Empresas de Classe Mundial

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 A ideia de que nações deveriam ser tão eficientes como empresas, que deveríamos criar governos bem administrados e empresas de classe mundial não era bem aceita no passado no Brasil, e nem é até hoje entre alguns partidos políticos deste país, que são contra grandes empresas em geral.

Mas é uma antiga bandeira de administradores, e nestes últimos 30 anos há milhares de livros publicados sobre empresas de classe mundial, nunca lidos por membros do governo.

Michael Porter, que foi meu colega em Harvard em 1972, escreveu um influente livro “A Vantagem Competitiva das Nações”.

Criou a disciplina de Administração Econômica, o uso de técnicas administrativas para fomentar a Riqueza das Nações.

O mundo, para quem não leu esta linha de pesquisa, será eventualmente dominado por 3.000 empresas, 10 empresas distribuídas entre 300 setores importantes da economia, a grosso modo obviamente.

Isto pode assustar muita gente, mas assusta ainda mais se pensarmos que o Brasil nunca se interessou em criar as suas próprias empresas globais para poder competir melhor.

Em 1987 apresentei Michael Porter ao então Ministro da Fazenda, Bresser Pereira, mas o interesse foi nulo.

Infelizmente, porque na época o Brasil não tinha mais do que duas empresas de Classe Mundial, a Vale e a Petrobras, e muito mal administradas.

Quando o Brasil deveria no mínimo ter uns 5% das empresas de Classe Mundial do mundo, ou seja, 150 empresas e não duas.

Ao contrário do que muitos imaginam, Lula leu o livro, ou pelo menos um resumo, tanto é que se confunde as vezes citando a “vantagem comparativa das nações”, confundindo com a teses de David Ricardo e não a “vantagem competitiva das nações”.

Ou então leu Melhores e Maiores, que por 25 anos mostrei nas Edições de Melhores e Maiores a necessidade de termos empresas de classe mundial.

Infelizmente Dilma decidiu abandonar esta política, e Luciano Coutinho em 2013 afirmou no Estado de São Paulo que esta política estava encerrada e que voltaríamos à política de FHC e do próprio Coutinho de favorecer indústrias com elevado conteúdo tecnológico, como se isto fosse uma vantagem competitiva do Brasil com as Universidades Públicas que temos.

Sem empresas de Classe Mundial, seremos lentamente ultrapassados pela Índia e China que estão ativamente criando empresas de Classe Mundial que irão dizimar as nossas exportações de industrializados.

Voltaremos a ser um país exportador de matérias primas, soja, minério, carne, e o valor adicionado da venda direta ao consumidor ficará com os outros.

Um dia teremos saudades do Lula e especialmente de Henrique Meirelles. 

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