ANÁLISES - Stephen Kanitz https://blog.kanitz.com.br/artigos/analises/ Blog para se Pensar Fri, 23 May 2025 10:17:02 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.7.5 https://blog.kanitz.com.br/wp-content/uploads/2021/06/stephenkanitz-favicon-150x150.png ANÁLISES - Stephen Kanitz https://blog.kanitz.com.br/artigos/analises/ 32 32 Nossos Empresários Não Entendem Suas Empresas https://blog.kanitz.com.br/nossos-empresarios-nao-entendem-suas-empresas/ https://blog.kanitz.com.br/nossos-empresarios-nao-entendem-suas-empresas/#comments Fri, 23 May 2025 10:16:59 +0000 https://blog.kanitz.com.br/?p=29972 Demorei 50 anos para que a ficha caísse, e decidi compartilhar isso com vocês porque é algo muito triste e, ao mesmo tempo, importante. Fui professor de Análise de Demonstrativos Financeiros, ensinando como avaliar a situação e a saúde de uma empresa. Criei um método para prever a falência de empresas que hoje leva meu […]

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Demorei 50 anos para que a ficha caísse, e decidi compartilhar isso com vocês porque é algo muito triste e, ao mesmo tempo, importante.

Fui professor de Análise de Demonstrativos Financeiros, ensinando como avaliar a situação e a saúde de uma empresa. Criei um método para prever a falência de empresas que hoje leva meu nome: o “Termômetro de Kanitz”.

Criei também o Melhores e Maiores, introduzindo pela primeira vez no Brasil o conceito de benchmarks, para que administradores e empresários pudessem comparar suas empresas com as demais.

Os gráficos que eu publicava na revista Exame são de 1973 — e muitos de vocês os estão vendo pela primeira vez agora, em 2025.

Com o tempo, percebi que havia pouco interesse pela grande quantidade de dados que eu produzia para a sociedade. Estranho.

Apesar disso, nenhum economista do governo ou do Banco Central jamais demonstrou interesse. A FIESP nunca me procurou. Nenhum empresário me pediu para analisar sua empresa, um ou dois, talvez. Bem diferente do que acontece com Aswath Damodaran, de Nova York, que é rei.

Desisti em 1998, e tudo foi descontinuado por aqueles que me sucederam na Exame.

Contudo, só agora percebi o verdadeiro problema: nossos empresários não sabem analisar os demonstrativos de suas próprias empresas. A maioria sequer entende contabilidade, muito menos contabilidade de custos, que é um assunto ainda mais complicado, outra encrenca que conto depois.

Eu já deveria ter desconfiado disso em 1973, quando descobri que era possível prever a falência de uma empresa com até três anos de antecedência, tempo suficiente para mudar o rumo.

Mas eles não agiam porque simplesmente não sabiam analisar suas empresas. Eram engenheiros, filhos de empresários, advogados e economistas, todos sem formação contábil adequada.

Estavam em rota de colisão e nem percebiam, só se davam conta quando já era tarde demais.

Isso também explica por que nenhum empresário, nem a FIESP, protestou quando Fernando Henrique Cardoso e Pedro Parente, de forma autocrática, proibiram os contadores brasileiros de corrigirem os dados contábeis pela inflação acumulada. Isso tornou nossos demonstrativos financeiros completamente inúteis e enganosos.

Temos hoje equipamentos registrados a valor histórico de R$ 200.000, quando custam R$ 1 milhão, sem qualquer provisão de depreciação adequada para reposição.

É por isso que nossa indústria está definhando ano após ano. As empresas nem conseguem repor seus equipamentos quando eles se esgotam.

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Vamos Perder Nossas Empresas Aéreas https://blog.kanitz.com.br/vamos-perder-nossas-empresas-aereas/ https://blog.kanitz.com.br/vamos-perder-nossas-empresas-aereas/#comments Wed, 13 Nov 2024 20:51:29 +0000 https://blog.kanitz.com.br/?p=29850 Vamos Perder Nossas Empresas Aéreas Companhias aéreas nunca sobreviveram no Brasil. Panair, Varig, Transbrasil, Vasp, Cruzeiro do Sul, Avianca, Trip – todas faliram, apesar de a aviação ser um setor vital para qualquer país de grande extensão. Por isso, nunca desenvolvemos o turismo adequadamente, nossas empresas são regionais, e o transporte é lento e caro. […]

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Vamos Perder Nossas Empresas Aéreas

Companhias aéreas nunca sobreviveram no Brasil. Panair, Varig, Transbrasil, Vasp, Cruzeiro do Sul, Avianca, Trip – todas faliram, apesar de a aviação ser um setor vital para qualquer país de grande extensão.

Por isso, nunca desenvolvemos o turismo adequadamente, nossas empresas são regionais, e o transporte é lento e caro.

Apesar de termos um Ministério de Planejamento, nenhum governo percebeu que a aviação é crucial para a economia, considerando o tamanho, a geografia e a estrutura econômica do país.

Assim, nossas empresas permanecem relativamente pequenas e regionais, apesar de o Brasil ser o quinto maior país do mundo em extensão territorial, com grandes cidades e centros econômicos espalhados por vastas distâncias.

Sem o transporte aéreo, muitas regiões ficam isoladas, dificultando a integração social e econômica.

As únicas companhias aéreas sobreviventes – Latam, Gol e Azul – estão em recuperação judicial ou prestes a isso, todas com enormes prejuízos operacionais. Estão na corda bamba.

Você se sente seguro voando com uma companhia aérea que enfrenta grandes prejuízos? Eu não.

Em vez de salvar nossas empresas aéreas, o governo Lula e o BNDES preferem construir navios e financiar um porto em Cuba.

