A Onda Anti-intelectual

 

Por que o PT odeia tanto o PSDB se ambos têm o mesmo ideário, e adotam basicamente os mesmos programas?

Por que Lula rompeu com a ala intelectual de sociólogos, filósofos, antropólogos, historiadores de seu partido que lhe deram apoio total?

Quando Lula critica as elites, ele se refere a elite intelectual, não a elite empreendedora que ele admira.

Quanto mais o PSDB batia na tecla que Lula não tinha diploma, mais ele subia nas pesquisas eleitorais.

Tudo isto são sintomas de um anti-intelectualismo que cresce na América Latina.

A eleição de Chávez e Ivo Morales mostra o mesmo fenômeno.

O povo latino americano cansou do silêncio, da soberba e incompetência da sua elite intelectual, que pouco cria e só copia ideias do exterior.

Esta onda anti-intelectual não é resultado do obscurantismo e populismo como acham alguns.

É resultado dos mirabolantes planos elaborados às pressas por professores que nunca pisaram num chão de fábrica, ao contrário de Lula.

É o resultado de acadêmicos que nunca ouvem ninguém, e que tanto sofrimento e confusão trouxeram a nação.

A classe média, a classe normalmente responsável pelo crescimento de um nação, foi alijada do poder por intelectuais de gabinete, e por isto ela vota maciçamente no PT.

Na China, intelectuais foram ativamente perseguidos durante a famosa Revolução Cultural.

As universidades permaneceram fechadas por praticamente 10 anos, para o desespero dos intelectuais.

Hoje, o povo Chinês acredita que foi justamente isto que colocou o país nos eixos.

“Intelectuais foram obrigados a fazer algo que nunca fizeram, trabalhar no campo como nós”, disse nosso porteiro de um hotel em Beijing.

“Os líderes de hoje são justamente aqueles que por 10 anos não foram educados por intelectuais”, disse nosso táxi em Xangai.

Infelizmente, a história do mundo está repleta de “revoltas das massas” queimando livros e perseguindo intelectuais.

Nos Estados Unidos a “inteligentsia” é mal vista, como gente que somente usa o intelecto e nada mais, que só critica e nada produz de prático ou pragmático.

Definir-se como um “intelectual”, como muitos fazem, é visto como uma visão elitista e arrogante.

Afinal todo ser humano, por mais humilde que seja, tem de usar o seu intelecto para desempenhar sua função, desde o porteiro do prédio até o motorista do ônibus escolar de seu filho.

Esta é a verdadeira questão por trás da atual crise no PSDB.

Desde 2004 há uma divisão declarada no partido entre “os que trabalham e os que escrevem artigos de jornal“, dito em público por um de seus mais destacados membros do baixo clero.

Quais as consequências práticas de tudo isto?

Em primeiro lugar, que a América Latina não está dando uma guinada para a esquerda, como acreditam alguns, mas uma perigosa guinada contra a “inteligentsia” nacional, ou seja, justamente o contrário.

É o feitiço virando contra o feiticeiro, que tantas vezes ocorre na história, a começar pela Revolução Francesa.

Segundo, os investidores internacionais percebem que não correm risco na América Latina, tanto que o risco Brasil nunca esteve tão baixo, justamente porque eles acreditam que Lula ou Dilma não fariam loucuras.

O anti-intelectualismo é perigoso porque poderá facilmente se transformar num movimento contra a classe média, contra os “com-diploma”, começando com jornalistas e aqueles “que escrevem artigos em jornais”.

Seria o fim da imprensa como a conhecemos.

Eliminar intelectuais como muitos países fazem, obviamente não é a solução.

Exigir que sejam mais pragmáticos, mais realistas, menos dogmáticos é uma forma mais acertada de resgatar a verdadeira função do intelectual.

Toda nação precisa de centenas de milhares de pessoas que analisem problemas corretamente e que apresentem não dogmas do passado, mas soluções para o futuro.

Mas, se esta onda sair do controle, quem irá defender nossos intelectuais contra um movimento que muitos deles ajudaram a iniciar?

 

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