HISTÓRIA ADMINISTRATIVA DO BRASIL - Stephen Kanitz https://blog.kanitz.com.br/artigos/administracao-economica/historia/ Blog para se Pensar Fri, 28 Jun 2024 17:08:20 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.7.5 https://blog.kanitz.com.br/wp-content/uploads/2021/06/stephenkanitz-favicon-150x150.png HISTÓRIA ADMINISTRATIVA DO BRASIL - Stephen Kanitz https://blog.kanitz.com.br/artigos/administracao-economica/historia/ 32 32 Os Próximos 30 Anos https://blog.kanitz.com.br/os-proximos-30-anos/ https://blog.kanitz.com.br/os-proximos-30-anos/#comments Thu, 27 Jun 2024 21:31:48 +0000 https://blog.kanitz.com.br/?p=29684 (Escrito na Veja em 2003, mas continua válido até hoje) Imagine-se técnico da seleção da economia brasileira. O Brasil está perdendo o jogo da globalização por 4 a zero. Você se reúne com seus assistentes para analisar as opções. A primeira opção é mandar todo o time para o ataque. Isso significa incentivar a indústria […]

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(Escrito na Veja em 2003, mas continua válido até hoje)

Imagine-se técnico da seleção da economia brasileira.

O Brasil está perdendo o jogo da globalização por 4 a zero.

Você se reúne com seus assistentes para analisar as opções.

A primeira opção é mandar todo o time para o ataque. Isso significa incentivar a indústria brasileira a adotar programas de qualidade e produtividade, apoiar as exportações, investir em tecnologia e aumentar a competitividade.

É o que nossos governos têm feito desde 1950, sem muito sucesso.

Outra opção seria criar uma enorme confusão no meio-de-campo, provocar a expulsão de adversários como multinacionais, globalistas, a ONU e o FMI e anular a partida, já que as regras foram inventadas por eles e não nós.

Essas são basicamente as únicas opções discutidas pela maioria dos especialistas e partidos políticos.

Existe ainda uma terceira opção, pouco analisada, que parte da percepção de que temos perdido a maioria dos jogos econômicos porque ficamos o tempo todo tentando entender ou então mudar as regras.

Quando finalmente aprendemos os truques e os macetes, as regras já mudaram, e os que querem mudá-las nem sabem como.

A verdade é que nunca vamos ganhar jogos com regras escritas por outros.

Jogos econômicos são ganhos muito antes de o time entrar em campo, nos meses de treinamento intensivo, na organização e administração do time.

O Brasil sempre entra em campo anos depois de o jogo ter começado.

Precisamos nos preparar para o próximo jogo internacional.

Precisamos nos preparar para os jogos e as regras que estarão por vir, e até criar nossos jogos com nossas regras.

Tudo isso pode parecer muito óbvio, mas nunca foi feito.

Nossos economistas e intelectuais estão discutindo os problemas econômicos do passado, sem tempo para discutir as tendências do futuro.

Perdemos anos corrigindo o passado, como fizemos na Constituição de 1988, e não discutindo as possibilidades do futuro.

Pior, nossos políticos e nossa imprensa só ouvem aqueles que explicam o presente, e não aqueles que se preocupam com o futuro.

Por definição, o futuro não é notícia, porque ainda não aconteceu.

“Qual será o próximo jogo econômico internacional?” é portanto a pergunta cuja resposta vale ouro.

Infelizmente, não tenho espaço nem competência para me estender convincentemente nesse assunto.

Por isso, vou dar um exemplo dos jogos possíveis, um exemplo didático, não uma proposta concreta.

Um dos jogos que imagino é o turismo da terceira idade de média renda.

O mundo está envelhecendo e, com os progressos da ciência, a população do Primeiro Mundo estará vivendo cada vez mais.

Lugares como Miami, Costa Brava e Lisboa ficarão pequenos para acolher os milhões de velhinhos e velhinhas aposentados dos Estados Unidos e da Europa, que fogem dos rigores de seu inverno.

Se estivermos preparados, eles poderão escolher cidades mais quentes e mais baratas, como Salvador, Fortaleza, Natal e Maceió, cidades com a tradicional hospitalidade brasileira.

Doze milhões de velhinhos com aposentadoria anual média de 80.000 dólares para gastar nos trariam 5 trilhões de reais, bilhões de “exportações” por ano, metade de um PIB.

