Arquivos Política Econômica - Stephen Kanitz https://blog.kanitz.com.br/tags/politica-economica/ Blog para se Pensar Fri, 06 Aug 2021 20:41:07 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.7.5 https://blog.kanitz.com.br/wp-content/uploads/2021/06/stephenkanitz-favicon-150x150.png Arquivos Política Econômica - Stephen Kanitz https://blog.kanitz.com.br/tags/politica-economica/ 32 32 Entenda Essa Crise Política. É o Poder Mudando de Mão. https://blog.kanitz.com.br/crise-politica-2/ https://blog.kanitz.com.br/crise-politica-2/#comments Fri, 12 Jun 2020 18:45:00 +0000 https://blog.kanitz.com.br/?p=26693 Essa súbita polarização na política, que deve estar assustando muita gente, é na realidade um fim de ciclo. O poder reinante nesse país nos últimos 25 anos está sucumbindo, lutando com todos os seus meios para impedir o inevitável. Usam jogo sujo sim, mas é por puro desespero. Acreditem. Quem está perdendo miseravelmente nesses últimos […]

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Essa súbita polarização na política, que deve estar assustando muita gente, é na realidade um fim de ciclo.

O poder reinante nesse país nos últimos 25 anos está sucumbindo, lutando com todos os seus meios para impedir o inevitável.

Usam jogo sujo sim, mas é por puro desespero. Acreditem.

Quem está perdendo miseravelmente nesses últimos 30 anos são as indústrias, os sindicatos, os trabalhadores de chão de fábrica, as grandes cidades, os industriais cada vez mais falidos e subsidiados.

Quem está crescendo e ganhando é a Agricultura.

A agricultura já representa 25 % do PIB, contra 10% anos atrás.

Coloca mais serviços de advocacia, transporte, bancos e seu poder econômico passa a 30% mais ou menos.

Significa crescente poder político, que ao contrário do que a maioria das pessoas pensam, o setor Agrícola ainda não tem.

Foi sempre a agricultura que gerou exportações e superavit no câmbio, foi sempre a indústria que usou esses superavit importando máquinas estrangeiras.

A Indústria sempre foi muito mais forte politicamente do que a Agricultura, mas agora ela definha, não apresenta lucros, não tem mais poder financeiro.

Foi sempre a Indústria que indicava os Ministros da Fazenda, normalmente economistas ligados a Fiesp como Delfim Netto e Dilson Funaro, por exemplo.

Foi esse total descaso pela nossa Agricultura que resultou no enorme êxodo rural, que tanto empobreceu o país e fortaleceu justamente partidos que atendiam as demandas dos bairros pobres.

Nada menos que 45% de nossa população teve que abandonar a agricultura, abandonada que foi pelos Ministros da Fazenda.

Que nem sabem mais o significado de “Fazenda”, apropriado para um país destinado à agricultura, como o Brasil e a Argentina.

Foi Raul Prebisch, que convenceu economistas argentinos e brasileiros como Delfim, Celso Furtado, José Serra, FHC e toda a Unicamp, a esquecer nossa agricultura a favor da “industrialização” para o mercado interno, a famosa “substituição das importações”.

Por isso investir fortunas em “incentivos”, leis Kandir, subsídios via o BNDES em indústrias antigas, mas que “substituiriam as nossas importações”, importações que geralmente eram dos mais ricos, produzir produtos populares para classe C e D, nem pensar.

Somente a partir de 1994 é que passaram a produzir para a Classe C e D, movimento do qual fiz parte.

Além das milícias que invadiam terras, a luta por reservas, contra a ampliação de terras produtivas, destruição de pesquisas de aprimoramento genético.

Nossos industriais perceberam tardiamente que foi justamente essa “substituição das importações” que iria gerar nossa estagnação e não inovação, e lentamente destruímos a nossa indústria nascente a partir de 1987.

De 27% do PIB, a indústria entrou numa espiral descendente para 11% hoje.

Os advogados contratados são na maioria de recuperação financeira. Que reviravolta!

