FAMÍLIA ACIMA DE TUDO - Stephen Kanitz https://blog.kanitz.com.br/artigos/familia/familia-acima-de-tudo/ Blog para se Pensar Fri, 24 Jan 2025 10:43:04 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.7.5 https://blog.kanitz.com.br/wp-content/uploads/2021/06/stephenkanitz-favicon-150x150.png FAMÍLIA ACIMA DE TUDO - Stephen Kanitz https://blog.kanitz.com.br/artigos/familia/familia-acima-de-tudo/ 32 32 A Importância do Bom Nome da Família https://blog.kanitz.com.br/a-importancia-do-bom-nome-da-familia/ https://blog.kanitz.com.br/a-importancia-do-bom-nome-da-familia/#comments Wed, 13 Nov 2024 20:55:13 +0000 https://blog.kanitz.com.br/?p=29858 A Importância do Bom Nome da Família A direita dá muita importância à conservação da boa reputação familiar. Isso permite que os filhos comecem suas vidas profissionais “com o pé direito”, já com a fama de serem corretos e confiáveis nos negócios, por exemplo. Além desse início facilitado, famílias tradicionais tendem a acumular riquezas ao […]

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A Importância do Bom Nome da Família

A direita dá muita importância à conservação da boa reputação familiar. Isso permite que os filhos comecem suas vidas profissionais “com o pé direito”, já com a fama de serem corretos e confiáveis nos negócios, por exemplo.

Além desse início facilitado, famílias tradicionais tendem a acumular riquezas ao longo das gerações e possuem menos membros “delinquentes”, devido à constante pressão familiar. Ninguém quer ser a “ovelha negra da família”. É isso que os conservadores desejam preservar.

O oposto de conservador não seria “progressista”, mas sim o pensamento “dane-se o sobrenome”. Muitos se consideram progressistas por acreditarem que a direita representa estagnação, a defesa do “status quo”.

Minha vida profissional foi bem mais difícil do que a dos meus filhos. O sobrenome Kanitz não era conhecido, e isso até gerava certa desconfiança: de onde esse cara vem? Hoje, meus filhos agradecem o bom nome que construí. Recebo elogios do tipo: “Gosto muito de seu pai por isso, isso e aquilo”. Assim, eles percebem que valores morais são apreciados neste momento da história humana.

Como nas boas empresas, o nome Kanitz tornou-se uma marca valiosa, e nosso brasão familiar é o símbolo dessa reputação — algo muito conservador. Compare isso com o legado deixado aos filhos de Lula ou Odebrecht. Alguém compraria um carro usado deles? Ou investiria suas economias suadas? Por isso, filhos de esquerdistas muitas vezes começam a vida com o “pé esquerdo” e ganham menos ao longo de suas vidas.

Essa perspectiva, focada no legado familiar em vez da simples defesa do “status quo”, é respaldada por diversos pensadores conservadores:

Edmund Burke – Considerado o pai do conservadorismo moderno, argumentou em Reflexões sobre a Revolução na França (1790) pela preservação dos valores familiares herdados como um dever moral para com as gerações passadas e futuras. Ele enfatiza a “parceria entre os vivos, os mortos e os que ainda nascerão”, sugerindo que honrar a própria família e herança é central ao conservadorismo.

Russell Kirk – Em The Conservative Mind (1953), argumenta que a honra pessoal e a responsabilidade são deveres morais que os conservadores têm para com suas famílias e comunidades, priorizando valores em vez de estruturas sociais rígidas.

Roger Scruton – Em How to Be a Conservative (2014), foca na preservação de valores que dão sentido e dignidade à vida, incluindo os ligados à família, honra e cultura. Ele defende uma “ética da herança”, que valoriza o dever moral para com a família e a comunidade.

Alasdair MacIntyre – Em After Virtue (1981), enfatiza a importância das virtudes, tradições e narrativas morais que unem comunidades e famílias.

Michael Oakeshott – Em On Being Conservative (1956), descreve o conservadorismo como respeito aos costumes estabelecidos, aos laços familiares e à responsabilidade pessoal.

Leo Strauss – Defende um retorno aos valores morais clássicos que as famílias devem incorporar, ressaltando que o conservadorismo foca na preservação do caráter e não na simples manutenção do status quo.

Atenção: se você diz “sou um progressista”, pode estar indicando que desconhece a origem do termo conservador e que dedicou parte de sua vida a uma causa mal compreendida.

“Na dúvida, vamos contratar outro. Passe bem.”

