Entendam: Existem Dois Tipos de Inflação

 

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Existem dois tipos de inflação e não uma, iremos de mal a pior.

Existem dois tipos de inflação: a Inflação de Demanda e a Inflação de Gargalos.

Muitos acham que inflação é este gráfico abaixo, onde todos os preços sobem generalizadamente, em torno de uma média inflacionária, digamos de 6%, alguns menos outros mais.normdist_intro1

Por ser generalizado, ele tende a ser persistente, pois um preço acaba contaminando o outro, e logo logo, sindicalistas estão pedindo aumentos salariais, para não reduzir a renda do trabalhador.

Diretores de Compras de empresas há muito detectaram outro tipo de inflação, a Inflação de Gargalos.

Esta não é generalizada, mas se manifesta acentuadamente em alguns produtos que se tornaram gargalos para a economia.

É o gráfico que inicia este Artigo Para se Pensar.

Digamos que 20% dos produtos aumentam 15% no ano, gerando uma inflação média de 3%, apesar de 80% terem inflação zero. (Se os 80% subirem 3,2%, teremos a inflação que agora temos).

Mas observem que o problema não é os 3,2% “generalizado”, mas os 15% de aumento que ninguém comenta.

Quais são estes 20% dos produtos complicados?

São os gargalos de uma economia em crescimento, onde seus Ministros permitiram problemas acumular, como energia, portos, estradas, infraestrutura, mão de obra especializada.

Agora, se o governo não sabe disto e nem os que criticam o governo, teremos dois problemas.

O diagnóstico mal feito, e a inflação dos gargalos que não é resolvida por desonerações em automóveis e folha de pagamento. Mas sim, por investimentos rápidos nestes gargalos ou realocação da produção que contorne estes gargalos.

A inflação no Brasil sempre se perpetuou, porque os nossos sindicalistas lutavam por correção de salários, o que não funciona em Inflação de Gargalos. Só piora a demanda destes gargalos, quando o objetivo é reduzi-la.

Nestas horas nossos Ministros da Economia deveriam sair a público dizendo.

“Sentimos muito, mas devido nossa incompetência, permitimos vários gargalos se acumularem, e por isto nosso padrão de vida terá de cair, até estes gargalos serem resolvidos. Vocês terão menos energia, aço, água, por um período de tempo. Sentimos muito.”

A solução não é dando redução de impostos ao setor Automobilístico, que iremos debelar a inflação “generalizada”, e o leitor irá pensar por si que não resolverá também os gargalos dos 20% de produtos que estão em falta, e que precisam ser melhor alocados.

E a única forma justa de saber que estes recursos escassos serão alocados para os que mais os precisam, é aumentar os preços.

É o preço que o povo terá que pagar pelos problemas que deixamos acumular, e que deveria lhe custar a reeleição, em vez de tentar esconder a incompetência administrativa maquiando a inflação.

O povo ficará mais pobre por isto, até que os gargalos sejam resolvidos, não há outra verdade a não ser esta.

Por isto, teremos Inflação de Gargalos neste país por muito e muito tempo, até aprendermos a pelo menos observar corretamente os nossos verdadeiros problemas.

 

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11 Comments on Entendam: Existem Dois Tipos de Inflação

  1. O problema da inflação no Brasil, que começamos a viver a partir do governo Lula, e que tem se agravado no governo Dilma, ela vem cometendo os mesmos erros, é o que eu digo para os meus colegas do curso de Administração todos os dias: inchaço da máquina pública o qual se vê na criação de trocentos ministérios e políticas afirmativas sem prazo para acabar, por exemplo; o PAC que não sai do papel e suga mais dinheiro público; a mulher colocou os investidores para correr do setor elétrico e agora dependemos de chuva e queimamos carvão e diesel; a privatização e consequente expansão dos aeroportos que não saem do lugar encarecendo o custo de transporte; as duplicações de estradas iniciadas no governo Lula e que já levam mais de 10 anos encarecendo o custo de transporte; o gargalo nos portos encarecendo o custo de transporte; e ingerência e má gestão das empresas públicas, Petrobras já tem refinaria custando o triplo e demorando o quíntuplo do planejado para a entrega, continuamos importando energia e claro, encarecendo o custo de transporte; enfim, há mais de 10 anos que estamos parados na ineficiência.

