ECONOMIA - Stephen Kanitz https://blog.kanitz.com.br/artigos/administracao-economica/economia-administracao-economica/economia-administrativa/ Blog para se Pensar Fri, 24 Jan 2025 10:49:50 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.7.5 https://blog.kanitz.com.br/wp-content/uploads/2021/06/stephenkanitz-favicon-150x150.png ECONOMIA - Stephen Kanitz https://blog.kanitz.com.br/artigos/administracao-economica/economia-administracao-economica/economia-administrativa/ 32 32 24 Anos Brasil Andando Para Trás https://blog.kanitz.com.br/24-anos-brasil-andando-para-tras/ https://blog.kanitz.com.br/24-anos-brasil-andando-para-tras/#comments Wed, 13 Nov 2024 20:17:36 +0000 https://blog.kanitz.com.br/?p=29823 24 Anos Brasil Andando Para Trás Nos últimos 24 anos, o PIB per capita cresceu apenas 14%, ou 0,6% ao ano, um desastre. Tínhamos um PIB per capita de 35.000 por ano ou 2.600 por mês; agora é 40.000 ou 3.076 por mês. Um pífio crescimento de 0,6% ao ano para governos que se elegeram […]

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24 Anos Brasil Andando Para Trás

Nos últimos 24 anos, o PIB per capita cresceu apenas 14%, ou 0,6% ao ano, um desastre.

Tínhamos um PIB per capita de 35.000 por ano ou 2.600 por mês; agora é 40.000 ou 3.076 por mês.

Um pífio crescimento de 0,6% ao ano para governos que se elegeram com a bandeira desenvolvimentista e contaram com os melhores economistas da época.

Ou seja, um fracasso total comparado à China e à Coreia do Sul.

Mas o que esquecem de revelar é que esses mesmos governos aumentaram os impostos de 24% para 38%, ou seja, 50% a mais.

Portanto, líquido de impostos, nossa renda per capita, que era de 27.300, passou para 27.200 em 2024, ou seja, caiu. Não nos desenvolvemos em nada; tudo são promessas eleitorais falsas.

Só que tem mais.

Esses economistas desenvolvimentistas endividaram este país em 20.000 por capita, que, se for paga em 25 anos, será -800 por ano. O que reduz nossa renda per capita líquida para 26.400,00 por ano ou 1.999,00 por mês.

Ou seja, a maioria da população não ficou 0,6% mais rica por ano, mas sim 1,4% mais pobre. Isso, em 24 anos, é um desastre.

De fato, nesses 24 anos, houve uma brutal favelização das cidades brasileiras, e para cobrir os erros dos desenvolvimentistas, se inventou o Bolsa Família.

O que salvou os favelados foram as inovações tecnológicas, como celular, e-mail grátis, YouTube grátis, televisões cada vez melhores e mais baratas.

Nada a ver com má distribuição do capitalismo, e sim devido ao crescimento dos impostos e às dívidas contraídas pelo Estado Socialista Brasileiro.

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A Era do Robô Chegou https://blog.kanitz.com.br/a-era-do-robo-chegou/ https://blog.kanitz.com.br/a-era-do-robo-chegou/#comments Wed, 13 Nov 2024 20:15:08 +0000 https://blog.kanitz.com.br/?p=29820 A Era do Robô Chegou Comprei, três meses atrás, ações da Tesla na B3, quando Elon Musk anunciou que passaria a produzir robôs mais do que carros. Eu estava procurando uma empresa na área de inteligência artificial especializada em Supervised Learning, cuja tecnologia já está pronta, ao invés de AGI ou Unsupervised Learning, que levará […]

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A Era do Robô Chegou

Comprei, três meses atrás, ações da Tesla na B3, quando Elon Musk anunciou que passaria a produzir robôs mais do que carros.

Eu estava procurando uma empresa na área de inteligência artificial especializada em Supervised Learning, cuja tecnologia já está pronta, ao invés de AGI ou Unsupervised Learning, que levará mais de 10 anos para ser desenvolvido.

Robôs utilizam Supervised Learning, pois você só precisa mostrar ao robô o que quer que ele faça, pelo menos uma vez.

Além disso, não ser sócio do homem mais inteligente do mundo é um erro; essa é a vantagem do capitalismo democrático da direita, em contraste com o capitalismo estatizado da esquerda.

“Ele é mais inteligente do que Einstein” (minuto 54 deste vídeo: https://youtu.be/_cPkmDSjHQ4?si=h3YKIKaokKuJZQNY).

