APRENDA A POUPAR - Stephen Kanitz https://blog.kanitz.com.br/artigos/aprendendo-a-poupar/ Blog para se Pensar Fri, 24 Jan 2025 10:49:03 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.7.5 https://blog.kanitz.com.br/wp-content/uploads/2021/06/stephenkanitz-favicon-150x150.png APRENDA A POUPAR - Stephen Kanitz https://blog.kanitz.com.br/artigos/aprendendo-a-poupar/ 32 32 A Era do Robô Chegou https://blog.kanitz.com.br/a-era-do-robo-chegou/ https://blog.kanitz.com.br/a-era-do-robo-chegou/#comments Wed, 13 Nov 2024 20:15:08 +0000 https://blog.kanitz.com.br/?p=29820 A Era do Robô Chegou Comprei, três meses atrás, ações da Tesla na B3, quando Elon Musk anunciou que passaria a produzir robôs mais do que carros. Eu estava procurando uma empresa na área de inteligência artificial especializada em Supervised Learning, cuja tecnologia já está pronta, ao invés de AGI ou Unsupervised Learning, que levará […]

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A Era do Robô Chegou

Comprei, três meses atrás, ações da Tesla na B3, quando Elon Musk anunciou que passaria a produzir robôs mais do que carros.

Eu estava procurando uma empresa na área de inteligência artificial especializada em Supervised Learning, cuja tecnologia já está pronta, ao invés de AGI ou Unsupervised Learning, que levará mais de 10 anos para ser desenvolvido.

Robôs utilizam Supervised Learning, pois você só precisa mostrar ao robô o que quer que ele faça, pelo menos uma vez.

Além disso, não ser sócio do homem mais inteligente do mundo é um erro; essa é a vantagem do capitalismo democrático da direita, em contraste com o capitalismo estatizado da esquerda.

“Ele é mais inteligente do que Einstein” (minuto 54 deste vídeo: https://youtu.be/_cPkmDSjHQ4?si=h3YKIKaokKuJZQNY).

Elon Musk, discretamente, criou o Optimus, que ele quer vender por 20.000 dólares, ou alugar por 80 dólares ao mês.

Veja o vídeo: https://youtu.be/rP6rdmrpRUg?si=fhnw2HGWhK0RGbGd.

Ou seja, a Tesla irá vender milhões de robôs, não apenas carros elétricos.

Elon Musk criou um robô extremamente capaz de usar as mãos e andar melhor do que os outros, que estão priorizando apenas a mobilidade.

Ele já produziu 1.000 unidades do Optimus, que estão na linha de produção da Tesla, substituindo funcionários que custam 4.000 dólares por mês. Mais uma vez, ele está anos-luz à frente.

Em um artigo na Veja de 1999, escrevi: “Daqui a 100 anos, as máquinas farão tudo para nós e ninguém terá de trabalhar” (https://blog.kanitz.com.br/robo-vida/).

Não imaginei que demoraria apenas 30 anos.

Por isso, ninguém está pensando nisso, nenhum governo se preparou para esse tsunami, e poucos compraram ações da futura maior empresa de fabricação de robôs do mundo.

Mesmo que eu não lucre, apoiei o início da segunda revolução industrial, e isso não tem preço.

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Você Acredita Nesses 10 X Sem Juros? https://blog.kanitz.com.br/voce-acredita-nesses-10-x-sem-juros/ https://blog.kanitz.com.br/voce-acredita-nesses-10-x-sem-juros/#comments Fri, 15 Dec 2023 01:29:05 +0000 https://blog.kanitz.com.br/?p=29590 Esse anúncio afirma que lojistas cobram parcelados sem acrescentar juros. Assim sendo, quem vai preferir comprar o produto por 1.000 à vista ou parcelar em 10 vezes? Todos vão parcelar sem saber que agora pagarão por: 1. Juros bem acima da média 2. Custos de atrasos no pagamento 3. Custos dos calotes dos outros 4. Custos […]

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Esse anúncio afirma que lojistas cobram parcelados sem acrescentar juros.

Assim sendo, quem vai preferir comprar o produto por 1.000 à vista ou parcelar em 10 vezes?

