos setores que não reduziu os preços e a mais valia, apesar do aumento de produtividade.

Isso devido à qualidade superior dos tecidos feito por máquina, o que não ocorreu nos demais setores, e assim os tecidos comandavam os mesmos preços de antes.

“Feito a mão” é ainda um atributo de superioridade.

Foi isso que levou Marx ao equívoco de achar que os engenheiros mecânicos ficariam cada vez mais ricos e seriam hoje os donos do mundo.

Portanto, Karl Marx não era um idiota como muitos direitistas afirmam, somente observou uma amostra viesada do capitalismo da época.

Hoje a indústria representa somente 17%, e serviços sem máquinas representam 63%.

Continue sem dúvida admirando Marx, mas estude um pouco de Peter Drucker ou Michael Porter para saber quanto o capitalismo mudou para melhor.

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Comentários

6 Responses

  1. Perfect, Kanitz!
    Marxismo ficou no passado.
    Marxistas ainda existem (no Brasil é o que não falta) anacrônicos, claro.
    Hoje a praxis é a teoria crítica ou revolução cultural, que deu certo. O cara é socialista sem nem perceber o que ele é. São aqueles tipos que adoram repetir que esquerda e direita não existem mais.
    Agora, caro Kanitz, temos que introduzir o liberalismo imoral e amoral, como tema de discussão. Liberais sem moral se portam coko verdadeiros revolucionários e são responsáveis, atualmente, pelo aumento da força do estado e do autoritarismo mundial, dentro do conjunto daquilo que se chama metacapitalismo. É urgente se discutir o alcance e a interferência deles no ocidente. Afinal, de fato comprovado, só o que existe e funciona para gerar riqueza é o capitalismo e o seu braço revolucionário, o metacapitalismo da elite econômica mundial são os únicos patrocinadores de tudo o que existe, até do reformado socialismo.
    A discussão precisa ser ampliada, portanto.
    Um abraço e feliz natal a você !

  2. Preciso acrescentar: Marx foi um FDP total! Revolucionários no sentido de transformadores radicais da sociedade são tão somente, no final das contas, amplos FDPs.
    Isto é menos uma opinião pessoal e mais uma repetição do que milhares de bons estudiosos no assunto escreveram sobre o Marx. E, após, lê-los, alguns deles, fiquei de acordo quanto a isso.
    Abçs

  3. Mais um ótimo texto seu, Kanitz, por isso não os perco nunca!
    Mas não entendi essa direito parte de seu texto:
    O setor têxtil foi um dos poucos setores que não reduziu os preços e a mais valia, apesar do aumento de produtividade. Isso devido à qualidade superior dos tecidos feito por máquina, o que não ocorreu nos demais setores, e assim os tecidos comandavam os mesmos preços de antes”. Como assim, cara-pálida? O que faz os preços desabarem é o livre mercado (entenda-se concorrência), pois alguém buscará fazer melhor e mais barato incessantemente! E o “Feito a mão” não é NECESSARIAMENTE um atributo de superioridade, mas apenas quando isso, de fato, ocorre.
    Abração!

  4. Parabéns Prof. Kanitz!
    Mais uma verdadeira aula, simples, objetiva e completa!
    Na minha humilde opinião, entendo que desde a origem do comunismo (Karl Marx e Engels), chegando até o nosso comunismo tupiniquim (com Boulos / Lula / Paulo Freire e afins … KKKKK) evoluímos muito pouco, na verdade acredito que piorou qualquer esperança de entenderem os fundamentos da administração e da economia!
    Boas festas e continue o otimista técnico que todos admiramos!

