ECONOMIA BRASILEIRA - Stephen Kanitz https://blog.kanitz.com.br/artigos/administracao-economica/economia-administracao-economica/economia-brasileira/ Blog para se Pensar Tue, 07 Jul 2026 14:07:34 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.7.5 https://blog.kanitz.com.br/wp-content/uploads/2021/06/stephenkanitz-favicon-150x150.png ECONOMIA BRASILEIRA - Stephen Kanitz https://blog.kanitz.com.br/artigos/administracao-economica/economia-administracao-economica/economia-brasileira/ 32 32 As Portas se Fecham para nós Brasileiros https://blog.kanitz.com.br/as-portas-se-fecham-para-nos-brasileiros/ https://blog.kanitz.com.br/as-portas-se-fecham-para-nos-brasileiros/#comments Fri, 06 Jun 2025 15:35:36 +0000 https://blog.kanitz.com.br/?p=29983 Quem teve juízo já foi embora. Quem ficou, ficará para sempre. Os últimos a saírem ainda conseguiram um visto italiano, português, americano. Os que zombaram da política, que votaram “no que fala pouco”, agora vão entender o preço da omissão. No Brasil do futuro, que já começou, você somente obedecerá. Obedecerá calado. Entretanto, pagará impostos […]

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Quem teve juízo já foi embora.

Quem ficou, ficará para sempre.

Os últimos a saírem ainda conseguiram um visto italiano, português, americano. Os que zombaram da política, que votaram “no que fala pouco”, agora vão entender o preço da omissão.

No Brasil do futuro, que já começou, você somente obedecerá.

Obedecerá calado.

Entretanto, pagará impostos cada vez mais pesados, aceitará uma saúde pública em colapso, verá seus filhos estudarem em escolas sucateadas. E ainda agradecerá, pois reclamar será crime.

Desde o fim do regime militar, único período de crescimento sustentado, nossa renda per capita foi cortada pela metade, pois o dado é escondido pelo IBGE, abafado pela imprensa.

Caímos do 40º onde hoje está a Grécia, para o 81º lugar no ranking global de renda.

Sim, caímos, mas acreditamos todo este tempo estar subindo.

Em suma, foram 40 anos de doutrinação.

Nossos jornalistas, intelectuais e professores venceram: conseguiram fazer o país regredir em nome de justiça social, contudo uma justiça que só distribui miséria.

Como ex-professor universitário, afirmo: nunca ouvi na USP uma conversa séria sobre crescimento. Só sobre distribuição.

Nunca discutimos eficiência. Só aumento de gastos.

Nunca produtividade. Só aumento de salários do funcionalismo.

Agora, quando o Brasil se tornar verdadeiramente inviável, Flórida e Portugal não estarão com os braços abertos para nos receber. Estarão com os portões trancados. E com razão.

A esperança de que Tarcísio, Caiado ou Ratinho, poderão mudar tudo isso sozinhos, é uma ingenuidade atroz.

Como se trocar o piloto mudasse o avião em queda.

A verdade é amarga: 1,5 milhão de brasileiros irresponsáveis, somados aos 12 milhões que anularam o voto, colocaram no poder um condenado em três instâncias. Mesmo que a primeira instância fosse falha, a segunda e a terceira confirmaram e isso ainda não foi contestado.

Prepare-se. O Brasil caminha para mais 50 anos de estagnação, comandado por políticos e economistas que vivem do que você produz, sem entregar nada em troca.

Mas ainda há tempo para reagir.

Comece se educando, politicamente e economicamente.

Exija reformas, desmascare as mentiras, confronte o discurso único.

Ensine seus filhos a pensar, e não a repetir slogans.

Denuncie o populismo, o aparelhamento, a corrupção sistêmica. Vote com coragem, com lucidez, com memória.

O futuro do Brasil não será diferente enquanto os brasileiros forem os mesmos. Mude. Agora.

Ou se conforme em assistir o país definhar, por sua culpa.