Mas, para que o Brasil participasse desse jogo, precisaríamos nos preparar desde já.

Em vez de construir estádios de futebol e hotéis de luxo, teríamos de erguer milhares de flat services ao lado.

Em vez dos cassinos que muitos querem criar, teríamos de construir dezenas de campos de golfe, se o MST permitir.

Em vez de boates, precisaríamos de bingos, quadras de bocha e piscinas térmicas, além de resolver nossos problemas de segurança.

Mais importante seria a construção de centros ortopédicos e geriátricos de qualidade internacional, o que nos traria ainda mais divisas.

E aqui, caro leitor, vem o ponto crucial.

Esses investimentos levam tempo para ser feitos.

E, uma vez construído, um hospital cardiológico ou ortopédico leva no mínimo dez anos para ganhar reputação internacional.

Ou seja, já estamos atrasados e podemos perder também esse barco, porque nunca pensamos nos jogos do futuro, somente nos erros do passado.  

Stephen Kanitz é administrador


(www.kanitz.com.br)
  Revista Veja, Editora Abril, edição 1799, ano 36, nº 16 de 23 de abril de 2003

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Meu Encontro com Lula https://blog.kanitz.com.br/meu-encontro-com-lula/ https://blog.kanitz.com.br/meu-encontro-com-lula/#comments Tue, 26 Dec 2023 11:58:10 +0000 https://blog.kanitz.com.br/?p=29611 Meu encontro com Lula

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Foi em 2001, e Lula, mais uma vez candidato à Presidência, desejava discutir economia com pessoas diferentes dos usuais intelectuais do PT.

Seu contador, Antoninho Trevisan, reuniu Walter Appel, Guilherme Leal, Luiz Cezar Fernandes e eu para compartilharmos nossa visão dos grandes problemas nacionais.

Guido Mantega estava acompanhando Lula.

Na minha vez de falar eu apontei o que achava que era o problema mais urgente e importante.

Disse eu: “O problema número um é o sistema de previdência por repartição, onde o Estado retira 28% dos salários dos trabalhadores jovens para pagar as aposentadorias da velha geração de funcionários públicos, professores de sociologia e idosos em geral.

Isso mantém os jovens eternamente pobres, forçados a se endividar, enquanto o país fica sem recursos financeiros a longo prazo, ideais para o financiamento empresarial.

Se esses 28% não fossem gastos, mas investidos para o futuro, estaríamos hoje com 16 trilhões em fundos de pensão, o equivalente a 45 BNDES.

Se você não realizar imediatamente uma reforma no primeiro ano de governo, uma reforma conforme a Constituição manda no artigo 201 “observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial“ o Brasil não crescerá nos próximos 30 anos.

Além disso, nossa produtividade permanecerá estagnada, nossos jovens continuarão pobres, e nossos juros reais permanecerão elevados.

Hoje, temos um sistema em que os jovens são escravizados pelos mais velhos, algo inaceitável no século 21.”

Era algo que eu já vinha escrevendo, inclusive na Veja há 20 anos. Portanto, estava bem a par do assunto.

Discutimos por cerca de três horas vários assuntos e ao final, Lula agradeceu nossa contribuição e disse:

“Ainda bem que, segundo o Kanitz, eu já sou aposentado, pois isso significa que já garanti o meu.”

Não publiquei essa declaração porque foi dita em tom de brincadeira e o encontro era confidencial.

Mas não pude deixar de pensar que isso era típico do PT, e tudo o que eles defendiam e ainda defendem até hoje.

Direitos e mais direitos, direitos adquiridos em detrimento da nova geração, dos mais pobres, pois acima de R$ 7.000,00 por mês, aos ricos não incide INSS.

Lula tinha condições, com sua popularidade, de mudar o país, acabar com a escravidão dos jovens, reduzir a taxa média dos juros, fazer o país crescer com caixa e não dívidas, como fez, enquanto o problema estava em seu início, em 2002.

Hoje, a dívida da nova geração com a velha é de 136 trilhões de reais, o custo de uma transição para um regime de acumulação solidária.

O fato de que essa dívida agora é 80% impagável significa que idosos literalmente morrerão de fome, não poderão se aposentar e terão que competir com os jovens por empregos.