As companhias aéreas brasileiras enfrentam altos custos operacionais, como preços elevados de combustível pela Petrobras (o querosene de aviação é altamente tributado), manutenção de aeronaves e taxas aeroportuárias.

O imposto sobre combustível no Brasil está entre os mais altos do mundo, impactando diretamente os preços das passagens e limitando a lucratividade das empresas.

O real brasileiro oscila fortemente em relação ao dólar, o que é problemático, pois muitas despesas de aviação (como compra e leasing de aeronaves e combustível) são feitas em dólares.

O Brasil também é um dos líderes em processos judiciais contra companhias aéreas, a ponto de uma companhia internacional deixar o país porque 98% de seus processos eram aqui, totalizando R$ 1 bilhão por ano.

Embora o Brasil tenha muitos aeroportos, apenas alguns possuem capacidade e infraestrutura para lidar com grandes volumes de passageiros e voos internacionais de forma eficaz.

A indústria de aviação no Brasil enfrenta regulamentações rigorosas, que dificultam sua expansão e lucratividade.

Por exemplo, as regulamentações trabalhistas são extremamente rígidas, elevando os custos. Além disso, a indústria é fortemente regulada em relação a preços e rotas, restringindo a flexibilidade e eficiência.

A falta de demanda em regiões menos populosas leva a rotas desequilibradas, forçando as companhias a focarem em rotas lucrativas, enquanto áreas subatendidas permanecem com serviço limitado.

Por isso, os preços das passagens no Brasil são frequentemente mais altos que em mercados comparáveis, restringindo o acesso ao transporte aéreo para muitas pessoas, especialmente de renda mais baixa.

A aviação é essencial para conectar as regiões, especialmente áreas remotas e de difícil acesso, como a Amazônia. Sem o transporte aéreo, muitas regiões ficariam isoladas, dificultando a integração social e econômica.

A aviação é também essencial para o turismo interno, que é insignificante em comparação com outros países, embora seja uma grande geradora de empregos e o país tenha algumas das praias mais bonitas do mundo.

A indústria da aviação sustenta direta e indiretamente uma vasta quantidade de empregos, desde funcionários de companhias aéreas até trabalhadores em aeroportos e no setor de turismo.

Fernando Haddad, Geraldo Alckmin, Aloizio Mercadante, estão dormindo no volante?

Sem aviação, não voltaremos a crescer tão cedo.

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Inteligência Artificial: Limitada na Compreensão Profunda https://blog.kanitz.com.br/inteligencia-artificial-limitada-na-compreensao-profunda/ https://blog.kanitz.com.br/inteligencia-artificial-limitada-na-compreensao-profunda/#respond Wed, 13 Nov 2024 20:45:20 +0000 https://blog.kanitz.com.br/?p=29844 Inteligência Artificial: Limitada na Compreensão Profunda Quando surgiu a Wikipédia, aqueles de nós que lemos a Trilogia da Fundação, de Isaac Asimov, comemoraram a criação de um repositório de conhecimento que se aproximava da enciclopédia galáctica imaginada pelo autor. O sonho de Jimmy Wales, fundador da plataforma, era concentrar todo o conhecimento humano em um […]

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Inteligência Artificial: Limitada na Compreensão Profunda

Quando surgiu a Wikipédia, aqueles de nós que lemos a Trilogia da Fundação, de Isaac Asimov, comemoraram a criação de um repositório de conhecimento que se aproximava da enciclopédia galáctica imaginada pelo autor.

O sonho de Jimmy Wales, fundador da plataforma, era concentrar todo o conhecimento humano em um só lugar: a Nupedia, onde apenas cientistas contribuiriam. No entanto, a ideia inicial não prosperou, e então a Wikipédia foi aberta para contribuições de qualquer pessoa interessada em compartilhar informações relevantes.

Esse formato colaborativo fez com que cientistas, cujas publicações se baseiam em evidências concretas, representassem uma pequena parcela dos colaboradores. A natureza inclusiva da plataforma permitiu que pessoas de diversas áreas, incluindo sociologia, filosofia, ciências sociais e literatura, passassem a contribuir ativamente. Hoje, esses perfis representam a ampla maioria dos editores.

Como resultado, a inteligência artificial, que frequentemente utiliza a Wikipédia como fonte de dados, pode refletir as perspectivas mais comumente representadas ali, e não necessariamente as mais profundas ou inovadoras. Por exemplo, visões de esquerda aparecem com muito mais frequência nessas contribuições, o que pode influenciar os modelos de linguagem que dependem de tais fontes para fornecer informações.

Inteligências artificiais, ou modelos de linguagem (LLMs – Large Language Models), têm o propósito de prever a palavra ou frase seguinte com base em padrões linguísticos anteriores. Isso significa que esses modelos se concentram principalmente em padrões de linguagem e frequência de palavras, e não necessariamente na descoberta de correlações ou teorias inovadoras.

Em outras palavras, são ferramentas para processamento de linguagem, e não modelos científicos abrangentes que lidam com grandes conjuntos de equações ou análises matemáticas complexas. A “inteligência” artificial é capaz de sintetizar grandes volumes de informações e relembrar dados de maneira eficiente, mas a criação de ideias verdadeiramente novas e inovadoras ainda está além de seu alcance.

O processo de aprendizado de máquina é essencialmente estatístico, com a IA captando os conceitos e ideias mais frequentes nas fontes disponíveis. Dessa forma, a IA tende a reproduzir as informações mais comuns das últimas décadas, refletindo as tendências predominantes nas publicações, como as de viés de esquerda.

Como exemplo, no verbete sobre a recessão de 1929, contribuí várias vezes para incluir que a verdadeira razão foi o uso da taxa de juros nominal, que, com a deflação de 1929, 1930 e 1932, elevou a taxa de juros real para 11% ao ano, quebrando todos os bancos da época. Esse conteúdo é sistematicamente apagado por economistas keynesianos, que insistem que 1929 foi causado por falta de demanda e não pela percepção equivocada do aumento da taxa de juros real.

