Arquivos APRENDENDO A PENSAR - Stephen Kanitz https://blog.kanitz.com.br/tags/aprendendo-a-pensar-2/ Blog para se Pensar Fri, 06 Aug 2021 21:15:54 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.7.5 https://blog.kanitz.com.br/wp-content/uploads/2021/06/stephenkanitz-favicon-150x150.png Arquivos APRENDENDO A PENSAR - Stephen Kanitz https://blog.kanitz.com.br/tags/aprendendo-a-pensar-2/ 32 32 Iludidos Pelo Acaso https://blog.kanitz.com.br/iludidos-pelo-acaso/ https://blog.kanitz.com.br/iludidos-pelo-acaso/#comments Tue, 11 Apr 2017 14:00:00 +0000 http://66.147.244.83/~blogkani/wordpress/2009/04/10/iludidos-pelo-acaso/ Há um fato importante que todos precisam saber sobre o ato da observação. Vocês estão sendo iludidos pelo acaso. Muitas pessoas acham erroneamente que jornalistas, ao contrário de blogueiros, são por definição negativos, o pessoal do contra — e que por isso, a imprensa privilegia as más notícias. Embora alguns jornalistas optem de fato pela má […]

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Há um fato importante que todos precisam saber sobre o ato da observação.

Vocês estão sendo iludidos pelo acaso.

Muitas pessoas acham erroneamente que jornalistas, ao contrário de blogueiros, são por definição negativos, o pessoal do contra — e que por isso, a imprensa privilegia as más notícias.

Embora alguns jornalistas optem de fato pela má notícia, existe um outro fenômeno que afeta os leitores, um fenômeno chamado a ilusão do acaso.

Quem explica isso é o estatístico Nassim Taleb, autor do livro “Iludido pelo Acaso”.

Embora ele não trate de jornalismo, mas do mercado de ações, mostrarei aqui a analogia com jornalismo — isso se vocês tiverem paciência, porque a lógica é, de fato, complicada. Mas vale a pena!

O mercado de ações americano sobe há mais de 40 anos a uma taxa média de 12% ao ano, lembrando-se de que média é média.

Metade dos anos ele valoriza mais do que isso (uma excelente notícia), a outra metade ele cresce menos. (o que continua sendo boa notícia, com exceção das poucas vezes em que a rentabilidade é negativa e você perde dinheiro)

Apesar da volatilidade diária, olhando uma única vez por ano, você verá mais boas notícias do que notícias ruins.

Isso porque o mundo está melhorando lentamente, dando dois passos para frente e um para trás.

Se você observar sua carteira de ações uma única vez por ano, em 40 anos você terá 93% de boas notícias: você ficou mais rico.

Mas em 7% das vezes, ou 3 anos dos 40, a notícia será ruim: você ficou mais pobre (ou menos rico).

Se você observar o nível da Bolsa de Valores todo trimestre, a situação muda de figura: 67% das vezes você ficará feliz – a Bolsa subiu no trimestre.

No entanto, 33% das vezes você terá uma má notícia: a Bolsa caiu e você empobreceu naquele semestre.

Como temos um gene de pessimismo, uma má notícia nos afeta 2 a 3 vezes mais emocionalmente do que uma boa notícia.

Ou seja, apesar de você estar ganhando dinheiro trimestralmente, a sensação média é de quase empate ou vazia.

Bolsa

  Em Alta       Em Queda

Todo ano                                     93.00%             7.00%

Todo Trimestre                          67.00%            33.00%

Toda Semana                              59.00%            41.00%

Todo Dia                                       54.00%           46.99%

Cada Minuto                                 50.17%           49.83%

Fonte: Fooled by Randomness, p. 57

Se você observar suas ações todo dia, como todo jornalista econômico faz, a situação ficará feia. 54% das vezes você terá boas notícias — a Bolsa subiu! E em 46% das vezes, você ficará infeliz…

E, como ninguém mantém esta contabilidade rigorosa, a sensação poderá ser de empate — ou até de que você, na média, perde dinheiro.

As oscilações de curto prazo da Bolsa, que chegam a ser mais ou menos 3%, ofuscam o lento crescimento de longo prazo de 0,056% ao dia. O 0,056% é quase imperceptível “a olho nu”, mas depois de 200 pregões, chega aos nossos 12% ao ano.