Elon Musk, discretamente, criou o Optimus, que ele quer vender por 20.000 dólares, ou alugar por 80 dólares ao mês.

Veja o vídeo: https://youtu.be/rP6rdmrpRUg?si=fhnw2HGWhK0RGbGd.

Ou seja, a Tesla irá vender milhões de robôs, não apenas carros elétricos.

Elon Musk criou um robô extremamente capaz de usar as mãos e andar melhor do que os outros, que estão priorizando apenas a mobilidade.

Ele já produziu 1.000 unidades do Optimus, que estão na linha de produção da Tesla, substituindo funcionários que custam 4.000 dólares por mês. Mais uma vez, ele está anos-luz à frente.

Em um artigo na Veja de 1999, escrevi: “Daqui a 100 anos, as máquinas farão tudo para nós e ninguém terá de trabalhar” (https://blog.kanitz.com.br/robo-vida/).

Não imaginei que demoraria apenas 30 anos.

Por isso, ninguém está pensando nisso, nenhum governo se preparou para esse tsunami, e poucos compraram ações da futura maior empresa de fabricação de robôs do mundo.

Mesmo que eu não lucre, apoiei o início da segunda revolução industrial, e isso não tem preço.

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Uma Reflexão Crítica Sobre as Teorias de Karl Marx https://blog.kanitz.com.br/uma-reflexao-critica-sobre-as-teorias-de-karl-marx/ https://blog.kanitz.com.br/uma-reflexao-critica-sobre-as-teorias-de-karl-marx/#comments Wed, 13 Nov 2024 20:11:18 +0000 https://blog.kanitz.com.br/?p=29816 Uma Reflexão Crítica Sobre as Teorias de Karl Marx Há, muitas vezes, uma reação defensiva quando se critica Karl Marx, especialmente por parte daqueles que o consideram o maior economista de todos os tempos. Entretanto, uma análise objetiva e acadêmica do pensamento marxista não deveria se basear em dogmas, mas na avaliação das evidências e […]

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Uma Reflexão Crítica Sobre as Teorias de Karl Marx

Há, muitas vezes, uma reação defensiva quando se critica Karl Marx, especialmente por parte daqueles que o consideram o maior economista de todos os tempos.

Entretanto, uma análise objetiva e acadêmica do pensamento marxista não deveria se basear em dogmas, mas na avaliação das evidências e dos acertos das previsões feitas.

Sempre que aponto os erros de Karl Marx, sou questionado: “Como se atreve um mero administrador a criticar o ‘maior economista de todos os tempos’?”

Esquecem que nós, administradores, analisamos dezenas de variáveis e personagens em um problema, enquanto Karl Marx analisou apenas três.

Por isso, basta introduzir uma única variável ou personagem que Marx deixou de considerar, e o marxismo se desfaz. Infelizmente, isso é algo comum na ciência: teorias desmoronam com novas descobertas.

Veja o que aconteceu quando se descobriu que a Terra girava em torno do Sol, ou quando se deixou de acreditar que a Terra era plana.

Karl Marx e os marxistas baseiam-se em uma única variável, a “mais-valia”, que trata da exploração do homem pelo homem.

E os personagens eram apenas dois: o trabalhador explorado e o capitalista explorador — um ficando cada vez mais rico e o outro cada vez mais pobre.

No entanto, cerca de 40 anos depois, surgiu um novo personagem: os produtores de equipamentos da indústria mecânica. Os próprios capitalistas passaram a vender os “bens de produção” a quem quisesse comprá-los, motivados pelo lucro.

Milhares de trabalhadores se uniram, compraram esses equipamentos com empréstimos bancários e fomentaram a concorrência saudável que o estatismo não oferece.

Os ricos não ficaram cada vez mais ricos, como preveem os marxistas. Os engenheiros têxteis da época não são os donos do mundo hoje, ao contrário da previsão de Marx. Aliás, a maioria das indústrias têxteis da época faliu.

Os ricos de hoje são os inovadores, como Ford, Steve Jobs e Elon Musk, algo que o comunismo jamais produziu e, honestamente, é o que todos nós mais queremos.

Na época de Karl Marx, as próprias empresas construíam seus equipamentos, utilizando os mesmos trabalhadores.

Por isso, Marx e os marxistas concluíram que apenas os trabalhadores acrescentam valor.

