APRENDENDO A PENSAR - Stephen Kanitz https://blog.kanitz.com.br/artigos/educacao-2/ Blog para se Pensar Fri, 16 May 2025 09:40:30 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.7.5 https://blog.kanitz.com.br/wp-content/uploads/2021/06/stephenkanitz-favicon-150x150.png APRENDENDO A PENSAR - Stephen Kanitz https://blog.kanitz.com.br/artigos/educacao-2/ 32 32 Comentários Sobre o Teste de Vocabulário https://blog.kanitz.com.br/comentarios-sobre-o-teste-de-vocabulario/ https://blog.kanitz.com.br/comentarios-sobre-o-teste-de-vocabulario/#comments Fri, 16 May 2025 09:40:28 +0000 https://blog.kanitz.com.br/?p=29962 Cerca de 2.000 seguidores fizeram o teste de vocabulário e postaram seus resultados, suponho que outros 6.000 também o tenham feito, mas preferiram manter em segredo. Óbvio. Ficou claro que há uma demanda por testes como este. Um futuro Think Tank de Neurociência Educacional deverá criar uma versão mais rigorosa, segmentada por faixa etária, que […]

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Cerca de 2.000 seguidores fizeram o teste de vocabulário e postaram seus resultados, suponho que outros 6.000 também o tenham feito, mas preferiram manter em segredo. Óbvio.

Ficou claro que há uma demanda por testes como este. Um futuro Think Tank de Neurociência Educacional deverá criar uma versão mais rigorosa, segmentada por faixa etária, que certamente agradará a muitos pais.

Contudo, foi o único teste que encontrei na internet, de origem americana, com tradução para o português.

Não sei se é possível estimar com precisão o vocabulário de uma pessoa com apenas 50 palavras. No mínimo, o resultado deveria vir acompanhado de uma grande margem de erro — o que não foi publicado, suspeito que utilizaram a margem mais favorável.

Poucas pessoas testaram seus filhos e netos, mas os que o fizeram obtiveram resultados consistentes: um menino de 8 anos sabia 9.000 palavras; outro, de 12 anos, sabia 13.000; e um jovem de 18 anos sabia 18.000 palavras.

Certamente os meus seguidores estão bem acima da média, o que explica os resultados elevados.

Fiz o teste em inglês — meu idioma nativo, inclusive — e obtive 22.000 palavras. Em português, foram 27.500, como a maioria.

Pensando em voz alta: será que isso se deve ao fato de que nossa cultura, como a da maioria dos países latinos, é mais verbal do que matemática? Temos muito mais faculdades de Direito do que de Engenharia, Estatística, Matemática e Administração somadas.

Qual será o tamanho médio do vocabulário por faixa de renda no Brasil? E será que isso realmente faz diferença?

Qual seria o vocabulário médio do brasileiro? Quanto era no passado? Quanto é hoje?

Um indício de que, por 500 anos, nosso vocabulário médio permaneceu limitado é que nossas palavras continuam bem longas.

Pela Lei do Mínimo Esforço, proposta por George Zipf, nossas palavras em português deveriam estar se encurtando com o tempo.

Em suma foi o que aconteceu na Inglaterra: milhares de palavras têm apenas quatro letras porque eram amplamente usadas e, por isso, foram simplificadas. Isso contribui para o inglês ser uma língua mais fácil de aprender.

Peçam a seus funcionários e netos que façam o teste. Obrigado a todos.

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Quantas Palavras Você Domina? https://blog.kanitz.com.br/quantas-palavras-voce-domina/ https://blog.kanitz.com.br/quantas-palavras-voce-domina/#comments Fri, 09 May 2025 09:23:38 +0000 https://blog.kanitz.com.br/?p=29959 Uma pessoa média domina 15.000 palavras, alguém com doutorado domina 30.000. Pessoas pobres dominam 5.000 palavras, a principal razão de sua pobreza, pois não conseguem se expressar. Aqui tem um teste simplificado que estima quantas palavras você domina, vale a pena saber. Eu achei extremamente perspicaz, quando ele sugeriu que, diante do meu resultado, eu […]

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Uma pessoa média domina 15.000 palavras, alguém com doutorado domina 30.000.