Vinte anos de governos do PT, onde esse problema foi deliberadamente escondido por economistas como Guido Mantega, que afirmou no encontro que “não havia deficits”, selaram nosso futuro, que será de um enorme conflito intergeracional.

Jovens recusando pagar o INSS e economistas achando outras formas de taxá-los.

Fico incrédulo como nossos intelectuais ignoraram esse problema, e o pouco apoio que tive nesses 50 anos.

Alertando quase todo ano sobre esse problema desde 1983, sem um sinal nem da velha geração nem da nova, como o MBL, condenados à pobreza por direitos supostamente adquiridos, mas não são.

Seremos uma nação de escravos, como de fato já somos.

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Os Discursos de Posse do Bolsonaro, Lula e Milei https://blog.kanitz.com.br/os-discursos-de-posse-do-bolsonaro-lula-e-milei/ https://blog.kanitz.com.br/os-discursos-de-posse-do-bolsonaro-lula-e-milei/#comments Tue, 21 Nov 2023 09:33:58 +0000 https://blog.kanitz.com.br/?p=29545 Qual Foi Melhor? Na minha opinião foi o do Milei, que deixou bem claro que levaria 35 anos para refazer o estrago socialista do Peronismo, que quebrou a Argentina. E, que medidas drásticas e não conchavos meia boca teriam que ser tomados.  Bolsonaro não alertou esse senso de urgência, de que postergamos problemas demais. Minha […]

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Qual Foi Melhor?

Na minha opinião foi o do Milei, que deixou bem claro que levaria 35 anos para refazer o estrago socialista do Peronismo, que quebrou a Argentina. E, que medidas drásticas e não conchavos meia boca teriam que ser tomados. 

Bolsonaro não alertou esse senso de urgência, de que postergamos problemas demais. Minha primeira crítica ao governo Bolsonaro, foi que o discurso de posse do economista Paulo Guedes não mostrava crise nem urgência. 

(Cumprirei o teto dos gastos, quando deveria mostrar que estamos gastando 1 trilhão de reais a mais que arrecadamos para tal. Número grande demais para ignorar.)

Lula, leia mais embaixo, mentiu do início ao fim, leu o que escreveram para ele.

Afirmou com todas as linhas que fará do Brasil uma Argentina, “vou reintroduzir a política de substituição das importações” , produzir aqui o que importamos de fora.

Decidam vocês.

Do Bolsonaro 2018:

“Vamos valorizar a família.

Pretendo partilhar o poder com Estados e Municípios (e não Partidos e seus políticos.

Teremos Mais Brasil menos Brasília.

Cuidarei da Infraestrutura e Saneamento Básico. Vou incentivar o ensino técnico para um emprego, e não o ensino ideológico para uma militância política.

Darei ênfase a maior produtividade, especialmente do setor agrícola, defenderei a meritocracia.

Montei uma equipe técnica e não de políticos, a  porta de entrada da corrupção e ineficiência. Não gastarei mais do que se arrecada.

Teremos menos burocracia, regulamentações.”

Lula 2023:

“Nunca os recursos do Estado foram tão desvirtuados em proveito de um projeto autoritário de poder. 

Nunca a máquina pública foi tão desencaminhada dos controles republicanos. 

Nunca os eleitores foram tão constrangidos pelo poder econômico e por mentiras disseminadas em escala industrial.

Apesar de tudo, a decisão das urnas prevaleceu, graças a um sistema eleitoral internacionalmente reconhecido por sua eficácia na captação e apuração dos votos. Foi fundamental a atitude corajosa do Poder Judiciário.

No meu primeiro mandato disse que a missão de minha vida estaria cumprida quando cada brasileiro e brasileira pudesse fazer três refeições por dia.

Ter de repetir este compromisso no dia de hoje – diante do avanço da miséria e do regresso da fome, – é o mais grave sintoma da devastação que se impôs ao país.

Diante do desastre orçamentário que recebemos, apresentei ao Congresso Nacional propostas que nos permitam apoiar a imensa camada da população que necessita do Estado para, simplesmente, sobreviver

A liberdade que sempre defendemos é a de viver com dignidade, com pleno direito de expressão, manifestação e organização.

A liberdade que eles pregam é a de oprimir o vulnerável, massacrar o oponente e impor a lei do mais forte acima das leis da civilização. O nome disso é barbárie.