Marx nunca imaginou que esses mesmos trabalhadores poderiam criar suas próprias empresas e vender máquinas para seus colegas.

Marx pode ser perdoado pela ignorância sobre o futuro da história, mas você, marxista, não.

São justamente vocês, marxistas, que estão gerando estagnação e pobreza. Defendendo estatais, impostos exploratórios, e negligenciando a indústria mecânica, vocês concedem poder em excesso a economistas de esquerda, além de incompetentes.

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Os Próximos 30 Anos https://blog.kanitz.com.br/os-proximos-30-anos/ https://blog.kanitz.com.br/os-proximos-30-anos/#comments Thu, 27 Jun 2024 21:31:48 +0000 https://blog.kanitz.com.br/?p=29684 (Escrito na Veja em 2003, mas continua válido até hoje) Imagine-se técnico da seleção da economia brasileira. O Brasil está perdendo o jogo da globalização por 4 a zero. Você se reúne com seus assistentes para analisar as opções. A primeira opção é mandar todo o time para o ataque. Isso significa incentivar a indústria […]

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(Escrito na Veja em 2003, mas continua válido até hoje)

Imagine-se técnico da seleção da economia brasileira.

O Brasil está perdendo o jogo da globalização por 4 a zero.

Você se reúne com seus assistentes para analisar as opções.

A primeira opção é mandar todo o time para o ataque. Isso significa incentivar a indústria brasileira a adotar programas de qualidade e produtividade, apoiar as exportações, investir em tecnologia e aumentar a competitividade.

É o que nossos governos têm feito desde 1950, sem muito sucesso.

Outra opção seria criar uma enorme confusão no meio-de-campo, provocar a expulsão de adversários como multinacionais, globalistas, a ONU e o FMI e anular a partida, já que as regras foram inventadas por eles e não nós.

Essas são basicamente as únicas opções discutidas pela maioria dos especialistas e partidos políticos.

Existe ainda uma terceira opção, pouco analisada, que parte da percepção de que temos perdido a maioria dos jogos econômicos porque ficamos o tempo todo tentando entender ou então mudar as regras.

Quando finalmente aprendemos os truques e os macetes, as regras já mudaram, e os que querem mudá-las nem sabem como.

A verdade é que nunca vamos ganhar jogos com regras escritas por outros.

Jogos econômicos são ganhos muito antes de o time entrar em campo, nos meses de treinamento intensivo, na organização e administração do time.

O Brasil sempre entra em campo anos depois de o jogo ter começado.

Precisamos nos preparar para o próximo jogo internacional.

Precisamos nos preparar para os jogos e as regras que estarão por vir, e até criar nossos jogos com nossas regras.

Tudo isso pode parecer muito óbvio, mas nunca foi feito.

Nossos economistas e intelectuais estão discutindo os problemas econômicos do passado, sem tempo para discutir as tendências do futuro.

Perdemos anos corrigindo o passado, como fizemos na Constituição de 1988, e não discutindo as possibilidades do futuro.

Pior, nossos políticos e nossa imprensa só ouvem aqueles que explicam o presente, e não aqueles que se preocupam com o futuro.

Por definição, o futuro não é notícia, porque ainda não aconteceu.

“Qual será o próximo jogo econômico internacional?” é portanto a pergunta cuja resposta vale ouro.

Infelizmente, não tenho espaço nem competência para me estender convincentemente nesse assunto.

Por isso, vou dar um exemplo dos jogos possíveis, um exemplo didático, não uma proposta concreta.

Um dos jogos que imagino é o turismo da terceira idade de média renda.

O mundo está envelhecendo e, com os progressos da ciência, a população do Primeiro Mundo estará vivendo cada vez mais.

Lugares como Miami, Costa Brava e Lisboa ficarão pequenos para acolher os milhões de velhinhos e velhinhas aposentados dos Estados Unidos e da Europa, que fogem dos rigores de seu inverno.

Se estivermos preparados, eles poderão escolher cidades mais quentes e mais baratas, como Salvador, Fortaleza, Natal e Maceió, cidades com a tradicional hospitalidade brasileira.

Doze milhões de velhinhos com aposentadoria anual média de 80.000 dólares para gastar nos trariam 5 trilhões de reais, bilhões de “exportações” por ano, metade de um PIB.

Mas, para que o Brasil participasse desse jogo, precisaríamos nos preparar desde já.

Em vez de construir estádios de futebol e hotéis de luxo, teríamos de erguer milhares de flat services ao lado.