Pessoas pobres dominam 5.000 palavras, a principal razão de sua pobreza, pois não conseguem se expressar.

Aqui tem um teste simplificado que estima quantas palavras você domina, vale a pena saber.

Eu achei extremamente perspicaz, quando ele sugeriu que, diante do meu resultado, eu deveria tentar inventar palavras novas, que nossos intelectuais da Academia de Letras jamais fizeram.

Peço que nos comentários coloquem suas idades e número de palavras obtidas, ou direto como mensagem.

Quem tiver filhos e netos faça já o teste com eles, antes que seja tarde, e mandem idade e palavras dominadas, que postarei depois as médias por idade.

Iremos aprimorar esse teste e disponibilizar no site de Neuropedagogia que estou criando.

No aguardo, agradeço antecipadamente.

Stephen Kanitz

https://www.arealme.com/vocabulario-portugues-para-teste-de-tamanho/pt

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Neurociência da Educação https://blog.kanitz.com.br/neurociencia-da-educacao/ https://blog.kanitz.com.br/neurociencia-da-educacao/#comments Fri, 25 Apr 2025 09:18:26 +0000 https://blog.kanitz.com.br/?p=29950 Não são as crianças que aprendem, são seus cérebros. E por 2.000 anos ensinamos crianças sem saber ao certo como os cérebros funcionam. Felizmente, graças a ressonância magnética, e o que estamos aprendendo com machine learning e IA, lentamente estamos descobrindo evidências assustadoras. Estamos ensinando errado, em momentos errados, com informações inúteis. Por isso as […]

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Não são as crianças que aprendem, são seus cérebros. E por 2.000 anos ensinamos crianças sem saber ao certo como os cérebros funcionam.

Felizmente, graças a ressonância magnética, e o que estamos aprendendo com machine learning e IA, lentamente estamos descobrindo evidências assustadoras.

Estamos ensinando errado, em momentos errados, com informações inúteis. Por isso as crianças estão sofrendo regressão sináptica a partir dos 3 anos, de quase 50% até os 11 anos de idade.

A criança de hoje, por nada aprender de verdadeiramente útil para sua sobrevivência, sofre regressão sináptica porque o próprio cérebro joga informação inútil fora.

Como Impedir a Regressão Sináptica

Curiosamente inteligência artificial começa como um Large Language Machine. Ou seja, primeiro ela aprende um vasto vocabulário (30.000 palavras), e depois as 200.000 associações e conceitos como Pato Feio, Buraco Negro, que possuem outro significado.

Crianças que não são expostas a partir dos 2 anos de idade a um vocabulário rico e estímulos experimentarão uma poda sináptica mais extensa em áreas relacionadas à linguagem em comparação com crianças com maior exposição. A poda chega a ser de 50% até os 12 anos de idade.

As crianças de antigamente possuíam 2 pais, 8 irmãos, 9 tios presentes nas famílias estendidas de outrora, ouviam 20 milhões de palavras em 5 anos.

Hoje pai e mãe trabalham fora, metade tem um irmão mais novo, tios e avós não moram mais juntos. Dos 9 meses aos 4 anos convivem com uma babá de vocabulário limitado.

Precisamos reverter isso. Aumentando dramaticamente a literacia infantil desde o início. Ouvir e entender, antes de ler e escrever.

Há muito convencimento a fazer, pais, professores, ministros da educação, diretores que desconhecem essas novas evidências.

1. Poda dependente do uso: A poda sináptica é um processo em que conexões não utilizadas ou fracas são eliminadas. Conexões frequentemente usadas são fortalecidas e mantidas, enquanto aquelas não usadas são podadas.

2. Poda precoce de sinapses de linguagem: Sinapses de linguagem não utilizadas podem começar a ser podadas já aos 9 meses de idade. Até seu primeiro aniversário, os bebês começam a perder a capacidade de entender diferentes idiomas se não forem expostos a eles.

3. Período crítico para o desenvolvimento da linguagem: Os primeiros anos, particularmente antes dos 3 anos, são cruciais para o desenvolvimento da linguagem. Durante esse período, o cérebro é altamente plástico e receptivo ao input linguístico.