Essa atual crise política no fundo é a crise da indústria e das famílias ricas desesperadas, empobrecidas, mas ainda com certo poder político.

É a crise dos sindicatos trabalhistas que viviam dessas contribuições sindicais.

Perdem poder econômico e percebem que estão perdendo o político, do qual nunca mais se recuperarão a curto prazo.

Quem acha o contrário, que pense nos números.

Isso explica o desespero da imprensa, dos artistas subsidiados, dos intelectuais das grandes cidades.

Ele é violento, por ser desesperado.

Mas é simplesmente o canto da sereia desse grupo que vivia da indústria e de seus impostos.

Os números que apontei são inquestionáveis e só tendem a crescer.

A Agricultura, justamente por ter sido esquecida pelo Estado, venceu a Presidência e 15 Estados.

Ronaldo Caiado, representante eterno dos agricultores, vence em Goiás. As grandes cidades foram contra, elegendo Doria e Witzel.

“Bolsonaro é quase unanimidade no setor”, disse Bartolomeu Braz Pereira, presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja).

Mais Brasil Menos Brasília, é na realidade o brado “mais campo e comunidade e menos cidades gigantes e em decadência moral”.

Bolsonaro não foi eleito pelos liberais nem pelos conservadores das grandes cidades, que hoje se sentem enganados e só falam mal dele.

Com o Covid, haverá uma fuga das grandes cidades para o campo, dos apartamentos para casas, dos escritórios para o Zoom.

E em mais quatro ou cinco anos, a Agricultura terá provavelmente o poder político que merece, elegerá quem quiser, com ou sem Bolsonaro candidato em 2022.

E todos sabemos que no Brasil “dinheiro é poder”.

“Follow the money”, como diria Sérgio Moro.

Na cidade Agronômica, Bolsonaro ganhou com 79% dos votos.

Na cidade de Sorriso teve 74% dos votos.

Na cidade Rio Fortuna teve 68% dos votos.

Em Mato Grosso do Sul teve 61% dos votos.

Vejam os mapas da fronteira agrícola e os votos dados ao Bolsonaro em 2018.

Quem elegerá os nossos Presidentes em 2022, 2026, 2030 será provavelmente a bancada agrícola, não a bancada industrial, sindical, nem a urbana.

A tese de que Bolsonaro não foi eleito, mas que foi Haddad que foi rejeitado não se sustenta numericamente.

Haddad tinha 41% de rejeição contra 40% de Bolsonaro. Ou seja, a diferença era de somente 1 ponto percentual.

Ricardo Salles é que está dando um chega para lá aos ecologistas que querem destruir nossa agricultura, e foi quem ajudou termos esse superavit colossal em 2020.

Nesse caso a agricultura demonstra que consegue colocar pessoas além do Ministério da Agricultura, dando suporte a essa tese.

Bolsonaro colocou uma engenheira agrônoma como Ministra da Agricultura, em vez de um político e advogado como Wagner Rossi, indicado por Lula e Dilma.

Será o constante crescimento do Comunitarismo da pequena cidade daqui para a frente, em detrimento das ideologias do passado que fracassaram.

É o crescimento do interior Comunitário e Solidário.

Sem dúvida, uma batalha que será violenta nos próximos anos, mas tudo indica que o Brasil agrícola será o vencedor.

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Deputados, a Previdência Já Foi Resolvida https://blog.kanitz.com.br/deputados-a-previdencia-ja-foi-resolvida/ https://blog.kanitz.com.br/deputados-a-previdencia-ja-foi-resolvida/#comments Sat, 27 Jul 2019 09:57:52 +0000 http://blog.kanitz.com.br/?p=25886 Vocês estão dando um tiro no pé. O limite de gastos se aplica às aposentadorias também. Nenhum de vocês poderá se aposentar, portanto, somente os já aposentados receberão suas aposentadorias. A Previdência quebrou quando os recursos das Caixas de Aposentadorias Capitalizadas, administradas por trabalhadores e suas empresas, foram apropriadas pelo Estado de várias maneiras. 180 […]

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Vocês estão dando um tiro no pé.