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O Que É Ser Bem-Sucedido? https://blog.kanitz.com.br/o-que-e-ser-bem-sucedido/ https://blog.kanitz.com.br/o-que-e-ser-bem-sucedido/#respond Wed, 13 Nov 2024 20:42:44 +0000 https://blog.kanitz.com.br/?p=29841 O Que É Ser Bem-Sucedido? Essa é uma pergunta sobre a qual todo jovem deveria refletir e definir cedo na vida. Ter clareza sobre o que é sucesso pode evitar frustrações e, ao mesmo tempo, aumentar a satisfação ao se chegar lá, como estou fazendo agora. Hoje, aos 80 anos, trago uma boa e uma […]

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O Que É Ser Bem-Sucedido?

Essa é uma pergunta sobre a qual todo jovem deveria refletir e definir cedo na vida. Ter clareza sobre o que é sucesso pode evitar frustrações e, ao mesmo tempo, aumentar a satisfação ao se chegar lá, como estou fazendo agora.

Hoje, aos 80 anos, trago uma boa e uma má notícia sobre essa questão. A boa notícia é que o sucesso é mais fácil de alcançar do que muitos imaginam. A má notícia é que, ao mesmo tempo, ele é bem mais desafiador do que se costuma pensar.

Primeiro ponto: dinheiro não é a principal medida de sucesso, embora, atualmente, tendamos a dar importância quase exclusiva a esse aspecto. A direita costuma enfatizar que qualquer pessoa pode estar entre os 10% mais ricos do país.

Um pobre pode ver seu filho alcançar a classe média e, quem sabe, seu neto chegar aos 10% mais abastados enquanto ainda está vivo para comemorar.

Mas afirmar que todos podem enriquecer em uma geração apenas com uma faculdade pública ou, por outro lado, que todos estão destinados a serem eternamente oprimidos, segundo os ensinamentos de Paulo Freire, é estar longe da verdade.

A verdadeira medida de sucesso, e até de riqueza, está na utilidade que você gera desde o início de sua carreira. Ser um cientista social aos 24 anos, por exemplo, pode não trazer muita credibilidade.

Minha tese na faculdade foi prática: “Como prever a falência de empresas.” Esse trabalho me deu certa notoriedade logo cedo, e recomendo a todos que escolham temas práticos para suas teses, em vez de assuntos puramente teóricos, como muitos fazem.

Escolhi uma profissão que considerava útil: professor universitário. Era um trabalho que pagava pouco, mas foi essa experiência que, anos depois, me permitiu ser um dos poucos palestrantes capazes de dominar públicos de até 5.000 pessoas — algo que é bem remunerado pela responsabilidade que exige.

Com palestras a R$50.000,00, é possível alcançar uma posição de classe média alta com certa folga. Mas é importante lembrar que dinheiro não é tudo, nem é essencial para uma vida bem-sucedida.

Recomendo a prática de uma pequena “extravagância” que fazíamos uma vez por mês: jantávamos nos restaurantes mais caros e elegantes da cidade, evitando vinho e sobremesa para reduzir o custo.

Tivemos a chance de jantar ao lado de bilionários como Roberto Setubal e André Esteves, aproveitando a mesma experiência gastronômica — só que com menor frequência. Em Miami, aluguei um Porsche por um único dia.

Desfrutei desses momentos sem a enorme responsabilidade de gerenciar um banco, como eles tinham. Honestamente, não vale a pena; prefiro ser classe média.

Manter um casamento de 50 anos com a mesma pessoa é outro sinal de sucesso. Isso demonstra que você fez a escolha certa. Uma família amorosa e estável nos permitiu criar filhos seguros e excepcionais — algo que nem todos conseguem. Esse tipo de felicidade não tem preço; nenhum sucesso na vida compensa um fracasso no lar.

Graças a isso, nossos filhos se casaram com mulheres fabulosas, que compartilham os valores positivos que aprenderam em casa. E, para minha surpresa e alegria, até hoje sou encantado por minhas noras, mulheres carinhosas e generosas, o que é raro hoje em dia.

Como cereja do bolo, elas nos presentearam com netos maravilhosos, curiosos e com os pés no chão.

Diferente de Lula, Jorge Paulo Lemann e Beto Sicupira, posso caminhar pelas ruas sem ser vaiado. Pelo contrário, sou frequentemente abordado por leitores que pedem uma foto para guardar de lembrança.

Não tenho ex-esposas atrás de dinheiro, nem filhos vagabundos ou drogados tentando “salvar o mundo” antes da hora.

