APRENDENDO A PENSAR - Stephen Kanitz https://blog.kanitz.com.br/artigos/educacao-2/aprendendo-a-pensar-educacao-2/ Blog para se Pensar Fri, 21 Mar 2025 05:50:25 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.7.5 https://blog.kanitz.com.br/wp-content/uploads/2021/06/stephenkanitz-favicon-150x150.png APRENDENDO A PENSAR - Stephen Kanitz https://blog.kanitz.com.br/artigos/educacao-2/aprendendo-a-pensar-educacao-2/ 32 32 Não Sabemos Mais Dialogar https://blog.kanitz.com.br/nao-sabemos-mais-dialogar/ https://blog.kanitz.com.br/nao-sabemos-mais-dialogar/#comments Wed, 13 Nov 2024 20:21:50 +0000 https://blog.kanitz.com.br/?p=29826 Não Sabemos Mais Dialogar A sociedade brasileira está passando por uma ruptura na comunicação, marcada por uma crescente polarização e pela dificuldade em engajar-se em diálogos produtivos e baseados em evidências. Comentários nas mídias sociais geralmente são a favor ou contra, sem contribuir para a discussão. Nossos jornalistas apenas noticiam o que lhes interessa, e […]

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Não Sabemos Mais Dialogar

A sociedade brasileira está passando por uma ruptura na comunicação, marcada por uma crescente polarização e pela dificuldade em engajar-se em diálogos produtivos e baseados em evidências.

Comentários nas mídias sociais geralmente são a favor ou contra, sem contribuir para a discussão.

Nossos jornalistas apenas noticiam o que lhes interessa, e não o que é relevante para o leitor; por isso, estão em declínio.

Os 10% da população que detêm 40% da renda não são os mais ricos, como acreditam alguns economistas de esquerda, mas os mais velhos.

Afinal, nós, os pais, ganhamos em média quatro vezes mais que nossos filhos.

Somos justamente aqueles que ainda leem jornal, mas jornais como Folha, Estadão, Correio, e Globo nos agridem diariamente com termos como “endinheirados”, “capitalistas” e “burgueses”.

Esses jornalistas, que nem mesmo conhecem seus leitores, estão dando tiros no próprio pé.

Os algoritmos das redes sociais tendem a mostrar conteúdos que reforçam nossas crenças, criando câmaras de eco.

Isso isola os indivíduos de pontos de vista divergentes e apenas alimenta a polarização, ao invés de promover um meio-termo.

A confiança nas instituições, jornalistas, intelectuais, mídia e especialistas tem diminuído ano após ano, gerando ceticismo em relação à informação baseada em evidências e aumentando a desinformação.

As conversas públicas, especialmente online, priorizam conteúdos emocionais e sensacionalistas, que se espalham mais rapidamente do que discussões ponderadas e equilibradas.

O discurso político tornou-se altamente tóxico, com lados opostos se vendo como inimigos, e não como oponentes com visões diferentes, o que enfraquece o debate construtivo.

Com o enorme volume de informação disponível, torna-se difícil distinguir entre fontes confiáveis e desinformação, gerando confusão e afastamento de discussões baseadas em evidências.

O Brasil está passando por uma ruptura na comunicação, marcada pela crescente polarização e pela dificuldade em engajar-se em diálogos produtivos e baseados em evidências.

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Ensinando Crianças a Escrever aos 5 Anos? https://blog.kanitz.com.br/ensinando-criancas-a-escrever-aos-5-anos/ https://blog.kanitz.com.br/ensinando-criancas-a-escrever-aos-5-anos/#comments Sun, 26 Nov 2023 20:04:07 +0000 https://blog.kanitz.com.br/?p=29560 Há mais de 500 anos, nosso ensino está voltado primordialmente para ensinar nossas crianças, jovens e adolescentes a escrever, letra por letra, sílaba por sílaba. Por quê? O correto seria postergar a escrita para muito mais tarde. Primeiro, segundo a lógica, crianças e professores deveriam usar esse tempo para compreender as 30.000 palavras que nossas […]

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Há mais de 500 anos, nosso ensino está voltado primordialmente para ensinar nossas crianças, jovens e adolescentes a escrever, letra por letra, sílaba por sílaba. Por quê?