No dia a dia, você só vê a volatilidade do curto prazo, e não a tendência de longo prazo. Você está sendo iludido pelo acaso, iludido pelas pequenas flutuações normais do dia a dia. Por isso, corretor de ações não é rico,   normalmente perdem dinheiro, especuladores pagam mais em corretagem do que ganham.

Por isso, tantos jornalistas econômicos e a maioria dos brasileiros acham que a Bolsa é um cassino, que é pura especulação, que é coisa para jogadores.

Aqueles que mantêm uma “distância sadia” da Bolsa, aqueles que compram e ficam, e só olham as 93% de observações anuais, terão a visão que poucos têm — de que aplicar na Bolsa é relativamente seguro e de que só dá alegrias em 93 % das vezes.

É devido a essa ilusão do acaso que 98% dos brasileiros deixam de investir na categoria mais rentável do mundo, rendendo 12% ao ano em termos REAIS, preferindo títulos do governo que pagam 4% de valor real, e olhe lá.

Ultimamente, a situação ficou ainda pior.

Quem olhar pela internet a cada minuto, algo que só a nova geração teve o privilégio de experimentar, verá a Bolsa subir 50% das vezes e cair 49% das vezes.

O crescimento histórico fica totalmente imperceptível.

O que tudo isso tem a ver com jornalismo?

Se a Bolsa incorpora todas as notícias boas e más do momento, isso significa que 50,1% das notícias são, de fato, boas para a Bolsa e que os outros 49,9% são notícias negativas, ao ponto de derrubar a Bolsa. Por isso, ela oscila de minuto a minuto, dia a dia.

Ou seja, se você quiser investir na Bolsa sem ficar com a sensação de que ela é um cassino, o melhor é não ler o noticiário econômico. Muito menos pela internet.

Refazendo a tabela de Taleb para o jornalismo, teríamos a seguinte distribuição:

Más notícias          Boas notícias

jornalismo on line                  49,8%                    50,2%

jornalismo diário                      46%                        54%

jornalismo semanal                  41%                        59%

jornalismo mensal                     33%                        67%

jornalismo anual                         7%                         93%

Ou seja, quem lê notícias diariamente será muito mais pessimista do que alguém que lê uma revista semanal como a Veja ou uma revista mensal como Época Negócios.

Otimistas são aqueles que leem as edições de final de ano, cheias de esperanças e de dados de tendências para o ano seguinte, e aqueles que assistem uma vez por ano a uma palestra minha ou de outros economistas positivos como Octávio Barros ou Ricardo Amorim.

Por isso, jornalistas diários são mais pessimistas do que colunistas semanais, que por sua vez são mais pessimistas do que colunistas mensais e blogueiros ocasionais.

Em momentos de crise, tendemos a aumentar a frequência com que procuramos notícias, o que só piora a situação.

Se você observar a Bolsa todo ano, terá 93% de alegrias, como normalmente se faz com renda fixa e imóveis. Nem existem cotações diárias para imóveis e renda fixa.

Se existissem, as notícias não seriam boas. Imóveis, como carros, desvalorizam ano após ano devido a idade e obsolescência do imóvel.

O jornalismo que dá certo é aquele que não se permite ser “Iludido pelo Acaso”. É aquele que coloca a notícia no contexto, que aponta as tendências de longo prazo, que ignora marolas e concentra no horizonte que nem sempre aparece numa tempestade.

O jornalismo que dá certo é o que este site pretende ajudar a criar. Se você tem um blog de notícias, continue a publicar as más notícias que surgem para não ser tachado de otimista, mas contextualize com as análises que faremos aqui sobre O Brasil Que Dá Certo. Apesar dos pesares do dia a dia.

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Aprenda a Observar https://blog.kanitz.com.br/observar/ https://blog.kanitz.com.br/observar/#comments Thu, 12 Sep 2013 15:08:59 +0000 http://66.147.244.83/~blogkani/wordpress/?p=74 Hoje nossos alunos são proibidos de observar o mundo, trancafiados que ficam numa sala de aula, estrategicamente colocada bem longe do dia-a-dia e da realidade. Nossas escolas nos obrigam a estudar mais os livros de antigamente do que a realidade que nos cerca. Observar, para muitos professores, significa ler o que os grandes intelectuais do […]

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Hoje nossos alunos são proibidos de observar o mundo, trancafiados que ficam numa sala de aula, estrategicamente colocada bem longe do dia-a-dia e da realidade.