Ser bem-sucedido é, de fato, mais fácil e mais difícil do que muita gente imagina. Mas, sim, é plenamente possível.

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Dólares na Suíça, Filhos no Brasil. https://blog.kanitz.com.br/dolares-na-suica/ https://blog.kanitz.com.br/dolares-na-suica/#comments Mon, 30 May 2016 14:55:01 +0000 http://blog.kanitz.com.br/?p=19590   Tempo de leitura: 2 minutos Se você ainda está na dúvida em repatriar o seu dinheiro duma offshore para o Brasil, aproveitando a colher de chá da anistia, leia este artigo. Se você tem um amigo que pretende continuar com dinheiro no exterior, apesar da anistia, repasse este artigo. Ele foi escrito em 1999, […]

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Tempo de leitura: 2 minutos

Se você ainda está na dúvida em repatriar o seu dinheiro duma offshore para o Brasil, aproveitando a colher de chá da anistia, leia este artigo.

Se você tem um amigo que pretende continuar com dinheiro no exterior, apesar da anistia, repasse este artigo.

Ele foi escrito em 1999, quando o dólar estava a R$ 1,70  e a Bolsa em 11.400 pontos, e quem seguiu meu conselho pode me agradecer.

dolaresExiste uma enorme contradição na frase ao lado.

Ganhar dinheiro no Brasil e manter parte dele investido fora parece ser uma atitude inteligente.

Mas feito por dezenas de milhares de brasileiros, priva a nação dos recursos já disponíveis para o nosso crescimento.

O total de depósitos dos brasileiros no exterior, segundo pessoas que operam nessa área, gira entre 45 e 140 bilhões de dólares.

A estimativa mais frequente é de 95 bilhões.

Nunca saberemos o valor verdadeiro, mas qualquer que seja, suspeita-se que esse valor tenha aumentado em 20 bilhões nos últimos seis meses.

É dinheiro suficiente para gerar de 1 a 6 milhões de empregos, reduzindo, além do desemprego, a violência urbana e a criminalidade.

Por alguma razão, evita-se discutir esse assunto em público, mas acho que é preciso abordá-lo neste momento.

Primeiramente, alguns fatos: o grosso desse dinheiro não foi depositado por bilionários nem por empresários com caixa dois, mas sim por pessoas de classe média que receberam salários e honorários honestamente e que, por uma razão ou outra, entraram em pânico.

Dá para entender por que as pessoas depositam seu dinheiro em países onde a regra do jogo não muda.

Provavelmente, abriram essas contas para proteger suas famílias de uma hiperinflação que quase ocorreu, ou se assustaram com o Plano Collor que tomou todo o nosso dinheiro de um dia para o outro.

Portanto, antes de julgá-los de impatriotas com um falso moralismo, é importante concordar que os tempos não foram fáceis.

O Brasil tem investido no exterior quase tanto quanto as multinacionais têm investido no Brasil, um contrassenso monumental.

Poupança para o crescimento o Brasil já tem, o problema é que ela está no lugar errado.

Se você é um desses, mais dia menos dia terá de resolver a seguinte questão: ou coloca seus filhos também na Suíça, ou então aplica no país em que eles irão viver e trabalhar, investindo na geração de seus empregos.

Foi assim que os alemães reconstruíram a Alemanha e os japoneses o Japão, depois da II Grande Guerra.

Quem investe em CDBs, fundos de renda fixa, cadernetas de poupança e especialmente ações brasileiras está indiretamente ajudando a gerar os empregos necessários para os próprios filhos.

Além do mais, quem acha que seu dinheiro está seguro numa pequena ilha do Caribe deveria primeiro visitá-la.

Noventa e cinco bilhões de dólares é muito dinheiro para investir numa ilha.

Quem garante que seu dinheiro não está reinvestido na Rússia, no Japão ou em Hong Kong?

Os 3% de juros ao ano que se recebe não compensam esse risco.

Com o câmbio livre e unificado, a função do doleiro caminhará um dia para a extinção, como ocorreu na Europa e nos Estados Unidos, e daqui a dez anos você provavelmente não terá como trazer seu dinheiro de volta, nem ilegalmente.

Ter de gastar o dinheiro comendo lagosta caribenha poderá matá-lo do coração.

Um dia as leis financeiras serão mundiais, consequência inexorável da globalização.

Aí não haverá porto seguro no mundo, vide o que aconteceu com Pinochet.