O correto seria postergar a escrita para muito mais tarde.

Primeiro, segundo a lógica, crianças e professores deveriam usar esse tempo para compreender as 30.000 palavras que nossas crianças ouvem dos pais todos os dias, a maioria das quais não entendem.

Para que ensinar a escrever, se ainda não entendem 80% do que é dito?

Se não sabem ainda adjetivos, advérbios, nem formar sentenças verbalmente.

Além de saberem 30.000 palavras como ‘gato’ e ‘preto’, elas têm de aprender o significado de mais 800.000 combinações, como ‘gato preto’ e seus significados especiais.

Aprendem a escrever ‘pobreza’, mas não sabem o que é ‘pobreza temporária’, ‘optar pela pobreza’, ‘pobre de espírito’.

Por que ensinar a escrever, se crianças só começam a usar advérbios após os 10 anos de idade?

Professores ensinavam primeiro a escrever e não a falar, que seria o mais óbvio, porque, por 1.500 anos, não existiam livros didáticos. Primeiro, as crianças precisavam escrever a aula em cadernos para depois poder estudar e decorar.

Usando a lógica dos Princípios Elementares de Raciocínio, a pergunta que deveríamos fazer é: por que ensinar a escrever, se crianças e adolescentes não possuem absolutamente nada de novo a dizer?

Se ninguém, além dos pais, vai ler, melhor seria recitar um poema, que era a forma antiga de manter algo na memória.

Adultos só escrevem ‘papers’, livros e teses quando têm algo para dizer, divulgando coisas novas para outras pessoas distantes.

Nesse caso, geralmente são os 10.000 estudiosos que assinam revistas acadêmicas ou compram um livro em particular.

Ensinar filhos a escreverem trabalhos que ninguém vai ler não é educação. É gerar frustração e revolta.

Eu dei mais de 50 palestras sobre o tema antes de escrever ‘O Brasil Que Dá Certo’.

Comecei falando, percebendo as reações, aprimorando o texto que escreveria somente anos depois.

Nossos brilhantes pedagogos estão invertendo a ordem natural das coisas sem saberem o porquê.

Saber falar bem vem sempre antes de escrever mal.

Isso deveria ser tão óbvio para pais, mães, pedagogos e ministros da Educação, mas não é.

Criar ideias novas, criar ciência, saber relatar observações profundas só ocorrem depois dos 30 anos, e olhe lá.

E, além do mais, hoje temos a tecnologia do vídeo, muito mais eficiente do que o livro e com maior índice de retenção.

Nossas crianças e nossos jovens precisam primeiro aprender a falar com as pessoas ao seu redor, e não a escrever para pessoas distantes e, teoricamente, no futuro.

Nossas crianças precisam convencer as pessoas ao seu redor sobre seus desejos e suas ideias, de forma oral e não escrita.

Ouvir, falar, ler e escrever. Esta é a ordem correta.

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Precisamos Ensinar Nossos Alunos a Falar https://blog.kanitz.com.br/precisamos-ensinar-nossos-alunos-a-falar/ https://blog.kanitz.com.br/precisamos-ensinar-nossos-alunos-a-falar/#comments Fri, 24 Nov 2023 10:04:15 +0000 https://blog.kanitz.com.br/?p=29554 Por que não temos líderes no Brasil que nos motivem para um futuro promissor? Por que não temos bons professores? Por que nossos poucos cientistas não falam em público e não são mais úteis e conhecidos? Porque dos 6 aos 22 anos, no nosso sistema estatal de educação, nós ensinamos a Ler, Escrever, Reler e […]

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Por que não temos líderes no Brasil que nos motivem para um futuro promissor?

Por que não temos bons professores?

Por que nossos poucos cientistas não falam em público e não são mais úteis e conhecidos?