Nossas escolas nos obrigam a estudar mais os livros de antigamente do que a realidade que nos cerca.

Observar, para muitos professores, significa ler o que os grandes intelectuais do passado observaram – gente como Rousseau, Platão ou Keynes.

Só que esses grandes pensadores seriam os primeiros a dizer “esqueçam tudo o que escrevi”, se estivessem vivos.

Na época não existia internet nem computadores, o mundo era totalmente diferente.

Eles ficariam chocados se soubessem que nossos alunos são impedidos de observar o mundo que os cerca e obrigados a ler teoria escrita 200 ou 2.000 anos atrás – o que leva os jovens de hoje a se sentir alienados, confusos e sem respostas coerentes para explicar a realidade.

Não que eu seja contra livros, muito pelo contrário.

Sou a favor de observar primeiro, ler depois.

Os livros, se forem bons, confirmarão o que você já suspeitava.

Ou colocarão tudo em ordem, de forma esclarecedora.

Existem livros antigos maravilhosos, com fatos que não podem ser esquecidos, mas precisam ser dosados com o aprendizado da observação.

Ensinar a observar deveria ser a tarefa número 1 da educação.

Quase metade das grandes descobertas científicas surgiu não da lógica, do raciocínio ou do uso de teoria, mas da simples observação, auxiliada talvez por novos instrumentos, como o telescópio, o microscópio, o tomógrafo, ou pelo uso de novos algoritmos matemáticos.

Se você tem dificuldade de raciocínio, talvez seja porque não aprendeu a observar direito, e seu problema nada tem a ver com sua cabeça.

Ensinar a observar não é fácil.

Primeiro você precisa eliminar os preconceitos, ou pré-conceitos, que são a carga de atitudes e visões incorretas que alguns nos ensinam e nos impedem de enxergar o verdadeiro mundo.

Há tanta coisa que é escrita hoje simplesmente para defender os interesses do autor ou grupo que dissemina essa ideia, o que é assustador. Se você quer ter uma visão independente, aprenda correndo a observar você mesmo.

Sou formado em contabilidade e administração.

A contabilidade me ensinou a observar primeiro e opinar (muito) depois.

Ensinou-me o rigor da observação, da necessidade de dados corretamente contabilizados, e também a medir resultados, a recusar achismos e opiniões pessoais.

Aprendi ainda estatística e probabilidade, o método científico de chegar a conclusões, e finalmente que nunca teremos certeza de nada. Mas aprendi muito tarde, tudo isso me deveria ter sido ensinado bem antes da faculdade.

Se eu fosse ministro da Educação, criaria um curso obrigatório de técnicas de observação, quanto mais cedo na escala educacional, melhor.

Incentivaria os alunos a estudar menos e a observar mais, e de forma correta. Um curso que apresentasse várias técnicas e treinasse os alunos a observar o mundo de diversas formas. O curso teria diariamente exercícios de observação, como:

1. Pegue uma cadeira de rodas, vá à escola com ela por uma semana e sinta como é a vida de um deficiente físico no Brasil.

2. Coloque uma venda nos olhos e vivencie o mundo como os cegos o vivenciam.

3. Escolha um vereador qualquer e observe o que ele faz ao longo de uma semana de trabalho. Observe quanto ele ganha por tudo o que faz ou não faz.

Quantas vezes não participamos de uma reunião e alguém diz “vamos parar de discutir”, no sentido de pensar e tentar “ver” o problema de outro ângulo?

Quantas vezes a gente simplesmente não “enxerga” a questão?

Se você realmente quiser ter ideias novas, ser criativo, ser inovador e ter uma opinião independente, aprimore primeiro os seus sentidos. Você estará no caminho certo para começar a pensar.


