AMOR E NAMORO - Stephen Kanitz https://blog.kanitz.com.br/artigos/familia/namoro/ Blog para se Pensar Fri, 06 Aug 2021 20:24:05 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.7.5 https://blog.kanitz.com.br/wp-content/uploads/2021/06/stephenkanitz-favicon-150x150.png AMOR E NAMORO - Stephen Kanitz https://blog.kanitz.com.br/artigos/familia/namoro/ 32 32 Você Está Escolhendo o Namorado Certo? https://blog.kanitz.com.br/namorado-certo/ https://blog.kanitz.com.br/namorado-certo/#comments Sat, 20 Jul 2019 09:24:12 +0000 http://blog.kanitz.com.br/?p=25872 Existe um teste que recomendo a todas as moças solteiras que estão se decepcionando com os homens que escolhem. Mulheres basicamente procuram Homens que eu chamo do TIPO P, P de Paizāo. Serão excelentes pais, se manterão casados exatamente por isso, são trabalhadores, e não faltará dinheiro. O problema é que nem todos são bonitos […]

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Existe um teste que recomendo a todas as moças solteiras que estão se decepcionando com os homens que escolhem.

Mulheres basicamente procuram Homens que eu chamo do TIPO P, P de Paizāo.

Serão excelentes pais, se manterão casados exatamente por isso, são trabalhadores, e não faltará dinheiro.

O problema é que nem todos são bonitos e charmosos, e nesse momento da vida não lhes são atraentes.

É aqui que entra o Homem TIPO G, G de Garanhão.

Ele sabe seduzir, é encantador, mente o tempo todo, e seu objetivo é lhe levar para cama o mais rápido possível.

Em Genética Comportamental, ele segue a estratégia r minúsculo, o maior número de filhos, tchau e benção que Deus e o Estado cuidem deles.

O Homem Tipo P, segue a estratégia K, poucos filhos, mas todos chegarão à vida adulta, todos serão bem alimentados, todos terão a presença de um pai, uma educação científica e moral, e trarão netos.

A proporção do TIPO P e TIPO G na sociedade ainda é um assunto controverso, mas os G variam de 10% a 30%, portanto cuidado.

Existe um teste meia boca que fornece o primeiro sinal.

É o teste D2/D4, onde o dedo anelar versus o dedo indicador poderá ser maior ou menor, como ilustra o gráfico.

Se o anelar for maior do que o indicador, medido da ponta até a base, ele tem 70% de chance de ser um Garanhāo.

Se for menor, ele tem muita chance de ser um Paizāo.

Esse teste é uma proxy, uma aproximação grosseira, do nível de testosterona de um homem.

Antes de dar o fora, tente descobrir o verdadeiro nível de testosterona via testes que ele normalmente já deve ter feito.

Tem outros indicadores genéticos, porque a maioria dos Paizões são geneticamente descendentes dos povos agricultores originais.

Os Garanhões são os descendentes dos nômades mais antigos ainda, cada dia num outro lugar, nada acumulavam, nada pesquisavam, só predavam a natureza e os inimigos, justamente o que você não quer.

Os Paizões acreditam no trabalho, nesse caso na agricultura, como forma de sustento e não na predação, acreditam em família, uma única mulher, e na propriedade privada, a terra que irão cultivar.

Curioso é que a luta entre Garanhões e Paizões continua até hoje na política, apesar dos Garanhões estarem em lenta extinção, predando os outros até hoje.

Outra forma certeira de identificá-los.

Não bobeie.

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O Dia em Que Pedi a Cameron Diaz em Casamento https://blog.kanitz.com.br/cameron-diaz/ Sat, 10 Jun 2017 12:17:00 +0000 http://blog.kanitz.com.br/?p=22626   Foi em Oxford, 2009, na conferência do Ted Global. E quem senta ao meu lado? Cameron Diaz, herself. No primeiro intervalo fiz o que sempre faço com pessoas famosas. “Prazer, sou Stephen Kanitz, jornalista do Brasil, e você faz exatamente o quê?” Posso ter passado por idiota, mas gente famosa adora se sentir normal […]

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Foi em Oxford, 2009, na conferência do Ted Global.

E quem senta ao meu lado? Cameron Diaz, herself.

No primeiro intervalo fiz o que sempre faço com pessoas famosas.

“Prazer, sou Stephen Kanitz, jornalista do Brasil, e você faz exatamente o quê?”

Posso ter passado por idiota, mas gente famosa adora se sentir normal novamente, conversar com alguém que nem sabe que ela é famosa, desinteressadamente.

E deu certo.

Comentários para lá e para cá, ficamos amigos.

“Amanhã eu posso reservar seu lugar aqui novamente?”

Sure.

No terceiro dia, comentei.

“Nossa, descobri que você é super famosa, você nem vai mais querer conversar comigo.”

“Imagine Stephen, você é lindo e muito inteligente.”