Porque dos 6 aos 22 anos, no nosso sistema estatal de educação, nós ensinamos a Ler, Escrever, Reler e Decorar.

Falar, Convencer, Inspirar, Debater e Rebater com propriedade, simplesmente não é ensinado nem diariamente treinado. Quem fala é sempre o Professor.

A neuropedagogia mostra que as sinapses utilizadas para falar são totalmente diferentes das sinapses para ouvir.

O fato de que você memorizou algo, nunca significa que saberá falar algo com propriedade.

Gastamos verdadeiras fortunas em aulas de inglês, aprendemos a ler e escrever, mas ninguém consegue falar.

Muito menos expor uma ideia nova para um investidor, fazer um discurso na ONU ou negociar um acordo favorável para o Brasil.

Ensinar a falar é tão demorado quanto ensinar a ler e escrever ou mais, mas nada fazemos.

Aprender a Falar em público com clareza, com consistência, repetindo os pontos chaves, convencendo o outro que suas ideias funcionam, responder as perguntas feitas, simplesmente não é ensinado.

Falar para uma plateia de 5.000 pessoas, o que muitos poucos brasileiros sabiam fazer, foi sorte minha.

Aprendi a falar e expor ideias na Harvard Business School onde há 100 anos nos treinam todo dia a solucionar problemas reais, a expor e convencer nossos colegas de nossas soluções, e refutar delicadamente opiniões contrárias.

Todo santo dia.

O professor somente falava nos últimos 10 minutos da aula.

Normalmente apontando o que havíamos esquecido de analisar, elogiando um aluno ou outro.

Por isso no nosso ensino não resolvemos nada, muito menos implantamos nossos grandes problemas nacionais porque ninguém explica direito, porque ninguém entende direito, e assim nada é solucionado.

Só ouvido.

Não temos os famosos debates de pontos de vistas diferentes na USP, Unicamp, Brasília, PUC como em Stanford, Oxford e Harvard.

Temos um sistema educacional voltado a Ouvir, como em todo regime antidemocrático.

Onde o aluno precisa repetir ou obedecer o que foi dito.

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Introdução à Neuropedagogia https://blog.kanitz.com.br/introducao-a-neuropedagogia/ https://blog.kanitz.com.br/introducao-a-neuropedagogia/#comments Fri, 17 Nov 2023 13:01:18 +0000 https://blog.kanitz.com.br/?p=29540 Regressão sináptica e poda neural depois dos 5 anos requer atenção foçada de pais e pedagogos

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por Stephen Kanitz

Com o advento da Ressonância Magnética foi possível observar pela primeira vez na história os detalhes do funcionamento do cérebro humano, inaugurando uma nova era de compreensão sobre os processos cognitivos. 

Isso catalisou o desenvolvimento de novos métodos de ensino revolucionários, embasados em pesquisas científicas sobre a aprendizagem cerebral, um domínio anteriormente nebuloso.

A discussão sobre neuropedagogia ganhou relevância a partir da década de 1990, embora não tenha se difundido amplamente no Brasil. 

Isso porque durante esse período, o país nomeou predominantemente economistas como Ministros da Educação, cuja compreensão de pedagogia, e mais especificamente de neuropedagogia, era limitada. 

Prevalecia a crença de que os desafios educacionais se resolviam principalmente através de investimentos financeiros e infraestruturais, mais salários, mais faculdades, mais Fies, mais bolsas educação.

A neuropedagogia desafia concepções pedagógicas tradicionais, revelando que até então havia um desconhecimento acentuado sobre como o cérebro processa informações visuais e auditivas e como ele forma conclusões essenciais para a sobrevivência.

Métodos convencionais, como os preconizados por Paulo Freire, são severamente questionados sob esta nova luz, com a neuropedagogia sugerindo que tais abordagens podem não ser tão eficazes quanto se pensava anteriormente.

Em vez de ensinar, emburrecem nossas crianças ano após ano até hoje. 