Revista Veja,  4 de agosto de 2004, página 18

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Aprendendo a Pensar https://blog.kanitz.com.br/aprendendo-pensar/ https://blog.kanitz.com.br/aprendendo-pensar/#comments Thu, 29 Aug 2013 16:10:57 +0000 http://66.147.244.83/~blogkani/wordpress/?p=125   A maioria das aulas que tive foi expositiva. Um professor, normalmente mal pago e por isso mal-humorado, falava horas a fio, andando para lá e para cá. Parecia mais preocupado em lembrar a ordem exata de suas ideias do que em observar se estávamos entendendo o assunto ou não. Ensinavam as capitais do mundo, […]

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A maioria das aulas que tive foi expositiva.

Um professor, normalmente mal pago e por isso mal-humorado, falava horas a fio, andando para lá e para cá.

Parecia mais preocupado em lembrar a ordem exata de suas ideias do que em observar se estávamos entendendo o assunto ou não.

Ensinavam as capitais do mundo, o nome dos ossos, dos elementos químicos, como calcular o ângulo de um triângulo e muitas outras informações que nunca usei na vida.

Nossa obrigação era anotar o que o professor dizia e na prova final tínhamos de repetir o que havia sido dito.

A prova final de uma escola brasileira perguntava recentemente se o país ao norte do Uzbequistão era o Cazaquistão ou o Tadjiquistão.

Perguntava também o número de prótons do ferro.

E ai de quem não soubesse todos os afluentes do Amazonas.

Aprendi poucas coisas que uso até hoje.

Teriam sido mais úteis aulas de culinária, nutrição e primeiros socorros do que latim, trigonometria e teoria dos conjuntos.

Curiosamente não ensinamos nossos jovens a pensar.

Gastamos horas e horas ensinando como os outros pensam ou como os outros solucionaram os problemas de sua época, mas não ensinamos nossos filhos a resolver os próprios problemas.

Ensinamos como Keynes, Kaldor e Kalecki, acadêmicos já falecidos, acharam soluções para um mundo sem computador nem internet.

De tanto ensinar como os outros pensavam, quando aparece um problema novo no Brasil buscamos respostas antigas criadas no exterior.

Nosso governo implantou no Brasil uma teoria americana de “inflation targeting“, como se os americanos fossem os grandes especialistas em inflação, e não nós, com os quarenta anos de experiência que temos.

Deu no que está aí.

De tanto estudar o que acadêmicos estrangeiros pensam, não aprendemos a pensar.

Pior, não acreditamos nos poucos brasileiros que pensam e pesquisam a realidade brasileira nem os ouvimos.

Especialmente se eles ainda estiverem vivos.

É sandice acreditar que acadêmicos já mortos, que pensaram e resolveram os problemas de sua época, solucionarão problemas de hoje, que nem sequer imaginaram.

Raramente ensinamos os nossos filhos a resolver problemas, a não ser algumas questões de matemática, que normalmente devem ser respondidas exatamente da forma e na sequência que o professor quer.

Matemática, estatística, exposição de ideias e português obviamente são conhecimentos necessários, mas eu classificaria essas matérias como ferramentas para a solução de problemas, ferramentas que ajudam a pensar.

Ou seja, elas são um meio, e não o objetivo do ensino.

Considerar que o aluno está formado, simplesmente por ele ter sido capaz de repetir os feitos acadêmicos das velhas gerações, é fugir da realidade.

Num mundo em que se fala de “mudanças constantes”, em que “nada será o mesmo”, em que o volume de informações “dobra a cada dezoito meses”, fica óbvio que ensinar fatos e teorias do passado se torna inútil e até contraproducente.

No dia em que os alunos se formarem, mais de dois terços do que aprenderam será obsoleto. Sempre teremos problemas novos pela frente.

Como iremos enfrentá-los depois de formados? Isso ninguém ensina.

Existem dezenas de cursos revolucionários que ensinam a pensar, mas que poucas escolas estão utilizando.

São cursos que analisam problemas, incentivam a observação de dados originais e a discussão de alternativas, mas são poucas as escolas ou os professores no Brasil treinados nesse método do estudo de caso.

Talvez por isso o Brasil não resolva seus inúmeros problemas.

Talvez por isso estejamos acumulando problema após problema sem conseguir achar uma solução.

Na próxima vez em que seu professor começar a andar de um lado para o outro, pense no que você está perdendo.

