O TERCEIRO SETOR - Stephen Kanitz https://blog.kanitz.com.br/artigos/comunitarismo/o-terceiro-setor/ Blog para se Pensar Fri, 06 Aug 2021 20:53:54 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.7.5 https://blog.kanitz.com.br/wp-content/uploads/2021/06/stephenkanitz-favicon-150x150.png O TERCEIRO SETOR - Stephen Kanitz https://blog.kanitz.com.br/artigos/comunitarismo/o-terceiro-setor/ 32 32 Você é Realmente Útil? https://blog.kanitz.com.br/voce-e-realmente-util/ https://blog.kanitz.com.br/voce-e-realmente-util/#comments Sat, 22 Aug 2020 10:03:00 +0000 https://blog.kanitz.com.br/?p=26845 Você já se fez essa importante pergunta existencial? Quantos responderam afirmativamente? “Sou realmente útil.” Com convicção. Eu fazia essa pergunta aos meus alunos da USP. Especialmente àqueles que faltavam sistematicamente nas aulas, para aqueles que não prestavam atenção, para aqueles que viviam no centro acadêmico fazendo política estudantil. Como tantos políticos de hoje fizeram em […]

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Você já se fez essa importante pergunta existencial?

Quantos responderam afirmativamente?

“Sou realmente útil.”

Com convicção.

Eu fazia essa pergunta aos meus alunos da USP.

Especialmente àqueles que faltavam sistematicamente nas aulas, para aqueles que não prestavam atenção, para aqueles que viviam no centro acadêmico fazendo política estudantil.

Como tantos políticos de hoje fizeram em vez de estudar.

Ou àqueles que eram ricos filhinhos de papai cursando uma Universidade Estatizada que bem que poderiam pagar dos próprios bolsos.

Minha preocupação era que talvez meus alunos estivessem fazendo algo muito mais útil do que aprender contabilidade, e eu queria saber o que era.

Para minha surpresa, a maioria nem entendia a pergunta.

Não sabiam exatamente o que era ser “útil”.

Nunca arrumaram suas próprias camas, nunca entregaram jornal, nunca foram voluntários em instituições de caridade.

Sabiam ainda menos o que era ser “realmente útil”.

Nossos professores sequer ensinam mais esse conceito considerado “conservador” demais para os dias de hoje.

Ser útil, ter uma boa reputação social, ser confiável, ter orgulho daquilo que faz, não são mais valores ensinados nas escolas, só nas assembleias evangélicas e católicas.

Produzir bens e serviços que as pessoas realmente precisam e querem é ser realmente útil, mas poucos ensinam ou percebem isso.

Ser um simples padeiro, sapateiro, taxista é ser muito mais útil do que um revolucionário teórico ou filhinho de papai paquerando as coleguinhas.

Twittar memes de ódio uns contra os outros não é ser útil, muito menos postar o 3.000 milésimo comentário, que é o ápice da inutilidade.

Esses jovens de direita e de esquerda estão vergonhosamente extraindo comida e dinheiro dos seus pais, tirando uma vaga na escola sem nada fazer em troca.

Em vez de estudarem algo útil para o futuro.

Pagar sua própria faculdade, entregando jornal de porta em porta ou trabalhando aos sábados e domingos no McDonald’s, nem pensar.

Esses jovens estão literalmente “extraindo mais valia” de trabalhadores metalúrgicos da periferia.

Que pagam ICMS sobre tudo que compram, 10% dos quais vão para a USP e Unicamp, para sustentar esses alunos e os professores que lhes ensinam.

Quantos intelectuais, funcionários públicos, jornalistas e blogueiros como eu, se “acham” úteis e nem percebem que não são?

Nossos problemas estão somente aumentando, não vejo boas soluções.

Por isso criei 20 anos atrás o site www.voluntarios.com.br para que jovens de 16 a 25 anos pudessem começar a vida sendo realmente úteis.

Ajudando os mais necessitados, a nada menos que 2.000 metros de onde moram.

Vocês conhecem as entidades beneficentes que existem nos seus bairros?

Ainda não? Então, entrem no site já.

Se vocês são um desses inúteis, perdidos no mundo e procurando um significado na vida, cadastrem-se no site.

Dependendo dos seus currículos serão chamados para serem verdadeiramente úteis, ajudando os outros.

Divulguem esse site que eu mantenho até hoje sozinho, com recursos meus, porque nem a direita nem a esquerda se interessam em ampliar e ajudar os jovens as serem úteis.

E que nenhum jornalista, blogueiro ou intelectual da USP jamais divulgou nesses 20 anos que o site existe.

Mas vocês, caro leitores, não precisam ser assim.

Se são de “humanas”, se querem realmente ser úteis para a sociedade pela primeira vez, cadastrem-se.

E torçam para que seus currículos mostrem que vocês têm algo de fato útil para oferecer para a sociedade.

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Quanta Riqueza é Suficiente? https://blog.kanitz.com.br/riqueza-e-suficiente/ https://blog.kanitz.com.br/riqueza-e-suficiente/#comments Sat, 31 Mar 2018 10:40:25 +0000 http://blog.kanitz.com.br/?p=24573   Chama atenção como alguns brasileiros perseguem riqueza sem parar, sem limites. Por quê? Pessoas como Abilio Diniz, já suficientemente rico, foi se meter numa aventura com a BRF, e perdeu fortuna. O que mais ele queria que ainda não possuía? Ou, Marcelo Odebrecht que acabou corrompendo e sendo preso? Ou, um Sérgio Cabral e […]

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Chama atenção como alguns brasileiros perseguem riqueza sem parar, sem limites.

Por quê?