Portanto, enquanto a inteligência artificial tem um enorme potencial para consolidar e processar informações, é fundamental compreender suas limitações. O que a IA fornece são sínteses baseadas em frequência e dados existentes, mas a inovação e a descoberta científica profunda continuam sendo um desafio humano.

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A Superioridade da Cultura Chinesa https://blog.kanitz.com.br/a-superioridade-da-cultura-chinesa/ https://blog.kanitz.com.br/a-superioridade-da-cultura-chinesa/#respond Wed, 13 Nov 2024 20:39:43 +0000 https://blog.kanitz.com.br/?p=29838 A Superioridade da Cultura Chinesa Voltei da minha terceira viagem à Ásia arrasado, percebendo os benefícios da cultura milenar chinesa. Senti-me um pouco culpado por eu e a maioria do Ocidente nunca termos lido os filósofos Confúcio, Mêncio, Lao Tsé, entre outros. Qual não foi minha surpresa ao descobrir que já em 1697 havia pensadores […]

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A Superioridade da Cultura Chinesa

Voltei da minha terceira viagem à Ásia arrasado, percebendo os benefícios da cultura milenar chinesa.

Senti-me um pouco culpado por eu e a maioria do Ocidente nunca termos lido os filósofos Confúcio, Mêncio, Lao Tsé, entre outros.

Qual não foi minha surpresa ao descobrir que já em 1697 havia pensadores constatando a mesma coisa.

Gottfried Wilhelm Leibniz, o filósofo e matemático alemão, era fascinado pela cultura e governança chinesas, vendo-as como um modelo de administração racional e ordem moral.

Suas principais reflexões podem ser encontradas em seu ensaio de 1697, Novissima Sinica (Últimas Notícias da China), onde ele sugeriu que a Europa poderia aprender com os princípios éticos e administrativos da China.

Leibniz (que rima com Kanitz) admirava a ênfase confucionista na virtude e na responsabilidade moral no governo, que ele via como fundamental para a administração chinesa.

Ele considerava os governantes chineses como exemplos éticos que governavam com base em princípios de harmonia, ordem e bem-estar de seus súditos, o que contrastava com os métodos muitas vezes coercitivos e beligerantes que ele observava na Europa, no início dos movimentos de esquerda.

Ele elogiava o sistema chinês de exames para o serviço público, que selecionava funcionários com base no mérito e não na nobreza de nascimento, argumentando que essa estrutura meritocrática promovia um governo estável e eficaz.

Leibniz via isso como uma manifestação prática de governança racional e acreditava que a Europa poderia adotar abordagens semelhantes para melhorar suas instituições burocráticas.

Leibniz se interessava pela integração da filosofia ética confucionista com a governança prática na China.

Ele via o confucionismo como um sistema secular e racional que enfatizava o comportamento moral e a harmonia social em vez de dogmas teológicos, alinhando-se com seus próprios ideais iluministas.

Ele acreditava que a Europa poderia aprender com a abordagem moral e administrativa da China, algo que nem pensamos em fazer, enquanto a China poderia se beneficiar dos avanços científicos e tecnológicos europeus, defendendo uma relação recíproca.

O elogio de Leibniz à administração chinesa era, em parte, uma crítica ao eurocentrismo e ao complexo de superioridade das nações europeias.

Embora Leibniz fosse cristão, ele via muito valor nos ensinamentos confucionistas e argumentava que eram compatíveis com a moral cristã em termos de princípios éticos.

As reflexões de Leibniz sobre a administração chinesa eram progressistas para sua época, pois ele reconhecia a importância de aprender com sociedades não europeias, algo que nossos intelectuais, especialmente os de esquerda, ainda combatem até hoje.

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O Problema dos Funcionários Públicos e do Socialismo em Geral https://blog.kanitz.com.br/o-problema-dos-funcionarios-publicos-e-do-socialismo-em-geral/ https://blog.kanitz.com.br/o-problema-dos-funcionarios-publicos-e-do-socialismo-em-geral/#respond Wed, 13 Nov 2024 20:26:07 +0000 https://blog.kanitz.com.br/?p=29829 O Problema dos Funcionários Públicos e do Socialismo em Geral Elon Musk: “Há um problema fundamental com o funcionalismo público e o socialismo em geral. Se um funcionário público concorda em mudar uma regra governamental e algo ruim acontece, ele pode facilmente ser punido pelo Ministério Público, ser preso e perder sua aposentadoria.” Isso é […]

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O Problema dos Funcionários Públicos e do Socialismo em Geral

Elon Musk: “Há um problema fundamental com o funcionalismo público e o socialismo em geral.

Se um funcionário público concorda em mudar uma regra governamental e algo ruim acontece, ele pode facilmente ser punido pelo Ministério Público, ser preso e perder sua aposentadoria.”

Isso é tão verdade que não há Ministro da Economia que saia do governo sem, no mínimo, 30 processos nas costas.

“Por outro lado, se esse funcionário público muda uma regra do governo e algo bom acontece, ele não recebe uma recompensa, muito menos um tapinha nas costas do Ministro ou Presidente.”

No capitalismo, um erro de um funcionário pode gerar prejuízo para a empresa ou para o departamento em questão.

Mas, se na média você tem mais boas ideias do que fracassos, nada lhe acontece. Pelo contrário, você recebe um bônus no fim do ano.

Ao contrário do que afirma a ciência econômica, as empresas não maximizam lucros, mas sim minimizam possíveis prejuízos. Seu emprego está em risco somente se a empresa quebrar ou der prejuízo constante.