Está na hora de perdoar os pacotes do passado e começar a reconstruir este país.

Está na hora de trazer pelo menos uma parte neste ano, e o resto, devagarzinho.

Os preços dos imóveis estão ridiculamente baixos; as ações, nem se fala. Os juros cairão e o dólar também.

O risco Brasil só serve para os estrangeiros. Para quem vive aqui, ele não existe.

Vamos ter de fazer uma campanha corpo a corpo para convencer os brasileiros a investir de novo no país.

Mas, se apesar de tudo seu pai, seu tio, seu melhor amigo ou você mesmo ainda acreditam que aplicar dinheiro lá fora é mais seguro, pergunte ao seu gerente se não dá para depositar também seu filho ou sua filha.

Afinal, seu verdadeiro investimento são eles.

 

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Família em Primeiro Lugar https://blog.kanitz.com.br/primeiro-lugar/ https://blog.kanitz.com.br/primeiro-lugar/#comments Tue, 09 Feb 2016 15:47:59 +0000 http://66.147.244.83/~blogkani/wordpress/?p=99  Tempo de leitura: 45 segundos Há vinte anos presenciei uma cena que modificou radicalmente minha vida. Foi num almoço com um empresário respeitado e bem mais velho que eu. Ele era um dos poucos engajados no social, embora fosse pessoalmente um workaholic. O encontro foi na própria empresa, ele não tinha tempo para almoçar com […]

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 Tempo de leitura: 45 segundos

Há vinte anos presenciei uma cena que modificou radicalmente minha vida. Foi num almoço com um empresário respeitado e bem mais velho que eu. Ele era um dos poucos engajados no social, embora fosse pessoalmente um workaholic.

O encontro foi na própria empresa, ele não tinha tempo para almoçar com a família em casa nem com os amigos num restaurante. Os amigos tinham de ir até ele.

Seus olhos estavam estranhos, achei até que vi uma lágrima no olho esquerdo. Bobagem minha pensei, homens não choram, especialmente na frente de outros.

Mas durante a sobremesa ele começou a chorar copiosamente. Fiquei imaginando o que eu poderia ter dito de errado. Supus que ele tivesse lembrado dos impostos pagos no dia, impostos que ele sabia que nunca seriam usados para o social.

“Minha filha vai se casar amanhã”, disse sem jeito, “e só agora a ficha caiu. Eu fui um tremendo de um workaholic e agora percebo que mal a conheci. Conheço tudo sobre meu negócio, mal conheço minha própria filha. Dediquei todo o tempo a minha empresa e me esqueci de me dedicar à família.”

Voltei para casa arrasado. Por meses eu me lembrava dessa cena patética e sonhava com ela. Prometi a mim mesmo e a minha esposa que nunca aceitaria seguir uma carreira assim.

Colocar a família em primeiro lugar não é uma proposição ética tão óbvia, trivial, nem tão aceita por aí. Basta entrar na internet e você encontrará milhares de artigos que lhe dirão para colocar em primeiro lugar os outros – a sociedade, os amigos, o dever, o trabalho, o cliente, raramente a família.

Normalmente, a grande discussão é como conciliar o conflito entre trabalho e família, e a saída salomônica é afirmar que dá para fazer ambos. Será?

O cinema americano vive mostrando o clichê do executivo atarefado que não consegue chegar a tempo à peça de teatro da filha ou ao campeonato mirim de seu filho. Ele se atrasou justamente porque tentou “conciliar” trabalho e família. Só que surgiu um imprevisto de última hora, e a cena termina com o pai contando uma mentira ou dando uma desculpa esfarrapada.

Se tivesse colocado a família em primeiro lugar, esse executivo teria chegado a tempo, teria levado pessoalmente a criança ao evento, teria dado a ela o suporte psicológico necessário nos momentos de angústia que antecedem um teatro ou um jogo.

A questão é justamente essa. Se você, como eu e a grande maioria das pessoas, tem de “conciliar” família com amigos, trabalho, carreira ou política, é imprescindível determinar, muito antes das inevitáveis crises, quem você prioriza e coloca em primeiro lugar. Você não terá de tomar difíceis decisões de lealdade na última hora, pois a opção já terá sido previamente discutida e emocionalmente internalizada.

Na época pensava deixar de ser professor da USP, apesar do ambiente tranquilo e dos três meses de férias que a carreira proporcionava. Mas aquele almoço me fez ficar, para desespero de meus alunos.

