Culpem Keynes, Não a Ganância

Uma famosa revista semanal publica com destaque uma longa entrevista com Robert Shiller, prof. de Yale, onde ele atribui a crise aos espíritos animais de administradores, empresários e consumidores.

“Na visão de John Maynard Keynes os ciclos de euforia só podem ser entendidos levando em conta as emoções e os espíritos animais.”

Shiller, supostamente entendido em preços imobiliários, nada menciona sobre a verdadeira causa desta crise.

O próprio Keynes e a sua ideia de incentivos fiscais para impulsionar o setor imobiliário para obter o pleno emprego, outro mantra do Keynesianismo.

Este gráfico ilustra bem.

Casas com hipotecas nos EUA aumentam com a renda, ao contrário da lógica.

Pela lógica, pessoas mais pobres teriam mais hipotecas do que os ricas, por várias razões.

1. Pobres precisam de hipoteca para comprar uma casa, os ricos não, porque eles têm mais dinheiro.

2. Ricos são ricos em parte porque eles tomam menos emprestado e menos de sua renda é usada para pagamento de juros aos bancos.

3. Os ricos são geralmente pessoas mais velhas, e mais da sua hipoteca deveria ter sido paga ao longo do tempo.

Então, por que é o inverso nos Estados Unidos?

O motivo é o generoso incentivo fiscal, o MID Mortgage Interest Deduction, idealizado pelos Keynesianos ou Neo-Keynesianos.

Eles permitem deduzir do IR os juros NOMINAIS das hipotecas imobiliárias.

Além de incentivar o endividamento, quanto maior a faixa de imposto, maior o incentivo do governo.

Os ricos aproveitam mais deste incentivo Keynesiano do que os pobres. A alíquota deles é maior. 

Essa é a razão pela qual os ricos têm mais dívidas do que os pobres na América, mas não no Canadá ou no Brasil. Vide o gráfico novamente.

Keynes e neo-keynesianos acreditam, numa enorme contradição, que os espíritos animais nem sempre são suficientes para fazer o mundo girar, e oferecem assim incentivos fiscais do governo aqui e ali.

Infelizmente, não deu certo. 

Quanto maior a dívida, maior é o estímulo Keynesiano. Uma bomba-relógio que explode a cada 20 anos nos Estados Unidos.

Escrevem livros e artigos sobre os ciclos econômicos de negócios, mas quem causa estes ciclos é o próprio governo, os ciclos de governos keynesianos.

Pior, esses Keynesianos ainda têm de aprender que o juro nominal não é juro.

Mas, nos Estados Unidos você pode deduzir a taxa de juros nominal, ou seja, inflação.

Por isso, é realmente um duplo subsídio. Você deduz o juro real  2 ou 3 vezes, dependendo da taxa de inflação corrente.

E melhor ainda, ano após ano a sua dívida é corroída pela inflação, sua casa não.

Dependendo de sua faixa de tributação, a inflação e duração da dívida, 90% da sua casa acaba sendo subsidiada pelo governo americano.

Mas se você reduzir os juros, como fizeram, a sua casa fica mais cara, e por isto ninguém está comprando e a recessão continua.

Não é à toa que a classe média americana é a família mais endividada do mundo. Eles não são dirigidos por ganância, mas por deduções fiscais generosas. Não são os espíritos animais que os regem, são mal pensadas políticas de incentivos fiscais. 

O Canadá e o Brasil se saíram bem porque nós não subsidiamos a habitação através de hipotecas e deduções de juros.

Subsidiamos a construção tornando-a mais barata, não empurrando todos para obter o maior empréstimo possível.

E, em tempos de recessão esse estímulo fiscal keynesiano diminui com a diminuição da taxa de juro.

Ou seja, graças à politica monetária americana o subsídio despencou, e as casas hoje estão entre 100% a 400% MAIS CARAS.

Não vão sair da crise tão cedo.

Eu escrevi sobre isso há mais de um ano em Seeking Alpha, e estou chocado que ninguém nos EUA expõe esse verdadeiro culpado desta crise.

É cegueira profissional, é cegueira cultural?

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