Talvez ela não tenha dito exatamente o termo “lindo”, mas foi algo como “handsome“.

No último dia, na última seção, criei coragem, virei para ela e disse.

“Cameron, eu vou ter que lhe fazer uma pergunta complicada. Se eu não fizer, me arrependerei pelo resto da vida.”

“O que você gostaria de me perguntar?”

Would you marry me?”

Os próximos segundos foram os mais longos da minha vida.

Com classe, ela olha fundo no meus olhos e com um sorriso que jamais esquecerei disse.

I will think about it.

De volta para o Brasil, contei para todos os meus amigos a minha ousadia.

Contei também para minha esposa Lilian, que disse a mesma coisa, “sei, conta outra”.

Nas duas semanas seguintes, esperando ansiosamente pela resposta, comecei a refletir melhor no que havia feito.

E se ela respondesse sim?

O que eu faria com a Lilian, minha companheira de 40 anos, minha parceira, meu escudo nas horas difíceis, minha cúmplice de tantas coisas?

Foi aí que decidi que responderia Não.

O que eu faria com uma Cameron Diaz?

Leva-lá ao orgasmo duas vezes ao dia? Na minha idade?

E como eu iria apresentá-la aos meus amigos como o Zé, o Oscar, o Ruy, o Fernando, um bando de pé-rapados?

Quando ela conhecia o Pitt, o Clooney, o Cruise?

No way.

Meu mundo será o da Lilian, minha esposa, e dos meus amigos, mesmo aqueles que não acreditaram que pedi a Cameron em casamento.

Portanto Cameron, minha resposta será não, I’m sorry.

Podemos nos manter amigos?

 

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A Verdadeira Função do Sexo https://blog.kanitz.com.br/funcao-do-sexo/ https://blog.kanitz.com.br/funcao-do-sexo/#comments Thu, 12 Jun 2014 15:00:00 +0000 http://66.147.244.83/~blogkani/wordpress/?p=175   Apesar de sexo ser o assunto mais comentado nas TVs e revistas para jovens casais, a maioria ainda não sabe qual é a verdadeira função do sexo. E este desconhecimento da sua verdadeira função está tornando a vida amorosa e matrimonial desta nova geração um inferno. Ninguém está satisfeito, apesar de sexo nunca antes ter […]

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Apesar de sexo ser o assunto mais comentado nas TVs e revistas para jovens casais, a maioria ainda não sabe qual é a verdadeira função do sexo.

E este desconhecimento da sua verdadeira função está tornando a vida amorosa e matrimonial desta nova geração um inferno.

Ninguém está satisfeito, apesar de sexo nunca antes ter sido tão abundante.

Escrevo isto para pais, pastores, tios e amigos, que poderão usar este artigo à vontade para orientar jovens sobre este assunto.

A primeira ideia que precisa ser descartada é a de que a função do sexo é essencialmente para a reprodução humana.

Esta definição é apropriada para animais, não para seres humanos.

Não fazemos sexo da forma “rapidinha“, tipo coelhinho, onde a fêmea sequer desfruta prazer.

Onde não existe “casamento” entre homem e mulher, onde não há filhos para se educar.

Nossa concepção de sexo é diferente. É algo que precisa ser demorado, curtido, satisfatório para ambos, homem e mulher.

Entre seres humanos, a função do sexo é manter a união, a estabilidade e a permanência do casal.

A união permanente do casal, inexistente no mundo animal, é que nos tornou humanos pela dedicação que devotamos aos filhos do casal.

Algo extremamente importante porque, entre humanos, crianças demoram 12 a 20 anos para amadurecer e precisam de no mínimo dois adultos e duas avós para dar conta do recado.

Manter um casal unido por tanto tempo como todos sabem não é fácil, nunca foi.

Por isto, a genética humana desenvolveu o prazer sexual, o orgasmo, a paixão por um único parceiro, um parceiro especial.

A função do sexo é manter o casal unido, e não a procura de parceiros diferentes ao longo da vida.

Somente um parceiro de longo prazo o levará nas alturas, saberá todos os detalhes que o levam às nuvens, e por isto você e ela voltam, para ter mais.

Homens e mulheres que não sabem a verdadeira função do sexo, se arriscam a cuidar dos filhos sozinhos.

O sexo rápido, com dezenas de parceiros em um único ano onde se usa a mentira, a sedução enganosa, o uso do corpo do parceiro e fim de papo, não é uma forma adequada para manter um casal unido.

Foi aí que Deus ou a genética inventaram o sexo por prazer.

Adão e Eva não são os primeiros seres humanos da Terra, interpretação que há muito deveríamos ter abandonado.

Adão e Eva são sim o primeiro casal na Terra, daí a sua importância. O casal que descobriu o sexo, o conhecimento sexual para se manter e procriar unidos, semeando a Terra.

Gênesis é a história do primeiro casal que descobre a maçã do conhecimento que era a verdadeira função do sexo, segredo para a monogamia e a correta dedicação a filhos.