Colocar a família em primeiro lugar tem um custo com o qual nem todos podem arcar. Implica menos dinheiro, fama e projeção social. Muitos de seus amigos poderão ficar ricos, mais famosos que você e um dia olhá-lo com desdém. Nessas horas, o consolo é lembrar um velho ditado que define bem por que priorizar a família vale a pena: “Nenhum sucesso na vida compensa um fracasso no lar”.

Qual o verdadeiro “sucesso” de ter um filho drogado por falta de atenção, carinho e tempo para ouvi-lo no dia a dia? De que adianta fazer uma fortuna para ter de dividi-la pela metade num ruinoso divórcio e pagar pensão à ex-esposa para o resto da vida? De que adianta ser um executivo bem-sucedido e depois chorar na sobremesa porque não conheceu sequer a própria filha?

Os leitores que ficaram indignados porque não tiro férias podem ficar tranquilos. Eu só não tiro férias aqui da Veja, como a maioria dos colunistas.

 

Artigo Publicado na Revista Veja, edição 1739, ano 35, nº 7, 20 de fevereiro de 2002, página 26.

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Televisão e Educação https://blog.kanitz.com.br/televisao/ https://blog.kanitz.com.br/televisao/#comments Mon, 28 Jul 2014 19:00:00 +0000 http://66.147.244.83/~blogkani/wordpress/?p=397   Robert Putnam escreveu um livro sobre a destruição do comunitarismo e do associativismo, Bowling Alone. Foi este livro que me inspirou a criar, em 1993, o site www.voluntarios.com.br. Um site que permite você ser voluntário na sua própria comunidade. Putnam conta que entre os esquimós a introdução da TV reduziu o tempo comunitário deles […]

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Robert Putnam escreveu um livro sobre a destruição do comunitarismo e do associativismo, Bowling Alone.

Foi este livro que me inspirou a criar, em 1993, o site www.voluntarios.com.br.

Um site que permite você ser voluntário na sua própria comunidade.

Putnam conta que entre os esquimós a introdução da TV reduziu o tempo comunitário deles praticamente em duas semanas por mês, após a instalação da antena geral.

No Brasil, a situação foi pior porque aqui a TV veio antes do telefone, isolando as famílias ainda mais.

Nos Estados Unidos, a telefonia universal existia desde 1930. Aqui isso só ocorreu efetivamente no ano de 2003, como consequência da desestatização da Telebras em 1998.

Em cinco anos, passamos de 10% de famílias com telefone para 90%.

Foi o início da queda do poder da televisão no Brasil, lentamente sendo substituída pela internet nas suas infinitas formas.

Portanto, nos Estados Unidos a televisão fez menos estrago nas famílias — tanto que eles ainda possuem o den ou family room, e nós só temos a sala de visitas.

Restringir o uso de TV tem sido um hábito muito comum entre as famílias brasileiras, por óbvias razões.

1. Elimina um competidor em termos de valores morais e éticos, o que no caso brasileiro é extremamente preocupante. Primeiro, porque os valores da TV não são os valores morais da sua família.

Segundo, são valores morais alternativos que deveriam ser expostos depois que seus filhos tenham adquirido os seus. Caso contrário, seus filhos farão as escolhas que mais lhe convierem. Em vez de terem uma ética moral coerente e coesa, escolherão um pouco de cada, numa mistura alternativa inconsistente.

Não sou contra expor filhos a éticas alternativas, isso fatalmente irá ocorrer mais dia menos dia. Só sou contra mostrar éticas alternativas enquanto seu filho está aprendendo a ética que manteve a sua família coesa por duzentos anos, normalmente uma ética religiosa ou uma ética política específica.

2. Seus filhos ficarão menos expostos à erotização da TV, o que hoje é uma constante. No seriado JK metade das cenas era sexual, e foi uma produção histórica de grande valor educacional para os seus filhos. Mas com tanto estímulo sexual quando eles sequer têm a capacidade de satisfazê-lo, é um milagre que nossos jovens não façam bacanais na escola aos onze anos de idade.

3. Erotização da propaganda. Metade da propaganda é insinuar aos homens que eles terão todas as mulheres do mundo. É uma constante no mundo da propaganda.

4. Por que TV é de graça? Por que você pode assistir a novelas caríssimas sem pagar absolutamente nada por elas? Ou a filmes de Hollywood sem pagar nada por eles? Porque no fundo esses programas não são gratuitos. Você e sua família irão pagar um preço elevado; serão menos família, mais consumistas, mais violentos, mais erotizados e terão um pregador moral competindo com você na educação dos filhos.