 

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Aprendizado “Just In Time” https://blog.kanitz.com.br/aprendizado-time/ https://blog.kanitz.com.br/aprendizado-time/#comments Fri, 12 Jul 2013 15:45:18 +0000 http://66.147.244.83/~blogkani/wordpress/?p=68   O grande problema no ensino de hoje, e do aluno de hoje, é que o conhecimento humano está dobrando a cada 6 meses. Seguindo esse raciocínio, dois anos depois de formados, entre 60% e 80% de tudo o que vocês aprenderam estará obsoleto, dependendo da profissão. Isso se seus professores ensinarem o que há […]

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O grande problema no ensino de hoje, e do aluno de hoje, é que o conhecimento humano está dobrando a cada 6 meses.

Seguindo esse raciocínio, dois anos depois de formados, entre 60% e 80% de tudo o que vocês aprenderam estará obsoleto, dependendo da profissão.

Isso se seus professores ensinarem o que há de mais novo em sua especialidade, o que nem sempre acontecerá.

Estudantes hoje encontram três tipos de professores.

Os ultraconservadores, que ainda ensinam “conhecimentos” de 1880. Coisas de Adam Smith, Aristósteles, Platão, Karl Marx, as Leis de Mendel.

Na realidade, são dogmas de um mundo que não existe mais.

Muito poucos professores que se definem como Neoliberais, Neomarxistas, Neofreudianos ou Neo alguma coisa.

Neo significa novo.

No fundo, não são progressistas como dizem, mas ultraconservadores.

Acham que o mundo não mudou ou então pararam no tempo, como todo conservador.

Outro grupo de professores é o dos enganadores, aqueles que não se atualizam e dão aulas mesmo assim.

Não se reciclam há anos, ensinam o que era novo dez anos atrás.

Ou, pior, ensinam as mesmas coisas que eles próprios aprenderam quando estudavam.

Se tiverem sorte, mas muita sorte, vocês encontrarão um pequeno grupo de professores criativos e visionários, que criam e mostram como será o mundo de amanhã. Estes normalmente estão em cursos on line, porque são modernos.

São eles que vão inspirá-los a tentar fazer o que ninguém fez antes, são eles também que inspiraram quase todos os jovens que inventaram esses sites na internet. São estes que inspiraram Larry Page, Sergey Brin, Jeff Bezos.

O que muitos de seus professores ainda não perceberam é que o conceito de conhecimento humano mudou.

Não existe mais o conhecimento perene, guardado a sete chaves, restrito às “lides acadêmicas”.

As universidades não são mais as “casas do saber”, as “catedrais do conhecimento”, como muitas se autodefinem.

Hoje, o conhecimento humano é de curta duração, poderíamos até dizer descartável, usado duas ou três vezes e jogado fora.

Por isto não faz mais sentido guardá-lo.

Isso nos obrigará a repensar e a gerar novo conhecimento, porque provavelmente o futuro precisará de soluções nunca vistas.

Por isto adoro Escolas de Administração, onde não há Teorias, temos poucos Keynes, Karl Marx, Adam Smith.

Adoramos estudos de Casos, coisas novas, não passadas.

O importante é vocês aprenderem a criar conhecimento, e não somente a usar o conhecimento do passado.

Eu utilizo o termo administrativo “conhecimento just in time“.

Vocês terão muitos problemas a resolver, e terão de saber como analisá-los, gerando uma solução ou “conhecimento” apropriado, que não necessariamente servirá para o resto da vida.

Daqui a alguns anos, a situação será outra, requerendo nova análise e solução.

Que algumas coisas são perenes, como 2 + 2 = 4 e muitas leis da física, não há a menor dúvida.

Mas o que estou sugerindo é que vocês tomem o cuidado de sempre questionar seus professores, para se certificar de que o conhecimento do passado será de fato útil no futuro.

Max Weber, Keynes e Freud escreveriam a mesma coisa se estivessem vivos hoje?

É isso que vocês precisam descobrir.

Até pode ser que sim, mas é melhor desconfiar sempre.

O que eu peço a vocês é que se concentrem em como gerar conhecimento.

Como observar, como identificar variáveis relevantes, os personagens vitais do problema e os interesses.

Como analisar alternativas e tomar decisões.