Por isso, trabalhadores sob o capitalismo inovam e assumem riscos “calculados”, enquanto no socialismo todos apenas obedecem ordens, mesmo que erradas.

No socialismo, não há incentivos para reduzir custos e, assim, reduzir preços. Pelo contrário, quanto mais se gasta, mais poderosa é a repartição ou maior o status político.

Portanto, existe uma assimetria clara entre um regime socialista e um regime capitalista, que se preocupa em evitar prejuízos.

É fácil entender por que socialistas e funcionários públicos resistem a mudar as regras e sonham todos os dias com sua futura aposentadoria e nada mais.

Por favor, apenas esquerdistas comentem este texto. Queremos entender como vocês pensam sobre esse assunto.

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Não Sabemos Mais Dialogar https://blog.kanitz.com.br/nao-sabemos-mais-dialogar/ https://blog.kanitz.com.br/nao-sabemos-mais-dialogar/#comments Wed, 13 Nov 2024 20:21:50 +0000 https://blog.kanitz.com.br/?p=29826 Não Sabemos Mais Dialogar A sociedade brasileira está passando por uma ruptura na comunicação, marcada por uma crescente polarização e pela dificuldade em engajar-se em diálogos produtivos e baseados em evidências. Comentários nas mídias sociais geralmente são a favor ou contra, sem contribuir para a discussão. Nossos jornalistas apenas noticiam o que lhes interessa, e […]

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Não Sabemos Mais Dialogar

A sociedade brasileira está passando por uma ruptura na comunicação, marcada por uma crescente polarização e pela dificuldade em engajar-se em diálogos produtivos e baseados em evidências.

Comentários nas mídias sociais geralmente são a favor ou contra, sem contribuir para a discussão.

Nossos jornalistas apenas noticiam o que lhes interessa, e não o que é relevante para o leitor; por isso, estão em declínio.

Os 10% da população que detêm 40% da renda não são os mais ricos, como acreditam alguns economistas de esquerda, mas os mais velhos.

Afinal, nós, os pais, ganhamos em média quatro vezes mais que nossos filhos.

Somos justamente aqueles que ainda leem jornal, mas jornais como Folha, Estadão, Correio, e Globo nos agridem diariamente com termos como “endinheirados”, “capitalistas” e “burgueses”.

Esses jornalistas, que nem mesmo conhecem seus leitores, estão dando tiros no próprio pé.

Os algoritmos das redes sociais tendem a mostrar conteúdos que reforçam nossas crenças, criando câmaras de eco.

Isso isola os indivíduos de pontos de vista divergentes e apenas alimenta a polarização, ao invés de promover um meio-termo.

A confiança nas instituições, jornalistas, intelectuais, mídia e especialistas tem diminuído ano após ano, gerando ceticismo em relação à informação baseada em evidências e aumentando a desinformação.

As conversas públicas, especialmente online, priorizam conteúdos emocionais e sensacionalistas, que se espalham mais rapidamente do que discussões ponderadas e equilibradas.

O discurso político tornou-se altamente tóxico, com lados opostos se vendo como inimigos, e não como oponentes com visões diferentes, o que enfraquece o debate construtivo.

Com o enorme volume de informação disponível, torna-se difícil distinguir entre fontes confiáveis e desinformação, gerando confusão e afastamento de discussões baseadas em evidências.

O Brasil está passando por uma ruptura na comunicação, marcada pela crescente polarização e pela dificuldade em engajar-se em diálogos produtivos e baseados em evidências.

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A Era do Robô Chegou https://blog.kanitz.com.br/a-era-do-robo-chegou/ https://blog.kanitz.com.br/a-era-do-robo-chegou/#comments Wed, 13 Nov 2024 20:15:08 +0000 https://blog.kanitz.com.br/?p=29820 A Era do Robô Chegou Comprei, três meses atrás, ações da Tesla na B3, quando Elon Musk anunciou que passaria a produzir robôs mais do que carros. Eu estava procurando uma empresa na área de inteligência artificial especializada em Supervised Learning, cuja tecnologia já está pronta, ao invés de AGI ou Unsupervised Learning, que levará […]

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A Era do Robô Chegou

Comprei, três meses atrás, ações da Tesla na B3, quando Elon Musk anunciou que passaria a produzir robôs mais do que carros.

Eu estava procurando uma empresa na área de inteligência artificial especializada em Supervised Learning, cuja tecnologia já está pronta, ao invés de AGI ou Unsupervised Learning, que levará mais de 10 anos para ser desenvolvido.

Robôs utilizam Supervised Learning, pois você só precisa mostrar ao robô o que quer que ele faça, pelo menos uma vez.

Além disso, não ser sócio do homem mais inteligente do mundo é um erro; essa é a vantagem do capitalismo democrático da direita, em contraste com o capitalismo estatizado da esquerda.

“Ele é mais inteligente do que Einstein” (minuto 54 deste vídeo: https://youtu.be/_cPkmDSjHQ4?si=h3YKIKaokKuJZQNY).

Elon Musk, discretamente, criou o Optimus, que ele quer vender por 20.000 dólares, ou alugar por 80 dólares ao mês.

Veja o vídeo: https://youtu.be/rP6rdmrpRUg?si=fhnw2HGWhK0RGbGd.

Ou seja, a Tesla irá vender milhões de robôs, não apenas carros elétricos.

Elon Musk criou um robô extremamente capaz de usar as mãos e andar melhor do que os outros, que estão priorizando apenas a mobilidade.

Ele já produziu 1.000 unidades do Optimus, que estão na linha de produção da Tesla, substituindo funcionários que custam 4.000 dólares por mês. Mais uma vez, ele está anos-luz à frente.

Em um artigo na Veja de 1999, escrevi: “Daqui a 100 anos, as máquinas farão tudo para nós e ninguém terá de trabalhar” (https://blog.kanitz.com.br/robo-vida/).