Substituir uma mãe autêntica por uma babá eletrônica é um custo muito elevado para a sua família pagar.

 

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O Contrato de Casamento https://blog.kanitz.com.br/contrato-casamento/ https://blog.kanitz.com.br/contrato-casamento/#comments Thu, 09 May 2013 06:29:44 +0000 http://66.147.244.83/~blogkani/wordpress/2009/02/19/o-contrato-de-casamento-2/   Quando comemorei trinta anos de casamento recebemos dezenas de congratulações de nossos amigos, alguns com o seguinte adendo assustador: “Coisa rara hoje em dia”. De fato, 40% de meus amigos de infância já se separaram, e o filme ainda nem terminou. Pelo jeito, estamos nos esquecendo da essência do contrato de casamento, que é a promessa […]

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Quando comemorei trinta anos de casamento recebemos dezenas de congratulações de nossos amigos, alguns com o seguinte adendo assustador: “Coisa rara hoje em dia”.

De fato, 40% de meus amigos de infância já se separaram, e o filme ainda nem terminou.

Pelo jeito, estamos nos esquecendo da essência do contrato de casamento, que é a promessa de amar o outro para sempre.

Muitos casais no altar acreditam que estão prometendo amar um ao outro enquanto o casamento durar.

Mas isso não é um contrato.

Recentemente, vi um filme em que o mocinho terminava o namoro dizendo “vou sempre amar você”, como se fosse um prêmio de consolação.

Banalizamos a frase mais importante do casamento.

Hoje, promete-se amar o cônjuge até o dia em que alguém mais interessante apareça.

“Eu amarei você para sempre” deixou de ser uma promessa social e passou a ser simplesmente uma frase dita para enganar o outro.

Contratos, inclusive os de casamento, são realizados justamente porque o futuro é incerto e imprevisível.

Antigamente, os casamentos eram feitos aos 20 anos de idade, depois de uns três anos de namoro.

A chance de você encontrar sua alma gêmea nesse curto período de pesquisa era de somente 10%, enquanto 90% das mulheres e homens de sua vida você iria conhecer provavelmente já depois de casado.

Estatisticamente, o homem ou a mulher “ideal” para você aparecerá somente, de fato, depois do casamento, não antes.

Isso significa que provavelmente seu “verdadeiro amor” estará no grupo que você ainda não conhece, e não no grupinho de cerca de noventa amigos da adolescência, do qual saiu seu par.

E aí, o que fazer?

Pedir divórcio, separar-se também dos filhos, só porque deu azar?

O contrato de casamento foi feito para resolver justamente esse problema.

Nunca temos na vida todas as informações necessárias para tomar as decisões corretas.

As promessas e os contratos preenchem essa lacuna, preenchem essa incerteza, sem a qual ficaríamos todos paralisados à espera de mais informação.

Quando você promete amar alguém para sempre, está prometendo o seguinte: “Eu sei que nós dois somos jovens e que vamos viver até os 80 anos de idade“.

“Eu sei que fatalmente encontrarei dezenas de mulheres mais bonitas e mais inteligentes que você ao longo de minha vida e que você encontrará dezenas de homens mais bonitos e mais inteligentes que eu.”

“É justamente por isso que prometo amar você para sempre e abrir mão desde já dessas dezenas de oportunidades conjugais que surgirão em meu futuro.”

“Não quero ficar morrendo de ciúme cada vez que você conversar com um homem sensual nem ficar preocupado com o futuro de nosso relacionamento”.

“Nem você vai querer ficar preocupada cada vez que eu conversar com uma mulher provocante.”

“Prometo amar você para sempre, para que possamos nos casar e viver em harmonia.”

Homens e mulheres que conheceram alguém “melhor” e acham agora que cometeram enorme erro quando se casaram com o atual.

Esqueceram a premissa básica e o espírito do contrato de casamento.

O objetivo do casamento não é escolher o melhor par possível mundo afora, mas construir o melhor relacionamento possível com quem você prometeu amar para sempre.

Um dia vocês terão filhos e ao colocá-los na cama dirão a mesma frase: que irão amá-los para sempre.

Não conheço pais que pensam em trocar os filhos pelos filhos mais comportados do vizinho.

Não conheço filho que aceite, de início, a separação dos pais e, quando estes se separam, não sonhe com a reconciliação da família.

Nem conheço filho que queira trocar os pais por outros “melhores”.

Eles aprendem a conviver com os pais que têm.