O limite de gastos se aplica às aposentadorias também.

Nenhum de vocês poderá se aposentar, portanto, somente os já aposentados receberão suas aposentadorias.

A Previdência quebrou quando os recursos das Caixas de Aposentadorias Capitalizadas, administradas por trabalhadores e suas empresas, foram apropriadas pelo Estado de várias maneiras.

180 Caixas de empregados e suas empresas foram estatizadas, sumiram com o dinheiro como até hoje.

E desde então vocês gastaram toda a grana que entrava para ser paga 30 anos depois.

Ou seja, o problema está resolvido. O dinheiro sumiu, prendam os governos passados.

O que Guedes está propondo é dar uma garfada nos já aposentados, tirar algumas concessões de vocês, para poder oferecer aposentadorias para os atuais trabalhadores.

E vocês de Esquerda estão contra?

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Por Que Ainda Não Resolvemos o Problema da Pobreza? https://blog.kanitz.com.br/problema-da-pobreza/ https://blog.kanitz.com.br/problema-da-pobreza/#comments Tue, 11 Dec 2018 12:25:18 +0000 http://blog.kanitz.com.br/?p=25192   O crescimento do Fernando Haddad, nas eleições, diante de todos esses escândalos é explicado pelo continuado nível de pobreza brasileira. Por que continuamos tão pobres depois de quase 25 anos de governos socialistas como PSDB e PT? A resposta é simples. Que profissão dominou praticamente sozinha o debate econômico? Foram engenheiros especialistas em produtividade? […]

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O crescimento do Fernando Haddad, nas eleições, diante de todos esses escândalos é explicado pelo continuado nível de pobreza brasileira.
Por que continuamos tão pobres depois de quase 25 anos de governos socialistas como PSDB e PT?
A resposta é simples. Que profissão dominou praticamente sozinha o debate econômico?
Foram engenheiros especialistas em produtividade? Não.
Foram contadores de custos especialistas em redução de custos, uma das formas mais eficientes e não inflacionarias de inclusão social? Não.
Você já leu ou ouviu falar de algum professor de Contabilidade de Custos? Não.
Em 1945, a Lei do Economista 7988/45 extinguiu todas as Faculdades de Administração, privando o Brasil de quatro milhões de administradores profissionais, que hoje fazem falta, muita falta.
Graças a esse golpe educacional, economistas dominaram de cabo a rabo, sem nunca pensarem em produtividade, racionalidade, desperdício, qualidade e durabilidade.
Melhor que aumentar o PIB com políticas Keynesianas, quadruplicar a durabilidade, facilitar a manutenção aumenta a qualidade de vida muito mais, mas reduz a arrecadação de impostos, e isso economista odeia.
Temos “metas de inflação”, mas não temos “metas de produtividade” como qualquer empresa bem administrada.
Pior, a política econômica mais seguida nesses últimos 50 anos, foi a de “Substituição das Importações”, com consequências nefastas para os mais pobres. Produzimos aqui os produtos que somente ricos importavam.
Paulo Secches, James Wright, Marcos Gouveia de Souza e eu pregávamos há 30 anos, uma política empresarial voltada às classes C e D, os produtos populares e o mercado de baixa renda.
Demos consultorias para centenas de empresas sobre como criar produtos para pobres, com a qualidade e o preço necessário.
Nenhum de nós jamais foi convidado a explicar essa política em Brasília, mesmo depois dela ter sido aplicada por milhares de empresas, a começar pela FIAT.
Por isso pobres continuam pobres, e votam no socialismo apesar de serem taxados em 45% da renda, muito mais do que os ricos.
O PSDB e o PT preferiram políticas malucas de seus brilhantes economistas, todas calcadas em teorias econômicas de fora como Keynes, Hyman e Marx.
E nada disso vai mudar tão cedo.
 