Estou assinando medidas para reorganizar as estruturas do Poder Executivo, (escolhendo políticos e não técnicos) de modo que voltem a permitir o funcionamento do governo de maneira racional, republicana e democrática. 

Para resgatar o papel das instituições do Estado, bancos públicos e empresas estatais no desenvolvimento do país. 

Em diálogo com os 27 governadores, vamos definir prioridades para retomar obras irresponsavelmente paralisadas, que são mais de 14 mil no país.

Os bancos públicos, especialmente o BNDES, e as empresas estatais indutoras do crescimento e inovação, como a Petrobras, terão papel fundamental neste novo ciclo, (a pequena empresa geradora de emprego, não).

Vamos aumentar o salário-mínimo. Vamos acabar com a vergonhosa fila do INSS, (que está quebrada. Eu mesmo disse a Lula em 2002). 

Vamos fortalecer as centrais sindicais e criar sobre uma nova legislação trabalhista

(Vamos retomar a desastrosa Política de Substituição das Importações.) 

O Brasil é grande demais para renunciar ao seu potencial produtivo. Não faz sentido importar combustíveis, fertilizantes, plataformas de petróleo, microprocessadores, aeronaves e satélites. 

Temos (?) capacitação técnica, capitais e mercado em grau suficiente para retomar a industrialização de substituição das importações e a oferta de serviços em nível competitivo.

(Apesar de nosso QI ter caído para 86 devido a péssima educação oferecida pelo Estado) O futuro pertencerá a quem investir na indústria do conhecimento.

É inadmissível que as mulheres recebam menos que os homens, realizando a mesma função. Que não sejam reconhecidas em um mundo político machista.

O Brasil tem de ser dono de si mesmo (e não o Estado dono de tudo, educação, saúde, previdência, bancos, FGTS, BNDES, 40% do PIB via impostos, 99% de burocracia e regulamentação.“

Milei 2023:

“Quebramos. Nossa situação é crítica, chegamos com o Peronismo a 46% de pobreza, e 10% de indigência. 

Precisamos ser rápidos, não há espaço para o gradualismo nem para o meio termo.

Precisamos tomar medidas drásticas. Senão teremos a pior crise de nossa história.

Seremos implacáveis com aqueles que quiserem manter seus privilégios.

Temos hoje problemas monumentais. Mas não vamos inventar teorias, somente usar o que a história já mostrou que funciona.

O estrago é tanto que levaremos 35 anos para voltarmos a ser um potência mundial.”

A todos aqueles que nos estão vendo de fora da Argentina, quero dizer-lhes que a Argentina voltará a ocupar um lugar do mundo que nunca deveria ter perdido.

Quem proferiu o melhor discurso em termos de motivação, Milei ou Bolsonaro?

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A Farsa na Construção de Brasília https://blog.kanitz.com.br/construcao-de-brasilia/ https://blog.kanitz.com.br/construcao-de-brasilia/#comments Tue, 29 Mar 2022 10:30:00 +0000 https://blog.kanitz.com.br/?p=29065 Esse artigo não é sobre Brasília, mas sim como tomamos decisões importantes nesse país. Em 1823, 200 anos atrás, José Bonifácio propôs a criação de Brasília no Estado de Goiás. Isso porque o Rio de Janeiro poderia ser bombardeado por navios, razão que os Estados Unidos escolheram Washington em 1790 para substituir Philadelphia, costeira. 150 […]

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Esse artigo não é sobre Brasília, mas sim como tomamos decisões importantes nesse país.

Em 1823, 200 anos atrás, José Bonifácio propôs a criação de Brasília no Estado de Goiás.

Isso porque o Rio de Janeiro poderia ser bombardeado por navios, razão que os Estados Unidos escolheram Washington em 1790 para substituir Philadelphia, costeira.

150 anos depois, decidimos fazer o mesmo, sem repensar as razões.

“Em 1957, Niemeyer abre um concurso público para o Plano Piloto de Brasília, a nova capital.

O projeto vencedor é o apresentado por Lúcio Costa, seu amigo e ex-patrão.

Niemeyer, arquiteto escolhido por Juscelino, seria responsável pela concepção dos edifícios, enquanto Lúcio Costa desenvolveria o plano da cidade.” Wikipedia.