Todos vão parcelar sem saber que agora pagarão por:

1. Juros bem acima da média

2. Custos de atrasos no pagamento

3. Custos dos calotes dos outros

4. Custos administrativos de 10 cobranças 

5. Custos de lançamento contábil de 10 pagamentos

6. ICMS pago sobre os 1 a 5 desnecessários se tudo fosse à vista.

7. Enganam-se os economistas que calculam a inflação de hoje usando preços a prazo distorcidos e supervalorizados.

Utiliza preciosos recursos financeiros ou poupança privada somente para antecipar o consumo em 10 meses, dinheiro que o comprador teria se poupasse os mesmos 10 meses. 

Exige que o Banco Central aumente os juros porque a inflação é calculada sobre preços a prazo e não pelo valor presente desses preços a prazo que é muito menor.

Isso acontece porque o varejo não oferece um preço à vista corretamente calculado, pois não sabem tirar esses custos escondidos, e no máximo oferecem um desconto de 5%, e olhe lá.

Algum lojista aí explica por que isso acontece?

Isso explica por que ninguém no Brasil aplica o dinheiro por 10 meses, e ao fazê-lo compra com um belo desconto, aumentando seu padrão de vida entre 15 a 20%.

Levamos 10 anos para crescer 20%, e ninguém luta por essa melhoria da pobreza, já? 

Alguém aí concorda comigo? Então, repasse e lute a favor.

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Reavaliando o Papel dos Bancos Centrais. Série Desaprenda Economia https://blog.kanitz.com.br/reavaliando-o-papel-dos-bancos-centrais-serie-desaprenda-economia/ https://blog.kanitz.com.br/reavaliando-o-papel-dos-bancos-centrais-serie-desaprenda-economia/#comments Thu, 07 Dec 2023 10:31:37 +0000 https://blog.kanitz.com.br/?p=29578 Por que precisamos de bancos centrais ?

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Os Bancos Centrais, historicamente concebidos como instrumentos vitais para a estabilidade econômica, são hoje percebidos por alguns como parte integrante dos problemas econômicos contemporâneos. 

Originalmente, essas instituições foram estabelecidas com o objetivo de mitigar crises financeiras, fornecendo liquidez e suporte financeiro a bancos que enfrentavam dificuldades temporárias de liquidez.

Historicamente, os depósitos bancários eram frequentemente à vista, enquanto os empréstimos possuíam prazos mais longos (variando entre 60 a 600 dias), resultando em um descompasso no fluxo financeiro. 

Este desequilíbrio ficou evidente durante a Crise Knickerbocker nos Estados Unidos em 1907, quando as corridas bancárias levaram à falência de diversas instituições financeiras e culminaram na criação do Sistema da Reserva Federal em 1913, com o intuito de prevenir tais corridas bancárias.

No entanto, a eficácia desses Bancos Centrais em prevenir crises tem sido questionada, particularmente ao se observar eventos históricos significativos. 

A Grande Depressão, ocorrida entre 1925 e 1930, é um exemplo notório, onde falências bancárias maciças contribuíram para uma das mais severas crises econômicas da história.

 Alguns argumentam que as falhas do Federal Reserve (FED) nesse período tiveram implicações que ultrapassaram o âmbito econômico, influenciando até mesmo o cenário político global, como a eclosão da Segunda Guerra Mundial.

Outras crises econômicas também lançam dúvidas sobre a eficácia dos Bancos Centrais. 

Por exemplo, a Crise da Dívida Latino-Americana na década de 1980, envolvendo diversos países, incluindo o Brasil; 

a Crise das Poupanças nos Estados Unidos entre as décadas de 1980 e 1990;

 a Crise Financeira Asiática de 1997-1998, que se alastrou por vários países asiáticos;

 a Crise Financeira Russa em 1998;

 a Crise Econômica Argentina entre 1999 e 2002; 

a Crise Financeira Global de 2007-2008, originada nos Estados Unidos; 

e a Crise da Dívida Soberana Europeia nos anos 2010.

Estes eventos levantam questões pertinentes sobre a natureza e a função dos Bancos Centrais. 

Uma questão que todo economista formado deveria se perguntar  é por que os bancos podem alavancar seu capital em proporções significativamente maiores (12 vezes ou mais) do que outras entidades econômicas, que operam com níveis de alavancagem mais conservadores. 

Vide o gráfico da situação das 500 maiores empresas brasileiros, do banco de dados que administro.

Por que bancos conseguem se alavancar 12 vezes seu capital, enquanto o resto da economia , por prudência , alavanca bem menos, 1,67 por exemplo?