Com a agricultura, os casamentos se tornaram finalmente monogâmicos e o homem desenvolveu hormônios especiais, a oxitocina, que ele passa para a mulher durante o sexo, mais um mecanismo para manter o casal unido.

Vários hormônios e feromônios têm a função de manter a parceira e o parceiro fiel.

Sexo não é para atrair o seu primeiro marido, algo que as revistas femininas não param de insinuar.

Sexo é para manter o seu marido para sempre.

O correto seria ensinar nossas filhas e filhos que o inteligente é cada um mostrar o melhor do seu sexo depois de ter filhos, não antes. É quando eles mais irão precisar destes dotes sexuais.

Se a função do sexo é manter o casal unido, toda esta propaganda do sexo liberado, dos novos tempos, do fim da pílula, é um equívoco.

O objetivo do sexo não é ter vários amantes ao longo da vida.

É justamente o contrário.

É o bálsamo que precisamos para ficar com o mesmo homem ranzinza e a mesma mulher chata ao longo da vida.

Por isto, sexo precisa ser tão especial.

Viver a dois por 30 anos, não é fácil.

Sexo no fundo é o chantilly, é a cereja do bolo de um casamento já consagrado e sedimentado.

Filha, sexo só depois do casamento“, é hoje um conselho de fato equivocado.

A frase correta, por absurdo que pareça, seria: “Filha, sexo só depois de ter filhos“.

Traduzindo, o conselho correto seria:

Filha, reserve o melhor do sexo para depois que você tiver filhos, mostre o melhor não antes do casamento, mas depois, pois vocês vão precisar.

Sexo humano, ao contrário do sexo animal, é um sexo fantástico, demorado, prazeroso, compartilhado, unido, que pode fazer maravilhas para apagar os dissabores do dia a dia de cuidar de filhos e viver pacificamente a dois.

Vocês não sabem o que estão perdendo.

 

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Há Quanto Tempo Seu Casamento Não Passa Por Uma Revisão? https://blog.kanitz.com.br/revisao/ https://blog.kanitz.com.br/revisao/#comments Sat, 24 Aug 2013 15:00:00 +0000 http://66.147.244.83/~blogkani/wordpress/?p=386   Terapeutas de casais recebem normalmente seus pacientes quando o casamento já está com sérios problemas, quando ele está por assim dizer doente, razão da palavra “terapia”. Pior ainda, o fator que melhor prevê o fim de um casamento é a sua ida a um terapeuta de casal, segundo pesquisa de John Gottman. O que mostra que […]

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Terapeutas de casais recebem normalmente seus pacientes quando o casamento já está com sérios problemas, quando ele está por assim dizer doente, razão da palavra “terapia”.

Pior ainda, o fator que melhor prevê o fim de um casamento é a sua ida a um terapeuta de casal, segundo pesquisa de John Gottman.

O que mostra que esta tentativa final, normalmente não dá certo.

O problema é que a maioria dos casais procura um terapeuta para “consertar” um casamento, como um mecânico conserta um carro avariado, quando as coisas já andam pretas.

Precisamos mudar de atitude.

O que você precisa não é de um terapeuta de casal, o que você precisa é de uma revisão, antes que os problemas surjam.

O que falta é um conselheiro, tipo frentista de um posto de gasolina.

Meu frentista sempre pede para verificar o óleo do meu carro, a pressão dos pneus, o óleo do freio e a água do radiador.

Outro dia, ele me avisou que meu extintor de incêndio não funcionava mais, algo que acontece com muitos casais.

Nada o que meu frentista avisa é sério, mas são pequenas coisas que poderiam fazer o meu carro parar.

Não significa que meu carro esteja doente, são simples ajustes de manutenção.

Há quanto tempo seu casamento não passa por uma revisão?

Há quanto tempo alguém, fora da família, não lhe pergunta se você trocou o óleo do seu casamento, se você colocou água nas flores do seu jardim, se você verificou se seu breque pessoal funciona?

Outro dia fiz um comentário bobo, que admito não deveria ter feito, mas eu disse em voz alta que estava pensando em trocar o carro por um mais novo.

Não faça isto, doutor”, disse meu frentista, “hoje não se fazem mais carros como este”, e foi me explicando coisas do meu carro antigo que nem eu sabia.

Há coisas que você não pode comentar com a esposa, esposo ou amigo, não somos especialistas em casamento.

As fábricas de carro não dão cursos sobre como tratar a preciosidade que você está comprando, nossas faculdades menos ainda.

Quando você comprar o seu próximo carro, escolha bem o seu mecânico de confiança, um dia você irá precisar dele, e com certa urgência.

O mesmo com o casamento.

Escute os conselhos de seus avós, tios e pais, eles têm experiências no casamento que valem a pena ser ouvidas.

Dê um toque no diácono ou o pastor da sua igreja, eles são uns frentistas e tanto.