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As Duas Formas de se Sair de Uma Recessão https://blog.kanitz.com.br/sair-de-uma-recessao/ Sat, 24 Feb 2018 10:30:17 +0000 http://blog.kanitz.com.br/?p=24495   Uma é reduzindo os juros e estimulando o endividamento das famílias, via crédito consignado, empréstimos do BNDES. É a clássica solução Monetarista e Keynesiana. Essas políticas econômicas resolvem o problema a curto prazo, garantem a reeleição como foi no caso da Dilma, mas complicam os governos futuros. Primeiro, deixa a população com uma conta […]

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Uma é reduzindo os juros e estimulando o endividamento das famílias, via crédito consignado, empréstimos do BNDES.

É a clássica solução Monetarista e Keynesiana.

Essas políticas econômicas resolvem o problema a curto prazo, garantem a reeleição como foi no caso da Dilma, mas complicam os governos futuros.

Primeiro, deixa a população com uma conta cavalar de juros, e juros sobre juros, reduzindo o consumo efetivo no futuro.

Segundo, cria uma bolha de consumo inflacionária.

Terceiro, cria essa inadimplência bancária, gerando prejuízos e incerteza no fluxo dos Bancos.

Existe outra forma de lidar com recessões, proposta pela corrente de administradores responsáveis das nações.

Planejamento prévio anti-recessão, criando reservas financeiras.

Na Administração Responsável das Nações, os administradores não endividam o povo com juros cavalares, nem submetem bancos a essa futura inadimplência.

Na Administração Responsável das Nações, planejamos anos antes, estimulando a população a ter reservas financeiras adequadas.

Aí, numa recessão, é a população quem decide quanto gastar de suas reservas, sem dívidas, sem crédito consignado, sem inadimplência.

E não o Governo numa Matriz Econômica mal executada.

É a sabedoria milenar de poupar nos sete anos de vacas gordas, para gastar nos sete anos de vacas magras.

E não se endividar com banqueiros como rezam os Monetaristas e os Keynesianos.

 

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Estamos Discutindo os Problemas Errados https://blog.kanitz.com.br/discutindo-problemas/ https://blog.kanitz.com.br/discutindo-problemas/#respond Tue, 25 Oct 2016 13:33:08 +0000 http://blog.kanitz.com.br/?p=20197   Tempo de leitura: 1 minuto   Taxa de juros, gastar demais, controlar gastos, investir em infraestrutura, essas são as discussões diárias que vemos intelectuais e professores sem experiência gastarem o nosso tempo todo dia. O problema está nessa manchete, e somente pouquíssimos brasileiros percebem, portanto ficaremos para trás. Mais uma dessas 3.000 sendo formadas, […]

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Tempo de leitura: 1 minuto

 

Taxa de juros, gastar demais, controlar gastos, investir em infraestrutura, essas são as discussões diárias que vemos intelectuais e professores sem experiência gastarem o nosso tempo todo dia.

O problema está nessa manchete, e somente pouquíssimos brasileiros percebem, portanto ficaremos para trás.

Mais uma dessas 3.000 sendo formadas, mas não aqui no Brasil.

O mundo será dominado por 3.000 empresas, 10 empresas por setor, 300 setores mais ou menos.

A décima, a nona e a oitava vão perder dinheiro, a sétima empatará.

O Brasil, tendo fechado todas as suas escolas de administração, decreto lei 7988 da ditadura Vargas, ficará com a décima, nona e oitava.

E importaremos tudo das 3.000 que dominarão o mundo e o Brasil.

Isso porque economistas (de esquerda) se uniram com as 50 famílias e suas empresas familiares, dando-lhes proteção aduaneira, subsídios pelo BNDES, estatizando o resto.

Substituição de importações, a política econômica mais nefasta de todos os tempos, e burra, haja vista.