De imediato surgem suspeitas de todos os tipos.

O próprio Juscelino Kubitschek recorda:

“Em conversa com Sir William Holford, tive a oportunidade de conhecer as razões que determinaram aquela “pressa” no julgamento dos trabalhos.

Ou um projeto era bom ou não era, e isso tornava-se evidente à primeira vista. (sic)

Quando examinara os trabalhos, havia um que lhe chamara a atenção. Era o de Lúcio Costa.

Fora apresentado sem qualquer preocupação de obter destaque.

Estava numa folha de papel comum, desenhado à mão, com alguns rabiscos, e acompanhado de uma exposição, à guisa de defesa do projeto. (sic)

O júri era integrado por autoridades internacionais, como Sir William Holford, do Governo Britânico e André Sive, da França; e Stamo Papadaki, de Nova York.

Foi sugestão de Holford proceder a uma eliminação prévia, para facilitar o julgamento dos poucos classificados.

Feito isso, a escolha do melhor teve lugar quase imediatamente, e esta recaiu no projeto de Lúcio Costa.” (sic)

26 arquitetos concorreram com maquetes, desenhos sofisticados, projeções.

Mas quem “ganhou” foi Lúcio Costa que apresentou uma simples carta (abaixo) onde confessa que não estava concorrendo, “sequer disponho de escritório”.

“Desejo inicialmente desculpar-me perante a direção da Companhia Urbanizadora e a Comissão Julgadora do Concurso pela apresentação sumária do partido aqui sugerido para a nova Capital e, também, justificar-me.

Não pretendia competir e, na verdade, não concorro — apenas me desvencilho de uma solução possível, que não foi procurada, mas surgiu, por assim dizer, já pronta.

Compareço, não como técnico devidamente aparelhado, pois nem sequer disponho de escritório, mas como simples “maquis” do urbanismo, que não pretende prosseguir no desenvolvimento da ideia apresentada, se não eventualmente, na qualidade de mero consultor. (sic)

E se procedo assim candidamente, é porque me amparo num raciocínio igualmente simplório:

se a sugestão é válida, estes dados, conquanto sumários na sua aparência, já serão suficientes,

pois revelarão que, apesar da espontaneidade original ela foi, depois, intensamente pensada e resolvida.”

Foi assim que começa Brasília, nas coxas, errado, com favoritismo, com um arquiteto concretista que não pensou no povo que iria morar lá, verdade seja dita.

Não entendiam de governo nem administração, fizeram 18 prédios iguais como se cada Ministério tivesse o mesmo tamanho e número de funcionários.

E mais, foi a construção de Brasília que gerou 38 anos de inflação, corrupção, distância do povo.

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Por Que Nos Tornamos Um “Governo Dos Piores”? https://blog.kanitz.com.br/governo-dos-piores/ https://blog.kanitz.com.br/governo-dos-piores/#comments Sat, 09 Jun 2018 10:00:38 +0000 http://blog.kanitz.com.br/?p=24716   Por que na hora de votar escolhemos sempre “o menos pior”? Por que na hora de votar nunca comentamos “está difícil escolher, todos os candidatos são excelentes e competentes”? Porque não criamos uma cultura administrativa no Brasil, ao contrário dos demais países. Onde prevalece a cultura de promoção por desempenho, do treinamento constante de […]

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Por que na hora de votar escolhemos sempre “o menos pior”?

Por que na hora de votar nunca comentamos “está difícil escolher, todos os candidatos são excelentes e competentes”?

Porque não criamos uma cultura administrativa no Brasil, ao contrário dos demais países.

Onde prevalece a cultura de promoção por desempenho, do treinamento constante de recursos humanos, da valorização da excelência, da meritocracia.

Nossos intelectuais, Leandro Karnal é um exemplo, ridicularizam as histórias de sucesso de nossos empreendedores, dos exemplos cantados em verso em prosa por autores de livros de administração.

Podemos exagerar e incomodar alguns com todas essas histórias de sucesso, mas o que ninguém percebe é que essas histórias revelam os segredos do sucesso, que deveriam ser guardados a sete chaves, mas não.

Nunca cessa de me surpreender quantos empresários, se cutucados, revelam para pessoas totalmente estranhas o segredo de sucesso de suas empresas.