Isto tudo irá lhe ajudar para cuidar bem do motor de sua vida.

Seu cônjuge, bem entendido.

  

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A Generosidade Masculina https://blog.kanitz.com.br/generosidade-masculina/ Mon, 15 Jul 2013 13:45:06 +0000 http://66.147.244.83/~blogkani/wordpress/2008/12/16/a-generosidade-masculina-2/   É tão generalizada a visão de que os homens na maior parte são egoístas, gananciosos e só pensam em si que fico até constrangido em tentar mostrar alguns fatos e dados que colocam essas generalizações ofensivas em xeque. Antigamente, um dos critérios que as mulheres usavam para escolher seus pares era justamente a generosidade masculina. Elas ficavam muito […]

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É tão generalizada a visão de que os homens na maior parte são egoístas, gananciosos e só pensam em si que fico até constrangido em tentar mostrar alguns fatos e dados que colocam essas generalizações ofensivas em xeque.

Antigamente, um dos critérios que as mulheres usavam para escolher seus pares era justamente a generosidade masculina.

Elas ficavam muito atentas para detectar homens generosos, aqueles que pagavam a conta num jantar (dele e dela).

Aqueles que as levavam a lugares caros, um teatro ou concerto, os que davam flores todos os dias, joias e presentes caríssimos.

Elas sabidamente procuravam um par que estivesse ganhando muito mais do que precisava para viver sozinho.

Que tivesse excedentes quando solteiro e, por conseguinte, dinheiro de sobra para cuidar de mais pessoas no futuro, os filhos.

Portanto, casavam-se com homens que não iriam se sentir mais pobres depois da lua-de-mel e que não reclamariam todos os dias dos gastos da mulher.

Casavam-se com homens acostumados a gastar mais com os outros do que consigo.

Não é coincidência que “generosidade” advenha do próprio termo “gênero”.

Pode-se argumentar que a generosidade masculina é uma consequência desta escolha feminina, que não é mérito dos homens.

Mas afirmar que os homens são todos canalhas e egoístas como encontramos em alguns textos acadêmicos não confere com os fatos.

Infelizmente, esse método de seleção passou a ser considerado politicamente incorreto.

A generosidade masculina passou a ser considerada mais uma forma de opressão machista ou uma forma de suborno para obter algo em troca.

Hoje, a maioria das mulheres trabalha, e o critério feminista agora vale para os homens também.

As mulheres de hoje foram induzidas a se casar com homens menos generosos, egoístas de fato, e o resultado está aí.

O número de casamentos fracassados e divórcios não parou de subir nos últimos trinta anos.

Briga de casal por causa de dinheiro é uma das três principais razões para a separação.

Mas há uma segunda consequência ainda mais nefasta.

Os homens passaram a gastar não mais com as mulheres por quem se apaixonam, mas consigo.

Passaram a comprar canetas Montblanc, sapatos e roupas de grife, em vez de rosas e presentes caros para elas.

Continuaram tentando mostrar às mulheres que eles ganham muito mais do que precisam para viver, razão pela qual as mulheres os adoram mesmo assim.

Continuam usando o mesmo critério de seleção, mas de uma forma equivocada.

Em nome de uma ideologia feminista, transformaram o homem generoso de antigamente no homem narcisista de hoje.

Toda essa ostentação e esse consumo supérfluo não são fruto do “capitalismo neoliberal” nem do “mercado de consumo”, mas de uma visão equivocada do que é “politicamente correto” nas relações de gênero.

A generosidade masculina deixou de ser o critério de seleção que era. Em suma, deu-se um tiro no pé.

A nova geração de mulheres saiu perdendo, pois, uma vez casadas, descobrem que terão enormes dificuldades em convencer seus mauricinhos a trocar aquele Audi A4 por um carrinho de bebê quando a paternidade chegar.

Se você pretende se casar com um homem inteligente, competente e generoso, e que não vai controlar eternamente os seus gastos, procure os homens sob a ótica antiga.

Aqueles que ganham mais do que precisam para viver, os que são extremamente generosos com relação ao dinheiro.

Hoje, o mesmo critério se aplica a uma mulher.

Você terá um marido ou esposa inteligente, um pai carinhoso e uma mãe precavida, uma vida financeira sem sustos e, o mais importante, sem dívidas para infernizá-los.

 

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Por Que Homens Só Pensam “Naquilo”? https://blog.kanitz.com.br/pensam-naquilo/ Fri, 14 Jun 2013 13:51:14 +0000 http://66.147.244.83/~blogkani/wordpress/2008/12/16/o-que-jamais-poderemos-esquecer/ Por que os homens só pensam “naquilo”? Por que nossas novelas só mostram “aquilo”? Por que nossos anúncios e propagandas insinuam “aquilo”, sem parar? Porque fomos geneticamente programados a pensar “naquilo” com muita frequência. Podemos esquecer de fazer uma série de coisas na vida. Podemos nos esquecer de tomar café ou de dizer bom dia ao vizinho, mas de uma coisa […]

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Por que os homens só pensam “naquilo”?