Pessoas como Abilio Diniz, já suficientemente rico, foi se meter numa aventura com a BRF, e perdeu fortuna.

O que mais ele queria que ainda não possuía?

Ou, Marcelo Odebrecht que acabou corrompendo e sendo preso?

Ou, um Sérgio Cabral e a turma do PT que roubaram, roubaram e roubaram dinheiro que jamais poderão gastar.

Quando cheguei aos 51 anos de idade eu alcancei o nível de riqueza que achava suficiente, que garantia tranquilidade, e tudo o que eu precisava para viver.

Era inclusive um objetivo de vida, a independência financeira, valor que eu calculara quando eu tinha 30 anos de idade.

Surpreendi todo mundo largando a edição de Melhores e Maiores aos 50, que eu havia criado e que me dava certa projeção nacional e centenas de contatos.

Passei a fazer o que se espera de pessoas financeiramente independentes.

Passei a ser voluntário e a me dedicar à filantropia.

Criei dois sites, o voluntarios.com.br e o filantropia.org, já no início da internet.

Novato, passei seis meses entrevistando e perguntando aos líderes do terceiro setor o que eles mais precisavam.

Dentre n coisas que eles mencionaram, precisavam urgentemente de reconhecimento público, divulgação do que faziam, projeção nacional.

Isso eu sabia fazer.

Assim, criei nos moldes de Melhores e Maiores, o Prêmio Bem Eficiente, premiando todo ano as 50 Melhores entidades desse país.

O Prêmio se tornou um dos projetos sociais mais eficientes do Brasil, custava R$ 700.000,00 por ano, e as entidades premiadas ganhavam R$ 50.000.000,00 de doações adicionais.

Por que pessoas mais ricas do que eu não fazem o mesmo?

No máximo devotam 2% do seu tempo para causas mais nobres, quando não doam um mísero milhão, e só?

Por que nossa Direita só pensa em dinheiro sem limites, por que nossos Liberais só pensam nos Direitos do indivíduo?

Se Abilio Diniz e Marcelo Odebrecht tivessem se aposentado aos 50 e passado a fazer trabalho filantrópico, descobririam que dinheiro não é tudo na vida.

 

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Socialistas x Conservadores. Parte 4 https://blog.kanitz.com.br/socialistas-x-conservadores-4/ https://blog.kanitz.com.br/socialistas-x-conservadores-4/#comments Wed, 20 Jan 2016 14:36:06 +0000 http://blog.kanitz.com.br/?p=19108   Tempo de leitura: 1 minuto   Socialistas tendem a ser as pessoas mais nômades de uma sociedade. Conservadores tendem a ser as pessoas mais sedentárias de uma sociedade, aquelas que acreditam em melhorar a comunidade em que você mora e não abandoná-la. Conservadores tendem a ser os mais otimistas com relação às suas cidades, socialistas […]

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Tempo de leitura: 1 minuto

 

Socialistas tendem a ser as pessoas mais nômades de uma sociedade.

Conservadores tendem a ser as pessoas mais sedentárias de uma sociedade, aquelas que acreditam em melhorar a comunidade em que você mora e não abandoná-la.

Conservadores tendem a ser os mais otimistas com relação às suas cidades, socialistas os mais pessimistas.

Socialistas em vez de melhorá-la ou “conservá-la” migram para outra cidade que lhes ofereça maiores oportunidades.

Lula, que poderia ter tirado Garanhuns da miséria em que ela vive até hoje, abandonou sua cidade natal para poder desfrutar do Capitalismo pujante, de São Paulo.

Lula foi o filho pródigo que Garanhuns esperava um dia ter. Inteligente, articulado, poderia ter sido o primeiro empreendedor que Garanhuns teve em 500 anos.

Mas em vez de retribuir a todos aqueles que o educaram e o cuidaram na infância, ele os abandonou para uma vida melhor “danem-se meus amigos de infância”.

Como migraram Dilma, José Dirceu, Jacques Wagner, Paul Singer e o FHC, que é carioca e não paulista.

Conservadores não acreditam em “salvar” o mundo, e sim em melhorar as condições das pessoas com quem convivem, e jamais abandoná-las.

Vinte anos atrás criei um site o www.voluntarios.com.br, onde eu apresento, até hoje, as entidades beneficentes que ajudam os outros mais próximos da sua casa.

Se você é um jovem Socialista que quer salvar o mundo, por favor, comece salvando as pessoas carentes a 1.000 metros da sua casa.

Aquelas que precisam desesperadamente da sua ajuda, enquanto você faz política estudantil na Faculdade para salvar o mundo.

Seja um voluntário no seu próprio bairro, acesse www.voluntarios.com.br.

 

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Como Avaliar Uma Ong II https://blog.kanitz.com.br/como-avaliar-ong/ https://blog.kanitz.com.br/como-avaliar-ong/#comments Tue, 24 Mar 2015 15:16:30 +0000 http://66.147.244.83/~blogkani/wordpress/?p=6472   Uma das razões que não existe filantropia no Brasil é a falta de organismos que avaliem a capacidade administrativa e idoneidade de nossas ONGs. Maior que o medo de jogar dinheiro fora, é saber que o rico foi enganado, o que afetaria a sua reputação de empresário e empreendedor. Tentei por vários anos convencer […]

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Uma das razões que não existe filantropia no Brasil é a falta de organismos que avaliem a capacidade administrativa e idoneidade de nossas ONGs.

Maior que o medo de jogar dinheiro fora, é saber que o rico foi enganado, o que afetaria a sua reputação de empresário e empreendedor. Tentei por vários anos convencer a Editoria da Revista Exame a criar um “Melhores e Maiores” do Terceiro Setor, sem sucesso.