Crianças que assistem televisão perdem mais, crianças que assistem podcasts perdem menos. 

Crianças que estão permanentemente ao lados dos pais, como 30.000 anos atrás, perdem menos, crianças colocadas no ensino fundamental perdem mais.

Por isso estamos em último lugar nos testes educacionais, e nosso QI médio caiu de 99 para 86 em menos de 40 anos.

Perdemos de fato nossa capacidade olfativa que os animais ainda hoje possuem.

E perdemos bilhões de outras porque protegemos nossas crianças de todos os perigos e estímulos externos possíveis e os mantemos em escolas que pouco ensinam antes dos 18 pelas razões já expostas.

Hoje nossas crianças perdem sinapses e neurônios todo ano a partir dos 2 aos 6 anos, ao ritmo de 50 trilhões de sinapses por ano, e 1 bilhão de neurônios. 

Pedagogos acreditam que nosso cérebro desenvolve lentamente até os 18 anos, quando chegava à plenitude. 

Por isso ensinávamos assuntos complexos somente ao nível de educação superior, e dos 6 aos 10 as coisas mais simples possíveis.

A neurociência mostra justamente o contrário. 

Nosso cérebro cresce vertiginosamente dos 2 aos 6 anos de idade, dependendo da parte do cérebro, quando chega a ter no total 1 quatrilhão de sinapses, e 100 bilhões de neurônios.

Que pelo jeito eram necessários 30.000 anos atrás, senão as crianças não sobreviveriam, ou só aquelas com 1 quatrilhão sobreviveram.

Tal crescimento, se não acompanhado por estímulos e aprendizados adequados, pode levar à regressão sináptica e à poda neural, fenômenos associados à perda de capacidades cognitivas.

Essas descobertas apontam para a necessidade de repensar urgentemente as estratégias pedagógicas tradicionais, que frequentemente subestimam as capacidades cognitivas de crianças em tenra idade. 

A neuropedagogia sugere a implementação de abordagens mais estimulantes e desafiadoras desde os primeiros anos de vida, visando potencializar o desenvolvimento cerebral.

O desafio enfrentado pelos neuropedagogos é superar séculos de inércia educacional, convencendo professores, pais e instituições a adotarem essas novas práticas. 

A resistência é parte de um processo natural de transição, mas é crucial para a evolução do ensino. 

A neuropedagogia não apenas redefine a compreensão sobre a plasticidade cerebral, mas também propõe uma mudança paradigmática no campo da educação, enfatizando que a educação é, em sua essência, um processo de construção cerebral.

Este desafio requer o engajamento coletivo para promover uma verdadeira revolução didática, algo que não pode ser realizado isoladamente, mas sim através de um esforço colaborativo e de uma mente aberta às possibilidades transformadoras da neuropedagogia.

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Saiba Sempre o Intervalo Entre a Ação e Reação https://blog.kanitz.com.br/reacao/ https://blog.kanitz.com.br/reacao/#comments Wed, 23 Apr 2014 19:00:00 +0000 http://66.147.244.83/~blogkani/wordpress/?p=463   Você pede desculpas ao seu marido, mas ele continua brigando. Você traz flores para sua esposa, só que ela não o perdoa no ato. Infelizmente, ação e reação instantâneas só acontecem na física. Na Psicologia, nas Finanças e na Economia sempre existe um intervalo demorado entre ação e reação. Não saber avaliar corretamente o intervalo […]

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Você pede desculpas ao seu marido, mas ele continua brigando.

Você traz flores para sua esposa, só que ela não o perdoa no ato.

Infelizmente, ação e reação instantâneas só acontecem na física.

Na Psicologia, nas Finanças e na Economia sempre existe um intervalo demorado entre ação e reação.

Não saber avaliar corretamente o intervalo de reação de sua esposa, de seu chefe ou de uma política econômica tem sido a principal causa dos conflitos entre seres humanos.

Não saber ao certo esse intervalo causa enormes problemas.