  2. Algumas coisas nesse país não da pra entender, comprei uma capa para o meu celular paguei 5 dólares, direto da china sem custo algum com frete. E me entregaram aqui na minha casa em Gaspar SC. Tenho uma pizzaria aqui na cidade, só para o moto boy ir até a cidade vizinha que da 20 km ele gasta mais de 5 dólares ou neste caso 10 reais.

    Mas eu gostaria de entender uma coisa ainda que não entendi, a cada dia se baixa mais o IPI de carro e da linha branca (esses itens não trocamos todos os anos) mas aqueles que são diários como a gasolina não se vê desoneração.

    Em pleno sec XXI ter apenas uma empresa que pode importar gasolina não soa ridículo ?

  3. Kanitz !!! Sou engenheiro como Vc sabe !!! Não vou meter minha colher em assunto que me parece tão polemico!! Gostaria de entender importar tomate da China que chega no Brasil 20% mais barato e viajando 65 dias de navio !!!! Algo esta cheirando mal no Reino da Dinamarca !!! Da para entender?

  4. Conheço a MCM. Critico o enfoque e a qualidade do artigo, fraco. E não que ele, autor, seja medíocre.
    E tem TODA razão,é pior! É Main stream MUITO mais preocupante.
    Talvez por isso nunca vejamos soluções adequadas. Mudar uma cultura é complicado

  5. O artigo dele é medíocre. E muito arrogante em sequer pensar em ensinar a uma economista (e presidente!) inflação que “defino (ele e todo curso de economia101) um processo generalizado e persistente de alta de preços “coisa que se aprende no “primeiro” dia de aula até do curso de administração.
    E que “adotar desonerações tributárias” é o instrumento para combatê-la adotado pelo governo.
    Daqui há pouco vamos ouvi-lo ensinar em politica fiscal e monetária, choques orto e heterodoxos e mais “bullshits” . E não dizer nada como costumam fazer nesse país quanbto nãose compreende o problema nem se sabea solução. Parecem aqueles trabalhos escolares tipo “copy and paste”.
    Com certeza inflação é de custo e demanda e se da por gargalos mas a generalização é adotada por índice indicativo passado e não preditivo que é . Por isso Tombini diz estar olhando para o “core”dela, alimentos etc. .Tenta entendê-la dissecando-a.
    O problema deles são, além da morosidade intelectual e na ação, que não conseguem dosar essas ações e nem definir os pontos importantes dela que combaterão. Além de não respeitar suas próprias metas e mudá-las cinicamente

  6. Gostaria tb de dar minha opinião de que os dados publicados hoje mostram q alimentos teve queda de 4% no trimestre muito parecido com materiais de construção.
    Os economistas poderiam dar uma olhada na substituição tributaria praticada por 14 Estados que elevaram a carga tributaria e os preços dos produto abocanhando todas as desonerações feitas e refletindo no preço dos produtos.
    Grande parte da inflação persistente esta na substituição tributaria que recolhe o imposto de CIRCULAÇÃO DE MERCADORIAS assim que é produzido ,sem ter circulado.

  7. Tivemos alguns artigos interessantes sobre inflação esses dias, sobre diversos ângulos diferentes, mas o que achei mais sensacional, e sobre o que não vi muitos comentários, foi a sobre o novo parâmetro do BACEN, o superávit estrutural.
    Está num dos boxes do último relatório de inflação, reparem que esse novo conceito elimina a contabilidade criativa do governo e analisa com mais precisão o impacto da política fiscal.
    Abraços

  8. O Aécio Neves numa entrevista no fim de semana disse que está procurando tanto economistas da PUC quando da Unicamp a fim de buscar soluções para a inflação e o crescimento econômico do Brasil. Kanitz você deveria tentar uma audiência com ele para mostrar um terceiro caminho, apontar as soluções para os problemas a partir da visão dos Administradores.

  9. Stephen,

    Acompanho sempre seu blog e artigos por considerá-los sempre relevante.
    Concordo com sua colocação, contudo, não entendi se você é favorável a crítica contra a atual política monetária do Brasil. Sobre a inflação, o que temos é uma alta “generalizada” de inúmeros items que são considerados no cálculo do IPCA, ou seja, o índice de disseminação está elevado (60% dos items, se não estou enganado). No seu exemplo neste artigo, significaria perguntar: Quais são estes 60% dos produtos complicados?
    Dessa maneira, concluo que há algo errado na atual pol. monetária, tendo em vista que tal comportamento (disseminação) não é esperado em uma situação média de aumento de preços.
    Gostaria de sua opinião.
    Carlos

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