Foi pensando nisso que criei para a Editora Abril, 40 anos atrás, a edição Melhores e Maiores, que revelava todo ano o segredo do sucesso das nossas melhores empresas.

Minha coluna “O Segredo do Sucesso” era a mais lida da edição, mas não por intelectuais de esquerda, somente por liberais e jornalistas de direita.

Ou seja, uma parcela ínfima da população.

Hoje esse tipo de jornalismo e literatura é uma exceção. “O Segredo do Sucesso” foi descontinuado com minha demissão.

Isso porque a esquerda brasileira odeia o sucesso dos outros.

Sucesso para eles é destruir valores familiares, é queimar pneus, é pintar edifícios de vermelho, é impedir alguém de falar.

Quando voltei de Harvard achei que meu caminho estava feito, sendo um dos primeiros brasileiros a lá estudar e que seria certamente peça valorizada. Ledo engano.

Me trouxe mais inveja de macho e uma perseguição velada, do que benefícios materiais.

Achei que receberia convites para ser professor nas mais diversas Universidades brasileiras a preço de ouro.

Não recebi uma única oferta, e hoje sei o motivo.

Somos um Governo dos Piores porque não procuramos ativamente os Melhores, até os perseguimos.

Muitos dos meus colegas brasileiros de Harvard voltaram para os Estados Unidos onde a excelência é valorizada.

Somos um País dos Piores porque culturalmente não prestigiamos os melhores, os mais competentes, os que mais empreendem.

Onde estão os Prêmios “Cientista Do Ano”, “Professor do Ano”, “Policial do Ano”, “Equipe Médica do Ano”?

Onde estão os Prêmios “Aluno do Ano”, “Campeão Nacional de Matemática do Ano”?

Sumiram, acabaram, e assim, de pior em pior, implantamos lentamente o governo dos incompetentes, dos apadrinhados, dos amigos de confiança, dos parentes distantes, dos medíocres e dos espertos da Quarta Classe.

 

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Contabilidade – Despesas, Receitas e Desinvestimento https://blog.kanitz.com.br/despesas-receitas-e-desinvestimento/ Tue, 06 Jun 2017 10:00:00 +0000 http://66.147.244.83/~blogkani/wordpress/?p=507   Quando as suas Despesas são maiores que suas Receitas, você terá desinvestimento. Você terá que vender partes dos seus Débitos ou investimentos. Se seus Débitos, Despesas, são maiores do que suas Receitas, os Créditos, você terá que achar alguns Créditos para equilibrar a equação. Como gerar um Crédito? Vendendo um Débito, ou seja um […]

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Quando as suas Despesas são maiores que suas Receitas, você terá desinvestimento.

Você terá que vender partes dos seus Débitos ou investimentos. Se seus Débitos, Despesas, são maiores do que suas Receitas, os Créditos, você terá que achar alguns Créditos para equilibrar a equação.

Como gerar um Crédito? Vendendo um Débito, ou seja um investimento. Ao vender um investimento você está desinvestindo e a conta fecha.

O problema do Brasil por 500 anos é que o governo, até termos o administrador Henrique Meirelles no Banco Central, não teve Reservas financeiras, ou Débitos de investimento.

Quando o governo gastava mais do que arrecadava, o Crédito não vinha de redução das reservas, e sim da contratação de mais dívidas.

E mais dívidas, e mais dívidas até quebrarmos umas 7 vezes.

Por quê? Primeiro porque nunca tivemos no governo pessoas que pensam sob dois ângulos o tempo todo. Quase todos os nossos presidentes do Banco Central foram economistas, que pensam unidimensionalmente, e aí a conta não fecha.

 

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Greves e Violência Civil https://blog.kanitz.com.br/violencia-civil/ Tue, 30 May 2017 12:00:48 +0000 http://blog.kanitz.com.br/?p=23125   Greves somente são possíveis através do uso de violência, ou pela ameaça de uso de violência. Ruas bloqueadas por membros da Quarta Classe, portas de fábricas e escolas bloqueadas por professores e sindicalistas. Como essa violência contra mulheres começou? Sim, contra mulheres. Foram as mulheres que primeiro perceberam as oportunidades da Revolução Industrial. Mais […]

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Greves somente são possíveis através do uso de violência, ou pela ameaça de uso de violência.