Por que nossas novelas só mostram “aquilo”?

Por que nossos anúncios e propagandas insinuam “aquilo”, sem parar?

Porque fomos geneticamente programados a pensar “naquilo” com muita frequência.

Podemos esquecer de fazer uma série de coisas na vida.

Podemos nos esquecer de tomar café ou de dizer bom dia ao vizinho, mas de uma coisa jamais podemos nos esquecer: de nos reproduzir e ter filhos.

Cada um de nós está vivo porque somos o último elo de milhões de antepassados, nenhum dos quais se esqueceu de reproduzir-se.

Quando as mulheres reclamam que homens só pensam”naquilo”, elas estão sendo tremendamente injustas porque o instinto do “não esquecimento” está em ambos os sexos, e com a mesma intensidade.

Afinal, nenhuma das mães das mulheres vivas hoje se esqueceu de reproduzir-se.

Hoje se suspeita até que mais mulheres traiam o marido do que vice-versa, mas isto contarei um outro dia.

Coloque-se na posição de Deus no dia da criação.

Você tem de decidir que tipo de ser humano criar. Você precisará definir a intensidade de qualidades como agilidade, inteligência, força, solidariedade e que grau de instinto sexual atribuir ao homem e à mulher.

Como a energia é escassa, você não poderá dar grau 100 a cada qualidade humana.

Você daria 100 à inteligência, 60 à agilidade e 40 ao instinto sexual?

Ou você daria 40 à inteligência, 60 à agilidade e 100 a nosso interesse “naquilo”?

Ou dividiria igualmente, 66% para que característica humana? Você tem 5 minutos para decidir. Não continue a ler, sem ter tomado uma decisão.

Você preferiria criar um ser humano inteligente, mas desligado sexualmente , ou um ser humano mais bobão, mas com pouco risco de ser levado à extinção, porque ele só pensa naquilo?

Como vocês mulheres já suspeitavam, Deus optou por essa segunda opção.

E faz muito sentido.

Pela lei da probabilidade, entre nossos 4 milhões de ancestrais, mais de uma vez tivemos um antepassado meio esquecido e desligado, que só teve um único filho aos 26 anos, pouco antes de ser comido pelos leões.

Mas foi o suficiente para ele deixar você como descendente.

Todos nós vivos hoje escapamos por um triz de não estar lendo este artigo.

Se Deus tivesse atribuído grau 40 em vez de 100, o que provavelmente muitos teólogos, papas e moralistas teriam escolhido, a sua história familiar seria outra, ou seja, inexistente.

Essa decisão divina explica muita coisa deste mundo maluco: esta burrice coletiva que assola o mundo e o Brasil e as besteiras que homens e mulheres cometem.

Uma sábia decisão que hoje provoca uma série de problemas, como o erotismo desenfreado, a preocupação exagerada com o sexo, o desempenho e a traição, que trazem como consequência esta sociedade de consumo e de ostentação. Mas que nos permitiu chegar até aqui como somos: lerdos, burros, mas vivos.

A encrenca é que a maioria dos nossos publicitários, autores de telenovela, artistas, cineastas, a turma do “trair é normal” e do “tudo é permitido”, usa e abusa desse nosso instinto super caprichado para os próprios interesses.

Um jovem hoje em dia terá sido exposto a 12.000 apelos sexuais antes de completar 14 anos, uma aberração cultural sem precedentes na história da humanidade.

Hoje não precisamos ter doze filhos baseados na chance de que dois chegarão até a vida adulta.

Estão deliberadamente abusando desse nosso gene de preservação para ganhar dinheiro para suas empresas e para si.

Se você acha divertido assistir a novelas que só tratam “daquilo”, se você vive na internet procurando “aquilo”, se você acha o máximo os livros que só tratam “daquilo”, saiba que você está sendo usado e correndo risco de extinção.

Estão afastando-o de sua verdadeira tarefa de procurar alguém ideal para fazer “aquilo” com amor e diversão.

Estão usando o instinto mais caprichado que Deus nos deu para fazer justamente o contrário, deixar você isolado na frente do computador ou da televisão.

Nossos professores, artistas e cineastas, nossos líderes espirituais, nossa Igreja, nossos intelectuais estão se esquecendo de que sexo precisa ser de fato divertido, mas o segredo do divertimento são o comedimento, a surpresa e o mistério, e não estão nos submetendo.


Publicado originalmente na Veja.  