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24 Anos Brasil Andando Para Trás https://blog.kanitz.com.br/24-anos-brasil-andando-para-tras/ https://blog.kanitz.com.br/24-anos-brasil-andando-para-tras/#comments Wed, 13 Nov 2024 20:17:36 +0000 https://blog.kanitz.com.br/?p=29823 24 Anos Brasil Andando Para Trás Nos últimos 24 anos, o PIB per capita cresceu apenas 14%, ou 0,6% ao ano, um desastre. Tínhamos um PIB per capita de 35.000 por ano ou 2.600 por mês; agora é 40.000 ou 3.076 por mês. Um pífio crescimento de 0,6% ao ano para governos que se elegeram […]

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24 Anos Brasil Andando Para Trás

Nos últimos 24 anos, o PIB per capita cresceu apenas 14%, ou 0,6% ao ano, um desastre.

Tínhamos um PIB per capita de 35.000 por ano ou 2.600 por mês; agora é 40.000 ou 3.076 por mês.

Um pífio crescimento de 0,6% ao ano para governos que se elegeram com a bandeira desenvolvimentista e contaram com os melhores economistas da época.

Ou seja, um fracasso total comparado à China e à Coreia do Sul.

Mas o que esquecem de revelar é que esses mesmos governos aumentaram os impostos de 24% para 38%, ou seja, 50% a mais.

Portanto, líquido de impostos, nossa renda per capita, que era de 27.300, passou para 27.200 em 2024, ou seja, caiu. Não nos desenvolvemos em nada; tudo são promessas eleitorais falsas.

Só que tem mais.

Esses economistas desenvolvimentistas endividaram este país em 20.000 por capita, que, se for paga em 25 anos, será -800 por ano. O que reduz nossa renda per capita líquida para 26.400,00 por ano ou 1.999,00 por mês.

Ou seja, a maioria da população não ficou 0,6% mais rica por ano, mas sim 1,4% mais pobre. Isso, em 24 anos, é um desastre.

De fato, nesses 24 anos, houve uma brutal favelização das cidades brasileiras, e para cobrir os erros dos desenvolvimentistas, se inventou o Bolsa Família.

O que salvou os favelados foram as inovações tecnológicas, como celular, e-mail grátis, YouTube grátis, televisões cada vez melhores e mais baratas.

Nada a ver com má distribuição do capitalismo, e sim devido ao crescimento dos impostos e às dívidas contraídas pelo Estado Socialista Brasileiro.

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Uma Reflexão Crítica Sobre as Teorias de Karl Marx https://blog.kanitz.com.br/uma-reflexao-critica-sobre-as-teorias-de-karl-marx/ https://blog.kanitz.com.br/uma-reflexao-critica-sobre-as-teorias-de-karl-marx/#comments Wed, 13 Nov 2024 20:11:18 +0000 https://blog.kanitz.com.br/?p=29816 Uma Reflexão Crítica Sobre as Teorias de Karl Marx Há, muitas vezes, uma reação defensiva quando se critica Karl Marx, especialmente por parte daqueles que o consideram o maior economista de todos os tempos. Entretanto, uma análise objetiva e acadêmica do pensamento marxista não deveria se basear em dogmas, mas na avaliação das evidências e […]

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Uma Reflexão Crítica Sobre as Teorias de Karl Marx

Há, muitas vezes, uma reação defensiva quando se critica Karl Marx, especialmente por parte daqueles que o consideram o maior economista de todos os tempos.

Entretanto, uma análise objetiva e acadêmica do pensamento marxista não deveria se basear em dogmas, mas na avaliação das evidências e dos acertos das previsões feitas.

Sempre que aponto os erros de Karl Marx, sou questionado: “Como se atreve um mero administrador a criticar o ‘maior economista de todos os tempos’?”

Esquecem que nós, administradores, analisamos dezenas de variáveis e personagens em um problema, enquanto Karl Marx analisou apenas três.

Por isso, basta introduzir uma única variável ou personagem que Marx deixou de considerar, e o marxismo se desfaz. Infelizmente, isso é algo comum na ciência: teorias desmoronam com novas descobertas.

Veja o que aconteceu quando se descobriu que a Terra girava em torno do Sol, ou quando se deixou de acreditar que a Terra era plana.

Karl Marx e os marxistas baseiam-se em uma única variável, a “mais-valia”, que trata da exploração do homem pelo homem.

E os personagens eram apenas dois: o trabalhador explorado e o capitalista explorador — um ficando cada vez mais rico e o outro cada vez mais pobre.

No entanto, cerca de 40 anos depois, surgiu um novo personagem: os produtores de equipamentos da indústria mecânica. Os próprios capitalistas passaram a vender os “bens de produção” a quem quisesse comprá-los, motivados pelo lucro.