Casamento é o compromisso de aprender a resolver as brigas e as rusgas do dia-a-dia de forma construtiva, o que muitos casais não aprendem, e alguns nem tentam aprender.

Obviamente, se sua esposa se transformou numa megera ou seu marido num monstro, ou se fizeram propaganda enganosa, a situação muda, e num próximo artigo falarei sobre esse assunto.

Para aqueles que querem ter vantagem em tudo na vida, talvez a saída seja postergar o casamento até os 80 anos.

Aí, você terá certeza de tudo.

 

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Amor e Lealdade https://blog.kanitz.com.br/lealdade/ https://blog.kanitz.com.br/lealdade/#comments Thu, 30 Aug 2012 16:20:14 +0000 http://66.147.244.83/~blogkani/wordpress/?p=123 Seu filho e sua filha de 12 anos mostram enorme interesse em assistir ao filme baseado em um livro que eles estão lendo na escola. Você descobre que o lançamento será daqui a quatro sábados e promete que vai levá-los já na pré-estreia. Será uma tarde muito especial, só vocês. Você ganhou pontos como pai, […]

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Seu filho e sua filha de 12 anos mostram enorme interesse em assistir ao filme baseado em um livro que eles estão lendo na escola.
Você descobre que o lançamento será daqui a quatro sábados e promete que vai levá-los já na pré-estreia.
Será uma tarde muito especial, só vocês.
Você ganhou pontos como pai, fez um golaço e tanto.
Melhor ainda, agora eles serão os primeiros a contar para os colegas de escola como o filme se desenrola, serão o centro da roda e heróis por um dia, graças a você.
E eles começam a sonhar com o grande dia. Três semanas se passam e na quinta-feira anterior à pré-estreia seus colegas de trabalho o convidam para um jogo de futebol seguido de churrasco.
Seu chefe vai estar lá, jogando com a turma.
Um amigo se prontifica a buscá-lo às 10 horas do sábado.
Você aceita sem pestanejar.
Ser convidado para jogar com o chefe é muito importante para a sua carreira, que por sinal não anda muito bem. Seria uma boa oportunidade para fazer média.
Você nem se lembrou do compromisso anterior com os filhos.
No sábado, às 10 horas em ponto, seu amigo está à porta, quando seu filho, absolutamente estarrecido, lhe pergunta: “Pai, você esqueceu o nosso filme?”.
O que você faz numa situação dessas?
1. Você diz que não irá ao futebol. Pede mil desculpas ao amigo, diz que não poderá jogar conforme o prometido, pede que ele explique o ocorrido ao seu chefe, e fim de papo.
2. Você pede mil desculpas aos seus filhos, explica a situação, diz que o chefe vai estar lá, que você os levará no sábado que vem, com direito a pipoca em dobro. E tudo se resolverá a contento, sem prejuízo de ninguém.
Qual das duas opções você escolhe?
Se respondeu que é a primeira, lamento dizer que você está mentindo.
Todo mundo escolhe a segunda opção. Afinal, é sua carreira que poderia estar em jogo.
Você bem que podia se tornar mais amigo da turma do trabalho, você está inseguro. Aliás, quem não está?
O que quero discutir aqui é a razão por trás da sua escolha, o raciocínio que determinou a decisão de postergar o cinema com os filhos.
Você fez essa opção porque no fundo sabe que seus filhos o amam. E, porque o amam, eles entenderão. Sem dúvida, eles ficarão desapontados, mas não para sempre.
Afinal, você conseguiu conciliar a agenda de cada um, só vai demorar mais um pouquinho.
Porém, com esse tipo de raciocínio, você acaba colocando as pessoas que o amam para trás.
Justamente as pessoas que nos amam é que acabamos decepcionando, vítimas dos nossos erros do dia-a-dia.
Que recompensa é essa que dispensamos àqueles que nos amam e que nos são leais? Por quanto tempo eles continuarão nos amando diante de atitudes assim?
Eu não tenho a menor dúvida de que você escolheu jogar futebol porque sabe muito bem que seu chefe não o ama.
Muito pelo contrário, ele não está nem aí para você. Ele pode substituí-lo na hora que quiser, sem um pingo de remorso.
Você aceitou jogar com os colegas para que eles gostem um pouco mais de você.
E com os seus filhos, que já o adoram, você aproveitou para negociar.
Eles não vão dizer nada, vão entender, mas sentirão calados uma punhalada nas costas.
A lógica diz que deveríamos ser leais com as pessoas que nos amam, mas na prática fazemos justamente o contrário.
Se acha que ninguém o ama ou que não é amado o suficiente, talvez isso ocorra porque você não tem sido leal com as pessoas a quem ama.
Achar que elas serão sempre compreensivas e razoáveis é seguramente o caminho para o desastre. Seus filhos acreditarão em você na próxima vez que lhes fizer uma promessa?
Eles aprenderão o significado da palavra lealdade?
Seu chefe vai esquecê-lo totalmente um mês depois de você se aposentar, bem como os seus colegas de trabalho.
Os únicos que jamais vão esquecê-lo são seus filhos, pela sua lealdade ou pelas pequenas decepções e infidelidades cometidas por você ao longo da vida.
 