Em vez dos cassinos que muitos querem criar, teríamos de construir dezenas de campos de golfe, se o MST permitir.

Em vez de boates, precisaríamos de bingos, quadras de bocha e piscinas térmicas, além de resolver nossos problemas de segurança.

Mais importante seria a construção de centros ortopédicos e geriátricos de qualidade internacional, o que nos traria ainda mais divisas.

E aqui, caro leitor, vem o ponto crucial.

Esses investimentos levam tempo para ser feitos.

E, uma vez construído, um hospital cardiológico ou ortopédico leva no mínimo dez anos para ganhar reputação internacional.

Ou seja, já estamos atrasados e podemos perder também esse barco, porque nunca pensamos nos jogos do futuro, somente nos erros do passado.  

Stephen Kanitz é administrador


(www.kanitz.com.br)
  Revista Veja, Editora Abril, edição 1799, ano 36, nº 16 de 23 de abril de 2003

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O Mito das Crises Capitalistas https://blog.kanitz.com.br/crise/ https://blog.kanitz.com.br/crise/#comments Mon, 27 May 2024 09:16:40 +0000 https://blog.kanitz.com.br/?p=29667 Crise do capital

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Não são somente os marxistas que culpam as crises financeiras, que temos há tempos, ao sistema “capitalista”.

Acredito que 99% das pessoas com formação acadêmica, mesmo liberais e conservadores, acreditam na mesma coisa.

Vocês vão me acusar de estar usando um jogo de palavras, portanto me perdoem, mas esperem um pouco antes de me criticar.

Nenhuma empresa genuinamente capitalista, é portanto capitalizada, jamais entrou em crise ou prejudicou seriamente alguém, sejam trabalhadores ou credores.

Um dos assuntos que ensinamos em Administração Financeira é calcular o capital mínimo e necessário para abrir uma empresa.

Como também ensinamos como sempre manter o capital adequado na medida que a empresa cresce de tamanho.

Dito isso, se as empresas fossem administradas pelos nossos alunos, nenhuma empresa seria pega de surpresa ou com capital insuficiente, numa crise política ou financeira.

Empregados e credores sempre seriam pagos em dia.

As crises são causadas por empresas não capitalizadas, o contrário, por falta de capital.

Muito típico de empresas recém criadas por engenheiros ou empreendedores, com pouco capital, muita dívida e nenhum conhecimento de administração financeira.

Isso não é culpa do capitalismo e sim do nosso sistema educacional.

O mesmo ocorre com empresas que querem crescer mais do que as pernas, sem capital suficiente.

E nos casos de empresas familiares, em lenta e franca decadência?

Nós administradores estaríamos sempre de olho numa data limite, para liquidar a empresa enquanto ainda temos capital e capacidade de pagar todos os empregados e credores antes de fecharmos as portas.

Ou seja, pode parecer um argumento puramente semântico, mas segundo a teoria capitalista, nenhuma empresa bem capitalizada causaria danos para a população em geral numa eventual recessão.

É a falta de capital adequado, que gerou todas as crises, especialmente por parte dos bancos, que comentarei no futuro.

Em vez de ser contra os capitalistas, deveríamos ser a favor dos capitalistas raiz e bem capitalizados, somente comprando produtos deles, somente aceitando empregos de empresas bem capitalizadas.

Só que ninguém faz isso, nem sabe detectar “capital insuficiente e inadequado”, voam em companhias aéreas com prejuízo, pagam seguro saúde de governos quebrados.

Onde quero chegar é que o Socialismo e Comunismo, que são contra o acúmulo de capital, acabam sempre tendo empresas pouco capitalizadas, por isso crescem pouco e sofrem mais nas crises econômicas.

Acho que 99% de vocês nunca leram esse ponto de vista, que merece ser mais discutido e apreciado.

Obrigado pela atenção.

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A Segurança Política das Nossas Fazendas https://blog.kanitz.com.br/a-seguranca-politica-das-nossas-fazendas/ https://blog.kanitz.com.br/a-seguranca-politica-das-nossas-fazendas/#comments Mon, 18 Dec 2023 01:38:19 +0000 https://blog.kanitz.com.br/?p=29594 Por Szabo Nick, o inventor do Bitcoin, um gênio. Talvez o fator mais importante para uma civilização neolítica, antiga ou medieval foi a segurança das terras agrícolas. Ao longo desses tempos, a produtividade e a segurança que determinaram a propriedade (ou mais geralmente o controle) das terras agrícolas e, portanto, a estrutura de uma sociedade […]

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Por Szabo Nick, o inventor do Bitcoin, um gênio.