Milhares de trabalhadores se uniram, compraram esses equipamentos com empréstimos bancários e fomentaram a concorrência saudável que o estatismo não oferece.

Os ricos não ficaram cada vez mais ricos, como preveem os marxistas. Os engenheiros têxteis da época não são os donos do mundo hoje, ao contrário da previsão de Marx. Aliás, a maioria das indústrias têxteis da época faliu.

Os ricos de hoje são os inovadores, como Ford, Steve Jobs e Elon Musk, algo que o comunismo jamais produziu e, honestamente, é o que todos nós mais queremos.

Na época de Karl Marx, as próprias empresas construíam seus equipamentos, utilizando os mesmos trabalhadores.

Por isso, Marx e os marxistas concluíram que apenas os trabalhadores acrescentam valor.

Marx nunca imaginou que esses mesmos trabalhadores poderiam criar suas próprias empresas e vender máquinas para seus colegas.

Marx pode ser perdoado pela ignorância sobre o futuro da história, mas você, marxista, não.

São justamente vocês, marxistas, que estão gerando estagnação e pobreza. Defendendo estatais, impostos exploratórios, e negligenciando a indústria mecânica, vocês concedem poder em excesso a economistas de esquerda, além de incompetentes.

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Uma Aula com Delfim Netto na FEA https://blog.kanitz.com.br/uma-aula-com-delfim-neto-na-fea/ https://blog.kanitz.com.br/uma-aula-com-delfim-neto-na-fea/#comments Tue, 13 Aug 2024 12:32:00 +0000 https://blog.kanitz.com.br/?p=29778 Quando ainda aluno na FEA assisti uma aula do Prof. Delfim Netto, que foi enigmática e explica o crescimento do socialismo no Brasil, e a estagnação de nosso crescimento por 50 anos. “O livre mercado proposto pelos liberais é uma falácia.” “Imaginem a confluência da Avenida São João e a Avenida Ipiranga, se os ideais […]

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Quando ainda aluno na FEA assisti uma aula do Prof. Delfim Netto, que foi enigmática e explica o crescimento do socialismo no Brasil, e a estagnação de nosso crescimento por 50 anos.

O livre mercado proposto pelos liberais é uma falácia.”

“Imaginem a confluência da Avenida São João e a Avenida Ipiranga, se os ideais liberais prevalecessem.”

“Seria um caos.” 

“O livre mercado, como o livre trânsito, não funciona”.

“Todos os grandes cruzamentos das cidades, como da nossa economia, precisam de um “guarda de trânsito”, para orientar, intervir e disciplinar o mercado.”.  

“Os liberais acreditam que motoristas espontaneamente, irão criar alguma regra tipo 4 minutos para cá, 5 minutos para lá, ou que um motorista abnegado irá largar o seu carro por meia hora e dirigir espontaneamente o tráfego.

 Ingenuidade de Hayek, Milton Friedman e Adam Smith.”

“Por isto, vocês meus alunos precisamos tomar o poder, pelo menos os principais cruzamentos estratégicos desse país.”

“Esta é a nossa missão como economistas, cuidar de todos os grandes cruzamentos da Economia Brasileira, para que possamos evitar esses congestionamentos e o caos criado pelo do mercado.”

Precisamos tomar o poder do BB, Vale, Cacex, Tesouro, BNDES, CVM, Ministérios da Economia, Saúde e Educação, Sudene, Banco do Nordeste, Banco Central e A Própria Presidência da  República,  sermos os guardas do crescimento econômico, nas nossas mãos, e não na mão de motoristas abnegados.”

Os alunos saíram radiantes, eu inclusive, era um futuro promissor e poderoso.

Delfim, que era um Socialista Fabiano mas só agora admite,  estava não somente dando poder a um grupo de jovens, mas com um sentido humanitário e altruísta, que todo jovem adora. 

Poder para serem úteis para a sociedade, evitando o caos do livre mercado, proposto pelos economistas ingleses e americanos, que todos tinham que estudar na faculdade.

Até eu, futuro administrador, achei a lógica do Delfim muito convincente.

Na época havia o Socialismo e o Comunismo que defendiam tomar todas as ruas de um país.

Mas este brilhante economista defendia tomar somente os cruzamentos estratégicos, e convenceu o governo militar a fazer o mesmo.