Por que capitalistas banqueiros arriscam seu capital 12 a 36 vezes, com o risco de perder tudo com uma queda de 8% a 3% nos depósitos?

Em contraste, outros setores, como comércio e indústria, geralmente operam com uma alavancagem de apenas 67% do capital investido, em vez dos 1200% comuns no setor bancário. 

Estas discrepâncias apontam para uma necessidade de revisão e reavaliação crítica do papel dos Bancos Centrais na economia contemporânea, bem como das práticas bancárias.

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Quantos Ricos Existem no Brasil? https://blog.kanitz.com.br/quantos-ricos-existem-no-brasil/ https://blog.kanitz.com.br/quantos-ricos-existem-no-brasil/#comments Fri, 26 May 2023 10:00:00 +0000 https://blog.kanitz.com.br/?p=29306 Primeiramente, é importante estabelecer uma definição apropriada do que seria uma pessoa rica no Brasil. Os bilionários, aqueles com jatinhos e iates e que muitas vezes não residem mais no país, não são apenas ricos, mas sim bilionários. Neste contexto, um indivíduo rico seria aquele que possui uma residência confortável em uma cidade como São […]

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Primeiramente, é importante estabelecer uma definição apropriada do que seria uma pessoa rica no Brasil.

Os bilionários, aqueles com jatinhos e iates e que muitas vezes não residem mais no país, não são apenas ricos, mas sim bilionários.

Neste contexto, um indivíduo rico seria aquele que possui uma residência confortável em uma cidade como São Paulo, uma casa de praia, outra no campo, seis empregados e três filhos.

De acordo com dados da Receita Federal, um brasileiro é considerado rico quando declara ao menos 14 milhões de reais em bens.

Seguindo essa definição, há aproximadamente 71.000 ricos no Brasil, o que representa 0,003% da população.

Quando esses indivíduos falecerem, provavelmente deixarão uma casa para cada filho, que receberá cerca de 5 milhões de reais, uma quantia significativa, mas que passa a posicioná-los na classe média alta.

Ou seja, em uma geração esses ricos desaparecem, e com essa economia os novos ricos estão difíceis de aparecer.

Para aqueles que acreditam que o Brasil poderia solucionar a pobreza simplesmente taxando mais os ricos ou redistribuindo parte de suas riquezas para os mais pobres, é fundamental analisar o cenário com maior profundidade.

A pobreza no Brasil é refletida na também relativa escassez de ricos no país, quando comparado a outras nações desenvolvidas.

Nos Estados Unidos, por exemplo, 4,4% da população possui pelo menos 3 milhões de dólares, o que equivale a aproximadamente 15 milhões de reais.

Se aplicássemos essa porcentagem à população brasileira, teríamos cerca de 9,6 milhões de ricos, em contraste com os atuais 71.000.

Levando em consideração a população maior dos EUA, eles possuem aproximadamente 13,8 milhões de ricos.

Nesse caso, aumentar impostos para essa parcela da população poderia gerar resultados mais expressivos, sem que todos decidam se mudar.

No entanto, se partidos políticos como PCdoB, PSOL e PT continuarem a promover um discurso hostil em relação aos mais ricos no Brasil, isso pode ser contraproducente.

É fundamental considerar que muitos desses 71.000 ricos já estão deixando o país, e tal tendência poderia se acentuar com a continuidade de tal retórica.

Todos precisam divulgar esses dados para os amigos e intelectuais de esquerda porque a maioria acredita que temos milhões de ricos que exploram o país.

Temos 71.000, logo em extinção.

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Este Post Levei 40 Anos Para Escrever https://blog.kanitz.com.br/anos-para-escrever/ https://blog.kanitz.com.br/anos-para-escrever/#comments Tue, 19 Apr 2022 10:30:00 +0000 https://blog.kanitz.com.br/?p=29083 Quando meus filhos nasceram 40 anos atrás, eu abri para cada um, uma caderneta de poupança que prometia pagar 6% de juros reais ao ano, garantido pelo Tesouro Nacional. A caderneta foi criada em 1861, e por isso é a aplicação mais popular no Brasil. Pessoas mais pobres aplicam nela para terem uma reserva emergencial, […]

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Quando meus filhos nasceram 40 anos atrás, eu abri para cada um, uma caderneta de poupança que prometia pagar 6% de juros reais ao ano, garantido pelo Tesouro Nacional.