Usei muito pouco das teorias que me ensinaram na faculdade.

Meu sucesso profissional foi devido muito mais ao conhecimento que eu próprio gerei, que eu mesmo criei, do que às teorias e técnicas que mal me ensinaram.

A “faculdade” que vocês precisam adquirir é a da criação, da criatividade, da geração de conhecimento, e não a da erudição, do academicismo ou a da decoreba que se alastra pelo país.

Infelizmente, vocês terão de agradar aos dois primeiros tipos de professor repetindo o passado que eles querem ouvir, senão não serão aprovados.

Saibam distinguir quem é quem, e boa sorte!

 

Originalmente publicado na Revista Veja, 21 de fevereiro de 2007 página 18

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Uma Razão Para o Desemprego II https://blog.kanitz.com.br/razao-desempregadas/ https://blog.kanitz.com.br/razao-desempregadas/#comments Wed, 10 Jul 2013 22:50:50 +0000 http://66.147.244.83/~blogkani/wordpress/?p=3992   Se você não viu o Teste de QI de ontem, leia primeiro. Se você está voltando e ainda não sabe porque 39% é estranho, você vai mal. Mesmo depois que alguém fez a observação que o número é estranho, você não consegue. Não se preocupe, nossas universidades não ensinam a pensar, só a decorar. […]

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Se você não viu o Teste de QI de ontem, leia primeiro.

Se você está voltando e ainda não sabe porque 39% é estranho, você vai mal.

Mesmo depois que alguém fez a observação que o número é estranho, você não consegue.

Não se preocupe, nossas universidades não ensinam a pensar, só a decorar.

O Método de Ensino de Casos, não é adotado por aí.

Mas vamos lá.

Agora, vamos fazer alguns cálculos econômicos.

O brasileiro conhece, em média, 100 pessoas, (jovens brasileiros conhecem cerca de 200, como se pode perceber pelo Orkut, e Facebook).

Por outro lado, sabemos que o desemprego na época da pesquisa era de 10%.

Ou seja, cada um de nós deveria conhecer 10 pessoas desempregadas, não 0,39 pessoas.

A pesquisa da CNT, então, deveria apontar 100% na resposta à pergunta “você conhece alguma pessoa desempregada?”. Ou 1000%, já que todos conhecem 10 pessoas, não uma.

Como poder existir algumas pessoas que conhecem poucas pessoas, talvez a pesquisa daria 99%, ou 98%.

O que então está acontecendo?

Você, como Presidente do Banco Central, injetaria trilhões na economia, seguindo a teoria Keynesiana, para empregar estes desempregados?

Você tem mais um dia para pensar.

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A Razão Oculta (de Parte) do Desemprego https://blog.kanitz.com.br/qi-estatistica/ https://blog.kanitz.com.br/qi-estatistica/#comments Mon, 24 Jun 2013 03:00:00 +0000 http://66.147.244.83/~blogkani/wordpress/2009/06/26/freakonomics-a-brasileira-a-razao-oculta-de-parte-do-desemprego/   Fiquei intrigado com uma pesquisa da CNT/Sensus que mostra que 40% dos brasileiros conhecem uma ou mais pessoas desempregadas. Este dado é sério, porque parece influenciar o padrão de consumo da pessoas: quem teme perder o emprego não compra a prazo. Nem a pau. Não compra casa, automóveis em 36 meses, nem eletrodomésticos. Mas antes […]

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Fiquei intrigado com uma pesquisa da CNT/Sensus que mostra que 40% dos brasileiros conhecem uma ou mais pessoas desempregadas.

Perder emprego

Este dado é sério, porque parece influenciar o padrão de consumo da pessoas: quem teme perder o emprego não compra a prazo. Nem a pau. Não compra casa, automóveis em 36 meses, nem eletrodomésticos.

Mas antes um teste de QI. Algo para vocês pensarem.

O que há estranho nesta estatística de 39%? Se ela não te chamou atenção de cara, você tem um problema.

Você tem 24 horas para  pensar.