Por isto, larguei este projeto e fui criar o Prêmio Bem Eficiente, sem a ajuda da Abril.

Usando 42 medidas diferentes para definir a nossa equação de pontuação de caridade, mais pontos de dados usados ​​em Melhores e Maiores, que eram 6. Isto porque ONGs são muito mais difíceis de avaliar, fato que já é conhecido para a maioria dos filantropos.

Uma das razões de ser, como eu já mencionei, é a falta de métricas eficazes como os lucros ou participação de mercado quando se trata de instituições de caridade.

No entanto isso não deve impedir-nos, só faz a análise mais difícil, exigindo a identificação de proxies substitutos para variáveis ​​como eficiência e rentabilidade.

De um ponto de vista estatístico, isso só significa que a variância da nossa classificação de instituições de caridade é um pouco mais ampla do que a de empresas.

A probabilidade de uma instituição de caridade ser erroneamente classificada como AAA quando na verdade é apenas AA é maior do que quando estamos classificando dívida sênior de empresas listadas.

Tivemos de usar medidas mais indiretas, como a periodicidade das reuniões do conselho, por exemplo.

Sabemos que os conselhos que se reúnem todos os meses são mais eficientes que aqueles que atendem a cada seis meses, em termos de gestão.

As 42 medidas usadas pelo Prêmio Bem Eficiente são basicamente divididas em seis grandes áreas.

1. Eficácia administrativa

2. Crescimento

3. Estabilidade financeira

4. Qualidade dos controles administrativos

5. Conformidade legal

6. Reconhecimento público

Cada uma das 42 variáveis ​​ou medidas de desempenho é quantificável; não há uma única medida subjetiva no processo.

Isto é o que faz a seleção científica. Qualquer pessoa que utilizar os mesmos critérios e o mesmo conjunto de dados, obterá a mesma seleção de instituições de caridade.

Compare isso com o processo de seleção costumeiro para a premiação das ONGs.

Normalmente, 10 representantes do setor de caridade se reúnem com uma xícara de chá à tarde e selecionam 10 projetos de uma lista de candidatos submetidos não se sabe como.

Dependendo do humor dos 10 membros ao acordar de manhã, os resultados podem ser completamente diferentes.

Se os mesmos membros da comissão se reunissem novamente seis meses depois, após um ataque de amnésia, eu aposto que os resultados vão ser completamente diferentes.

Pode-se criticar os critérios utilizados, pode-se questionar que o número de variáveis ​​deve ser de 50 ou 55, mas não se pode questionar que o resultado é subjetivo.

Nós criticávamos nossos critérios a cada ano, se deveríamos excluir alguns, e incluir outros. Mas nas simulações que fazíamos, na maioria das vezes os resultados seriam os mesmos.

Nos 24 anos que conduzi “Melhores e Maiores”, nunca recebi uma acusação de favoritismo ou nepotismo, algo raro no Brasil.

Um dos tipos mais comuns de crítica era porque nós não desenvolvemos critérios específicos para alguns setores, para a saúde e educação, por exemplo.

Isto é mais difícil do que se pensa, e os resultados de muitos projetos só podem ser medidos 10 anos para a frente.

Mas no Prêmio Bem Eficiente estávamos tentando classificar diferentes instituições de caridade em campos diferentes, e isso exige denominadores comuns.

Também estes critérios de avaliação setorial específicos não são fáceis de determinar objetivamente. Ensino pode requerer um período de 30 anos de avaliação, por exemplo para ser capaz de avaliar se era de fato eficaz.

A essência da nossa avaliação é a administração, a transparência, o fluxo de informações.

A propósito, “Melhores e Maiores” e análise de ações na Bolsa seguem a mesma regra básica.

Nenhum analista de empresa americana de Wall Street dirige todos os carros da GM ou usa fraldas da Procter & Gamble, antes de emitir uma recomendação de compra.

Eles basicamente analisam a administração e a estrutura financeira dessas empresas.

O que sempre me perguntavam, até o Prêmio Bem Eficiente ser descontinuado por falta de interesse da sociedade brasileira, é se o refinamento novo ou variável nova realmente adicionaria valor ao processo.

Mais frequentemente que não, a nova classificação ou lista de instituições de caridade sai praticamente a mesma, identificando digamos 49 das originais 50 instituições de caridade premiadas.

Quando você já tem 42 variáveis, a próxima geralmente contribui muito pouco. Nós realmente poderíamos estar outorgando o Prêmio Bem Eficiente usando apenas 17 variáveis, com praticamente o mesmo grau de confiança com a utilização de 42.

Mas nós preferimos esta redundância porque estamos pisando em terreno novo.

A outra coisa que aprendemos com o Prêmio Bem Eficiente é que instituições de caridade bem administradas normalmente mantêm um padrão de excelência em tudo que fazem.

Por isto o Prêmio Bem Eficiente se tornou tão cobiçado e merecido para aqueles que o receberam e foi um marco na história da filantropia.

Pena que os patrocinadores decidiram voltar suas verbas para Responsabilidade Ecológica e Ambiental, onde o mico preto se tornou mais importante do que cegos e paraplégicos.

Vá entender!

 

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E Se a Empresa “XYZ” Simplesmente Não Existisse https://blog.kanitz.com.br/empresa-xyz/ https://blog.kanitz.com.br/empresa-xyz/#comments Mon, 09 Jun 2014 14:36:15 +0000 http://blog.kanitz.com.br/?p=15046   Minha posição sobre responsabilidade social é bem conhecida. Quem tem responsabilidades sociais e tem de ser responsabilizado são os indivíduos, não as empresas. São os sócios e não seus executivos. Estes sempre privilegiarão projetos que enaltecem suas empresas e não os problemas como lepra, abuso social e prostituição considerados mercadologicamente incorretos. Banco Itaú nem tem como patrocinar “abuso sexual”, ele tem uma […]

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Minha posição sobre responsabilidade social é bem conhecida.