Talvez o fator mais importante para uma civilização neolítica, antiga ou medieval foi a segurança das terras agrícolas.

Ao longo desses tempos, a produtividade e a segurança que determinaram a propriedade (ou mais geralmente o controle) das terras agrícolas e, portanto, a estrutura de uma sociedade dominada pela agricultura.

Qual desses dois fatores era mais importante?

Muitos historiadores tradicionais consideram que a organização militar (muitas vezes determinada pela tecnologia militar) determinava a estrutura social, bem como o sucesso de uma sociedade.

Assim, por exemplo, a teoria de que o estribo deu origem ao feudalismo.

Alguns outros consideram que a produtividade agrícola, determinada principalmente pela ecologia e tecnologia, era mais importante para o sucesso de uma civilização ou para determinar suas instituições políticas, legais e econômicas.

Nenhuma das visões é correta.

A produtividade e a segurança das fazendas interagem, e as instituições são pelo menos tão importantes para determinar essa produtividade e segurança quanto o inverso.

Alguns historiadores começaram a analisar a interação entre a produtividade das culturas e a segurança de várias maneiras detalhadas, uma abordagem que acredito que pode lançar bastante luz sobre a história.

Uma estratégia comum da guerra antiga era “devastar” as colheitas do inimigo.

O historiador e viticultor Victor Davis Hanson (outro gênio) estudou as videiras, oliveiras e algumas variedades de grãos cultivadas na Grécia antiga e mostrou que elas frequentemente resistiam bem à destruição intencional (queima, corte, escavação, etc.).

Suspeito ainda que as plantas, na maioria dos lugares e épocas, foram selecionadas, não apenas por seu conteúdo nutricional, e não apenas para resistir a ervas daninhas e pragas animais, mas também para resistir a tais assaltos de pragas humanas.

Além disso, hipotetizo que o padrão de controle ou propriedade da terra, e assim a lei de propriedade (e a estrutura política em geral), variará dependendo da interação da produtividade e segurança agrícolas, e vice-versa.

Para desenvolver essa teoria, farei algumas hipóteses “geoestratégicas” correlatas sobre a guerra neolítica, antiga, clássica e medieval:

* Há algumas economias de escala na proteção de terras agrícolas. Uma economia de escala óbvia é que a área (uma boa medida de valor) de terras agrícolas aumenta como o quadrado do comprimento da fronteira que deve ser guardada.

* Há algumas deseconomias de escala na proteção de terras agrícolas. Uma importante deseconomia de escala é que se torna mais difícil coordenar exércitos cada vez maiores (o problema do conhecimento familiar aos economistas austríacos) e coordenar a coleta de impostos necessária para financiar esses exércitos.

* Há uma tensão entre o tamanho ótimo de uma fazenda para a aplicação de trabalho e tecnologia organizacional e o tamanho ótimo para proteção militar.

Se as necessidades de segurança se tornarem muito grandes, os dois podem se desencontrar e a produtividade da fazenda cairá.

Se isso não ocorrer, alguma coordenação militar entre os proprietários de terras é necessária (isso pode ser feudal, ou democrático/agrário como na pólis grega clássica, ou uma grande variedade de outros tipos de coordenação, incluindo o estado moderno).

* Recursos geográficos podem ajudar a proteger terras agrícolas, permitindo que seu tamanho e organização sejam otimizados para a produtividade.

Quais recursos geográficos são importantes dependem da escala em que as terras agrícolas são defendidas.

Durante muitas eras da história (da coordenação feudal em larga escala ao estado) tal coordenação ocorreu em grande escala.

Assim, pode não ser coincidência que duas grandes ilhas que foram protegidas de invasões durante centenas de anos, Japão e Grã-Bretanha, também tiveram entre as mais altas produtividades agrícolas por acre durante esse período, bem como a maior cultivação de terras aráveis marginais.

A situação da Itália é semelhante, sendo protegida de um lado pelos Alpes e de três outros lados pela água.

Itália e Japão, embora frequentemente divididos politicamente durante esta era, são longos e finos, tornando as fronteiras internas disputadas mais curtas.

Em algumas áreas (como os Países Baixos) os habitantes fizeram grandes esforços para criar barreiras aquáticas entre si e os exércitos invasores.