Primeiro, nunca se consegue avaliar se:

1) suas políticas fracassaram, ou se

2) erraram nas estimativas do intervalo de reação, ou se

3) erraram na dose da ação interventora.

Quando uma política econômica ou social não dá os resultados esperados, os que a implantaram invariavelmente se defendem pedindo mais tempo.

É sempre assim, nunca aceitam que erraram na política.

Aí temos o famoso “mais do mesmo”.

Ou aumentam a dose em vez de abandonar a ideia por inteiro, elevando, por exemplo, ainda mais os juros, dando maiores subsídios, aumentando ainda mais os gastos públicos, e assim por diante.

Foi dessa forma que nossos juros foram subindo, subindo, subindo, em vez de se mudar a política econômica.

Só quando a política está prestes a arruinar o país é que se muda a equipe e sua nefasta política.

Mas muitas vezes se faz o movimento diametralmente oposto, que também não é necessariamente a solução correta.

Essas duas políticas, “mais da mesma coisa” e “guinada de 180 graus”, resumem praticamente 95% das políticas econômicas implantadas neste país nos últimos 35 anos.

Agora imagine, em vez de lidar com uma única variável e seu intervalo de reação, como crescimento e juros, temos que lidar com cinco ou mais variáveis ao mesmo tempo.

Quem já tomou banho de chuveiro em casa antiga sabe como é difícil ajustar a temperatura quando é grande o intervalo de reação entre abrir a torneira de água quente e ter um fluxo de água na temperatura desejada.

Requer paciência, num vai e vem sutil, requer disciplina.

Imagine agora acertar a temperatura com cinco torneiras e cinco intervalos de reação diferentes e desconhecidos.

Isto é o que nós administradores fazemos todo dia.

Tentamos calibrar a dose e observar os efeitos antes de agir novamente.

As doses são homeopáticas e impera a paciência.

Agora imagine tentar controlar as dezenas de variáveis necessárias para desenvolver um país.

“Vamos usar todas as medidas que forem necessárias”.

Se com uma única variável já é complicado, imagine com 10 medidas macro prudenciais.

Se você almeja uma vida tranquila, aprenda a avaliar corretamente o intervalo de reação de sua esposa, filhos, chefes e subordinados para não cometer os mesmos erros: erros na dosagem da medida, erros na avaliação do intervalo de reação, erros na falta de paciência.

 

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Livros Que Recomendo https://blog.kanitz.com.br/livros-que-recomendo/ https://blog.kanitz.com.br/livros-que-recomendo/#comments Wed, 09 Apr 2014 15:10:23 +0000 http://blog.kanitz.com.br/?p=14747 Depois que eu recomendei o livro “A Auto-Estima de Seu Filho”, de Dorothy Briggs, recebi vários pedidos sobre outros livros que eu achava que valiam a pena serem lidos.   Não sou um especialista em tudo, portanto o máximo que poderei fazer é sugerir alguns livros que me influenciaram no passado. Os primeiros da lista são […]

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Depois que eu recomendei o livro “A Auto-Estima de Seu Filho”, de Dorothy Briggs, recebi vários pedidos sobre outros livros que eu achava que valiam a pena serem lidos.

 

Não sou um especialista em tudo, portanto o máximo que poderei fazer é sugerir alguns livros que me influenciaram no passado.

Os primeiros da lista são “The Evolution of Cooperation” (“A Evolução da Cooperação“, já traduzido) e “The Complexity of Cooperation”, de Robert Axelrod.

São dois livros imperdíveis de uma nova ciência que irá modificar uma série de Ciências Sociais.

Os dois livros, apesar de serem teóricos, explicam alguns de nossos mais sérios problemas como corrupção, parasitagem, porque o Brasil não consegue criar laços de cooperação mútua e porque o brasileiro não se auto-organiza e por isto vive à mercê do Estado.

Este livro mostra a necessidade de aumentar os laços de confiança entre a sociedade, como o trabalho voluntário na comunidade, e originou a criação do  site www.filantropia.org e www.voluntarios.com.br.