Quem tem responsabilidades sociais e tem de ser responsabilizado são os indivíduos, não as empresas.

São os sócios e não seus executivos.

Estes sempre privilegiarão projetos que enaltecem suas empresas e não os problemas como lepra, abuso social e prostituição considerados mercadologicamente incorretos.

Banco Itaú nem tem como patrocinar “abuso sexual”, ele tem uma marca para proteger.

Tanto é que Bill Gates criou a fundação Bill Gates e não a Fundação Microsoft.

Empresas só precisam mostrar uma única coisa, e curiosamente nenhuma empresa mostra.

Agências de Propaganda criam projetos sociais e gastam fortunas em propaganda, quando deveriam mostrar uma única coisa.

O que aconteceria se a empresa não existisse? O que aconteceria se o Banco Itaú não existisse?

O que o Presidente destas empresas e seus departamentos de propaganda deveriam estar mostrando à opinião pública, jornalistas, ONGs de responsabilidade social é o que aconteceria se sua empresa deixasse de existir.

Quantos funcionários perderiam emprego?

Quantos salários deixariam de ser pagos?

Quantos outros empregos seriam perdidos por causa da queda de demanda?

Quantos pais tirariam seus filhos da escola desempregando os professores que estes ativistas adoram apoiar?

Quantos impostos deixariam de ser pagos, reduzindo os gastos sociais que os impostos deveriam proporcionar se fossem bem gastos?

Quantos anúncios de televisão, jornais e revistas deixariam de ser publicados, o que diminui o custo do acesso à informação?

Quantos consumidores deixariam de ser atendidos, quantos consumidores andariam a pé ou descalços se sua empresa produz automóveis ou sapatos?

Recebo muitos jovens que querem fazer estágio comigo, devido aos nossos projetos sociais tipo voluntarios.com.br e filantropia.org.

Pergunto o porquê, e eles/as invariavelmente respondem “recuso trabalhar para este capitalismo selvagem”.

Para estes casos, eu digo que parte do processo de seleção é tirar os sapatos e meias, e voltar daqui uma semana.

A maioria não volta para buscar os sapatos e os doo no final do mês para as Casas André Luiz. Descobrem que este capitalismo selvagem melhora e muito a vida das pessoas que não sabem produzir sozinhas um sapato confortável, por um preço muito menor se fizessem elas mesmas.

Empresas, especialmente as grandes e mais eficientes e seus administradores, viraram inimigos do povo se vocês ouvirem o que é dito em sala de aula pelos nossos intelectuais.

O povo não sabe que a verdadeira responsabilidade social de uma empresa neste país é conseguir sobreviver.

Já elaborei este estudo para várias empresas e nem a diretoria sabe de fato a importância social de sua empresa. Sim, social, produzir sapatos e meias é uma função social, a função social de algumas empresas. Cuidar de ONGs não é, nem queremos que as empresas se metam naquilo que não entendem.

Quem emprega produz sapatos, paga impostos, não tem razão para se sentir culpado diante de ONGs que de início são isentas de todos os impostos e onde a diretoria ganha normalmente 20 vezes o salário mínimo, enquanto luta por uma melhor “distribuição” da renda deste país.

Se você é publicitário, economista, contador, estatístico ou pessoa que mexe com números, calcule o que o Brasil perderia se as 500 maiores empresas do país deixassem de existir.

 

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Como Avaliar Uma ONG? https://blog.kanitz.com.br/como-avaliar-uma-ong/ https://blog.kanitz.com.br/como-avaliar-uma-ong/#comments Thu, 03 Oct 2013 11:08:00 +0000 http://66.147.244.83/~blogkani/wordpress/?p=6420   Análise de Crédito, por algum motivo desconhecido, nunca tinha sido aplicado à avaliação de ONGs.    Quais são as instituições de caridade e ONGs mais bem administradas do Brasil? Quais são as ONGs mais bem administradas do mundo? Quais são as organizações de caridade que realmente merecem receber nossas doações? Quais são as ONGs […]

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Análise de Crédito, por algum motivo desconhecido, nunca tinha sido aplicado à avaliação de ONGs. 

 

Quais são as instituições de caridade e ONGs mais bem administradas do Brasil?

Quais são as ONGs mais bem administradas do mundo?

Quais são as organizações de caridade que realmente merecem receber nossas doações?

Quais são as ONGs que vão fazer o melhor uso do nosso dinheiro?

Estas são as questões mais urgentes em filantropia, e é a primeira pergunta que qualquer filantropo potencial pergunta a si mesmo.

Infelizmente, não há praticamente uma resposta objetiva, técnica e bem sustentada.

As métricas geralmente utilizadas para avaliar organizações com fins lucrativos não são adequadas para as ONGs.

Para começar, o lucro não pode ser usado como uma medida de sucesso como ele é usado para companhias.

Lucro mede se as empresas produzem mercadorias de uma forma eficiente, mas empresas sem fins lucrativos não tem esta métrica de avaliação. Vendas e crescimento do mercado também são sem sentido, no sentido de que o crescimento depende de doações e não sobre a demanda por seus serviços, embora haja uma correlação direta entre o dois.