Por outro lado, essa teoria prevê que a produtividade agrícola será mais baixa em regiões continentais desprotegidas.

De fato, regiões continentais interiores facilmente alcançáveis por cavalo tendiam a ser entregues à pastagem nômade muito menos produtiva.

As restrições de segurança provavelmente foram o que impediu qualquer tipo de cultura de ser cultivada.

Algumas das inspirações para esta teoria vêm de Adam Smith, no Livro 3 de A Riqueza das Nações.

Smith apontou que havia uma grande incompatibilidade entre os padrões de propriedade da terra que proporcionavam os melhores incentivos para usar a terra produtivamente e as leis derivadas das necessidades de proteção feudal.

Sob a lei inglesa, havia vários tipos de propriedade de terras, chamados de “estates.”

Smith defendeu a propriedade direta chamada de “fee simple” que permitia que a terra fosse dividida entre filhos, comprada e vendida, e usada como garantia.

Os dois tipos de propriedades agora curiosos, mas outrora comuns, que Smith observou e criticou foram o “primogenitura”, em que a terra não podia ser dividida entre filhos, mas tinha que ser destinada ao filho mais velho, e o “fee tail”, ou restrições contra a transferência da propriedade ou seu uso como garantia.

Na Idade Média, a propriedade da terra estava atrelada à capacidade de proteger a terra.

A lei, portanto, impedia herdeiros tolos de dividir suas terras em partes muito pequenas para serem protegidas.

Essas restrições também protegiam os inquilinos que realmente trabalhavam a terra.

Smith, vivendo em uma ilha bem protegida pela marinha de um único estado, observou que a Inglaterra estava se afastando desse tipo de propriedade e defendeu a eliminação total dela, apontando seu desperdício econômico.

Como evidência, Smith citou grandes extensões de terras mal cultivadas ou totalmente incultas em fazendas ainda sob essas restrições de lei de propriedade feudal.

Além disso, vimos a importância da capacidade de usar a terra como garantia.

A colateralização da terra provavelmente ocorreu pela primeira vez em larga escala na Itália medieval tardia.

Isso pode ser devido à sua maior aderência às tradições do direito romano (em que a terra era dividida igualmente entre os filhos e era livremente transferível), bem como à sua geografia relativamente segura.

O papel crucial da segurança para a história da agricultura também pode lançar luz sobre o nascimento da agricultura em primeiro lugar.

Os caçadores-coletores eram muito conhecedores de plantas e animais, muito mais do que o típico moderno.

Não teria sido necessário um gênio – e havia muitos, pois seus cérebros eram tão grandes quanto os nossos – para descobrir que você pode plantar uma semente no chão e ela crescerá.

Deve ter havido, em vez disso, algumas restrições institucionais severas que impediram o surgimento da agricultura em primeiro lugar.

O problema básico é que alguém tem que proteger essa muda por vários meses dos inimigos e, em seguida, tem que colhê-la antes do inimigo (ou simplesmente um vizinho invejoso).

Szabo Nick

(Fica claro que a agricultura brasileira não tem a segurança jurídica e militar necessária para desempenhar plenamente suas funções. Não temos relações exteriores que nos garantam estoques de fósforo e potássio. Nem uma marinha que proteja nossas exportações marítimas. Algo que iremos discutir aqui. Aceito sugestões.)

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Reavaliando o Papel dos Bancos Centrais. Série Desaprenda Economia https://blog.kanitz.com.br/reavaliando-o-papel-dos-bancos-centrais-serie-desaprenda-economia/ https://blog.kanitz.com.br/reavaliando-o-papel-dos-bancos-centrais-serie-desaprenda-economia/#comments Thu, 07 Dec 2023 10:31:37 +0000 https://blog.kanitz.com.br/?p=29578 Por que precisamos de bancos centrais ?

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Os Bancos Centrais, historicamente concebidos como instrumentos vitais para a estabilidade econômica, são hoje percebidos por alguns como parte integrante dos problemas econômicos contemporâneos. 

Originalmente, essas instituições foram estabelecidas com o objetivo de mitigar crises financeiras, fornecendo liquidez e suporte financeiro a bancos que enfrentavam dificuldades temporárias de liquidez.

Historicamente, os depósitos bancários eram frequentemente à vista, enquanto os empréstimos possuíam prazos mais longos (variando entre 60 a 600 dias), resultando em um descompasso no fluxo financeiro. 