A Auto-Estima do Seu Filho”, de Dorothy Briggs, foi reeditado pela Martins Fontes, depois da minha recomendação, e está disponível.  É o melhor livro sobre como criar filhos que eu li e usei nos meus primeiros 20 anos como pai.

Teaching Thinking“, de Edward de Bono, toca o dedo na ferida da educação, e todos os seus livros tratam de como ensinar a pensar, algo que nosso ensino esqueceu com o tempo.

I Am Right You Are Wrong“, outra crítica ao nosso ensino, e “The Happiness Purpose“, também de De Bono, têm uma filosofia de vida moderna muito bem elaborada.

De Bono é um tanto arrogante e cheio de si, mas não deixe isto influenciá-lo contra as coisas sensatas que ele diz.

The Vision Of The Anointed“, de Thomas Sowell, é necessário para entender alguns intelectuais e professores universitários que temos.

Sowell é um economista negro que teve a coragem de denunciar o intelectualismo americano e por tabela o brasileiro, e explica o porquê da arrogância típica dos nossos dirigentes, intelectuais e da nossa elite política.

Ele acredita que países que dão certo são aqueles que processam, colhem e disseminam informação entre seus membros corretamente. Algo que ainda não sabemos fazer se analisarmos friamente nossas universidades e a nossa imprensa. Leia também seu “Knowledge and Decisions“.

The Worlds Religions“, de Huston Smith, é um excelente livro para quem ainda não definiu para si qual o verdadeiro sentido da vida.

Pergunta que por sinal é melhor ser respondida quando ainda se é jovem, do que quando for tarde demais.

Democracy in America” (“Da Democracia Na América“, já traduzido), de Alexis de Tocqueville, é um clássico da teoria política que tem muito a ver com o Brasil.

Fala das origens do comunitarismo americano que os Estados Unidos estão esquecendo, e que o Brasil nunca desenvolveu.

How Good People Make Tough Choices“, de Rushworth Kidder, é um excelente livro sobre como pessoas tomam decisões difíceis.

No fundo, um livro sobre ética. Leve, sem a chatice usual dos livros de Moral e Filosofia.

Pathfinders“, de Gail Sheehy, foi um livro que eu achava que se tornaria um clássico da Psicologia e Sociologia, o que não aconteceu, não sei o porquê.

Gail entrevista 300 pessoas consideradas modelo nas suas comunidades, e descreve o que é ser bem sucedido. Não em termos de dinheiro, mas em termos de respeito da comunidade e dos amigos. Psicólogos definem “normalidade” a partir dos pacientes e dos “neuróticos” que eles atendem nos consultórios, uma amostra cientificamente questionável. Gail sai a campo, descobre e entrevista as pessoas consideradas exemplos nas suas comunidades: “Quem você acha o máximo na sua cidade?”

Faltou divulgação ou os psicólogos estão atados às suas antigas fórmulas e modelos. Economize em terapia lendo este livro.

Liberdade Para Aprender“, de Carl Rogers.

Não sei se este livro continua empolgando, mas eu me lembro aos 23 anos ter começado a lê-lo às 10 horas da noite e não parei até às 6 da manhã.

Se você está cheio do que lhe ensinam na escola, este livro vai mudar a sua vida.

 

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Aprenda a Ler Estatísticas https://blog.kanitz.com.br/ler-estatistica/ https://blog.kanitz.com.br/ler-estatistica/#comments Tue, 08 Apr 2014 12:00:00 +0000 http://66.147.244.83/~blogkani/wordpress/?p=511   Existe até um livro, “Como Mentir Com Estatísticas”, de Darrel Huff, que deve ser lido por todos, justamente porque é lido por muitos. Aqui vou abordar um aspecto que ninguém menciona, e explica porque temos tantas pesquisas científicas com resultados diametralmente opostos. “Mulheres traem mais seus maridos, do que maridos traem suas esposas.” Digamos que […]

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Existe até um livro, “Como Mentir Com Estatísticas”, de Darrel Huff, que deve ser lido por todos, justamente porque é lido por muitos.