4. Eficiência através da poda: A poda sináptica ajuda a otimizar as redes neurais eliminando conexões mais fracas ou menos usadas. Esse processo aumenta a eficiência das redes cerebrais mais importantes.

5. Refinamento dependente do ambiente: As conexões neurais são refinadas para refletir o ambiente particular em que a criança vive. Conexões menos relevantes para o ambiente da criança são perdidas, enquanto as importantes se tornam mais eficientes e complexas.

6. Impacto no desenvolvimento do vocabulário: Crianças expostas a ambientes linguísticos ricos tendem a desenvolver vocabulários maiores. Crianças bilíngues, por exemplo, demonstraram ter vocabulários iguais ou maiores que seus pares monolíngues.

Portanto, crianças com exposição limitada a vocabulário e estímulos podem experimentar uma poda mais extensa de sinapses relacionadas à linguagem, potencialmente impactando seu desenvolvimento linguístico, aquisição de vocabulário e QI.

Isso ressalta a importância de fornecer ambientes linguísticos ricos e estímulos diversos durante a primeira infância para apoiar o desenvolvimento cerebral e as habilidades linguísticas ideais.

Fontes:

[1] The Benefits of Multiple Language Exposure in Babies – YUMI https://helloyumi.com/blog/multiple-language-exposure/

[2] [PDF] Lighting up young brains | Save the Children UK https://www.savethechildren.org.uk/

[3] Plasticity, for better or worse – The Natural Laws of Children https://www.celinealvarez.org/

[4] Synaptic Pruning: Definition, Early Childhood, and More – Healthline https://www.healthline.com/health/synaptic-pruning

[5] Synaptic Pruning in ADHD – The Neurodivergent Brain https://theneurodivergentbrain.org/synaptic-pruning-in-adhd/

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Você Prefere um Diploma ou só Conhecimento? https://blog.kanitz.com.br/voce-prefere-um-diploma-ou-so-conhecimento/ https://blog.kanitz.com.br/voce-prefere-um-diploma-ou-so-conhecimento/#comments Fri, 04 Apr 2025 18:17:55 +0000 https://blog.kanitz.com.br/?p=29914 Brian Caplan é um brilhante economista que estudou e escreveu “The Case Against Education: Why the Education System Is a Waste of Time and Money”, publicado em 2018. “Uma Proposta Contra Educação: Uma Perda de Tempo e Dinheiro.” Ele introduz o conceito de “sinalização acadêmica”, e prova que pouco se aprende de fato na escola e […]

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Brian Caplan é um brilhante economista que estudou e escreveu “The Case Against Education: Why the Education System Is a Waste of Time and Money”, publicado em 2018.

Uma Proposta Contra Educação: Uma Perda de Tempo e Dinheiro.

Ele introduz o conceito de “sinalização acadêmica”, e prova que pouco se aprende de fato na escola e na faculdade.

A maioria dos alunos está lá pelo “status social” de ter um curso superior, de ser chamado de “doutor”, ou “eu fiz USP”.

E não pelos conhecimentos úteis para seu futuro, que inclusive nem são dados.

Brian perguntava: “Você tem duas escolhas:”

1. Assistir os cursos grátis como penetra, e não ter o diploma.

2. ou pagar uma fortuna e ter um diploma para mostrar.

99% prefere pagar e ter um diploma.

E não percebe que não está aprendendo nada.

Nas optativas, prefere os cursos fáceis e não os mais exigentes.

Ninguém reclama das aulas mal dadas, quanto menos melhor. Só quer o Diploma.

Isso me lembrou do tempo que eu era universitário, estudante do segundo ano de contábeis na USP.

Foi quando vi professores americanos dando um curso de mestrado para os professores de economia da USP.

Dito e feito, assisti de penetra o curso de quatro meses, e fiz a prova final.

Dias depois fui procurado pelo Prof. William Thweatt, indagando quem eu era porque não estava na lista dos inscritos.

Ele me explicou que o objetivo da missão americana era escolher os quatro melhores professores da FEA e dar uma bolsa para estudarem nos Estados Unidos.

“Você foi de longe meu melhor aluno, podemos lhe dar uma bolsa já.”

