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Por dois anos eu fui treinado a resolver três problemas complexos por dia, em 24 horas. Ao longo de dois anos foram 600 problemas, 12.000 páginas de tabelas e informações, fora as informações deliberadamente sonegadas.
Esta era a essência da Harvard Business School, única escola de administração a usar exclusivamente o método do caso.
Ao contrário da maioria das faculdades de administração que dão aulas teóricas por 70% do tempo e casos 30%, mas algumas, zero.
“Sabemos que 24 horas é tempo curto, na vida prática vocês terão três dias, mas o treinamento é este.”
“Administrar é jamais deixar problemas acumularem.”
Mas isto não é ensinado no Brasil.
Governo após governo, todos deixam problemas deliberadamente para o próximo governo. Dilma somente exagera neste ponto.
Ela não resolveu um único problema sequer em 2015, criou 15 outros, como a perda do grau de investimento, inflação, juros, desemprego.
Esta é a diferença entre um país administrado por economistas e um país administrado por aqueles que foram treinados na arte de resolver problemas, e rapidamente.
Economistas odeiam administradores porque tomamos decisões rápidas, sub ótimas é o termo deles, sem criar comissões de análise, comitês de alternativas, e conselhos decisórios que levam meses ou anos.
Nós administradores achamos que tudo isto são pedaladas para não assumirem responsabilidade das duras decisões, de tirarem o “seu” da reta, para deixar bem claro o que estão fazendo.
E fazem bem, porque nenhum economista jamais foi preso por suas claras incompetências no Plano Cruzado, Bresser e Collor.
Nós achamos que quando se tem 45 problemas na mesa, todos serão mal resolvidos.
Achamos que se tivermos somente um problema na mesa por vez, mesmo que seja somente por três dias, toda a nossa atenção estará com o foco certo.
Ser treinado em Harvard foi um desastre para mim.
Minha habilidade de, em poucos minutos, detectar o âmago da questão, apontar o elo fraco, determinar o primeiro passo, era visto como arrogância da minha parte, exibicionismo, ou pior ainda, loucura.
“Nem começamos a sessão e você já aponta uma solução?”
E meu senso de urgência, diferente dos economistas que eu tentava convencer, logo se transformava em desespero e agressividade, que num país latino é fatal.
Eu simplesmente não aceitava a irresponsabilidade de encerrar uma reunião sem ter o problema resolvido.
Almocei na semana passada com um amigo da Dilma e Lula, que me explicou a estratégia deles nos próximos três anos. Eles é que querem nos sangrar, não há o menor senso de urgência, “o povo logo, logo, esquece do impeachment”.
Hoje temos 45 problemas não resolvidos, e quando aparece um 46º., como esta Zika, não temos condições de fazer absolutamente nada.
Sem dinheiro, sem tempo, sem equipe coordenada, sem senso de urgência, a Zika nos atrasará 500 anos.
Parabéns a todos os meus colegas economistas que me taxaram de “apressadinho”.
A nova geração está sendo aconselhada a não engravidar, simplesmente o fim do Brasil.
Eu avisei.
Há 40 anos venho sugerindo aos jovens fazer a Harvard Business School.
Por 40 anos estive disponível para ser professor destas faculdades de administração para ensinar pelo método do caso, sem interesse de nenhum Diretor de Escola de “Administração”.
Culpar a Dilma, o PT, o PSDB, é novamente culpar sempre o outro.
Não perceber que este país foi sempre mal administrado por amadores, por indecisos, medrosos, e mentalmente lentos, é o crime que todos cometeram.
Agora continuem a fazer o de sempre. Não assumam posição, não tomem nenhuma decisão.










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