Com a ida do Delfim ao Governo Militar, esses seus alunos rapidamente aceitaram todos os convites e convenceram os militares a não convocar eleições em 1966.

Os adeptos do Delfim foram tomando praticamente todos os cruzamentos chaves da economia brasileira. 

Criaram Agências Reguladoras para cada setor da economia, temos guardas de trânsito em tudo o que é lugar.

O aparelhamento do Estado não começou com o PT, começou com Delfim, e seus alunos muitos estão no poder até hoje.

Delfim levou os famosos Delfim Boys, economistas escolhidos a dedo para serem os “guardas” da economia. 

Os socialistas Fabianos achavam que o socialismo na mão do proletariado não funcionaria, o que de fato não funcionou.

Mas na mão de professores inteligentes como Afonso Pastore, Arminio Fraga, Aloysio Mercadante, Pérsio Arida, estrategicamente colocados funcionaria sem chamar muita atenção.

Os Militares deixaram o poder mas a estratégia do Delfim se mantém até hoje.

 De 1965 a 1984, todos os presidentes do BNDES eram engenheiros, que sabiam avaliar os enormes projetos de infraestrutura deste pais.

De 1984 para cá tivemos 25 economistas escolhidos pelo Projeto Delfim, a maioria nunca tendo sido nem gerente de Banco.

Fiquei fora do país por três anos cursando a Harvard Business School, e quando voltei percebi por acaso, a falácia do Delfim.

Entre a minha casa e a USP, onde voltara a ser professor, havia 35 cruzamentos estratégicos.

34 controlados por um simples semáforo, que possuía uma regra, uma lei pré determinada.

Mas tinha um único cruzamento na Praça da Árvore, Rebouças com Avenida do Jóquei, que era controlado por um “guarda de trânsito”.

Era a mais  demorada e imprevisível justamente porque tinha um “economista no poder”.

Ficávamos 4 minutos para atravessar a rua, quando na maioria dos semáforos era de 30 segundos.

Aí percebi porquê.

Depois de algum tempo o guarda se enchia.

Ser guarda de trânsito deve ser a profissão mais chata do mundo. 

Logo, o guarda percebia que “dar preferência para alguns”, era uma forma de poder.

E dito e feito.

Quantas vezes a gente percebia que a Rebouças já estava vazia, mas o “guarda” chamava um táxi solitário, e mantinha o sinal até ele poder passar. 

E o táxi passava sorridente, agradecendo o favor recebido. 

E de favores em favores, o Delfim ficou cada vez mais poderoso e foi o Tsar da Economia por muito tempo.

Como todos nós sabíamos desta regra, depois de 1 min e 45 segundos já engatávamos a primeira marcha e prestávamos atenção.

Mas com economistas no poder, nunca sabíamos o que poderia acontecer.

Um congelamento, uma maxi, um sequestro de todo o nosso dinheiro no Banco, um imposto retroativo, enfim.

A partir de  1965 o Brasil se tornou um dos países mais instáveis do mundo.

José Serra, outro socialista fabiano, calculou que nos últimos 50 anos a política econômica mudou nada menos que 164 vezes.

Nós administradores, em vez de colocar um administrador em cada cruzamento estratégico da economia, e morrer de tédio, teríamos há muito tempo colocado semáforos inteligentes.

Que pasmem, graças a Delfim, ainda não temos. Não faz parte de nossa cultura aprender lentamente o fluxo de tráfego do momento e ir mudando a regra conforme o mercado. 

Empresas administradas são exatamente isto.

Criamos sistemas que andam sozinhos, que aprendem e se adaptam espontaneamente a mudanças de mercado. 

Esta é a grande diferença entre Administração e Economia.

Hoje temos os resultados.

Uma economia 50% centralizada, parada, personalista, corrupta, que depende de favores e incentivos dos “guardas estratégicos”. 

Pior, temos uma economia cheia de gargalos. 

Gargalos nos aeroportos, energia, estradas, educação, hospitais, falta tudo e temos filas para tudo. 

Temos congestionamentos e filas, justamente naqueles pontos tomados pelo “Projeto Delfim”.

Delfim faleceu ontem, mas seu legado continuará firme por mais 50 anos.