  5. Acho que existe uma certa confusão causada pelo próprio Marx no seu capolavoro O Capital, o livro menos lido e mais mal falado da história. A aversão dos leitores tem motivo, é o livro mais chato e mais mal escrito já produzido, um verdadeiro samba do criolo doido.
    No entanto, se o leitor souber separar as coisas, pois são dois livros em um só e sobre assuntos diferentes, consegue-se chegar em alguma coisa. Não passa de um bom livro de economia para a época que foi escrito, mas infelizmente recheado de páginas e páginas de panfletagem contra banqueiros e industriais que são demonizados sem explicação alguma, apenas fruto da raiva e frustração do autor e isso torna a leitura quase impossível. É uma Catilinária de Cícero bem mais chata, pois Cícero falava e escrevia bem a ponto de ter sua língua cortada. Na época nada demais cortar a língua dos outros.
    Na parte de economia é uma continuação da obra de David Ricardo e sua Teoria do Valor do Trabalho de uns 60 anos antes e que foi aplaudida na Academia. Abstraindo a exatidão, conceitualmente a definição de Mais Valia é correta, prova que o comunismo é uma impossibilidade matemática, Marx certamente percebeu isso e suas obras seguintes se resumiram à panfletagem sem valor algum, apenas querendo teorizar a obtenção do poder. E lá veio com os delírios da Luta de Classes e Ditadura do Proletariado que nem ele devia saber o que era, sempre foram jargões e palavras de ordem. Em termos práticos de economia são o nada, ninguém sequer sabe como fazer a tal Ditadura do Proletariado . Nesse ponto, Gramsci, que era um ignorante em economia, foi muito superior, pois ou bem ou mal construiu uma estratégia, que é a verdadeira cartilha do dito comunismo. Hoje marxismo é meio raro e apenas apelido para o gramscismo.
    Por que o comunismo é uma impossibilidade? Simples, se a equação de remuneração dos fatores for utilizada, ve-se que se todos os Fatores forem remunerados de maneira justa o que se obtém é o desastre. Se não houver migração de dinheiro do fator Trabalho para o fator Capital, o Capital não acumula e a sociedade não consegue absorver sequer a Depreciação dos Ativos e muito menos terá dinheiro para investir. Em uma década, consome-se o Capital a sociedade ou morre ou volta para a Taba. Ou vira Ilha de Páscoa.
    Isso foi muito bem percebido pelo Lenin e pelo Stalin, mas não pelo burro do Trotski que era o comandante do Exército Vermelho, mas conseguiu ser expulso pelo Stalin que tinha apenas uma caneta como Editor do Pravda.
    O Stalin não montou comunismo nenhum, montou um Capitalismo de Estado onde o Estado se apropria da Mais Valia , acumula Capital que já é imenso, pois é dono de tudo, absorve a depreciação e investe.
    Como isso tira a liberdade monetária entre outras coisas, só é possível em uma ditadura. Ninguém se conforma em ser expropriado pelo Estado, que passa a gerir tudo como achar que deve sem dar satisfações. Isso não significa que não haja progresso e a Rússia partiu de um lugar atrasado da época de Pedro IV para se tornar uma potência. Evidente, que o custo dessa ditadura Capitalismo de Estado foi imenso em termos de sofrimento, mortes, prisões, gulags e outras desgraças. Os ditos sovietes também reconheceram que o Capitalismo de Estado não consegue atender as demandas do consumo. Fazer e distribuir um simples pão ou uma peça de roupa vira um problema insolúvel. Marotamente, deixaram uma boa parte da economia funcionando em Mercado Negro basicamente livre e sem pagar impostos. Lógico que a eficiência e eficácia dessa gambiarra underground era também baixa, cara e ruim, afinal, era gambiarra. A URSS sequer tinha sistema tributário decente e nem precisava porque tudo era do Estado. Iam cobrar o quê? Como? Quando desmoronou tiveram que fazer tudo à toque de caixa copiando os outros.
    Esse sistema soviético se baseava no Planejamento Central e a ideia era controlar tudo, até fábricas nos Urais, de uma escrivaninha em Moscow. Não dá certo, mas não quer dizer que não houve progressos que foram copiados, pois todo e qualquer governo, mesmo os democráticos, adora controlar tudo e a todos. Os americanos não entendiam nada de economia planejada centralmente, mas não deixam de fazer suas tentativas. Usam a Matriz Insumo Produto, cujo verdadeiro nome é Matriz de Leontieff Inversa. Pelo nome já dá para perceber de onde veio. Na hora que se pega uma modelagem econométrica americana, se for a fundo vai ver que nasceu na Rússia. Russos são tarados por controle muito antes da queda do Tzar. Exagerando, os sovietes aproveitaram a estrutura de repressão do Império e dos enormes investimentos em fábricas feitos pelo Tzar Alexandre e pelo seu filho Nicolau II.
    A discussão comunismo e capitalismo é vazia. Só existem dois modelos econômicos, Capitalismo e Capitalismo de Estado e a experiência nos ensina e a história nos demonstra que só se implanta Capitalismo de Estado com uma ditadura. Se esse for o desejo da sociedade que se faça, mas esse desejo é zero. Só querem os que tem certeza que irão pertencer à Nomenklatura e gozar do dolce far niente, mas são poucos. Só existiu um comunista declarado eleito democraticamente, mas deu no que deu.
    E Marx? Foi um grande economista, mas passou assim como outros passaram. Deu sua contribuição importante para a Teoria Econômica, mas se perdeu misturando economia com panfletagem sem valor. Fica na galeria junto do Adam Smith, David Ricardo, Jean Baptiste Say e um monte de gente, inclusive o Keynes, mas não é por causa disso que suas teorias devem ser aplicadas como se fossem os 10 mandamentos do Moisés. A fila anda, depois deles vieram mais economistas que continuaram a obra sem fim que é a economia, a última das Ciências e a primeira das Artes.
    Faremos o que com a migração do Capitalismo Industrial para a China e como vamos lidar com as cryptomoedas que tiram dos Bancos Centrais os controles do câmbio e da moeda? Onde está o livrinho para aprendermos o que fazer? Melhor alguém escrever alguma coisa e esquecer o passado e principalmente parar de discutir o passado.

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