E foi assim que consegui ir para Harvard. Esperaram até que eu me formasse, porque nem bacharel era.

Simplesmente impressionei porque demonstrei que eu realmente queria aprender economia e não me importava em ter um diploma ou não.

Ir para uma Universidade só pelo diploma, cabular as aulas em vez de aprender o assunto é uma roubada, mas a maioria faz exatamente isso.

E se revolta porque a maioria continua tão pobre quanto antes.

Com 12.000 cursos à distância à disposição online, o diploma não valerá mais nada, e sim o conhecimento adquirido.

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Como Criticar Com Elegância https://blog.kanitz.com.br/como-criticar-com-elegancia/ https://blog.kanitz.com.br/como-criticar-com-elegancia/#respond Wed, 13 Nov 2024 20:35:27 +0000 https://blog.kanitz.com.br/?p=29835 Como Criticar Com Elegância Tenho 280.000 seguidores (em todas as redes) e, obviamente, nem todos irão concordar com todas as minhas análises, muito menos com todos os meus argumentos, muitos dos quais poderão ser considerados fracos. Mas é assustadora a falta de decoro da maioria dos furiosos, que, depois de 20 anos de serviços prestados […]

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Como Criticar Com Elegância

Tenho 280.000 seguidores (em todas as redes) e, obviamente, nem todos irão concordar com todas as minhas análises, muito menos com todos os meus argumentos, muitos dos quais poderão ser considerados fracos.

Mas é assustadora a falta de decoro da maioria dos furiosos, que, depois de 20 anos de serviços prestados gratuitamente, me chamam de velho, gagá, idiota, entre outras ofensas.

Mas recebi uma crítica de um seguidor, Mario Celso de Moraes, que não me deixou magoado e até me fez rir.

“Parabéns, Prof. Kanitz, que bom que o senhor voltou a escrever textos inteligentes.”

Ele estava me cutucando por minha defesa diária de Pablo Marçal, sabendo que ele estava, na realidade, com 46%, faltando apenas 4% para evitarmos um segundo turno e resolvermos tudo sem risco.

Eu conheço muitos dos defeitos de Marçal, mas não era o momento de mencioná-los, especialmente porque eu achava que seria relativamente fácil corrigi-los.

Eu entendi o recado do Mario, que era exatamente o que ele queria, sem me ofender.

Ofender para quê?

O que vocês mal-educados ganham com isso, além da fama de mal-educados e um block da minha parte?

Convidei o Mario Celso para almoçar, dizendo que pagaria o almoço.

Eu só não vou pagar a sobremesa e o vinho.

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Não Sabemos Mais Dialogar https://blog.kanitz.com.br/nao-sabemos-mais-dialogar/ https://blog.kanitz.com.br/nao-sabemos-mais-dialogar/#comments Wed, 13 Nov 2024 20:21:50 +0000 https://blog.kanitz.com.br/?p=29826 Não Sabemos Mais Dialogar A sociedade brasileira está passando por uma ruptura na comunicação, marcada por uma crescente polarização e pela dificuldade em engajar-se em diálogos produtivos e baseados em evidências. Comentários nas mídias sociais geralmente são a favor ou contra, sem contribuir para a discussão. Nossos jornalistas apenas noticiam o que lhes interessa, e […]

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Não Sabemos Mais Dialogar

A sociedade brasileira está passando por uma ruptura na comunicação, marcada por uma crescente polarização e pela dificuldade em engajar-se em diálogos produtivos e baseados em evidências.

Comentários nas mídias sociais geralmente são a favor ou contra, sem contribuir para a discussão.

Nossos jornalistas apenas noticiam o que lhes interessa, e não o que é relevante para o leitor; por isso, estão em declínio.

Os 10% da população que detêm 40% da renda não são os mais ricos, como acreditam alguns economistas de esquerda, mas os mais velhos.

Afinal, nós, os pais, ganhamos em média quatro vezes mais que nossos filhos.

Somos justamente aqueles que ainda leem jornal, mas jornais como Folha, Estadão, Correio, e Globo nos agridem diariamente com termos como “endinheirados”, “capitalistas” e “burgueses”.

Esses jornalistas, que nem mesmo conhecem seus leitores, estão dando tiros no próprio pé.