Muitos substitutos para o lucro como medida de eficiência foram criados, nenhum dos quais são verdadeiramente satisfatórios, como “orçamento base zero”, “controle do orçamento”, “benchmarking“, e “avaliação do projeto”, mas estes não ajudam o doador a decidir, somente ajudam a execução.

Ninguém mede “boa administração da ONG”. Na verdade o critério mais utilizado é “baixos custos administrativos”, que pode selecionar exatamente o oposto, economia na contratação de bons administradores.

Isso é contraproducente e leva filantropos a criarem fundações pessoais ou projetos “de estimação”, e não financiar aquelas que já existem e precisam de recursos.

Outro fato que descobrimos é que Fundações tendem a investir em instituições de caridade conhecidas e grandes, e não nas pequenas.

Compare isso com a maneira como Fundos de Investimentos investem seus fundos: raramente em ações de primeira linha, sempre em empresas pequenas e startups.

Pode ser uma coincidência que Warren Buffett optou por não criar uma outra fundação, a sua, mas dar sua fortuna a uma fundação de sucesso já existente, a do Bill Gates.

Doar para instituições de caridade bem administradas permite uma utilização muito melhor de nossos recursos limitados, então por que tão poucos filantropos seguem este caminho simples e comprovado?

A resposta é simples.

Ninguém sabia como identificar as instituições de caridade mais bem administradas.

Em 1995 desenvolvi um método para identificar as instituições de caridade mais bem administradas do Brasil, e criei um prêmio nacional para a melhor Entidade do ano, o “Prêmio Bem Eficiente”.

O “Prêmio Bem Eficiente” em Março de 2006 tinha 15.000 referências no Google, contra 350 do Prêmio Peter Drucker que seleciona a caridade mais inovadora dos Estados Unidos.

O “Prêmio Bem Eficiente” criou uma revolução no Brasil.

Ao tornar público as Entidades Mais Eficientes do Brasil, permitimos as seguintes consequências previsíveis:

1. As 50 instituições de caridade mais bem administradas do ano dobraram a sua renda de donativos nos três anos seguintes.

2. Em média receberam R$ 2.000.000,00 de donativos adicionais no triênio seguinte.

3. A maioria do dinheiro adicional veio de pessoas que nunca haviam doado antes.

4. As Instituições de caridade que não receberam o prêmio, mas apresentaram-nos os dados exigidos, tiveram um aumento de 30% em doações. Portanto, houve um efeito geral.

5. O prêmio trouxe para casa a mensagem de que as instituições de caridade teriam, como todo mundo, que se esforçar para se tornarem mais eficientes.

A mensagem era que as instituições de caridade também teriam que gerar reduções de custos e melhorias de metas de eficiência que a globalização tem exigido de cada empresa do mundo.

Fazer mais caridade com o financiamento que temos se mostrou um paradigma difícil de quebrar, para um setor acostumado a só fazer mais, desde que mais fundos estivessem disponíveis.

O “Prêmio Bem Eficiente” levou 20 anos para ser feito, e começou na Harvard Business School, quando eu aprendi os rudimentos de classificação de crédito com o Prof. Charlie Williams.

Análise de crédito é um método estatístico através de análise discriminante que permite que banqueiros e os credores discriminem entre bons devedores e devedores ruins.

Eu fui um dos pioneiros na introdução de classificação de crédito no Brasil em 1972, provavelmente antes de seu tempo, porque poucos bancos se interessaram. Acabei usando esta técnica para em 1974 criar o Prêmio de Melhor Empresa do Ano, a edição Melhores e Maiores, sucesso até hoje da Revista Exame.

O fato de que as melhores empresas do Brasil eram escolhidas por um conjunto de critérios objetivos, medidos corretamente por um método científico, deu enorme credibilidade à publicação e MELHORES e MAIORES se tornou um sucesso.

Eu tinha sido o editor da publicação por 25 anos, quando decidi usar a minha experiência para criar um prêmio similar para as instituições de caridade mais bem administradas.

Classificação de crédito, por algum motivo desconhecido, nunca tinha sido aplicado à avaliação de instituições de caridade, e pode-se tentar adivinhar o porquê.

Filantropos  não “emprestam” para instituições de caridade. Eles não querem ver o dinheiro reembolsado como querem os bancos, o dinheiro é simplesmente doado, não é o que os bancos costumam fazer.

Mas isso não é realmente a verdadeira descrição de uma operação de crédito.

Os banqueiros também não querem ver os seus empréstimos reembolsados, porque é assim que eles ganham dinheiro, é este o seu negócio.

O que os bancos realmente se preocupam é se seus mutuários estarão fazendo bom uso dos empréstimos que tomaram, para pagar juros e se for necessário, pagar a dívida.

Depois de entender o verdadeiro espírito de empréstimos, percebe-se porque a classificação de crédito pode ser usada para identificar as instituições de caridade com os mesmos resultados positivos.

Filantropos se preocupam com o bom uso do seu dinheiro, mesmo que eles não esperem ganhar juros ou ver suas doações pagas de volta.

A partir desta perspectiva montamos uma pesquisa abrangente comparando dados de instituições de caridade que fracassaram e as que foram extremamente bem sucedidas. Para assim determinar quais variáveis, medidas de desempenho, e dados de instituições de caridade que na verdade identificassem as boas das más.

O Prêmio teve como patrocinadores a Accor e Firmin Antonio meu maior incentivador, TAM, Natura, Lojas Americanas.

Mais sobre isso, no próximo capítulo.