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O Desastre Dessa Reforma Tributária https://blog.kanitz.com.br/o-desastre-dessa-reforma-tributaria/ https://blog.kanitz.com.br/o-desastre-dessa-reforma-tributaria/#comments Thu, 11 Jul 2024 15:56:09 +0000 https://blog.kanitz.com.br/?p=29697 A reforma tributária brasileira, vendida sob o pretexto de simplificação e modernização, esconde distorções que penalizam a eficiência econômica e o desenvolvimento social. Longe de entregar um sistema justo, o modelo da atual gestão econômica ignora realidades contábeis básicas e impõe um retrocesso burocrático que sufoca quem mais gera valor, engessa a autonomia de estados […]

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A reforma tributária brasileira, vendida sob o pretexto de simplificação e modernização, esconde distorções que penalizam a eficiência econômica e o desenvolvimento social. Longe de entregar um sistema justo, o modelo da atual gestão econômica ignora realidades contábeis básicas e impõe um retrocesso burocrático que sufoca quem mais gera valor, engessa a autonomia de estados eficientes e sobrecarrega a juventude no momento mais crítico de sua formação patrimonial. O cenário das novas diretrizes não é apenas ineficiente; trata-se de uma inversão de lógica que pune a produtividade e transforma a promessa de desburocratização em um verdadeiro emaranhado de custos e injustiças fiscais.

  1. É simplesmente um absurdo taxar mais as empresas que mais valor acrescentam ao consumidor, e taxar menos as empresas que menos valor acrescentam à sociedade. Duas empresas, de mesmo faturamento e número de funcionários, aquela que acrescenta valor e deveria ser estimulada, é penalizada, aquela que menos valor acrescenta é menos taxada.
  2. Simplicação de 6 impostos para 2. Empresas fazem 3.000 pagamentos por mês, para funcionários ou fornecedores. Reduzir em 4 pagamentos gerando essa confusão toda é o absurdo do absurdo.
  3. Bernard Appy, sendo economista, nada entende de contabilidade, não sabe que empresas elaboram o Demonstrativo de Valor Adicionado, com valor X, que multiplicado por 26%, bastava. Mas não, continua o sistema absurdo de pinçar o imposto de cada venda, e subtrair o imposto de cada compra.
  4. Estados eficientes, estados com governadores da direita, não mais poderão reduzir seus impostos, repassando esses ganhos de produtividade para atrair novas empresas. O governo federal determinará uma alíquota única.
  5. Contadores ficarão malucos contabilizando 2 sistemas paralelos por 20 anos. Os custos contábeis irão simplesmente dobrar, e os erros contábeis irão triplicar.
  6. Impostos devem corresponder aos serviços prestados pelo governo, estado e municípios, a rigor deveríamos ter um imposto específico para cada serviço prestado. Empresas que não importam bens nem exportam não deveriam custear o Itamaraty. Empresas que não contratam alunos de Faculdades Estatais, não deveriam pagar pelo seu ensino, empresas que reciclam seu lixo, assim por diante.
  7. Companhias de Seguro Saúde não estão acrescentando valor quando lhe tratam de uma doença, elas estão simplesmente devolvendo suas anuidades de forma atuarial, tirando os riscos daqueles menos afortunados em termos de saúde. Agora vão pagar 26%.
  8. A ideia populista e petista do cash back para os mais pobres é simplesmente eleitoreira, e prejudica os mais jovens. É um absurdo taxarmos jovens de 18 a 28 anos, no início de suas vidas, agora em 26% de IBS, mais 28% de INSS, quando precisam comprar casa, fogões e móveis. Cash back deveria ser para eles no início de suas vidas, mas não pensaram nisso.

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Os Próximos 30 Anos https://blog.kanitz.com.br/os-proximos-30-anos/ https://blog.kanitz.com.br/os-proximos-30-anos/#comments Thu, 27 Jun 2024 21:31:48 +0000 https://blog.kanitz.com.br/?p=29684 (Escrito na Veja em 2003, mas continua válido até hoje) Imagine-se técnico da seleção da economia brasileira. O Brasil está perdendo o jogo da globalização por 4 a zero. Você se reúne com seus assistentes para analisar as opções. A primeira opção é mandar todo o time para o ataque. Isso significa incentivar a indústria […]

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(Escrito na Veja em 2003, mas continua válido até hoje)

Imagine-se técnico da seleção da economia brasileira.