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O Cérebro Sexual https://blog.kanitz.com.br/crebro-sexual/ Fri, 19 Apr 2013 13:40:39 +0000 http://66.147.244.83/~blogkani/wordpress/2008/12/16/o-crebro-sexual/ Um dos melhores livros que li nos últimos anos foi A Mente Seletiva, de Geoffrey Miller, um especialista em psicologia e genética comportamental. Nunca escrevi algo polêmico aqui antes, porque assuntos polêmicos requerem um livro inteiro, não uma única página como esta. Vou arriscar e abrir uma exceção. Ele começa apontando um segundo livro de […]

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Um dos melhores livros que li nos últimos anos foi A Mente Seletiva, de Geoffrey Miller, um especialista em psicologia e genética comportamental.

Nunca escrevi algo polêmico aqui antes, porque assuntos polêmicos requerem um livro inteiro, não uma única página como esta.

Vou arriscar e abrir uma exceção. Ele começa apontando um segundo livro de Darwin que poucos leem, A Origem do Homem, em que ele fala de seleção sexual.

Mulheres selecionam homens, e vice-versa. A variação genômica não é só consequência do meio ambiente.

O melhor exemplo é a plumagem do pavão, que o torna mais lento na hora de fugir dos seus predadores, mas é do que as fêmeas gostam, e por isso ele deixa mais descendentes quanto maior e mais bela for sua plumagem.

Se você achava que Darwin e “evolução” significam “a sobrevivência do mais forte”, você foi ludibriado por alguém.

Não podemos esquecer a seleção sexual que age para “a sobrevivência dos mais atraentes ao sexo oposto”. Uma bela diferença.

Geoffrey Miller traz uma nova teoria sobre por que o cérebro humano é tão mais desenvolvido que o dos outros animais.

Ele sugere que foram as mulheres que nos fizeram mais inteligentes.

Até hoje, homens selecionam mulheres bonitas, mas mulheres selecionam homens inteligentes.

Elas namoram mauricinhos, mas casam-se com o que chamam de “homem-cabeça”.

Muitos homens já sabiam disso intuitivamente, basta responder a esta singela pergunta: “Para conquistar o amor de uma mulher você usaria prosa ou poesia?”.

Se respondeu que amor se conquista com poesia, você é do time do Miller.

Pela lógica, você deveria ter respondido “prosa”.

Prosa é mais amplo, você pode dizer absolutamente tudo.

Poesia é limitante, especialmente se for rimada em versos alexandrinos.

Tente rimar “seus lindos olhos azuis”.

Você só tem mais alguns segundos antes de ela sumir. Não conseguiu, eu sabia. Que pena, perdeu a fêmea.

Só que Miller está certo: mulheres ficam fascinadas com homens que sabem escolher o ritmo das palavras, que selecionam um pequeno grupo estranho de termos, não aqueles que realmente descrevem seus sentimentos.

Arnaldo Jabor está certo quando escreve que Amor é Prosa, Sexo é Poesia.

Mulheres preferem um homem feio com senso de humor ao homem lindo de morrer e burro.

Se a tese for comprovada, as consequências são múltiplas e devastadoras.

O cérebro seria mais um órgão sexual que muitos homens usam descaradamente, mentindo, por exemplo.

Isso explica o intelectual pavão, que utiliza o cérebro não na busca da verdade, mas para seduzir o sexo oposto. Quantos professores transam com suas alunas? Pesquisa a se realizar. 

Explica por que tão poucos intelectuais conseguem convencer outros intelectuais nesses simpósios e debates públicos que acabam sendo conversas de surdos e que são feitos só para as pessoas aparecerem, e não para criar o necessário consenso para consertar alguma coisa.

Miller explica o motivo: homem não aceita ideia de outro homem, por uma questão de honra.

Mais uma vez, nesta semana usei os ensinamentos de Miller ao ler uma crítica de um aos nossos políticos e presidentes, por terem filhos fora do casamento.

Nossos políticos não são mulherengos, pelo menos não mais nem menos do que o resto da população.

O problema da democracia atual é que são os mulherengos que se tornam políticos por ter justamente os requisitos intelectuais necessários para seduzir o eleitor.

Vide Bill Clinton, Mitterrand e Kennedy.

Se Miller estiver certo, é uma pá de cal na democracia, não é esse o tipo de político que queremos, gastador por definição. Vide A Generosidade Masculina.

Se mulherengos escolhem propositadamente algumas profissões, em que possam usar seus privilegiados cérebros para conquistar mulheres, quais seriam elas?

E, aí, como vamos separar o joio do trigo?

Como teremos uma sociedade mais justa e igualitária?

Miller responde a algo que sempre me intrigou: por que alguém com 1 milhão de dólares arrisca tudo para dobrar o seu capital?

O que estaria por trás de toda essa ganância da direita e dessa ânsia de poder da esquerda?

A resposta dele para as duas perguntas: mulher.

Por outro lado, aponte-me alguém que continue rico após o quarto casamento ou que atraia mulher em fim de mandato.

O que chamamos de egoísmo é no fundo altruísmo, um desejo de atrair o sexo oposto e compartilhar a vida com ele.

Por isso, intelectual odeia rico, e vice-versa, e as mulheres adoram ambos.