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Jamais Apresente Uma Solução https://blog.kanitz.com.br/solucao/ https://blog.kanitz.com.br/solucao/#comments Sat, 16 Mar 2013 14:00:00 +0000 http://66.147.244.83/~blogkani/wordpress/2012/08/14/jamais-apresente-uma-solucao-a-um-problema/   Quando a gente encontra um problema que ninguém ainda havia percebido na empresa, no governo, ou na sociedade, a nossa primeira reação é ficar quieto. Embora o problema fique cada vez mais óbvio para você à medida que os dias passam, normalmente ficamos mudos. Espantados com “Como é que ninguém viu isto antes?”, mas […]

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Quando a gente encontra um problema que ninguém ainda havia percebido na empresa, no governo, ou na sociedade, a nossa primeira reação é ficar quieto.

Embora o problema fique cada vez mais óbvio para você à medida que os dias passam, normalmente ficamos mudos.

Espantados com “Como é que ninguém viu isto antes?”, mas normalmente mudos.

Só iremos escrever um “paper” sobre o assunto, um artigo numa revista, ou dar uma entrevista a um jornalista quando acharmos uma solução para o problema que identificamos.

Isto porque na maioria das culturas não profissionais, ninguém aceita a apresentação de um problema sem a solução.

A Presidente Dilma lhe passará uma descompostura se você apresentar um problema sem uma saída.

“E qual a solução? ”

Eu, com a sabedoria da idade, sei que apresentar uma solução a um problema que você identificou é o maior erro que se pode fazer em países como o Brasil.

Talvez no mundo, porque de fato valorizamos muito mais os que acham uma solução do que os que acham o problema.

Valorizamos quem dá as respostas e não quem faz as perguntas inteligentes.

Refiro-me a países não profissionais, países que não entendem a importância da identificação do problema, países que acham que a solução é a parte mais importante da análise.

Talvez este tenha sido inclusive o maior erro que já cometi na minha vida, e a razão pela qual muitas das minhas análises não tenham tido mais repercussão, para o meu desespero.

Hoje, sou mais sábio.

Nunca mais forneço a solução no mesmo artigo, entrevista ou “paper” nos quais apresento ou identifico o problema.

Vou por partes.

Primeiro, gasto o tempo necessário mostrando que temos um problema ou que o verdadeiro problema “é este”. A solução, se pedirem, vem depois.

Todas as soluções de problemas errados são, por definição, erradas e só trarão problemas maiores.

Pior, a solução que você propõe poderá estar errada, mas a identificação do problema correta.

Aí, você corre o risco de colocar tudo a perder. Ninguém vai concordar contigo devido a sua solução, e a sua correta identificação do problema ficará perdida para sempre.

Antigamente eu identificava o problema, apontava uma solução, detalhava a implantação da solução, e até contratava quem melhor servia para o caso.

Quando tinha 38 anos, descobri que o problema da Dívida Externa Brasileira era o Nominalismo Econômico, que fazia com que pagássemos a dívida externa antecipadamente, e não na época certa.

Fui trabalhar no Governo Sarney, onde contatei meus colegas de Harvard, muitos em Fundos de Pensão, e criamos o que é hoje o TIPS americano.

Procurei a Standard & Poors para iniciar um rating para o Brasil, contratei a Towers Perrin para identificar os 14.000 fundos de pensão que adorariam ter dívidas certas, mereci até um editorial da Revista Euromoney e uma matéria no Wall Street Journal.

Com o editorial da Euromoney me apoiando, abri uma champagne com meus amigos: “Consegui”.

Que nada!

Descobri que a maioria dos envolvidos do lado de cá, ainda nem sabia do problema.

Achavam que o problema eram os bancos, a ganância, os juros e a corrupção.

Eu havia escrito 200 artigos em jornais brasileiros, mas a maioria dos que os leram, pelo jeito, haviam achado algum ponto na minha solução que discordavam, um erro de português, ou uma projeção de câmbio diferente daquela que eles possuíam.

Tudo no fundo era detalhe, até a minha solução.

A maioria dos jornalistas a quem dei entrevistas me acharam provavelmente arrogante, um trator, um sonhador maluco, porque estava apresentando uma solução completa, e eles não formados em nada além de jornalismo, ficavam na etapa número 1 e eu estava galopando para a etapa número 10.

Um erro monumental.