Stephen Kanitz

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Entenda a Captação de Recursos Filantrópicos https://blog.kanitz.com.br/entenda-a-captacao-de-recursos-filantropicos/ https://blog.kanitz.com.br/entenda-a-captacao-de-recursos-filantropicos/#comments Wed, 02 Oct 2013 15:10:00 +0000 http:/eike-batista/data%3aimage/gif%3bbase64,R0lGODlhAQABAAAAACH5BAEKAAEALAAAAAABAAEAAAICTAEAOw%3d%3d/2009/10/para-que-serve-uma-associacao-de-exalunos/rss.xml/category/educacao A tarefa de captação de recursos financeiros para ONGs requer uma profunda compreensão da Sociologia e Psicologia de um país,  justamente porque são ações que precisam ser entendidas e planejadas a longuíssimo prazo. Não é assunto para um Comitê de Captação, mas sim de toda a Diretoria. E que precisa ser reavaliado sistematicamente, justamente porque […]

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A tarefa de captação de recursos financeiros para ONGs requer uma profunda compreensão da Sociologia e Psicologia de um país,  justamente porque são ações que precisam ser entendidas e planejadas a longuíssimo prazo.

Não é assunto para um Comitê de Captação, mas sim de toda a Diretoria.

E que precisa ser reavaliado sistematicamente, justamente porque é uma ação de longo prazo com resultados positivos somente no longo prazo.

Estudos da cultura americana, que antecipamos não tem nada a ver com a cultura brasileira, mostram o ciclo de vida e postura filantrópica como algo assim:

A. 15 a 25 anos de idade, voluntariado de baixo valor agregado e improdutivo.

B. 26 a 35 anos, donativos de baixo valor que mal pagam o custo de captação.

C. 36 a 55 anos, donativos de valor variável, custo de captação em torno de 30% do valor, elevado e no fundo politicamente incorreto.

D. 56 a 65 anos, donativos mais elevados e custo de captação economicamente viável.

E. 75 anos, testamento com doação de 5 milhões de dólares com custo de captação zero.

Ou seja, praticamente 85% da doação nos Estados Unidos vem no “último dia de vida”, por assim dizer.

Do ponto de vista administrativo, toda a vida de um “doador” é na realidade um longo processo de avaliação da ONG que será contemplada no seu testamento.

Se uma ONG não souber disto, jamais investirá corretamente na criação de grandes doadores no futuro.

Criará um corpo de voluntários com perfil incorreto, se irritará com doações de baixo valor, gastará demais na faixa de 36 a 55 anos e assim por diante.

A Universidade de Harvard investe nos seus ex-alunos sabendo que somente na 35th Reunion eles aumentarão substancialmente suas doações para a escola. E jamais fariam o erro que nossas Universidades fazem de chamá-los de ex-alunos.

Premissas do Doador Brasileiro

Quais são as premissas do doador brasileiro e quais as suas motivações, qual é a Sociologia e Psicologia do setor?

No Brasil, o movimento filantrópico e de responsabilidade social é muito recente, não passa de 10 anos e está longe de estar consolidado.

Nossos processos de avaliação de entidades são mínimos, e os que existiam, como o Prêmio Bem Eficiente, foram extintos por total falta de apoio da comunidade e das próprias ONGs.

O Prêmio Bem Eficiente analisava e escolhia as melhores entidades deste país, e no fundo facilitava o início da vida filantrópica de brasileiros que até então via a filantropia como suspeita.

As 50 entidades vencedoras recebiam nos anos seguintes R$ 50.000.000,00 de donativos de pessoas que nunca antes haviam doado.

Ao custo anual de R$ 600.000,00 ao ano deve ter sido o projeto social de “maior retorno sobre investimento” do Brasil, e mesmo assim não atraiu apoio da FIESP, do Governo de São Paulo, da ABONG.

O critério cultural mais importante não é retorno do investimento de uma ONG, critério usado nos Estados Unidos sem dúvida, mas no Brasil é o risco do dinheiro ser usado de forma indevida, que não será usado para pilantropia, termo pelo qual o setor é conhecido.

O problema do Doador brasileiro, é não parecer um otário, mais do que parecer um filantropo.

Adotamos de 10 anos para cá a ideia de que a Responsabilidade Social é da empresa, e não do indivíduo. Ao contrário dos Estados Unidos que até recentemente a responsabilidade sempre foi do indivíduo, mesmo acionista, e não da empresa.

Bill Gates não criou a Fundação Microsoft, mas sim a Fundação Bill Gates.

No Brasil, devido a iniciativas mal pensadas do Instituto Ethos e vários jornais, tiramos a responsabilidade do indivíduo e a colocamos nas empresas. Estes sim com seus critérios já estabelecidos de “retorno sobre investimento”, que causou um total desastre social. E dois meses depois, o diretor de RS comunica que a política da empresa é investir em educação, “que dão retorno sobre investimento” e não em câncer em estado terminal.

Empresas começam a usar justamente os mesmos critérios econômicos como retorno sobre investimento para escolher seus projetos sociais.

Favorecem crianças em detrimento de velhos e aposentados. Favorecem educação em detrimento da pesquisa médica. Favorecem ações mercadologicamente atraentes como Ecologia em detrimento a Alzheimer. Justamente depois da criação do Instituto Ethos de Responsabilidade Social da Empresa, orfanatos, hospitais e temas impróprios como abuso sexual perdem recursos a favor de criança, Educação e Ecologia.

Por que Pessoas Não Doam No Brasil?

Primeiro porque a visão no Brasil é de que a responsabilidade social é do Estado.

Se você paga 50% de impostos, por que pagar mais 10% para o Albert Einstein?

Segundo, porque a partir de 1995 a responsabilidade passou a ser do Estado e da empresa onde você já trabalha. Que o Albert Einstein peça para o diretor de RS.

Terceiro, porque ONGs não percebem que o cliente é o doador.