O trailer é esse, minha gente.

Leiam o livro para tirar as próprias conclusões.

 

Stephen Kanitz artigo originalmente publicado na Veja  em 2007

Fatos Subsequentes


No livro, “Carla e Nicolas, a verdadeira história”, Carla Bruni fala não só do “físico” de seu marido – Nicolas Sarkozy, mas também de seus “cinco ou seis cérebros”, Folha de São Paulo, 05/06/08.

 

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O Poder da Validação https://blog.kanitz.com.br/poder-validacao/ https://blog.kanitz.com.br/poder-validacao/#comments Sat, 30 Mar 2013 14:30:03 +0000 http://66.147.244.83/~blogkani/wordpress/2009/04/04/o-poder-da-validacao-2/   Todo mundo é inseguro, sem exceção. Os super confiantes simplesmente disfarçam melhor. Não escapam pais, professores, chefes nem colegas de trabalho. Afinal, ninguém é de ferro. Paulo Autran treme nas bases nos primeiros minutos de cada apresentação, mesmo que a peça que já tenha sido encenada 500 vezes. Só depois da primeira risada, da […]

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Todo mundo é inseguro, sem exceção.

Os super confiantes simplesmente disfarçam melhor. Não escapam pais, professores, chefes nem colegas de trabalho.

Afinal, ninguém é de ferro.

Paulo Autran treme nas bases nos primeiros minutos de cada apresentação, mesmo que a peça que já tenha sido encenada 500 vezes.

Só depois da primeira risada, da primeira reação do público, é que o ator se relaxa e parte tranquilo para o resto do espetáculo.

Eu, para ser absolutamente sincero, fico inseguro a cada novo artigo que escrevo, e corro desesperado para ver os comentários postados.

Insegurança é o problema humano número 1. O mundo seria muito menos neurótico, louco e agitado se fôssemos todos um pouco menos inseguros. Trabalharíamos menos, curtiríamos mais a vida, levaríamos a vida mais na esportiva. Mas como reduzir esta insegurança?
Alguns acreditam que estudando mais, ganhando mais, trabalhando mais resolveriam o problema. Ledo engano, por uma simples razão: segurança não depende da gente, depende dos outros. Está totalmente fora do nosso controle.

Por isso segurança nunca é conquistada definitivamente, ela é sempre temporária, efêmera.

Segurança depende de um processo que chamo de “validação”, embora para os estatísticos o significado seja outro. Validação estatística significa certificar-se de que um dado ou informação é verdadeiro, mas eu uso esse termo para seres humanos. Validar alguém seria confirmar que essa pessoa existe, que ela é real, verdadeira, que ela tem valor.
Todos nós precisamos ser validados pelos outros, constantemente. Alguém tem de dizer que você é bonito ou bonita, por mais bonito ou bonita que você seja. O autoconhecimento, tão decantado por filósofos, não resolve o problema. Ninguém pode autovalidar-se, por definição.

Você sempre será um ninguém, a não ser que outros o validem como alguém. Validar o outro significa confirmá-lo, como dizer: “Você tem significado para mim”.

Validar é o que um namorado ou namorada faz quando lhe diz: “Gosto de você pelo que você é”. Quem cunhou a frase “Por trás de um grande homem existe uma grande mulher” (e vice-versa) provavelmente estava pensando nesse poder de validação que só uma companheira amorosa e presente no dia-a-dia poderá dar.

Um simples olhar, um sorriso, um singelo elogio são suficientes para você validar todo mundo.

Estamos tão preocupados com a nossa própria insegurança, que não temos tempo para sair validando os outros.

Estamos tão preocupados em mostrar que somos o “máximo”, que esquecemos de dizer aos nossos amigos, filhos e cônjuges que o “máximo” são eles. Puxamos o saco de quem não gostamos, esquecemos de validar aqueles que admiramos.

Por falta de validação, criamos um mundo consumista, onde se valoriza o ter e não o ser. Por falta de validação, criamos um mundo onde todos querem mostrar-se, ou dominar os outros em busca de poder.

Validação permite que pessoas sejam aceitas pelo que realmente são, e não pelo que gostaríamos que fossem. Mas, justamente graças à validação, elas começarão a acreditar em si mesmas e crescerão para ser o que queremos.

Se quisermos tornar o mundo menos inseguro e melhor, precisaremos treinar e exercitar uma nova competência: validar alguém todo dia. Um elogio certo, um sorriso, os parabéns na hora certa, uma salva de palmas, um beijo, um dedão para cima, um “valeu, cara, valeu”.

Você já validou alguém hoje? Então comece já, por mais inseguro que você esteja.