Os algoritmos das redes sociais tendem a mostrar conteúdos que reforçam nossas crenças, criando câmaras de eco.

Isso isola os indivíduos de pontos de vista divergentes e apenas alimenta a polarização, ao invés de promover um meio-termo.

A confiança nas instituições, jornalistas, intelectuais, mídia e especialistas tem diminuído ano após ano, gerando ceticismo em relação à informação baseada em evidências e aumentando a desinformação.

As conversas públicas, especialmente online, priorizam conteúdos emocionais e sensacionalistas, que se espalham mais rapidamente do que discussões ponderadas e equilibradas.

O discurso político tornou-se altamente tóxico, com lados opostos se vendo como inimigos, e não como oponentes com visões diferentes, o que enfraquece o debate construtivo.

Com o enorme volume de informação disponível, torna-se difícil distinguir entre fontes confiáveis e desinformação, gerando confusão e afastamento de discussões baseadas em evidências.

O Brasil está passando por uma ruptura na comunicação, marcada pela crescente polarização e pela dificuldade em engajar-se em diálogos produtivos e baseados em evidências.

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Ensinando Crianças a Escrever aos 5 Anos? https://blog.kanitz.com.br/ensinando-criancas-a-escrever-aos-5-anos/ https://blog.kanitz.com.br/ensinando-criancas-a-escrever-aos-5-anos/#comments Sun, 26 Nov 2023 20:04:07 +0000 https://blog.kanitz.com.br/?p=29560 Há mais de 500 anos, nosso ensino está voltado primordialmente para ensinar nossas crianças, jovens e adolescentes a escrever, letra por letra, sílaba por sílaba. Por quê? O correto seria postergar a escrita para muito mais tarde. Primeiro, segundo a lógica, crianças e professores deveriam usar esse tempo para compreender as 30.000 palavras que nossas […]

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Há mais de 500 anos, nosso ensino está voltado primordialmente para ensinar nossas crianças, jovens e adolescentes a escrever, letra por letra, sílaba por sílaba. Por quê?

O correto seria postergar a escrita para muito mais tarde.

Primeiro, segundo a lógica, crianças e professores deveriam usar esse tempo para compreender as 30.000 palavras que nossas crianças ouvem dos pais todos os dias, a maioria das quais não entendem.

Para que ensinar a escrever, se ainda não entendem 80% do que é dito?

Se não sabem ainda adjetivos, advérbios, nem formar sentenças verbalmente.

Além de saberem 30.000 palavras como ‘gato’ e ‘preto’, elas têm de aprender o significado de mais 800.000 combinações, como ‘gato preto’ e seus significados especiais.

Aprendem a escrever ‘pobreza’, mas não sabem o que é ‘pobreza temporária’, ‘optar pela pobreza’, ‘pobre de espírito’.

Por que ensinar a escrever, se crianças só começam a usar advérbios após os 10 anos de idade?

Professores ensinavam primeiro a escrever e não a falar, que seria o mais óbvio, porque, por 1.500 anos, não existiam livros didáticos. Primeiro, as crianças precisavam escrever a aula em cadernos para depois poder estudar e decorar.

Usando a lógica dos Princípios Elementares de Raciocínio, a pergunta que deveríamos fazer é: por que ensinar a escrever, se crianças e adolescentes não possuem absolutamente nada de novo a dizer?

Se ninguém, além dos pais, vai ler, melhor seria recitar um poema, que era a forma antiga de manter algo na memória.

Adultos só escrevem ‘papers’, livros e teses quando têm algo para dizer, divulgando coisas novas para outras pessoas distantes.

Nesse caso, geralmente são os 10.000 estudiosos que assinam revistas acadêmicas ou compram um livro em particular.

Ensinar filhos a escreverem trabalhos que ninguém vai ler não é educação. É gerar frustração e revolta.

Eu dei mais de 50 palestras sobre o tema antes de escrever ‘O Brasil Que Dá Certo’.

Comecei falando, percebendo as reações, aprimorando o texto que escreveria somente anos depois.

Nossos brilhantes pedagogos estão invertendo a ordem natural das coisas sem saberem o porquê.