Ruas bloqueadas por membros da Quarta Classe, portas de fábricas e escolas bloqueadas por professores e sindicalistas.

Como essa violência contra mulheres começou?

Sim, contra mulheres.

Foram as mulheres que primeiro perceberam as oportunidades da Revolução Industrial.

Mais especificamente, as mães solteiras com filhos de 8 a 12 anos.

Não somente mães solteiras eram expulsas da casa de seus pais, mas com dois filhos nenhum emprego lhes era possível, a não ser a prostituição.

Leiam os relatos de Charles Dickens.

Quando aqueles engenheiros da Revolução Industrial, tão odiados pelos nossos marxistas, inventaram o tear mecânico substituindo o tear manual, eis que a vida dessas excluídas mudou.

Elas foram as primeiras a perceber que poderiam substituir aqueles marmanjos nos teares manuais, que não mais precisavam da força bruta do trabalho.

Com teares mecânicos, a função do tecelão é de parar e ligar a máquina cada vez que um dos 600 fios rompesse, e unir as duas pontas novamente.

Nenhuma força muscular masculina necessária.

Até uma criança de 10 a 12 anos poderia fazer isso, por metade do salário.

Elas se ofereceram por 30% a menos do salário, bandeira da esquerda até hoje, esquecendo que antes elas ganhavam zero.

E, foi assim que mulheres e seus filhos abandonados puderam se empregar de forma não degradante.

E terem os seus filhos ao lado, aprendendo uma profissão.

A Revolução Industrial não explorava crianças e mulheres, como relatou Karl Marx, foi exatamente o contrário.

As liberaram da prostituição.

Mas essa transição não foi fácil.

Nenhum engenheiro têxtil da época queria contratar prostitutas, ainda mais com dois filhos.

Especialmente diante da brutal oposição dos mesmos homens que estamos vendo hoje no Brasil.

Foi assim que surgiram as greves da esquerda da época.

“Nenhum direito a menos. Contra a contratação de mulheres e crianças.”

Pior, a esquerda foi contra a inclusão de mulheres abandonadas e prostitutas sem opção.

Karl Marx distorceu totalmente essa inclusão da mulher chamando-a de “exploração de trabalho infantil”, mentindo como fazem membros da Quarta Classe.

Bastaria você ter estudado História da Administração, uma matéria fascinante que explica muito mais como evoluímos, do que essa História Marxista que ensinam em nossas escolas.

Devemos essa mudança a Robert Owen, um dos primeiros engenheiros e administradores socialmente responsáveis.

Que de quebra, foi o primeiro a dar educação “privada” para aqueles jovens destituídos.

 

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A Nova Onda da Eficiência https://blog.kanitz.com.br/onda-da-eficiencia/ Fri, 26 May 2017 12:10:53 +0000 http://blog.kanitz.com.br/?p=23115   Com os desmandos na Petrobras, BNDES, Caixa, Previdência, Odebrecht, eleição do Doria, finalmente caiu a ficha que nosso problema é gestão. Em 1945, dois engenheiros, Eugênio Gudin e Octávio Bulhões lutaram para criar a profissão de Economista. Faz sentido porque se não havia economistas na época não havia como eles lutarem pela sua ainda […]

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Com os desmandos na Petrobras, BNDES, Caixa, Previdência, Odebrecht, eleição do Doria, finalmente caiu a ficha que nosso problema é gestão.

Em 1945, dois engenheiros, Eugênio Gudin e Octávio Bulhões lutaram para criar a profissão de Economista.

Faz sentido porque se não havia economistas na época não havia como eles lutarem pela sua ainda profissão inexistente.

Outras profissões teriam que lutar por eles.

O mesmo não ocorreu com a profissão de administração.

Todas as profissões de hoje acham que qualquer um administra uma Petrobras, um BNDES, por exemplo, e que escolas de administração não são necessárias.

Num golpe maquiavélico, Eugênio Gudin introduziu na sua Lei do Economista a extinção de todas as Faculdades de Administração a partir do ano letivo de 1946.

O que de fato ocorreu, até 1994.

Por isso não temos bons administradores, banqueiros, Ministros, consultores de empresas, congressos de profissionais de administração, somente congressos de professores que fazem questão de não aparecer.

Vejam a diferença dos dois congressos.

Por isso não temos benchmarks, estudo de casos, somente histórias de sucesso, que levam a nada.