Este desequilíbrio ficou evidente durante a Crise Knickerbocker nos Estados Unidos em 1907, quando as corridas bancárias levaram à falência de diversas instituições financeiras e culminaram na criação do Sistema da Reserva Federal em 1913, com o intuito de prevenir tais corridas bancárias.

No entanto, a eficácia desses Bancos Centrais em prevenir crises tem sido questionada, particularmente ao se observar eventos históricos significativos. 

A Grande Depressão, ocorrida entre 1925 e 1930, é um exemplo notório, onde falências bancárias maciças contribuíram para uma das mais severas crises econômicas da história.

 Alguns argumentam que as falhas do Federal Reserve (FED) nesse período tiveram implicações que ultrapassaram o âmbito econômico, influenciando até mesmo o cenário político global, como a eclosão da Segunda Guerra Mundial.

Outras crises econômicas também lançam dúvidas sobre a eficácia dos Bancos Centrais. 

Por exemplo, a Crise da Dívida Latino-Americana na década de 1980, envolvendo diversos países, incluindo o Brasil; 

a Crise das Poupanças nos Estados Unidos entre as décadas de 1980 e 1990;

 a Crise Financeira Asiática de 1997-1998, que se alastrou por vários países asiáticos;

 a Crise Financeira Russa em 1998;

 a Crise Econômica Argentina entre 1999 e 2002; 

a Crise Financeira Global de 2007-2008, originada nos Estados Unidos; 

e a Crise da Dívida Soberana Europeia nos anos 2010.

Estes eventos levantam questões pertinentes sobre a natureza e a função dos Bancos Centrais. 

Uma questão que todo economista formado deveria se perguntar  é por que os bancos podem alavancar seu capital em proporções significativamente maiores (12 vezes ou mais) do que outras entidades econômicas, que operam com níveis de alavancagem mais conservadores. 

Vide o gráfico da situação das 500 maiores empresas brasileiros, do banco de dados que administro.

Por que bancos conseguem se alavancar 12 vezes seu capital, enquanto o resto da economia , por prudência , alavanca bem menos, 1,67 por exemplo?

Por que capitalistas banqueiros arriscam seu capital 12 a 36 vezes, com o risco de perder tudo com uma queda de 8% a 3% nos depósitos?

Em contraste, outros setores, como comércio e indústria, geralmente operam com uma alavancagem de apenas 67% do capital investido, em vez dos 1200% comuns no setor bancário. 

Estas discrepâncias apontam para uma necessidade de revisão e reavaliação crítica do papel dos Bancos Centrais na economia contemporânea, bem como das práticas bancárias.

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O Déficit de 2024 Não é de 1% Como Noticiado https://blog.kanitz.com.br/o-deficit-de-2024-nao-e-de-1-como-noticiado/ https://blog.kanitz.com.br/o-deficit-de-2024-nao-e-de-1-como-noticiado/#comments Sun, 05 Nov 2023 19:52:49 +0000 https://blog.kanitz.com.br/?p=29498 Como nossos déficits orçamentários são mal calculados.

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O déficit orçamentário da União não corresponde a apenas 1% do PIB, como divulgam economistas e jornalistas.

A dificuldade de economistas em medir adequadamente esse problema dificulta sua resolução.

Por isso em Administração ensinamos Contabilidade de Custos, orçamento gerencial e estatística corporativa para evitar erros no início da análise e, assim, facilitar a busca por soluções verdadeiras.

Para o ano de 2024, as Receitas estão estimadas em 5,546 trilhões, enquanto as Despesas alcançam 5,666 trilhões, resultando em um déficit de 120 bilhões.

O que corresponde a 1% do PIB de 10 trilhões.

Economistas acham que esse déficit de 1% será facilmente financiado por mais dívida, o que de fato seria razoável se o número fosse correto.

No entanto, o déficit real é de 6% para 2024 e aumentará para 7% nos anos seguintes, incluindo 2025 e 2026.

A questão central é que Haddad e Lula estão considerando as contribuições previdenciárias como Receitas do Governo, quando na verdade são Dívidas a Longo Prazo, obrigações a serem pagas pelos próximos governos.

Portanto, as Receitas reais de 2024 serão de apenas 5 trilhões, enquanto as Despesas atingirão 5,666 trilhões, resultando em um déficit de 666 bilhões, que corresponde a 6% do PIB.

É importante destacar que as contribuições previdenciárias representam uma Dívida de Longo Prazo, não uma Receita corrente.