Saber falar bem vem sempre antes de escrever mal.

Isso deveria ser tão óbvio para pais, mães, pedagogos e ministros da Educação, mas não é.

Criar ideias novas, criar ciência, saber relatar observações profundas só ocorrem depois dos 30 anos, e olhe lá.

E, além do mais, hoje temos a tecnologia do vídeo, muito mais eficiente do que o livro e com maior índice de retenção.

Nossas crianças e nossos jovens precisam primeiro aprender a falar com as pessoas ao seu redor, e não a escrever para pessoas distantes e, teoricamente, no futuro.

Nossas crianças precisam convencer as pessoas ao seu redor sobre seus desejos e suas ideias, de forma oral e não escrita.

Ouvir, falar, ler e escrever. Esta é a ordem correta.

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Precisamos Ensinar Nossos Alunos a Falar https://blog.kanitz.com.br/precisamos-ensinar-nossos-alunos-a-falar/ https://blog.kanitz.com.br/precisamos-ensinar-nossos-alunos-a-falar/#comments Fri, 24 Nov 2023 10:04:15 +0000 https://blog.kanitz.com.br/?p=29554 Por que não temos líderes no Brasil que nos motivem para um futuro promissor? Por que não temos bons professores? Por que nossos poucos cientistas não falam em público e não são mais úteis e conhecidos? Porque dos 6 aos 22 anos, no nosso sistema estatal de educação, nós ensinamos a Ler, Escrever, Reler e […]

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Por que não temos líderes no Brasil que nos motivem para um futuro promissor?

Por que não temos bons professores?

Por que nossos poucos cientistas não falam em público e não são mais úteis e conhecidos?

Porque dos 6 aos 22 anos, no nosso sistema estatal de educação, nós ensinamos a Ler, Escrever, Reler e Decorar.

Falar, Convencer, Inspirar, Debater e Rebater com propriedade, simplesmente não é ensinado nem diariamente treinado. Quem fala é sempre o Professor.

A neuropedagogia mostra que as sinapses utilizadas para falar são totalmente diferentes das sinapses para ouvir.

O fato de que você memorizou algo, nunca significa que saberá falar algo com propriedade.

Gastamos verdadeiras fortunas em aulas de inglês, aprendemos a ler e escrever, mas ninguém consegue falar.

Muito menos expor uma ideia nova para um investidor, fazer um discurso na ONU ou negociar um acordo favorável para o Brasil.

Ensinar a falar é tão demorado quanto ensinar a ler e escrever ou mais, mas nada fazemos.

Aprender a Falar em público com clareza, com consistência, repetindo os pontos chaves, convencendo o outro que suas ideias funcionam, responder as perguntas feitas, simplesmente não é ensinado.

Falar para uma plateia de 5.000 pessoas, o que muitos poucos brasileiros sabiam fazer, foi sorte minha.

Aprendi a falar e expor ideias na Harvard Business School onde há 100 anos nos treinam todo dia a solucionar problemas reais, a expor e convencer nossos colegas de nossas soluções, e refutar delicadamente opiniões contrárias.

Todo santo dia.

O professor somente falava nos últimos 10 minutos da aula.

Normalmente apontando o que havíamos esquecido de analisar, elogiando um aluno ou outro.

Por isso no nosso ensino não resolvemos nada, muito menos implantamos nossos grandes problemas nacionais porque ninguém explica direito, porque ninguém entende direito, e assim nada é solucionado.

Só ouvido.

Não temos os famosos debates de pontos de vistas diferentes na USP, Unicamp, Brasília, PUC como em Stanford, Oxford e Harvard.

Temos um sistema educacional voltado a Ouvir, como em todo regime antidemocrático.

Onde o aluno precisa repetir ou obedecer o que foi dito.

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Introdução à Neuropedagogia https://blog.kanitz.com.br/introducao-a-neuropedagogia/ https://blog.kanitz.com.br/introducao-a-neuropedagogia/#comments Fri, 17 Nov 2023 13:01:18 +0000 https://blog.kanitz.com.br/?p=29540 Regressão sináptica e poda neural depois dos 5 anos requer atenção foçada de pais e pedagogos

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por Stephen Kanitz

Com o advento da Ressonância Magnética foi possível observar pela primeira vez na história os detalhes do funcionamento do cérebro humano, inaugurando uma nova era de compreensão sobre os processos cognitivos. 