O Brasil está perdendo o jogo da globalização por 4 a zero.

Você se reúne com seus assistentes para analisar as opções.

A primeira opção é mandar todo o time para o ataque. Isso significa incentivar a indústria brasileira a adotar programas de qualidade e produtividade, apoiar as exportações, investir em tecnologia e aumentar a competitividade.

É o que nossos governos têm feito desde 1950, sem muito sucesso.

Outra opção seria criar uma enorme confusão no meio-de-campo, provocar a expulsão de adversários como multinacionais, globalistas, a ONU e o FMI e anular a partida, já que as regras foram inventadas por eles e não nós.

Essas são basicamente as únicas opções discutidas pela maioria dos especialistas e partidos políticos.

Existe ainda uma terceira opção, pouco analisada, que parte da percepção de que temos perdido a maioria dos jogos econômicos porque ficamos o tempo todo tentando entender ou então mudar as regras.

Quando finalmente aprendemos os truques e os macetes, as regras já mudaram, e os que querem mudá-las nem sabem como.

A verdade é que nunca vamos ganhar jogos com regras escritas por outros.

Jogos econômicos são ganhos muito antes de o time entrar em campo, nos meses de treinamento intensivo, na organização e administração do time.

O Brasil sempre entra em campo anos depois de o jogo ter começado.

Precisamos nos preparar para o próximo jogo internacional.

Precisamos nos preparar para os jogos e as regras que estarão por vir, e até criar nossos jogos com nossas regras.

Tudo isso pode parecer muito óbvio, mas nunca foi feito.

Nossos economistas e intelectuais estão discutindo os problemas econômicos do passado, sem tempo para discutir as tendências do futuro.

Perdemos anos corrigindo o passado, como fizemos na Constituição de 1988, e não discutindo as possibilidades do futuro.

Pior, nossos políticos e nossa imprensa só ouvem aqueles que explicam o presente, e não aqueles que se preocupam com o futuro.

Por definição, o futuro não é notícia, porque ainda não aconteceu.

“Qual será o próximo jogo econômico internacional?” é portanto a pergunta cuja resposta vale ouro.

Infelizmente, não tenho espaço nem competência para me estender convincentemente nesse assunto.

Por isso, vou dar um exemplo dos jogos possíveis, um exemplo didático, não uma proposta concreta.

Um dos jogos que imagino é o turismo da terceira idade de média renda.

O mundo está envelhecendo e, com os progressos da ciência, a população do Primeiro Mundo estará vivendo cada vez mais.

Lugares como Miami, Costa Brava e Lisboa ficarão pequenos para acolher os milhões de velhinhos e velhinhas aposentados dos Estados Unidos e da Europa, que fogem dos rigores de seu inverno.

Se estivermos preparados, eles poderão escolher cidades mais quentes e mais baratas, como Salvador, Fortaleza, Natal e Maceió, cidades com a tradicional hospitalidade brasileira.

Doze milhões de velhinhos com aposentadoria anual média de 80.000 dólares para gastar nos trariam 5 trilhões de reais, bilhões de “exportações” por ano, metade de um PIB.

Mas, para que o Brasil participasse desse jogo, precisaríamos nos preparar desde já.

Em vez de construir estádios de futebol e hotéis de luxo, teríamos de erguer milhares de flat services ao lado.

Em vez dos cassinos que muitos querem criar, teríamos de construir dezenas de campos de golfe, se o MST permitir.

Em vez de boates, precisaríamos de bingos, quadras de bocha e piscinas térmicas, além de resolver nossos problemas de segurança.

Mais importante seria a construção de centros ortopédicos e geriátricos de qualidade internacional, o que nos traria ainda mais divisas.

E aqui, caro leitor, vem o ponto crucial.

Esses investimentos levam tempo para ser feitos.

E, uma vez construído, um hospital cardiológico ou ortopédico leva no mínimo dez anos para ganhar reputação internacional.

Ou seja, já estamos atrasados e podemos perder também esse barco, porque nunca pensamos nos jogos do futuro, somente nos erros do passado.  