 

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Distribuir a Renda ou a Produção? https://blog.kanitz.com.br/distribuir-renda-producao/ https://blog.kanitz.com.br/distribuir-renda-producao/#comments Thu, 19 Jul 2012 09:46:00 +0000 http://66.147.244.83/~blogkani/wordpress/2012/07/19/distribuir-a-renda-ou-a-producao/ Em 1997, publiquei este artigo na revista trimestral do Partido dos Trabalhadores  Teoria e Debate, onde critiquei a política dominante da esquerda, a política de substituição das importações, por uma política voltada a produtos populares. Vale a pena ler. No Brasil, toda a produção está voltada para a classe média. A saída para o crescimento […]

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Em 1997, publiquei este artigo na revista trimestral do Partido dos Trabalhadores  Teoria e Debate, onde critiquei a política dominante da esquerda, a política de substituição das importações, por uma política voltada a produtos populares. Vale a pena ler.

No Brasil, toda a produção está voltada para a classe média.

A saída para o crescimento é reorientar a economia para a produção de produtos populares, o que pressupõe primeiro o aumento da renda para depois chegar ao crescimento.

A política de substituição de importações, implantada por vários governos brasileiros no passado de visão Cepal/Unicamp, gerou uma industrialização voltada para produzir bens para os 10% mais ricos da população.

Há 50 anos, quem importava maciçamente era a justamente a parcela mais rica da população.

No início, com a criação de elevadas tarifas, as grandes empresas multinacionais do setor automobilístico vieram produzir no Brasil o que antes era importado.

Criaram obviamente um padrão de produção não voltado ao vasto mercado interno popular, mas simplesmente trouxeram as máquinas e os modelos dos produtos anteriormente exportados para o Brasil.

A industrialização gerada pela política de substituição de exportações gerou um padrão voltado aos 10% mais ricos, algo não percebido pelos economistas que idealizaram esta política.

Pior, a má distribuição da renda foi uma consequência desta política.

Criou-se sim uma cunha fiscal de quase 100% sobre o trabalho assalariado, com inúmeros encargos sociais, PIS, Pasep, que inviabilizava a compra pelo trabalhador do produto que ele próprio fabricava.

A cunha fiscal sobre o trabalho assalariado exigia uma classe mais rica, única capaz de comprar os produtos produzidos por classes de renda mais baixas.

Ao contrário dos funcionários da Ford Motor Co. na década de 30 nos Estados Unidos, o trabalhador automobilístico não tinha renda para comprar o produto do seu trabalho, tal a carga de impostos que o Estado acrescentava ao preço brasileiro.

Este modelo esgotou-se por várias razões:

1.  Com a abertura das importações e a globalização da economia brasileira, os ricos irão de novo importar os seus carros, home theaters etc.

2. Tentar enfrentar o problema produzindo produtos ainda mais sofisticados, com ainda mais qualidade e tecnologia do que os concorrentes do Primeiro Mundo, como propõem muitos, será uma luta inglória.

3. Os países do Primeiro Mundo sempre terão mais escala e menores preços simplesmente porque suas populações ricas são muito mais numerosas.

A saída portanto será reorientar a produção brasileira para os 20, 30, 40, 50% seguintes na escala econômica.

As vantagens são enormes.

Quando o rico fica mais rico, a renda disponível cresce somente uma fração do aumento da renda.

Quando o pobre fica mais rico, a propensão marginal a consumir é enorme.

Por exemplo, um aumento de 1% de crescimento no PIB aumenta em 3% o consumo de ovos.

No ano 2000, 2/3 da população mundial serão relativamente pobres e se pudermos criar e vender produtos adequados para a classe de baixa renda brasileira, aí sim teremos condições de exportar competitivamente para o mundo.

E os nossos grandes mercados serão a China e a Índia, e não a Alemanha, o Japão e os Estados Unidos.

O grande bloco comercial no ano de 2020 não será o Mercosul nem o Nafta e sim a Bríndia, o intercâmbio poderoso entre o Brasil e a Índia, e/ou o Brinchina, Brasil, Índia e China.

Em média, nossas empresas estão mal preparadas para o segmento de produtos populares.

Parte da crise do real reside aí.