Não imaginei que demoraria apenas 30 anos.

Por isso, ninguém está pensando nisso, nenhum governo se preparou para esse tsunami, e poucos compraram ações da futura maior empresa de fabricação de robôs do mundo.

Mesmo que eu não lucre, apoiei o início da segunda revolução industrial, e isso não tem preço.

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O Mito do “Aprender Fazendo” https://blog.kanitz.com.br/elementor-29805/ https://blog.kanitz.com.br/elementor-29805/#comments Wed, 13 Nov 2024 20:01:34 +0000 https://blog.kanitz.com.br/?p=29805 O Mito do “Aprender Fazendo”   Políticos que aceitam cargos no governo sob a suposição de que “se aprende fazendo” frequentemente correm o risco de minar a ordem e o desenvolvimento do país. Embora a ideia de aprendizado no trabalho seja útil em contextos simples, cargos públicos, especialmente os de alta responsabilidade, exigem uma base […]

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O Mito do “Aprender Fazendo”

 

Políticos que aceitam cargos no governo sob a suposição de que “se aprende fazendo” frequentemente correm o risco de minar a ordem e o desenvolvimento do país. Embora a ideia de aprendizado no trabalho seja útil em contextos simples, cargos públicos, especialmente os de alta responsabilidade, exigem uma base sólida de conhecimento e experiência prévia.

 

Em primeiro lugar, cargos governamentais envolvem processos de tomada de decisão complexos que afetam milhões de vidas. Milhares de brasileiros se suicidaram após o Plano Zélia Collor, devido à falta de liquidez, penalizando especialmente os mais necessitados. Essas decisões requerem um profundo entendimento de políticas públicas, economia, leis e dos desafios específicos do setor — conhecimentos que a maioria dos economistas não possui.

 

Sem esse preparo, um político pode tomar decisões mal-informadas, resultando em consequências desastrosas, como má gestão orçamentária, erros regulatórios ou até crises nos serviços públicos. Alguns políticos, que nunca administraram 30 mil pessoas, aceitam o desafio de liderar 1,5 milhão e ainda se orgulham em memórias de terem “sobrevivido” sem o devido preparo. FHC, em seu livro, admite que caiu de paraquedas no cargo e que sua ascensão foi acidental, não resultado de anos de preparação.

 

Em contraste, o conhecimento prévio deveria ser obrigatório, como acontece em grandes empresas. Isso permitiria aos políticos lidarem com essas complexidades com maior confiança e precisão, reduzindo o risco de erros. Embora o “aprender fazendo” possa promover crescimento, na maioria das vezes envolve um período de tentativa e erro, o que é inaceitável em contextos de Planos Econômicos nunca antes testados para uma população inteira.

 

No governo, o luxo de aprender com os erros pode ter um custo elevadíssimo, não apenas financeiramente, mas também em termos de capital social e político. Por exemplo, erros em políticas de saúde, educação ou economia podem ter efeitos negativos duradouros nas populações vulneráveis. No Brasil, milhares morrem nas filas do SUS por políticas mal planejadas. Políticos que assumem cargos sem a expertise necessária podem demorar mais para entender as complexidades de suas funções, atrasando a implementação de reformas cruciais.

 

Por isso, FHC lutou para introduzir a reeleição no Brasil, já que, nos primeiros três anos, nossos presidentes e ministros estão “aprendendo” as demandas do cargo. Políticos bem informados em suas áreas podem tomar decisões mais rápidas e estão melhor preparados para questionar os conselhos que recebem de suas equipes ou consultores externos. Isso explica por que o Brasil ainda enfrenta mais de 450 problemas acumulados, sem solução à vista.

 

Políticos devem estar devidamente preparados antes de assumir cargos públicos, especialmente no que diz respeito à ciência da administração, para garantir que possam servir de forma eficaz, minimizar erros custosos e tomar decisões que impactem positivamente a sociedade. As consequências no governo são sérias demais para que amadorismo e inexperiência sejam tratados com leviandade.

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O Discurso Completo de Javier Milei em Davos https://blog.kanitz.com.br/o-discurso-completo-de-javier-milei-em-davos/ https://blog.kanitz.com.br/o-discurso-completo-de-javier-milei-em-davos/#comments Mon, 22 Jan 2024 02:06:36 +0000 https://blog.kanitz.com.br/?p=29630 Esta é uma transcrição do discurso especial de Javier Milei, Presidente da Argentina, que ocorreu durante a Reunião Anual do Fórum Econômico Mundial em Davos. Boa tarde. Muito obrigado. Hoje estou aqui para dizer que o mundo ocidental está em perigo. E está em perigo porque aqueles que deveriam defender os valores do Ocidente foram […]

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Esta é uma transcrição do discurso especial de Javier Milei, Presidente da Argentina, que ocorreu durante a Reunião Anual do Fórum Econômico Mundial em Davos.


Boa tarde. Muito obrigado.


Hoje estou aqui para dizer que o mundo ocidental está em perigo.

E está em perigo porque aqueles que deveriam defender os valores do Ocidente foram cooptados por uma visão de mundo que inexoravelmente leva ao socialismo e, por consequência, à pobreza.

Infelizmente, nas últimas décadas, os principais líderes do mundo ocidental abandonaram o modelo de liberdade por diferentes versões do que chamamos de coletivismo.

Alguns foram motivados por indivíduos bem-intencionados dispostos a ajudar os outros, e outros foram motivados pelo desejo de pertencer a uma casta privilegiada.

Estamos aqui para dizer que experimentos coletivistas nunca são a solução para os problemas que afligem os cidadãos do mundo.

Pelo contrário, são a causa raiz. Acreditem em mim: ninguém está em melhor posição do que nós, argentinos, para testemunhar estes dois pontos.