Administradores, como Peter Drucker, na ânsia de tornar as ONGs mais profissionais ensinaram que o cliente era o beneficiado.

Na época, as empresas americanas tinham esquecido o cliente ao longo dos anos. Mas isto é um erro brutal. Em vez de cliente, o doador de uma ONG é visto como uma das etapas do processo de produção. Ele é visto como o acionista imbuído com os mesmos propósitos nobres da ONG, e que irá exigir “retorno do investimento” e o bom uso de seu dinheiro na “produção de benefícios sociais para os outros”. Assinado o cheque, a maioria das ONGs vira as costas, e acha que o doador ficou feliz em ajudar os outros.

O cliente de uma ONG não é o beneficiado, o excluído ou o necessitado. O cliente de uma ONG é o doador. Vou repetir para gravar bem o que está sendo dito. O cliente de uma ONG não é o beneficiado, o excluído ou o necessitado. O cliente de uma ONG é o doador.

Isto é fácil de provar. O único personagem que o Einstein gostaria que voltasse continuadamente ao hospital é o doador.

ONGs que têm esta visão terão sempre dinheiro. E ele não quer o seu dinheiro de volta, nem retorno sobre investimento. Ele quer outra coisa, muito mais do que isto.

E ONG que não descobrir a motivação do seu doador estará fadada ao insucesso.

ONGs que acham que o necessitado é o cliente irão fazer tudo para manter os problemas que deveriam resolver. Vão sempre querer excluídos e necessitados para atender.

 

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Fazendo a Diferença https://blog.kanitz.com.br/diferenca/ https://blog.kanitz.com.br/diferenca/#comments Sat, 31 Aug 2013 14:51:24 +0000 http://66.147.244.83/~blogkani/wordpress/?p=98 Ser rico, famoso ou poderoso tem sido o objetivo da maioria das pessoas, mas sempre falta algo. Recentemente, ouvi sobre uma nova postura ética de sucesso, que vale a pena resumir aqui, porque na época ninguém noticiou. Numa reunião no World Economic Forum, em Davos, o local onde o mundo empresarial se reúne uma vez […]

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Ser rico, famoso ou poderoso tem sido o objetivo da maioria das pessoas, mas sempre falta algo. Recentemente, ouvi sobre uma nova postura ética de sucesso, que vale a pena resumir aqui, porque na época ninguém noticiou.

Numa reunião no World Economic Forum, em Davos, o local onde o mundo empresarial se reúne uma vez por ano em janeiro, um empresário que acabava de fazer um tremendo negócio foi convidado numa das várias sessões a expor suas idéias.

Primeiro perguntaram como ele se sentia, subitamente um bilionário. Sem pestanejar um único minuto, ele afirmou que o dinheiro não lhe pertencia, e que doaria toda sua fortuna a instituições beneficentes.

“Sou simplesmente fruto do acaso, tenho os genes certos e estou no momento certo, no setor certo. É difícil falar em ‘mérito’ numa situação dessas.”

“Se eu, o Bill Gates aqui presente, ou então o Warren Buffett, tivéssemos nascido 2.000 anos atrás, nenhum de nós teria tido o porte atlético necessário para se tornar um general do Império Romano, posição de destaque equivalente à nossa, na época. Teríamos sido trucidados na primeira batalha.”

Alguns seres humanos sempre estarão momentaneamente mais adequados ao ambiente que os outros e receberão, portanto, melhores salários, apesar do esforço dos demais.

A ideia da meritocracia, tão decantada pela direita conservadora como justificativa para a sua riqueza, cai por terra se levarmos em consideração a nova teoria de que somos todos frutos do acaso genético das interpolações do DNA de nossos pais.

Se nossos genes são mero acaso da variação genética, falar em QI, mérito, proeza atlética e se achar merecedor de 100% dos ganhos que esses atributos nos proporcionam não faz mais muito sentido. O que há de meritocrático em ter os genes certos?

Ninguém está sugerindo o outro extremo de salários iguais para todos, porque toda sociedade precisa incentivar os que se esforçam mais, os que trabalham melhor e especialmente os que assumem riscos e têm a coragem de inovar.

O que essa nova postura sugere delicadamente é uma maior humildade e generosidade daqueles que ganham fortunas por ter uma inteligência superior, um porte atlético avantajado ou um talento excepcional. Por trás de toda “fortuna” existe um elemento de sorte, muito maior do que os “afortunados” gostariam de admitir.

Mas a frase que mais tocou a plateia estarrecida foi esta: “Mesmo doando toda a minha fortuna”, disse o empresário, “continuará a existir uma enorme injustiça social no mundo. Eu terei tido um privilégio que muitos não terão. O privilégio de ter feito uma diferença com o meu trabalho e minha vida.”

Segundo essa visão, o mundo é dividido entre aqueles que fizeram ou não uma diferença com sua vida, o dinheiro não é o objetivo final. E existem inúmeras maneiras de fazer uma diferença, desde inventar coisas, gerar empregos, criar produtos, até ajudar os outros com o dinheiro obtido.

Aproximadamente 55% dos empresários americanos não pretendem legar sua fortuna aos filhos. Acham que estariam estragando sua vida gerando playboys e um bando de infelizes. Percebem que o divertido na vida é chegar lá, não estar lá. Ser filho de empresário e receber de mão beijada uma BMW, um Rolex e uma super mesada não é o caminho mais curto para a felicidade. Muito pelo contrário, é uma roubada.

Por isso, os ricos de lá criaram instituições como a Fundação Rockfeller, a Fundação Ford, a Fundação Kellogg, a Fundação Hewlett. No Brasil, estamos muito longe de convencer os empresários a fazer o mesmo, razão pela qual sua fortuna provavelmente virará mais um imposto. O imposto sobre herança.