Todo mundo está produzindo para a classe média, que está vendo sua renda diminuída para um patamar mais correto.

No caso das patentes em medicina, a Roche, por exemplo, em vez de lutar pelo reconhecimento das patentes, está introduzindo remédios cujas patentes já se tornaram domínio público e são baratas porque não pagam royalties. (Os genéricos que seria criado em por lei em 1999.) 

Pretende competir pela sua qualidade e eficiência na fabricação de remédios, que é o que vale a longo prazo.

O conceito de produtos populares requer não somente uma redefinição do produto, da qualidade, dos métodos de produção, como da embalagem, da propaganda e dos canais de distribuição.

Poucos shopping centers no Brasil foram construídos em cima de metrôs.

Poucos metrôs possuem áreas de vendas, que poderiam ter sido alugadas a comerciantes, reduzindo o deficit deste meio de transporte.

É incrível que os vários governadores e prefeitos socialistas como a Erundina não tenham criado pontos de vendas nas áreas de metrô como se faz na França e nos Estados Unidos.

Pobre possui menos tempo que rico para fazer compras.

No Brasil, ter um carro é condição sine qua non para se comprar na maioria dos shoppings, uma distorção do modelo industrial.

O chamado carro popular, introduzido no governo Itamar, de popular não teve absolutamente nada; ao preço de 12 mil reais continua sendo um produto para os 10% mais ricos da população.

O carro popular no Brasil deveria ser uma bicicleta com motor, vendida em torno de 250 reais.

Aliás, foi assim que a Honda virou importante no Japão, começando com motocicletas e somente então partindo para os carros.

Neste novo modelo, uma nova ação do governo se faz necessária.

No caso das bicicletas, surgem imediatamente os problemas de trânsito e da falta de ciclovias.

No caso dos metrôs, a falta de planejamento urbano e legislativo que permita construir um shopping em cima de uma estação.

A abertura do comércio aos domingos é condição sine qua non para baratear seus custos fixos.

Ao contrário, o governo Fernando Henrique Cardoso, em um de seus primeiros atos, isentou de todo e qualquer imposto aduaneiro os produtos abaixo de US$ 50, inviabilizando justamente os produtos populares produzidos internamente. Pior, demoraram dois anos para revogar esta medida.

Enquanto no modelo industrial anterior crescia-se primeiro para distribuir a renda depois, a nova estratégia de produtos populares requer primeiro o aumento da renda para depois chegar ao crescimento, o que Henry Ford fez ao dobrar os salários dos seus operários.

No caso brasileiro, a simples eliminação do FGTS e a sua distribuição imediata ao trabalhador, aumentaria a renda sem onerar os custos da empresa.

E se o país crescer, os riscos de desemprego serão menores.

A opção por produtos populares não é nova. As empresas que deram certo nestes últimos dez anos, optaram justamente por este caminho. Grendene, Garoto, Hermes, Lojas Americanas, Brahma para citar alguns exemplos.

A dedicação total de todo trabalhador é um dos fatores vitais para a qualidade da produção, o ISO 9000, a concorrência e o consumidor.

O que não é óbvio, para a maioria dos formuladores de política econômica, é que o mundo moderno de hoje é dominado por teorias administrativas e não por teorias econômicas de economistas já defuntos, como gostava de afirmar Keynes.

As teorias de gerenciamento moderno nos mostram que o trabalhador jamais terá a dedicação e esmero necessários para uma qualidade total se hão tiver condição de comprar o produto que ele fabrica.

A política econômica defendida por Dorothea Werneck, de qualidade e produção para o Primeiro Mundo, jamais daria certo por este simples aspecto.

As empresas que seguem as últimas coqueluches gerenciais do momento, no Primeiro Mundo, acabam embarcando em niche-marketing, ciclo de produtos curtos e database-marketing, técnicas ideais para os problemas gerenciais americanos e europeus. A realidade brasileira porém é outra.

Não é a renda que precisa ser distribuída, e sim a produção. 

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