Quando voltei do fundo de Pensão da IBM, com 1 bilhão de contrato novo na mão, ouvi do Presidente do BC, Fernão Bracher:

“Agora entendi, você só vai pagar o juro real a cada 6 meses, e a correção do principal só será paga no vencimento da dívida daqui 5 anos!”

Até aquele momento ele achava que pagaríamos o juro real mais a inflação a cada 6 meses, que é justamente o erro nominalista que acarretou nossa crise da dívida.

Perdi dois anos de conversas com alguém na minha frente que não estava entendendo nada, e não queria se incomodar.

O erro foi meu, não do Bracher e todos os responsáveis pelas finanças deste país. Não expliquei corretamente o problema, deveria ter ficado somente nisto, mas esta não é a nossa cultura.

 

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Entenda a Relação Dívida/PIB https://blog.kanitz.com.br/relacao/ https://blog.kanitz.com.br/relacao/#comments Fri, 23 Sep 2011 00:41:00 +0000 http://66.147.244.83/~blogkani/wordpress/2011/09/22/e-se-a-relacao-dividapib-ultrapassar-100-estaremos-fritos/ A relação Dívida de um país como % do seu PIB tem sido usada sistematicamente por aqueles que querem disseminar pânico no setor financeiro, provavelmente ganhando com isto. Você investiria em títulos do governo Brasileiro, se a dívida ultrapasse 100% do PIB? Você exigiria um juro estratosférico para continuar financiando um país cuja dívida está […]

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A relação Dívida de um país como % do seu PIB tem sido usada sistematicamente por aqueles que querem disseminar pânico no setor financeiro, provavelmente ganhando com isto.

Você investiria em títulos do governo Brasileiro, se a dívida ultrapasse 100% do PIB?

Você exigiria um juro estratosférico para continuar financiando um país cuja dívida está prestes a ultrapassar 100%?

Como esta previsão ao lado?

Imagine dever MAIS do que o PIB.

Quando o Brasil chegou a 60% do PIB em 1986, boa parte sendo uma dívida externa, mais de 40 acadêmicos brasileiros entre os quais Prof. Celso Furtado, Profa. Maria Conceição Tavares, Prof. Paulo Nogueira Batista propuseram a Moratória da Dívida Externa, por considerá-la impagável.

Conseguiram a Moratória e uma década perdida.

O erro ou engodo sendo cometido é fácil de constatar.

Uma dívida é paga ao longo de 20 a 30 anos, especialmente se for de um país.

Dividir uma dívida a ser paga ao longo de 20 anos, pelo PIB de um único ano, é obviamente um erro monumental.

Multiplicar o PIB por 30 anos, e usar este valor no numerador seria uma fórmula mais apropriada, adequando a dívida ao seu prazo de pagamento.

Neste caso daria uma relação Dívida/PIB bem menor, aliás 97% menor. 

Uma dívida que chega a “100%” do PIB, na realidade é uma dívida de somente 3,3% do PIB de 30 anos, isto se não houver crescimento. 

Se o PIB crescer 3% ao ano, algo razoável, então o número cai para 1,8% do PIB médio destes 30 anos. 

Entre pagar 100% em um único ano e 1,8% por ano por 30 anos há uma enorme diferença, mas quem não lê artigos escritos por Contadores jamais ficará sabendo disto. 

Você consideraria sensato comprar uma casa e morar nela já, comprometendo 1,8% da sua renda por ano? 

Você romperia com todos os Bancos Americanos que lhe financiaram por 30 anos a juros de 3% ao ano? É o que Celso Furtado e outros fizeram. 

Este indicador está novamente sendo veiculado na imprensa mundial, relativo a dívida “colossal” dos países Europeus e dos Estados Unidos

Total-us-debt-vs-gdp

A Dívida americana é de 360% do PIB, mas em 30 anos com um PIB e impostos crescentes, representa somente 7,5% por ano.

E 7,5% é bem mais confortável do que 360% pago em um único ano, que obviamente nunca é o caso. 

Que Bancos, Hedge Funds e Especuladores contratem consultores para disseminarem pânico com estatísticas cientificamente apuradas, com o intento de aumentar os juros e a volatilidade é fácil de entender.

Dívidas são pagas ao longo de vários anos, e não em um ano só.

Além do fato que PIB nem é o indicador apropriado.

 

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