Isso catalisou o desenvolvimento de novos métodos de ensino revolucionários, embasados em pesquisas científicas sobre a aprendizagem cerebral, um domínio anteriormente nebuloso.

A discussão sobre neuropedagogia ganhou relevância a partir da década de 1990, embora não tenha se difundido amplamente no Brasil. 

Isso porque durante esse período, o país nomeou predominantemente economistas como Ministros da Educação, cuja compreensão de pedagogia, e mais especificamente de neuropedagogia, era limitada. 

Prevalecia a crença de que os desafios educacionais se resolviam principalmente através de investimentos financeiros e infraestruturais, mais salários, mais faculdades, mais Fies, mais bolsas educação.

A neuropedagogia desafia concepções pedagógicas tradicionais, revelando que até então havia um desconhecimento acentuado sobre como o cérebro processa informações visuais e auditivas e como ele forma conclusões essenciais para a sobrevivência.

Métodos convencionais, como os preconizados por Paulo Freire, são severamente questionados sob esta nova luz, com a neuropedagogia sugerindo que tais abordagens podem não ser tão eficazes quanto se pensava anteriormente.

Em vez de ensinar, emburrecem nossas crianças ano após ano até hoje. 

Crianças que assistem televisão perdem mais, crianças que assistem podcasts perdem menos. 

Crianças que estão permanentemente ao lados dos pais, como 30.000 anos atrás, perdem menos, crianças colocadas no ensino fundamental perdem mais.

Por isso estamos em último lugar nos testes educacionais, e nosso QI médio caiu de 99 para 86 em menos de 40 anos.

Perdemos de fato nossa capacidade olfativa que os animais ainda hoje possuem.

E perdemos bilhões de outras porque protegemos nossas crianças de todos os perigos e estímulos externos possíveis e os mantemos em escolas que pouco ensinam antes dos 18 pelas razões já expostas.

Hoje nossas crianças perdem sinapses e neurônios todo ano a partir dos 2 aos 6 anos, ao ritmo de 50 trilhões de sinapses por ano, e 1 bilhão de neurônios. 

Pedagogos acreditam que nosso cérebro desenvolve lentamente até os 18 anos, quando chegava à plenitude. 

Por isso ensinávamos assuntos complexos somente ao nível de educação superior, e dos 6 aos 10 as coisas mais simples possíveis.

A neurociência mostra justamente o contrário. 

Nosso cérebro cresce vertiginosamente dos 2 aos 6 anos de idade, dependendo da parte do cérebro, quando chega a ter no total 1 quatrilhão de sinapses, e 100 bilhões de neurônios.

Que pelo jeito eram necessários 30.000 anos atrás, senão as crianças não sobreviveriam, ou só aquelas com 1 quatrilhão sobreviveram.

Tal crescimento, se não acompanhado por estímulos e aprendizados adequados, pode levar à regressão sináptica e à poda neural, fenômenos associados à perda de capacidades cognitivas.

Essas descobertas apontam para a necessidade de repensar urgentemente as estratégias pedagógicas tradicionais, que frequentemente subestimam as capacidades cognitivas de crianças em tenra idade. 

A neuropedagogia sugere a implementação de abordagens mais estimulantes e desafiadoras desde os primeiros anos de vida, visando potencializar o desenvolvimento cerebral.

O desafio enfrentado pelos neuropedagogos é superar séculos de inércia educacional, convencendo professores, pais e instituições a adotarem essas novas práticas. 

A resistência é parte de um processo natural de transição, mas é crucial para a evolução do ensino. 

A neuropedagogia não apenas redefine a compreensão sobre a plasticidade cerebral, mas também propõe uma mudança paradigmática no campo da educação, enfatizando que a educação é, em sua essência, um processo de construção cerebral.

Este desafio requer o engajamento coletivo para promover uma verdadeira revolução didática, algo que não pode ser realizado isoladamente, mas sim através de um esforço colaborativo e de uma mente aberta às possibilidades transformadoras da neuropedagogia.

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