Aqui vou abordar um aspecto que ninguém menciona, e explica porque temos tantas pesquisas científicas com resultados diametralmente opostos.

Mulheres traem mais seus maridos, do que maridos traem suas esposas.”

Digamos que as estatísticas de uma pesquisa revela que 55% das Mulheres e 45% dos homens traem.

Se você quiser desmentir esta pesquisa, como faria?

Manipular estatísticas, fazer de outra forma, mentir?

Não.

Basta fazer mais 40 pesquisas, com o mesmo rigor das outras.

Explico.

Vejamos o que aconteceria.

A manchete de jornal, que usamos nesta explicação, já é falsa.

As mulheres não traem mais os homens, a manchete deveria dizer:

“De uma amostra de 300 homens e mulheres pesquisados pela Socióloga Tal e Tal, 55% das mulheres traíram contra 45% dos homens.”

Para chegar a conclusão da manchete, de mulheres em geral, teríamos que ter pesquisado todos os homens e mulheres da terra, algo que não aconteceu.

A manchete se refere a uma PEQUENA amostra de homens e mulheres, 0,0001%  do total.

Pode-se tirar uma conclusão assim, de uma amostra tão pequena como esta?

Até que se pode, mas aí o jornalista e o leitor devem ser informados do que chamamos ERRO AMOSTRAL.

A afirmação que mulheres traem mais tem uma possibilidade de erro, de 1 em 20. São os 0,5 em vermelho (5%).

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Mesmo sendo uma AMOSTRA, cientificamente podemos dizer que estamos certos na generalização para a população como um todo.

MAS existe uma chance de 5%, de que homens traiam mais do que mulheres.

Isto porque a nossa amostra não foi fidedigna. Pegamos, por azar, uma amostra onde mulheres traem mais, mas na população como um todo os homens traem mais que as mulheres.

É o erro que vocês já conhecem de pesquisas eleitorais.

Portanto, se fizermos 20 pesquisas parecidas, em 19 teremos que homens traem mais que mulheres, e mesmo assim teremos uma pesquisa séria, de universidade séria, que dará que mulheres traem mais do que homens.

Agora vem a grande sacanagem.

Se você é um intelectual ou jornalista, ou mesmo um escritor mal intencionado, procurando sempre encontrará uma pesquisa que prova justamente o que quer influenciar ao seu desavisado leitor.

Isto lhe permite mentir, cientificamente.

Se existirem 200 pesquisas por aí, e hoje em dia com tantos estudantes fazendo mestrado de fato existem, poderá encontrar 20 pesquisas que provarão o que você quer, e todas falsas, são erros de amostra.

Portanto, é muito importante saber o caráter da pessoa que está escrevendo.

Pesquise antes de ler qualquer coisa escrita por ela.

Saiba se além de Professor Universitário, não é um militante político travestido de imparcial, independente.

Algo Para Se Pensar.

 

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Como Aproveitar Seu Ensino Superior ao Máximo https://blog.kanitz.com.br/fea-usp/ https://blog.kanitz.com.br/fea-usp/#comments Tue, 25 Mar 2014 11:39:38 +0000 http://blog.kanitz.com.br/?p=14711   Minha aula inaugural na FEAUSP 2014. Espero que gostem.    

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Minha aula inaugural na FEAUSP 2014. Espero que gostem.

 

 

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Um Dia de Aula em Harvard https://blog.kanitz.com.br/dia-aula-harvard/ https://blog.kanitz.com.br/dia-aula-harvard/#comments Thu, 06 Mar 2014 11:00:00 +0000 http://66.147.244.83/~blogkani/wordpress/2011/03/02/um-dia-de-aula-em-harvard/ Jamais esquecerei o meu primeiro dia de aula na Harvard Business School. No dia anterior recebemos 90 páginas descrevendo três problemas administrativos que haviam ocorrido anos atrás em empresas verdadeiras. Tínhamos 24 horas para tomar uma série de decisões, utilizando as mesmas informações disponíveis da diretoria da época. Era um problema por matéria, 3 matérias […]

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Jamais esquecerei o meu primeiro dia de aula na Harvard Business School.