Stephen Kanitz é administrador


(www.kanitz.com.br)
  Revista Veja, Editora Abril, edição 1799, ano 36, nº 16 de 23 de abril de 2003

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Meu Encontro com Lula https://blog.kanitz.com.br/meu-encontro-com-lula/ https://blog.kanitz.com.br/meu-encontro-com-lula/#comments Tue, 26 Dec 2023 11:58:10 +0000 https://blog.kanitz.com.br/?p=29611 Meu encontro com Lula

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Foi em 2001, e Lula, mais uma vez candidato à Presidência, desejava discutir economia com pessoas diferentes dos usuais intelectuais do PT.

Seu contador, Antoninho Trevisan, reuniu Walter Appel, Guilherme Leal, Luiz Cezar Fernandes e eu para compartilharmos nossa visão dos grandes problemas nacionais.

Guido Mantega estava acompanhando Lula.

Na minha vez de falar eu apontei o que achava que era o problema mais urgente e importante.

Disse eu: “O problema número um é o sistema de previdência por repartição, onde o Estado retira 28% dos salários dos trabalhadores jovens para pagar as aposentadorias da velha geração de funcionários públicos, professores de sociologia e idosos em geral.

Isso mantém os jovens eternamente pobres, forçados a se endividar, enquanto o país fica sem recursos financeiros a longo prazo, ideais para o financiamento empresarial.

Se esses 28% não fossem gastos, mas investidos para o futuro, estaríamos hoje com 16 trilhões em fundos de pensão, o equivalente a 45 BNDES.

Se você não realizar imediatamente uma reforma no primeiro ano de governo, uma reforma conforme a Constituição manda no artigo 201 “observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial“ o Brasil não crescerá nos próximos 30 anos.

Além disso, nossa produtividade permanecerá estagnada, nossos jovens continuarão pobres, e nossos juros reais permanecerão elevados.

Hoje, temos um sistema em que os jovens são escravizados pelos mais velhos, algo inaceitável no século 21.”

Era algo que eu já vinha escrevendo, inclusive na Veja há 20 anos. Portanto, estava bem a par do assunto.

Discutimos por cerca de três horas vários assuntos e ao final, Lula agradeceu nossa contribuição e disse:

“Ainda bem que, segundo o Kanitz, eu já sou aposentado, pois isso significa que já garanti o meu.”

Não publiquei essa declaração porque foi dita em tom de brincadeira e o encontro era confidencial.

Mas não pude deixar de pensar que isso era típico do PT, e tudo o que eles defendiam e ainda defendem até hoje.

Direitos e mais direitos, direitos adquiridos em detrimento da nova geração, dos mais pobres, pois acima de R$ 7.000,00 por mês, aos ricos não incide INSS.

Lula tinha condições, com sua popularidade, de mudar o país, acabar com a escravidão dos jovens, reduzir a taxa média dos juros, fazer o país crescer com caixa e não dívidas, como fez, enquanto o problema estava em seu início, em 2002.

Hoje, a dívida da nova geração com a velha é de 136 trilhões de reais, o custo de uma transição para um regime de acumulação solidária.

O fato de que essa dívida agora é 80% impagável significa que idosos literalmente morrerão de fome, não poderão se aposentar e terão que competir com os jovens por empregos.

Vinte anos de governos do PT, onde esse problema foi deliberadamente escondido por economistas como Guido Mantega, que afirmou no encontro que “não havia deficits”, selaram nosso futuro, que será de um enorme conflito intergeracional.

Jovens recusando pagar o INSS e economistas achando outras formas de taxá-los.

Fico incrédulo como nossos intelectuais ignoraram esse problema, e o pouco apoio que tive nesses 50 anos.

Alertando quase todo ano sobre esse problema desde 1983, sem um sinal nem da velha geração nem da nova, como o MBL, condenados à pobreza por direitos supostamente adquiridos, mas não são.

Seremos uma nação de escravos, como de fato já somos.

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Você Acredita Nesses 10 X Sem Juros? https://blog.kanitz.com.br/voce-acredita-nesses-10-x-sem-juros/ https://blog.kanitz.com.br/voce-acredita-nesses-10-x-sem-juros/#comments Fri, 15 Dec 2023 01:29:05 +0000 https://blog.kanitz.com.br/?p=29590 Esse anúncio afirma que lojistas cobram parcelados sem acrescentar juros. Assim sendo, quem vai preferir comprar o produto por 1.000 à vista ou parcelar em 10 vezes? Todos vão parcelar sem saber que agora pagarão por: 1. Juros bem acima da média 2. Custos de atrasos no pagamento 3. Custos dos calotes dos outros 4. Custos […]

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Esse anúncio afirma que lojistas cobram parcelados sem acrescentar juros.