A caderneta foi criada em 1861, e por isso é a aplicação mais popular no Brasil.

Pessoas mais pobres aplicam nela para terem uma reserva emergencial, ou para a sua aposentadoria.

Eu abri essas cadernetas para que eles sentissem na pele o que é confiar no governo com seu dinheiro.

O valor era 5.000 cruzeiros da época, que hoje seria R$ 560,00 para poderem comprar as mesmas coisas.

Dava para comprar 400 passagens de ônibus. Eu anotei tudo isso no diário de bordo deles.

Se o governo pagasse os 6% prometidos por 40 anos, cada um teria hoje R$ 5.700,00.

Segundo o informe de IR do banco deste ano o saldo atual é de R$ 260,00.

Sumiram com R$ 5.200,00 sem CPIS, STF, editorias na imprensa.

Depois não sabem por que os pobres continuam pobres no Brasil.

Nada a ver com capitalismo.

Economistas inescrupulosos manipularam os índices de correção monetária, Delfim foi o que mais reduziu a correção devida, a ponto de dizimar totalmente a poupança dos pobres.

É por isso que eles agora têm que comprar a prazo, tem medo de perder o emprego, emprestam um dos outros, porque um grupo de ‘governantes’ abusou da confiança do povo.

99% da poupança dos mais pobres sumiu, como sumiram 100% das contribuições sociais.

E ninguém se indigna com isso.

É muito descaso com o pobre brasileiro.

Essa deve ser a reportagem mais longeva da história do jornalismo.

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Os Segredos da Riqueza https://blog.kanitz.com.br/os-segredos-da-riqueza/ https://blog.kanitz.com.br/os-segredos-da-riqueza/#comments Sat, 07 Aug 2021 10:10:00 +0000 https://blog.kanitz.com.br/?p=28578 Já contei a história do Fernando, o jovem porteiro que paguei seu cursinho de Advocacia. E que me procurou 20 anos depois, contando sua carreira bem-sucedida, me agradecendo por tudo que eu havia feito. Percebi no seu agradecimento que não foi o dinheiro que fez a diferença, mas sim os conselhos que eu lhe dava […]

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Já contei a história do Fernando, o jovem porteiro que paguei seu cursinho de Advocacia.

E que me procurou 20 anos depois, contando sua carreira bem-sucedida, me agradecendo por tudo que eu havia feito.

Percebi no seu agradecimento que não foi o dinheiro que fez a diferença, mas sim os conselhos que eu lhe dava sobre a vida, quando me entregava o boleto todo mês.

“O Sr. me disse um dia que eu não deveria ter vergonha de ser pobre, o que fez uma enorme diferença.”

“Eu falei isso?”, respondi assustado. Essa frase hoje seria politicamente incorreta, poderia levar até um soco, por isso não digo mais.

“Eu sempre sonhei ter um carro novo, Iphone etc. pagando juros e tudo, só para parecer rico, mas graças ao senhor comprei sempre usado e à vista.”

Agências de propaganda e novelas são craques em criar inveja, que levam em parte a esse consumismo desenfreado.

Nos bairros negros de Nova York era comum se encontrar na época carros Cadillac, considerados então carros de luxo.

A casa era alugada e caindo aos pedaços, mas o carro era do último tipo, que dava uma falsa impressão de riqueza quando você guiava em outro bairro.

Mas não deixava de ser um desperdício de dinheiro, que iria mantê-lo na pobreza para sempre.

Não ter vergonha de ser pobre reduz o seu nível de stress, aumenta a sua autoconfiança, lhe deixa com cabeça erguida e preparado para assumir riscos.

Mas a esquerda faz questão de taxar todos de pobres, criar ódio aos ricos, mostrando que vergonha deveria é de ser rico.

Mas as novelas da TV só mostram inveja, ricos neuróticos, pobreza, como sendo permanente.

E há aqueles que usam essa vergonha para prometer riqueza rápida, como os vídeos de ações, a XP, a Loteria Federal.

Vergonha de ser pobre, deixe para mais tarde quando você tiver 50 anos, e somente se ainda estiver pobre, num Brasil cheio de oportunidades.

Ser pobre não é motivo de vergonha, manter você e sua família eternamente pobre, sim.