Revista Veja, Editora Abril, edição 2053, ano 41, nº 12, 26 de março de 2008, página 22

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O Casal Tipo P https://blog.kanitz.com.br/sacrificio-obrigacao-prazer/ https://blog.kanitz.com.br/sacrificio-obrigacao-prazer/#comments Sun, 10 Apr 2011 12:00:00 +0000 http://66.147.244.83/~blogkani/wordpress/2011/04/10/familialicao-49-sacrificio-obrigacao-ou-prazer/ A monogamia, o casamento, a fidelidade, o conceito de família exigem o fim de certos  “privilégios” e liberdades em troca da missão de aumentar as chances dos filhos de chegarem à idade madura, e produzir netos. Os homens tipo P abrem mão do direito de ter todas as mulheres da tribo como parceiras sexuais. A […]

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A monogamia, o casamento, a fidelidade, o conceito de família exigem o fim de certos  “privilégios” e liberdades em troca da missão de aumentar as chances dos filhos de chegarem à idade madura, e produzir netos.

Os homens tipo P abrem mão do direito de ter todas as mulheres da tribo como parceiras sexuais. A conversa preferida dos homens é lamentar as mulheres que passam e que não podem tocar.

Para o homem tipo G a liberdade é valorizada a ferro e fogo.

Como ele poderia ter centenas de filhos se ficasse preso a uma única mulher?

A famosa despedida de solteiro do homem moderno é repleta de simbolismos como prisão, perda de liberdade e assim por diante.

Homem
A mulher monogâmica também abre mão da liberdade sexual, de escolher todos os homens da tribo. Era do interesse da mulher pré-histórica ter um filho com o macho mais forte do momento.

Liberdade esta que as feministas viriam resgatar a partir da década de 1970, com o amor livre, a queima do sutiã, o sexo sem compromisso.

Mas o chá de cozinha da noiva pode também ser interpretado como sendo a transição da mulher livre, para uma mulher devotada à família e aos seus filhos.

O conceito de família e a ideia de investimento paternal envolvem sacrifícios tanto de homens e como de mulheres, com abdicação de certas liberdades comuns a todos até então.

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Os Valores da Família Monogâmica https://blog.kanitz.com.br/familialicao-45/ https://blog.kanitz.com.br/familialicao-45/#comments Sat, 05 Mar 2011 11:00:00 +0000 http://66.147.244.83/~blogkani/wordpress/2011/03/05/familialicao-45-os-valores-da-familia-monogamica/ A família não está nos seus derradeiros dias, a perda de valores familiares não é o que está ocorrendo no mundo moderno. O que ainda não completamos é esta longa transição do Garanhão ao Paizão, da independência à parceria. Estamos ainda na transição do comportamento animal ao comportamento efetivamente humano. O mundo ocidental não está […]

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A família não está nos seus derradeiros dias, a perda de valores familiares não é o que está ocorrendo no mundo moderno.

O que ainda não completamos é esta longa transição do Garanhão ao Paizão, da independência à parceria. Estamos ainda na transição do comportamento animal ao comportamento efetivamente humano.

O mundo ocidental não está lentamente perdendo os seus valores familiares. Na realidade, esses valores ainda não estão totalmente sedimentados —
aliás nunca o foram na história da humanidade, com exceção de alguns povos e de alguns membros de sociedades específicas.

O mundo está longe de ser povoado totalmente por casais P com P, este, que espero inclua você, tem uma luta e tanto pela frente — ideológica, política, sexual, religiosa — em nome de valores morais que não são compartilhados por muitos de seus semelhantes.

Os casais P com G, G com P e G com G, tem um problema pela frente a resolver. Mas isto fica para o meu próximo livro.


O Livro Família Em Primeiro Lugar que contém estas 365 Lições pode ser adquirido na Livraria Cultura

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