Trinta e cinco anos após adotarmos o modelo de liberdade, em 1860, nos tornamos uma potência mundial líder. E quando abraçamos o coletivismo ao longo dos últimos 100 anos, vimos como nossos cidadãos começaram a empobrecer sistematicamente, e caímos para a posição número 140 globalmente.

Mas antes de ter a discussão, seria primeiro importante olharmos para os dados que demonstram por que o capitalismo de livre mercado não é apenas o único sistema possível para acabar com a pobreza mundial, mas também é o único sistema moralmente desejável para alcançar isso.

Se olharmos para a história do progresso econômico, podemos ver como entre o ano zero e o ano 1800 aproximadamente, o PIB per capita mundial praticamente permaneceu constante durante todo o período de referência.

Se você olhar para um gráfico da evolução do crescimento econômico ao longo da história da humanidade, verá um gráfico em forma de bastão de hóquei, uma função exponencial que permaneceu constante por 90% do tempo e que foi disparada exponencialmente a partir do século XIX.

A única exceção a esta história de estagnação foi no final do século XV, com a descoberta do continente americano, mas para esta exceção, ao longo de todo o período entre o ano zero e o ano 1800, o PIB per capita global estagnou.

Agora, não é apenas que o capitalismo trouxe uma explosão de riqueza desde o momento em que foi adotado como um sistema econômico, mas também, se você olhar para os dados, o que verá é que o crescimento continua a acelerar durante todo o período.

E ao longo de todo o período entre o ano zero e o ano 1800, a taxa de crescimento do PIB per capita permanece estável em cerca de 0,02% ao ano.

Então, quase nenhum crescimento.

A partir do século XIX, com a Revolução Industrial, a taxa anual de crescimento composto foi de 0,66%.

E nessa taxa, seriam necessários cerca de 107 anos para dobrar o PIB per capita.

Agora, se você olhar para o período entre o ano 1900 e o ano 1950, a taxa de crescimento acelerou para 1,66% ao ano.

Então, você não precisaria mais de 107 anos para dobrar o PIB per capita – mas sim 66.

E se você considerar o período entre 1950 e o ano 2000, verá que a taxa de crescimento foi de 2,1%, o que significaria que em apenas 33 anos poderíamos dobrar o PIB per capita mundial.

Essa tendência, longe de parar, continua bem viva hoje.

Se considerarmos o período entre os anos 2000 e 2023, a taxa de crescimento acelerou novamente para 3% ao ano, o que significa que poderíamos dobrar o PIB per capita mundial em apenas 23 anos.

Dito isto, quando você olha para o PIB per capita desde o ano 1800 até hoje, o que você verá é que após a Revolução Industrial, o PIB per capita global multiplicou-se mais de 15 vezes, o que representou um boom no crescimento que tirou 90% da população mundial da pobreza extrema.

Devemos lembrar que, até o ano de 1800, cerca de 95% da população mundial vivia em extrema pobreza. E essa porcentagem caiu para 5% até o ano de 2020, antes da pandemia. A conclusão é óbvia.

Longe de ser a causa dos nossos problemas, o capitalismo de livre mercado como sistema econômico é o único instrumento que temos para acabar com a fome, a pobreza e a extrema pobreza em nosso planeta. A evidência empírica é inquestionável.

Portanto, uma vez que não há dúvidas de que o capitalismo de livre empresa é superior em termos produtivos, a doutrina de esquerda atacou o capitalismo, alegando questões morais, dizendo – isso é o que os detratores afirmam – que ele é injusto.

Dizem que o capitalismo é maligno porque é individualista e que o coletivismo é bom porque é altruísta. Claro, com o dinheiro dos outros.

Então, eles defendem a justiça social. Mas esse conceito, que no mundo desenvolvido se tornou popular recentemente, em meu país tem sido constante no discurso político há mais de 80 anos.

O problema é que a justiça social não é justa, e não contribui para o bem-estar geral. Muito pelo contrário, é uma ideia intrinsecamente injusta porque é violenta.

É injusta porque o estado é financiado por meio de impostos e os impostos são coletados de forma coercitiva.

Ou será que algum de nós pode dizer que paga impostos voluntariamente?

Isso significa que o estado é financiado por meio da coerção e que quanto maior a carga tributária, maior a coerção e menor a liberdade.

Aqueles que promovem a justiça social partem da ideia de que a economia é um bolo que pode ser compartilhado de forma diferente. Mas esse bolo não é um dado. É riqueza que é gerada no que Israel Kirzner, por exemplo, chama de processo de descoberta de mercado.

Se os bens ou serviços oferecidos por um negócio não são desejados, o negócio falhará a menos que se adapte ao que o mercado está exigindo.

Eles terão sucesso e produzirão mais se fizerem um produto de boa qualidade a um preço atrativo. Então, o mercado é um processo de descoberta no qual os capitalistas encontrarão o caminho certo à medida que avançam.

Mas se o estado pune os capitalistas quando eles têm sucesso e interfere no processo de descoberta, eles destruirão seus incentivos, e a consequência é que eles produzirão menos.

O bolo será menor, e isso prejudicará a sociedade como um todo.

O coletivismo, ao inibir esses processos de descoberta e dificultar a apropriação das descobertas, acaba amarrando as mãos dos empreendedores e os impede de oferecer melhores bens e serviços a um preço melhor.

Então, como pode a academia, organizações internacionais, teóricos econômicos e políticos demonizarem um sistema econômico que não apenas tirou 90% da população mundial da extrema pobreza, mas continuou a fazer isso cada vez mais rápido?

Graças ao capitalismo de livre comércio, o mundo está vivendo seu melhor momento. Nunca na história da humanidade houve um período de mais prosperidade do que hoje. Isso é verdade para todos.