Queremos saber os erros que devem ser evitados, não o caminho já ocupado pelo Lemann ou Abilio Diniz.

Nossos professores de administração são na maioria patéticos.

Cite 10 Professores famosos.

Agora cite 10 professores de economia famosos.

Delfim, Beluzzo, Sergio Gabrielli, Luciano Coutinho, Guido Mantega, Bresser Pereira, Andre Montoro, Nelson Barbosa, Gustavo Franco, da USP, PUC, Unicamp e Bahia.

A maioria dos professores de administração é desconhecida, raramente procurada pela imprensa, escreve pouco, nenhum deles é um Guru, e o único que o é, o Falconi, é engenheiro.

A lei 7988/45, que ninguém leu apesar da minha insistência, finalmente parece que pode ser revertida.

Demorará 50 anos, terá muita resistência, mas talvez seja o começo.

Eu já não estarei aqui para lutar nesse sentido.

Espero que surja um engenheiro como Gudin para defender o administrador, como ele fez com os economistas.

 

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Por Que o Brasil é Assim? https://blog.kanitz.com.br/brasil-assim/ Tue, 28 Mar 2017 11:22:07 +0000 http://blog.kanitz.com.br/?p=21000 Quatro matérias, duas sendo editoriais do jornal de maior influência do Brasil. Nenhum chegou, nem perto, a esclarecer os seus leitores por que o Brasil não dá certo. Em 1945, o decreto lei de Getúlio Vargas que criou a profissão de economista a 7988/45 determinava a extinção de todas as nossas Faculdades de Administração desse […]

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Quatro matérias, duas sendo editoriais do jornal de maior influência do Brasil.

Nenhum chegou, nem perto, a esclarecer os seus leitores por que o Brasil não dá certo.

Em 1945, o decreto lei de Getúlio Vargas que criou a profissão de economista a 7988/45 determinava a extinção de todas as nossas Faculdades de Administração desse país.

Leia mais aqui https://blog.kanitz.com.br/atrasou/

Foi um golpe rasteiro para dominarem esse país, o que de fato aconteceu.

Fruto desse golpe sujo, deixamos de treinar por mais de 50 anos a classe que seria o segundo escalão do Brasil.

É o segundo escalão que faz as coisas acontecerem, não é o primeiro escalão, que só fica nas grandes ideias.

É o segundo escalão que tem que se coordenar entre si, coisas que nossos empresários e economistas são incapazes de fazer.

É o segundo escalão de supervisores, orçamentistas, vendedores, contadores de custos, operadores logísticos que são a mão visível das empresas, os que dão vida às empresas.

Nossos economistas de esquerda acham que são eles próprios que fazem tudo acontecer, veja Serra que se diz grande administrador, e vocês acreditam.

Nossos economistas de Direita, aqueles que leram Adam Smith, acham que tudo chega nas prateleiras graças à uma tal “mão invisível”, uma visão infantil daqueles que nunca visitaram uma empresa.

Nunca tivemos um Presidente, um Governador ou jornal que tenha prestigiado um Congresso de Contadores, Congresso de Analistas de Crédito, Recursos Humanos, Analistas de Sistemas, etc.

Nosso segundo escalão não é estudado, pesquisado, motivado, agraciado, nem treinado por Faculdades de Administração que sequer temos.

Temos sim Departamentos de Administração dentro de uma Faculdade de Economia, uma bela diferença.

Por isso somos um país mal administrado,

mal auditado,

ineficiente,

de baixa produtividade,

do desperdício,

sem benchmarks,

sem controle de custos,

sem prestação de contas,

sem feedback,

que não segue os Princípios da Administração Responsável das Nações,

E nenhum dos quatro artigos do Estadão chegou perto.

Nossos Presidentes e Governadores ouvem Empresários, Banqueiros e Economistas e ponto final, vide o Conselhão da Presidência.

Mas o segundo escalão, aquele que sabe dos detalhes, que está com o saco cheio, que está desmotivado, nem pensar.

Fico triste quando vejo o jornal de maior prestígio, e ainda por cima de Direita, desconhecer o país que ele cobre há mais de 50 anos.

Se sequer reconhecemos o nosso verdadeiro problema, jamais teremos a solução.

Daí minha luta pelo segundo escalão.

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