No dia anterior recebemos 90 páginas descrevendo três problemas administrativos que haviam ocorrido anos atrás em empresas verdadeiras.

Tínhamos 24 horas para tomar uma série de decisões, utilizando as mesmas informações disponíveis da diretoria da época.

Era um problema por matéria, 3 matérias por dia.

O primeiro caso do dia tratava-se de uma empresa controlada por dois irmãos, bem sucedida por trinta anos, até o dia em que um deles se desquitou e casou com uma moça vinte anos mais jovem.

Esse pequeno fato desencadeou uma série de problemas que afetava o desempenho da empresa. Nós éramos os consultores que teriam de sugerir uma saída.

No primeiro dia, na primeira aula, o professor entrou na sala e simplesmente disse:

– Sr. Kanitz, qual é a sua recomendação para esse caso?

– Por que eu?

As aulas a que eu estava acostumado em toda a minha vida de estudante consistiam num bando de alunos ouvindo pacientemente um professor que dominava as nossas atenções pelo resto do dia.

Simplesmente, naquele fatídico dia, eu não estava preparado quando todos viraram suas atenções para mim – e, pelo jeito, eu é que teria de dar a aula.

Esse sistema é conhecido por ensino centrado no aluno e não no professor.

Tanto é que, minha grande frustração foi ter os melhores professores de administração do mundo, mas que ficavam na maioria das aulas, simplesmente calados.

Curiosamente, falar em aula era uma obrigação, e não o que em geral acontece em muitas escolas secundárias brasileiras, em que essa atitude é passível de punição.

Outra descoberta chocante foi constatar, que a maioria dos famosos livros de administração de nada serviam para resolver aquele caso.

Nenhum capítulo de Michael Porter trata especificamente de “problemas de desquites em empresas familiares”, um fato mais comum nas empresas do que se imagina.

A maioria das decisões na vida é de problemas que ninguém teve que enfrentar antes, e sem literatura pré-estabelecida.

Estamos sozinhos no mundo com nossos problemas pessoais e empresariais. Quão mais fácil foi a minha vida de estudante no Brasil, quando a obrigação acadêmica era decorar as teorias do passado de Keynes, Adam Smith e Peter Drucker, como se fossem livros de autoajuda para os problemas do futuro.

Durante dois anos, estudamos mais de 1.000 casos ou problemas dos mais variados tipos: desde desquites, brigas entre o departamento de marketing e o financeiro, greves, governos incompetentes, fusões, cisões, falências e até crises na Ásia.

Isto nos obrigava a observar, destilar as informações relevantes, ignorar as irrelevantes, ponderar as contradições, trabalhar com vinte variáveis ao mesmo tempo, testar alternativas, formar uma decisão e expô-la de forma clara e coerente.

Estavam ensinando por meio de uma metodologia inédita na época (1972), o que poucas escolas e faculdades fazem até hoje: ensinar a pensar.

Em nada adianta ficar ensinando como outros grandes cérebros do passado pensavam.

Em nada adianta copiar soluções do passado e achar que elas se aplicam ao presente.

Num mundo cada vez mais mutável, onde as inter-relações nunca são as mesmas, ensinar fatos e teorias será de pouca utilidade para o aluno de hoje.

Ensinar a pensar também não é tão fácil assim.

Não é um curso de lógica, nem uma questão de formar uma visão crítica do mundo achando que isto resolve a questão.

Sair criticando o mundo, contestando as teorias do passado forma uma geração de contestadores que nada constrói, que nada sugere.

Minha recomendação ao jovem de hoje é para que se concentre em uma das competências mais importantes para o mundo moderno: aprender a pensar e a tomar decisões.

Stephen Kanitz, artigo publicado na Revista Veja, edição 1636, 16/02/2000

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