O mundo de hoje tem mais liberdade, é rico, mais pacífico e próspero. Isso é particularmente verdadeiro para os países que têm mais liberdade econômica e respeitam os direitos de propriedade dos indivíduos.

Os países que têm mais liberdade são 12 vezes mais ricos do que aqueles que são reprimidos. O percentil mais baixo em países livres está em melhor situação do que 90% da população em países reprimidos.

A pobreza é 25 vezes menor e a extrema pobreza é 50 vezes menor. E os cidadãos em países livres vivem 25% mais tempo do que os cidadãos em países reprimidos.

Agora, o que queremos dizer quando falamos sobre libertarianismo?

E deixem-me citar as palavras da maior autoridade em liberdade na Argentina, o Professor Alberto Benegas Lynch Jr, que diz que o libertarianismo é o respeito irrestrito pelo projeto de vida dos outros baseado no princípio da não-agressão, em defesa do direito à vida, liberdade e propriedade.

Suas instituições fundamentais são a propriedade privada, mercados livres de intervenção estatal, livre concorrência e a divisão do trabalho e cooperação social, em que o sucesso é alcançado apenas servindo aos outros com bens de melhor qualidade ou a um preço melhor.

Em outras palavras, empresários capitalistas bem-sucedidos são benfeitores sociais que, longe de se apropriarem da riqueza dos outros, contribuem para o bem-estar geral.

Em última análise, um empresário de sucesso é um herói.

E este é o modelo que estamos defendendo para o futuro da Argentina. Um modelo baseado no princípio fundamental do libertarianismo.

A defesa da vida, da liberdade e da propriedade.

Agora, se o capitalismo de livre empresa e a liberdade econômica se mostraram instrumentos extraordinários para acabar com a pobreza no mundo, e estamos agora no melhor momento da história da humanidade, vale a pena perguntar por que digo que o Ocidente está em perigo.

E digo isso precisamente porque em países que deveriam defender os valores do livre mercado, propriedade privada e outras instituições do libertarianismo, setores do estabelecimento político e econômico estão minando as bases do libertarianismo, abrindo as portas para o socialismo e potencialmente nos condenando à pobreza, miséria e estagnação.

Nunca se deve esquecer que o socialismo é sempre e em todo lugar um fenômeno empobrecedor que falhou em todos os países onde foi experimentado.

Foi um fracasso econômico, social, cultural e também matou mais de 100 milhões de seres humanos.

O problema essencial do Ocidente hoje não é apenas que precisamos enfrentar aqueles que, mesmo após a queda do Muro de Berlim e a esmagadora evidência empírica, continuam a advogar pelo socialismo empobrecedor.

Mas também estão nossos próprios líderes, pensadores e acadêmicos que, confiando em um arcabouço teórico equivocado, estão minando os fundamentos do sistema que nos deu a maior expansão de riqueza e prosperidade em nossa história.

O arcabouço teórico a que me refiro é o da teoria econômica Neoclássica, que projeta um conjunto de instrumentos que, sem querer ou sem intenção, acabam servindo à intervenção do estado, ao socialismo e à degradação social.

O problema com os Neoclássicos é que o modelo de que se apaixonaram não mapeia a realidade, então eles atribuem seus erros a supostas falhas de mercado em vez de revisar as premissas do modelo.

Sob o pretexto de uma suposta falha de mercado, introduzem-se regulamentações. Estas regulamentações criam distorções no sistema de preços, impedem o cálculo econômico e, portanto, também impedem a poupança, o investimento e o crescimento.

O problema reside principalmente no fato de que nem mesmo supostos economistas libertários entendem o que é o mercado porque, se entendessem, rapidamente veriam que é impossível haver falhas de mercado.

O mercado não é um mero gráfico descrevendo uma curva de oferta e demanda. O mercado é um mecanismo de cooperação social, onde você troca voluntariamente direitos de propriedade. Portanto, com base nessa definição, falar de falha de mercado é um oximoro. Não existem falhas de mercado.

Se as transações são voluntárias, o único contexto em que pode haver falha de mercado é se houver coerção e o único capaz de coagir geralmente é o estado, que detém o monopólio da violência.

Consequentemente, se alguém considera que há uma falha de mercado, sugiro que verifique se há intervenção do estado envolvida em países livres vivem 25% mais tempo do que os cidadãos em países reprimidos.

Consequentemente, se alguém considera que há uma falha de mercado, sugiro que verifique se há intervenção do estado envolvida.

E se constatar que não é o caso, sugiro que verifique novamente, porque obviamente há um erro. Falhas de mercado não existem.

Um exemplo das chamadas falhas de mercado descritas pelos Neoclássicos é a estrutura concentrada da economia. A partir do ano 1800, com a população se multiplicando por 8 ou 9 vezes, o PIB per capita cresceu mais de 15 vezes, então houve retornos crescentes que reduziram a pobreza extrema de 95% para 5%.

No entanto, a presença de retornos crescentes envolve estruturas concentradas, o que chamaríamos de monopólio. Então, como algo que gerou tanto bem-estar para a teoria Neoclássica é uma falha de mercado?

Economistas Neoclássicos pensam fora da caixa.

Quando o modelo falha, não devemos nos irritar com a realidade, mas sim com o modelo e mudá-lo. O dilema enfrentado pelo modelo Neoclássico é que eles dizem desejar aperfeiçoar a função do mercado atacando o que consideram ser falhas.

Mas ao fazer isso, não só abrem as portas para o socialismo, mas também vão contra o crescimento econômico.

Por exemplo, regular monopólios, destruir seus lucros e destruir retornos crescentes destruiriam automaticamente o crescimento econômico.