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Nos Bastidores do Poder https://blog.kanitz.com.br/bastidores-do-poder/ https://blog.kanitz.com.br/bastidores-do-poder/#comments Tue, 06 Oct 2020 13:05:00 +0000 https://blog.kanitz.com.br/?p=26902 Decidi contar um pouco da minha vida pública. Uma das partes mais elucidativas foi quando trabalhei no Governo, e descobri como as decisões econômicas do governo são realmente tomadas. Acho que mais administradores que participaram do Governo deveriam contar como esse país é (pessimamente) administrado, para sabermos quais são nossos verdadeiros problemas. O então Ministro […]

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Decidi contar um pouco da minha vida pública.

Uma das partes mais elucidativas foi quando trabalhei no Governo, e descobri como as decisões econômicas do governo são realmente tomadas.

Acho que mais administradores que participaram do Governo deveriam contar como esse país é (pessimamente) administrado, para sabermos quais são nossos verdadeiros problemas.

O então Ministro do Planejamento me levou aos Estados Unidos, para que eu expusesse meu “Plano de Renegociação da Dívida Externa” para o Paul Volcker, Presidente do Banco Central Americano.

Fui o primeiro a usar em Economia uma planilha eletrônica para resolver um problema econômico.

Nesse caso descobri que nossa dívida era pagável porque seria totalmente corroída pela inflação americana.

Gritos de Moratória, romper com o sistema internacional, que acabaram fazendo, eram equivocados porque nosso problema era a inflação americana e não os juros “brasileiros”.

Nenhum outro economista chegara a essa conclusão, porque nenhum havia feito o fluxo de caixa até o final dos 30 anos.

Fui um dos poucos, portanto, a perceber que o problema não eram os juros, diagnóstico de 100% dos economistas da época, mas a inflação americana que havia disparado.

Ao simular os pagamentos para os 30 anos seguintes com inflação zero, hipótese maluca por isso ninguém fez, descobri que o problema se resolvia imediatamente.

Para quem não sabe nossa História Econômica, nossos Ministros da Fazenda da era Militar assinaram vultosas dívidas externas com bancos internacionais para estimular os investimentos em infraestrutura.

Só que, pasmem, assinaram esses contratos sem estabelecerem previamente os juros a serem pagos pela duração desses contratos, digamos 6% ao ano.

Assinaram contratos com juros “flutuantes”, que flutuavam APÓS a assinatura do contrato, e, portanto, incluíam imediatamente os picos de inflação.

Fazem isso até hoje, se comprometem a pagar a “Selic”, e não digamos 4%.

Quando historiadores econômicos acusam “Volcker elevou os juros para 19% que afetou todo mundo”, eles omitem que esse aumento só afetou de fato países que “assinaram juros que flutuavam após a assinatura do empréstimo”.

Quem assinou juros fixos ou pré determinados, escapou, óbvio.

Volcker não aumentou os juros retroativamente aos contratos já assinados, algo sempre esquecido.

Meu plano mereceu um editorial da Revista Euromoney, “Entra Em Cena O Alquimista”, que era eu, que achara a verdadeira causa do problema, a inflação americana.

Economistas brasileiros não leem Euromoney e aqui a tese não “pegou”, mas graças ao editorial eu passei a negociar a minha solução com os banqueiros internacionais.

Achamos dezenas de fundos de pensão americanos que queriam comprar um título com juros reais fixos (3,5% e não os 16% da época) pela duração do contrato.

Em troca, no final dos 30 anos pagaríamos a dívida sem ser corroída pela mesma inflação, com exportações que sobem naturalmente com a mesma inflação.

Era tudo o que eu e eles desejávamos.

Seria um ganha-ganha para o Brasil e para esses Fundos de Pensão, eliminando assim o risco da incerteza atuarial, e para nós, o risco dos juros flutuantes.

Divulguei esse Plano de Renegociação em mais de 100 jornais e revistas, e uma cópia está aqui www.spell.org.br/documentos/download/19132.

Vocês, professores de Economia, têm um interessante Estudo de Caso para discutirmos mais um erronomics que a turma fez.

O “Plano de Renegociação” foi eleito um dos 10 melhores pelo Internacional Finance Corporation.

Junto com o plano do Pablo Kuczynski do Peru, únicas propostas vindas de intelectuais dos países devedores.

Só assim chamou a atenção dos economistas do Governo Brasileiro, que não leram o Euromoney, e me levaram para explicar pessoalmente ao Volcker.