O segredo da felicidade, portanto, não é ganhar dinheiro, que a maioria acabará perdendo de uma forma ou de outra. O segredo é ter feito uma diferença.

Revista Veja, Editora Abril, edição 1838, ano 37, nº 4, 28 de janeiro de 2004, página 22

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Por Que Pessoas Não Doam no Brasil? https://blog.kanitz.com.br/bill-gates/ https://blog.kanitz.com.br/bill-gates/#comments Mon, 05 Aug 2013 11:54:00 +0000 http:/eike-batista/data%3aimage/gif%3bbase64,R0lGODlhAQABAAAAACH5BAEKAAEALAAAAAABAAEAAAICTAEAOw%3d%3d/2009/10/para-que-serve-uma-associacao-de-exalunos/rss.xml/category/educacao   O Terceiro Setor no Brasil tem muita dificuldade em angariar recursos para o social. Brasileiros, especialmente os mais ricos, doam muito pouco. Por quê? Primeiro, porque a visão reinante no Brasil é de que a responsabilidade social é do Estado. É o Estado que ajuda os outros e não os membros mais ricos da […]

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O Terceiro Setor no Brasil tem muita dificuldade em angariar recursos para o social.

Brasileiros, especialmente os mais ricos, doam muito pouco.

Por quê?

Primeiro, porque a visão reinante no Brasil é de que a responsabilidade social é do Estado.

É o Estado que ajuda os outros e não os membros mais ricos da comunidade.

E todos ficam agradecidos ao Estado, e não ao doador.

Segundo, o Estado já tributa os ricos em 50%.

Se você paga 50% de impostos, por que pagar mais 10% para o Albert Einstein?

Se é que dá para pagar 60% de sua renda, e ainda guardar grana para aposentadoria, saúde na velhice, educação decente para os filhos.

Terceiro, porque o próprio Terceiro Setor e as Ongs Brasileiras não percebem que o cliente de uma Ong é sempre o doador.

Um dos grandes erros de administradores como Peter Drucker, na ânsia de tornar as Ongs mais profissionais, ensinaram que o cliente de uma Ong era o beneficiado.

De fato, na época as próprias empresas americanas tinham esquecido o cliente ao longo dos anos, e as Ongs idem.

Mas isto é um erro brutal.

Em vez de cliente, o doador de uma ONG passou a ser visto como uma simples etapa do processo de produção. O financiamento.

O doador passou a ser visto como o acionista, imbuído com os mesmos propósito nobres da Ong, e que irá exigir “retorno do investimento” e o bom uso de seu dinheiro na “produção de benefícios sociais para os outros”.

Sempre fui contra este tipo de enfoque, apesar de ser um fã de Peter Drucker.

Este foi um das fatores que resultou na diminuição do interesse de doadores em geral.

Assinado o cheque, a maioria das Ongs simplesmente viram as costas para o doador, acham que o doador ficou feliz em ajudar os outros e fim de papo.

Jamais pensam em manter o doador informado, em puxar o saco do doador depois da doação, homenageá-lo de tempos em tempos, ou até citá-lo numa entrevista com a imprensa.

Isto afastou os doadores que se sentiram usados, esquecidos, abandonados.

O cliente de uma Ong não é o beneficiado, o excluído ou o necessitado.

É ele a receita de uma Ong, o necessitado é uma despesa.

São os clientes que trazem receitas.

Com a fundação do Instituto Ethos, a coisa piorou.

O Ethos sempre enfatizou que a Responsabilidade Social era da Empresa e não do Indivíduo, neste caso os acionistas e seus funcionários.

Ao contrário dos Estados Unidos onde, até recentemente, a responsabilidade sempre foi do indivíduo, e não da empresa.

Como é a cultura americana.

No Brasil, devido a iniciativa mal pensada do Instituto Ethos e de vários jornais e revistas, acabamos tirando a responsabilidade do indivíduo pelo social.

O social no Brasil é função do Estado e das Empresas.

Eles que se virem para resolver nossos problemas sociais.

Fim do doador na pessoa física, o grande financiador do Terceiro Setor.

E acabaram responsabilizando as empresas, que não entendem do assunto.

E empresas usam seus critérios já estabelecidos para escolher o bem, que é “retorno sobre investimento”.

Empresas pararam de investir em cegueira, paraplegia, prostituição infantil, e a maioria foi para Educação, devido ao seu “retorno sobre investimento”.

No fundo o retorno é zero, porque o correto seria pressionar o Estado a dar a educação com os impostos já arrecadados.

Pessoas com câncer em estado terminal, e sem recursos, foram enxotadas para a rua corporativa.

Outras áreas foram lentamente perdendo os seus recursos, como prostituição infantil, drogas, gravidez na adolescência, pelos Diretores de Marketing, porque são áreas não compatíveis com a imagem da empresa.

Quando empresas me perguntavam que área eu sugeriria, eu dizia o seguinte.

“Tem uma área que nenhuma empresa até agora adotou, que afeta 10% das mulheres, e se incluirmos maridos e 2 filhos, significa 20 % da população. E você teria o monopólio, tudo que uma empresa deseja.”

“Sim queremos, que área é essa?”

“Abuso sexual, de filhas pelos pais e padrastos. Afeta 10% das brasileiras”, dizia eu.

Até agora nenhuma empresa aceitou.

Nem o Estado se interessa porque adolescente não vota, nem as Empresas querem se envolver em projetos cabeludos.

E agora, quem conserta o estrago feito?

Algo para Se Pensar. 

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