No entanto, diante da demonstração teórica de que a intervenção estatal é prejudicial – e a evidência empírica de que não poderia ter sido diferente – a solução proposta pelos coletivistas não é maior liberdade, mas sim maior regulamentação, o que cria um espiral descendente de regulamentações até que todos sejamos mais pobres e nossas vidas dependam de um burocrata sentado em um escritório de luxo.

Diante do fracasso retumbante dos modelos coletivistas e dos avanços inegáveis no mundo livre, os socialistas foram forçados a mudar sua agenda: deixaram para trás a luta de classes baseada no sistema econômico e a substituíram por outros supostos conflitos sociais, igualmente prejudiciais à vida e ao crescimento econômico.

A primeira dessas novas batalhas foi a luta ridícula e antinatural entre homens e mulheres. O libertarianismo já prevê a igualdade entre os sexos. A pedra angular de nossa crença é que todos os seres humanos são criados iguais e que todos têm os mesmos direitos inalienáveis concedidos pelo Criador, incluindo vida, liberdade e propriedade.

Tudo o que a agenda do feminismo radical levou foi a uma maior intervenção estatal para dificultar o processo econômico, dando empregos a burocratas que não contribuíram em nada para a sociedade. Exemplos são ministérios da mulher ou organizações internacionais dedicadas a promover esta agenda.

Outro conflito apresentado pelos socialistas é o dos seres humanos contra a natureza, alegando que nós, seres humanos, danificamos um planeta que deve ser protegido a todo custo, chegando ao ponto de defender mecanismos de controle populacional ou a agenda do aborto. Infelizmente, essas ideias prejudiciais ganharam força em nossa sociedade.

Neo-marxistas conseguiram cooptar o senso comum do mundo ocidental, e isso eles alcançaram ao se apropriar dos meios de comunicação, cultura, universidades e também organizações internacionais.

O último caso é provavelmente o mais sério, pois são instituições que têm uma enorme influência nas decisões políticas e econômicas de seus estados membros.

Felizmente, há cada vez mais de nós que ousamos fazer ouvir nossas vozes, pois vemos que, se não lutarmos verdadeira e decisivamente contra essas ideias, o único destino possível é termos níveis crescentes de regulamentação estatal, socialismo, pobreza e menos liberdade, e, portanto, piores padrões de vida.

O Ocidente, infelizmente, já começou a seguir esse caminho. Eu sei, para muitos pode parecer ridículo sugerir que o Ocidente se voltou para o socialismo, mas isso só é ridículo se você se limitar à definição econômica tradicional de socialismo, que diz que é um sistema econômico onde o estado possui os meios de produção.

Essa definição, a meu ver, deve ser atualizada à luz das circunstâncias atuais.

Hoje, os estados não precisam controlar diretamente os meios de produção para controlar todos os aspectos da vida dos indivíduos.

Com ferramentas como impressão de dinheiro, dívida, subsídios, controle da taxa de juros, controles de preços e regulamentações para corrigir supostas falhas de mercado, eles podem controlar a vida e os destinos de milhões de indivíduos.

É assim que chegamos ao ponto em que, usando diferentes nomes ou disfarces, uma boa parte das ideologias geralmente aceitas na maioria dos países ocidentais são variantes coletivistas, sejam elas abertamente comunistas, fascistas, socialistas, social-democratas, nacional-socialistas, democratas-cristãos, neokeynesianos, progressistas, populistas, nacionalistas ou globalistas.

No final, não há grandes diferenças. Todos eles dizem que o estado deve dirigir todos os aspectos da vida dos indivíduos. Todos defendem um modelo contrário ao que levou a humanidade ao progresso mais espetacular de sua história.

Viemos aqui hoje para convidar o mundo ocidental a voltar ao caminho da prosperidade. Liberdade econômica, governo limitado e respeito ilimitado pela propriedade privada são elementos essenciais para o crescimento econômico.

O empobrecimento produzido pelo coletivismo não é uma fantasia, nem é um destino inescapável. É uma realidade que nós, argentinos, conhecemos muito bem.

Vivemos isso. Passamos por isso porque, como disse anteriormente, desde que decidimos abandonar o modelo de liberdade que nos tornou ricos, fomos apanhados em uma espiral descendente – uma espiral pela qual estamos cada vez mais pobres, dia após dia.

Isso é algo que vivenciamos e estamos aqui para alertar sobre o que pode acontecer se os países do mundo ocidental, que se tornaram ricos através do modelo de liberdade, permanecerem neste caminho de servidão.

O caso da Argentina é uma demonstração empírica de que, não importa quão ricos vocês possam ser, quanta riqueza natural possam ter, quão qualificada seja sua população, quão educada, ou quantas barras de ouro vocês possam ter no banco central – se forem adotadas medidas que dificultam o livre funcionamento dos mercados, a concorrência, os sistemas de preços, o comércio e a propriedade privada, o único destino possível é a pobreza.

Portanto, em conclusão, gostaria de deixar uma mensagem para todos os empresários aqui presentes e aqueles que não estão aqui pessoalmente, mas que estão acompanhando de todo o mundo.

Não se intimidem pela casta política ou pelos parasitas que vivem às custas do estado. Não se rendam a uma classe política que só quer permanecer no poder e manter seus privilégios. Vocês são benfeitores sociais. Vocês são heróis. Vocês são os criadores do período mais extraordinário de prosperidade que já vimos.

Não deixem que ninguém lhes diga que sua ambição é imoral. Se vocês ganham dinheiro, é porque oferecem um produto melhor a um preço melhor, contribuindo assim para o bem-estar geral.

Não se rendam ao avanço do estado. O estado não é a solução. O estado é o problema em si. Vocês são os verdadeiros protagonistas desta história e tenham certeza de que a partir de hoje, a Argentina é sua aliada firme e incondicional.

Muito obrigado e viva a liberdade!

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