Minha reunião com Volcker foi na Embaixada Brasileira e curta.

Ministro do Planejamento- “Mr. Volcker, quero apresentar Stephen Kanitz, formado em Harvard, que tem uma proposta para Renegociar a Dívida Brasileira, e gostaria que o ouvisse.”

Volcker- “Pois não.”

Kanitz- “Eu tenho uma “solução de mercado” e, já tenho os fundos de pensão, e os atuais bancos que aceitam fazer um Swap de Juros Nominal-Real.”

Volcker (rindo)- “Você deve ser o único economista brasileiro que está propondo uma “solução de mercado”, em vez de “perdão da dívida”, “moratória”, “pagar somente % das exportações”, ou atrelar ao crescimento.”

Kanitz- “Exatamente Mr. Volcker. Por isso preciso da sua ajuda e total apoio.”

Volcker- “Está dado.”

Agradeci, virei as costas e saí da sala.

O Ministro do Planejamento saiu correndo atrás de mim.

“Espera aí, você não vai explicar o seu plano? Nós lhe trouxemos aqui para isso.”

“Claro que não. Você não ouviu que ele já me deu seu total apoio?

Agora eu posso ligar para todos os bancos irem em frente e só preciso repetir essa frase do Volcker que você acaba de ouvir.

Se começasse a entrar nos pequenos detalhes, como você quer, poderíamos perder esse apoio.”

Infelizmente, meses depois esse mesmo Ministro boicotou o trabalho da nossa equipe de oito pessoas, ao assinar a Moratória da Dívida Externa Brasileira em 1988.

Essa moratória foi irresponsável, pois a dívida era pagável e nos causou quase duas décadas perdidas.

Sem crescimento a juros baratos de 3,5% ao ano que eu já havia acertado com os Fundos de Pensão.

Ou seja, o problema não era o Brasil nem o Volcker, mas o tipo de juro negociado, nominal em vez de real.

Quem baixar a planilha que fiz em 1986, verá que projetava Reservas Internacionais de US$ 348 bilhões em 2016, 30 anos depois.

Não conheço economista que acertou uma previsão de 30 anos.

Tenho a absoluta certeza de que os Ministros que assinaram essas dívidas sequer fizeram planilhas para projetar as consequências futuras de suas decisões arriscadas.

Administração Responsável das Nações, precisamos tornar essa matéria obrigatória em todos os cursos de Economia e Administração.

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Previdência: Coloque-se na Pele Desses Deputados e Senadores https://blog.kanitz.com.br/deputados-e-senadores/ https://blog.kanitz.com.br/deputados-e-senadores/#comments Tue, 28 May 2019 13:38:11 +0000 http://blog.kanitz.com.br/?p=25692 Por mais de 40 anos, desde o Ministro Delfim Netto até o Henrique Meirelles, todos esses senhores botaram a mão em R$ 700 bilhões por ano, que são a totalidade de tudo que vocês “contribuíram” para as suas próprias aposentadorias. Isso totaliza R$ 28 trilhões, juros sobre juros, que hoje está faltando no Caixa do […]

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Por mais de 40 anos, desde o Ministro Delfim Netto até o Henrique Meirelles, todos esses senhores botaram a mão em R$ 700 bilhões por ano, que são a totalidade de tudo que vocês “contribuíram” para as suas próprias aposentadorias.

Isso totaliza R$ 28 trilhões, juros sobre juros, que hoje está faltando no Caixa do Governo.

Senão não teríamos agora um deficit, e teríamos crescido como a Coreia e a China.

Não posso acreditar que esses nossos “melhores” economistas e engenheiros, não soubessem que Contribuições Previdenciárias, não eram impostos muito menos Receitas do Governo.

Eram obviamente Dívidas a Pagar Para Os Contribuintes Daqui 30 Anos.

Por isso jamais poderiam ter torrado esse Caixa com despesas correntes, e sim com investimentos atuariais, como fazem Fundos de Pensão.

Agora querem que esses novos e ingênuos Deputados eleitos passem uma PEC, que perdoe tudo que esses irresponsáveis fizeram, dando o necessário calote.

No way, esses Deputados jamais farão isso, nem devem, pois entrariam numa fria como os algozes dos velhinhos.