Assim sendo, quem vai preferir comprar o produto por 1.000 à vista ou parcelar em 10 vezes?

Todos vão parcelar sem saber que agora pagarão por:

1. Juros bem acima da média

2. Custos de atrasos no pagamento

3. Custos dos calotes dos outros

4. Custos administrativos de 10 cobranças 

5. Custos de lançamento contábil de 10 pagamentos

6. ICMS pago sobre os 1 a 5 desnecessários se tudo fosse à vista.

7. Enganam-se os economistas que calculam a inflação de hoje usando preços a prazo distorcidos e supervalorizados.

Utiliza preciosos recursos financeiros ou poupança privada somente para antecipar o consumo em 10 meses, dinheiro que o comprador teria se poupasse os mesmos 10 meses. 

Exige que o Banco Central aumente os juros porque a inflação é calculada sobre preços a prazo e não pelo valor presente desses preços a prazo que é muito menor.

Isso acontece porque o varejo não oferece um preço à vista corretamente calculado, pois não sabem tirar esses custos escondidos, e no máximo oferecem um desconto de 5%, e olhe lá.

Algum lojista aí explica por que isso acontece?

Isso explica por que ninguém no Brasil aplica o dinheiro por 10 meses, e ao fazê-lo compra com um belo desconto, aumentando seu padrão de vida entre 15 a 20%.

Levamos 10 anos para crescer 20%, e ninguém luta por essa melhoria da pobreza, já? 

Alguém aí concorda comigo? Então, repasse e lute a favor.

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Por Que Somos Um País de Rentistas? https://blog.kanitz.com.br/por-que-somos-um-pais-de-rentistas/ https://blog.kanitz.com.br/por-que-somos-um-pais-de-rentistas/#comments Tue, 12 Dec 2023 12:39:50 +0000 https://blog.kanitz.com.br/?p=29584 Por que nossa classe média não investe em bolsa, empresas e só em títulos públicos?

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A prevalência de profissionais liberais bem-sucedidos, como advogados, economistas, engenheiros e administradores, que optam predominantemente por investimentos em renda fixa ao se aposentarem no Brasil, apresenta um paradigma intrigante. 

Esta classe experiente, teoricamente mais apta a realizar avaliações de risco sofisticadas, deveria estar mais inclinada a investir em start-ups, capital de risco, private equity, search funds e até no mercado de ações. 

Contudo, observa-se uma tendência conservadora em direção à renda fixa e investimentos em offshores.

Diversos fatores contribuem para este fenômeno:

1. Complexidade do Regime Tributário Brasileiro: A incerteza associada à interpretação e aplicação retroativa de impostos no Brasil gera um ambiente de insegurança fiscal.

2. Burocracia e Compliance: Os desafios decorrentes dos direitos trabalhistas, da lentidão e incerteza do judiciário brasileiro, e da complexidade da conformidade regulatória desencorajam o investimento em empreendimentos mais arriscados.

3. Percepção Negativa do Empresariado: Clima anti-empresário, jovens funcionários de esquerda, todo um ambiente universitário de ensino e pesquisa contra o livre mercado e progresso.

4. Elevados Juros Reais: A falta de um sistema de Previdência por Capitalização, que teria capitalizado nesses 40 anos 43 trilhões de poupança nacional em vez de 2 trilhões, resulta nessas altas taxas de juros reais.

5. Gestão Governamental Ineficiente: A má administração governamental, caracterizada por gastos ineficazes e falhas no cumprimento de metas, gera desconfiança quanto à estabilidade econômica.

6. Deficiência na Formação em Administração de Empresas: A carência de profissionais qualificados para posições gerenciais intermediárias impacta negativamente o ecossistema empresarial.

7. Cultura Aversa ao Risco: Uma tendência cultural de dependência do Estado e aversão ao risco limita a disposição para investimentos mais ousados.

8. Orientação Política Predominante: A preferência política por pequenas empresas, mercados locais, cooperativas e agricultura familiar reflete um viés contra grandes empreendimentos.

Ao alcançar a idade de 60 anos, munido de experiência acumulada e uma parcela de poupança disponível para investimentos com maior risco você irá optar por investir em títulos governamentais ou financiar novas empresas?

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