Que contribuições previdenciárias são uma Dívida a Longo Prazo e não uma Receita corrente não há a menor discussão possível, porque é justamente por isso que vocês empregados estão contribuindo com 28% de seus salários.

Porque te prometeram uma aposentadoria vitalícia daqui 30 anos, o que é uma Dívida Líquida e certa e você ainda acredita que um dia será paga.

Esse déficit de 26% durante o governo Lula terá que ser financiado por dívidas que serão pagas pelos governos futuros, o que pode ser considerado antiético e injusto, embora não seja inconstitucional.

Uma parte significativa desse financiamento, ou seja, 540 bilhões, já está assegurado e será proveniente dessas contribuições previdenciárias dos cidadãos, em vez de serem destinadas a fundos de pensão próprios, como muitos liberais e conservadores sugerem.

Este déficit de 26% do PIB em 4 anos é de proporções monumentais e deve ser cuidadosamente considerado.

Portanto, é crucial conscientizar os contribuintes sobre esse déficit de 26% do PIB, pois economistas, tanto do setor privado quanto do governo, podem estar inadvertidamente conduzindo recursos previdenciários para um Estado com sérios problemas financeiros e insolvente.

Compartilhe esta análise, pois é essencial que informações precisas sejam disseminadas.

O déficit será de 26% do PIB e os contribuintes para a previdência precisam saber disto.

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Quantos Ricos Existem no Brasil? https://blog.kanitz.com.br/quantos-ricos-existem-no-brasil/ https://blog.kanitz.com.br/quantos-ricos-existem-no-brasil/#comments Fri, 26 May 2023 10:00:00 +0000 https://blog.kanitz.com.br/?p=29306 Primeiramente, é importante estabelecer uma definição apropriada do que seria uma pessoa rica no Brasil. Os bilionários, aqueles com jatinhos e iates e que muitas vezes não residem mais no país, não são apenas ricos, mas sim bilionários. Neste contexto, um indivíduo rico seria aquele que possui uma residência confortável em uma cidade como São […]

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Primeiramente, é importante estabelecer uma definição apropriada do que seria uma pessoa rica no Brasil.

Os bilionários, aqueles com jatinhos e iates e que muitas vezes não residem mais no país, não são apenas ricos, mas sim bilionários.

Neste contexto, um indivíduo rico seria aquele que possui uma residência confortável em uma cidade como São Paulo, uma casa de praia, outra no campo, seis empregados e três filhos.

De acordo com dados da Receita Federal, um brasileiro é considerado rico quando declara ao menos 14 milhões de reais em bens.

Seguindo essa definição, há aproximadamente 71.000 ricos no Brasil, o que representa 0,003% da população.

Quando esses indivíduos falecerem, provavelmente deixarão uma casa para cada filho, que receberá cerca de 5 milhões de reais, uma quantia significativa, mas que passa a posicioná-los na classe média alta.

Ou seja, em uma geração esses ricos desaparecem, e com essa economia os novos ricos estão difíceis de aparecer.

Para aqueles que acreditam que o Brasil poderia solucionar a pobreza simplesmente taxando mais os ricos ou redistribuindo parte de suas riquezas para os mais pobres, é fundamental analisar o cenário com maior profundidade.

A pobreza no Brasil é refletida na também relativa escassez de ricos no país, quando comparado a outras nações desenvolvidas.

Nos Estados Unidos, por exemplo, 4,4% da população possui pelo menos 3 milhões de dólares, o que equivale a aproximadamente 15 milhões de reais.

Se aplicássemos essa porcentagem à população brasileira, teríamos cerca de 9,6 milhões de ricos, em contraste com os atuais 71.000.

Levando em consideração a população maior dos EUA, eles possuem aproximadamente 13,8 milhões de ricos.

Nesse caso, aumentar impostos para essa parcela da população poderia gerar resultados mais expressivos, sem que todos decidam se mudar.

No entanto, se partidos políticos como PCdoB, PSOL e PT continuarem a promover um discurso hostil em relação aos mais ricos no Brasil, isso pode ser contraproducente.

É fundamental considerar que muitos desses 71.000 ricos já estão deixando o país, e tal tendência poderia se acentuar com a continuidade de tal retórica.

Todos precisam divulgar esses dados para os amigos e intelectuais de esquerda porque a maioria acredita que temos milhões de ricos que exploram o país.

Temos 71.000, logo em extinção.

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