Não minha gente, quem administrou irresponsavelmente R$ 28 trilhões, é que deveria ser julgado e preso, e não ficar dando entrevistas por aí.

E Guedes precisaria somente cumprir as normas da Administração Responsável das Nações, a de registrar todas as contribuições futuras como Dívidas.

E sendo Dívidas, aplicar esse Caixa em ações, debêntures, Private Equity como faz todo Fundo de Pensão.

Por isso o novo sistema de Fundos de Capitalização proposto pelo Guedes, Novo, MBL não vai funcionar.

Serão obrigados a investir X% em Títulos do Governo, e os novos Delfins e Meirelles irão torrar tudo em despesas correntes, apesar de novamente serem Dívidas.

Anotem essa minha previsão, e percebam como toda essa nova Direita é ingênua e despreparada.

E quem contribuiu todos esses anos sabendo que o dinheiro não estava sendo depositado numa conta pessoal, e nem investigou?

Avisei tudo isso em 1980 em “Não Conte Com O INSS Para se Aposentar”.

Eu segui meu conselho e me aposentei por conta própria aos 51 anos, e me dediquei à Filantropia e ao Terceiro Setor como voluntário.

E você, que contribuiu com 30%, vai ficar com zero.

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A Política Desenvolvimentista Atual https://blog.kanitz.com.br/politica-desenvolvimentista/ https://blog.kanitz.com.br/politica-desenvolvimentista/#comments Tue, 18 Sep 2018 13:25:20 +0000 http://blog.kanitz.com.br/?p=24918   Lula e Dilma nos acusam, nós membros da classe média, de ficarmos com ódio ao vermos pobres sentados ao nosso lado num avião. Nem sabem que ficamos contentes, pequenos acionistas que somos da Gol e da Azul. Ficamos é com dó. Isso porque os pobres estão sendo enganados pela política econômica mais nefasta para […]

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Lula e Dilma nos acusam, nós membros da classe média, de ficarmos com ódio ao vermos pobres sentados ao nosso lado num avião.
Nem sabem que ficamos contentes, pequenos acionistas que somos da Gol e da Azul.
Ficamos é com dó.
Isso porque os pobres estão sendo enganados pela política econômica mais nefasta para a classe C e D – o endividamento familiar.
Incentivar pobres a viajar de avião pela primeira vez na vida usando dívidas é crime.
Um crime social.
Dívidas aumentam o padrão de uma família pobre no curto prazo, mas é um desastre no longo prazo, quando vencem as dívidas e os juros.
A política econômica de Lula e Dilma foi uma ilusão, bem escondida pelos intelectuais que a elaboraram, que se mostra agora quando as dívidas passam a ser pagas.
Por isso a economia hoje não cresce.
Hoje aqueles que andaram de avião têm muito menos renda, atolados que estão com juros e dívidas do passado.
O endividamento das famílias foi de 18% para 43% da renda, graças à política desenvolvimentista induzida pelo Estado.
43%, incluindo os ricos que são mais comedidos, a maioria compra a vista.
Lula e Dilma não aumentaram o PIB, como afirmaram. Eles anteciparam o PIB futuro, nada mais do que isso.
Pior, num estudo que fiz essa antecipação de PIB permitiu às empresas aumentarem os preços e o lucro em 5% das vendas, pelos quatro anos de ouro do primeiro governo Lula.
Tecnicamente ficamos 5% mais pobres por ano, compramos tudo 5% mais caro, 20% no total.
Soma-se mais 30% de juros contraídos, e vejam o desastre da política econômica nesses anos.
Pior, incentivaram os pobres a andar de avião com dívidas, quando o dinheiro de dívidas sempre deve ser investido e não despendido.
O certo seria comprarem teares, food trucks, carros Uber, proporcionando mais renda, inclusive para pagar a dívida contraída.
Um Administrador Responsável das Nações jamais incentivaria o consumo via dívida, empobrecendo no longo prazo a classe mais pobre.
Incentivaríamos justamente o contrário.
A postergação da gratificação imediata, sugerindo aos pobres pouparem nos nossos dois primeiros anos de mandato, para poderem começar a comprar tudo a vista.
Mais barato, sem juros extorsivos sem custos administrativos, iniciando um ciclo virtuoso de riqueza.
Chegar mais rápido no destino indo de avião, em troca de ficar trabalhando 20 dias a mais para pagar os juros, isso é motivo para Lula se orgulhar?
 

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