Stephen Kanitz

Artigo publicado na Revista Veja, edição 1705, ano 34, nº 24, 20 de junho de 2001, pág.22

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A Escolha de Seu Par https://blog.kanitz.com.br/dancaadois/ https://blog.kanitz.com.br/dancaadois/#comments Fri, 15 Mar 2013 19:03:18 +0000 http://66.147.244.83/~blogkani/wordpress/?p=6083 Há trinta anos, os adolescentes encontravam o sexo oposto em bailes de salão organizados por clubes, igrejas ou pais responsáveis preocupados com o sucesso reprodutivo de seus rebentos. Na dança de salão o homem tem uma série de obrigações, como cuidar da mulher, planejar o rumo, variar os passos, segurar com firmeza e orientar delicadamente […]

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Há trinta anos, os adolescentes encontravam o sexo oposto em bailes de salão organizados por clubes, igrejas ou pais responsáveis preocupados com o sucesso reprodutivo de seus rebentos.

Na dança de salão o homem tem uma série de obrigações, como cuidar da mulher, planejar o rumo, variar os passos, segurar com firmeza e orientar delicadamente o corpo de uma mulher.

Homens levam três vezes mais tempo para aprender a dançar do que mulheres.

Não que eles sejam menos inteligentes, mas porque têm muito mais funções a executar.

Essa sobrecarga em cima do homem permite à mulher avaliar rapidamente a inteligência do seu par, a sua capacidade de planejamento, a sua reação em situações de stress.

A mulher só precisa acompanhá-lo. Ela pode dedicar seu tempo exclusivamente à tarefa de avaliação do homem.

Uma mulher precisa de muito mais informações do que um homem para se apaixonar, e a dança permitia a ela avaliar o homem na delicadeza do trato, na firmeza da condução, no carinho do toque, no companheirismo e no significado que ele dava ao seu par.

Ela podia analisar como o homem lidava com o fracasso, quando inadvertidamente dava uma pisada no seu pé. Podia ver como ele se desculpava, se é que se desculpava, ou se era do tipo que culpava os outros.

Essa convenção social de antigamente permitia ao sexo feminino avaliar numa única noite vinte rapazes entre os 500 presentes num grande baile.

As mulheres faziam um verdadeiro teste psicológico, físico e social de um futuro marido e obtinham o que poucos testes psicológicos revelam.

Em poucos minutos conseguiam ter uma primeira noção de inteligência, criatividade, coordenação, tato, carinho, cooperação, paciência, perseverança e liderança de um futuro par.

Infelizmente, perdemos esse costume porque se começou a considerar a dança de salão uma submissão da mulher ao poder do homem, porque era o homem quem convidava e conduzia a mulher.

Criaram o disco dancing, em que homem e mulher dançam separados, o homem não mais conduz nem sequer toca no corpo da mulher.

O som é tão elevado que nem dá para conversar, os usuais 130 decibéis nem permitem algum tipo de interação entre os sexos.

Por isso, os jovens criaram o costume de “ficar”, o que permite a uma garota conhecer, pelo menos, um homem por noite sem compromisso, em vez de conhecer vinte rapazes numa noite, também sem compromissos maiores.

Pior: hoje o primeiro contato de fato de um rapaz com o corpo de uma mulher é no ato sexual, e no início é um desastre.

Acabam fazendo sexo mecanicamente em vez de romanticamente como a extensão natural de um tango ou bolero.

Grandes dançarinos são grandes amantes, e não é por coincidência que mulheres adoram homens que realmente sabem dançar e se apaixonam facilmente por eles.

Masculinizamos as mulheres no disco dancing em vez de tornar os homens mais sensíveis, carinhosos e preocupados com o trato do corpo da mulher. Não é por acaso que aumentou a violência no mundo, especialmente a violência contra as mulheres. Não é à toa que perdemos o romantismo, o companheirismo e a cooperação entre os sexos.

Hoje, uma garota ou um rapaz tem de escolher o seu par num grupo muito restrito de pretendentes, e com pouca informação de ambas as partes, ao contrário de antigamente.

Eu não acredito que homens virem monstros e mulheres virem megeras depois de casados. As pessoas mudam muito pouco ao longo da vida, na realidade elas continuam a ser o que eram antes de se casar. Você é que não percebeu, ou não soube avaliar, porque perdemos os mecanismos de antigamente de seleção a partir de um grupo enorme de possíveis candidatos.

Fico feliz ao notar a volta da dança de salão, dos cursos de forró, tango e bolero, em que novamente os dois sexos dançam juntos, colados e em harmonia. Entre o olhar interessado e o “ficar” descompromissado, eliminamos infelizmente uma importante etapa social que era dançar, costume de todos os povos desde o início dos tempos.

Se você for mãe de um filho, ajude a reintroduzir a dança de salão nos clubes, nas festas e nas igrejas, para que homens aprendam a lidar com carinho com o corpo de uma mulher.

Se você for mãe de uma filha, devolva a ela a oportunidade que seus pais lhe deram, em vez de deixar sua filha surda, casada com um brutamontes, confuso e insensível idiota.

Revista Veja 2004, página 22

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