Esta era a composição dos juros da dívida interna em 2002, no final do Governo FHC.
Mais de 80% da nossa dívida era com juros “flutuantes”, atrelados a Selic.
Notem que são dívidas públicas sem um juro pré-estabelecido em contrato, como 5% ou 12% ao ano. Já escrevi centenas de artigos sobre este assunto, o mais irritado foi Carta Aberta ao Ministro Palocci onde explicava porque isto era inconstitucional e um perigo para a nação.
Dívida pública tem de ser pré-estabelecida, aprovada pelo congresso, como toda despesa pública. Assinar dívidas com juros em aberto, vai contra todas as práticas administrativas que conheço.
Veja hoje a diferença.
A parcela com juros flutuantes cai para 20%. Somente dívidas de curto prazo são incertas. O que faz sentido.
O importante é que agora 80% de nossa dívida interna é com juros pré-determinados, como sempre batalhamos.
Melhor ainda, metade com juros reais pré-determinados e sobre isto já escrevi mais 120 artigos ao longo de minha carreira. Basta verificar no www.kanitz.com.br
Alegar que Lula e Henrique Meirelles simplesmente continuaram a política de seu antecessor, mais uma vez se mostra incorreta. São posturas financeiras de administração pública totalmente diversas.
Uma defende os juros de mercado a todo momento, outra exige administração de despesas financeiras com um mínimo de previsibilidade. Foram estes juros fixos e pré-determinados que ajudaram o país a contornar a crise americana de 2008.
Nesta questão não temos garantias que o próximo governo não mudará novamente para juros flutuantes e indeterminados; mas, o exemplo foi dado e espero que muitos aceitem que é esta a forma correta de administrar o dinheiro público.
Espero que a imprensa econômica e de assuntos administrativos, e os partidos de oposição, percebam o acerto desta nova política e a mantenham. Precisamos agora simplesmente exigir continuidade desta forma de administrar nos próximos governos.
Uma dúvida:
A herança de duas décadas de crise fiscal; o rombo aos cofres públicos provocado pelo “Trem da Alegria” da CF/88; a falta de crédito internacional devido a moratória do Sarney; a desconfiança interna pós-confisco do Collor; os anos de hiperinflação; a crise internacional nos países “em desenvolvimento” (Argentina, Rússia, México, Tigres Asiáticos, etc)NADA DISSO influenciou em nada na decisão do governo FHC em optar pelos juros de mercado?
O mesmo vale para o atual governo. A consolidação e uma democracia recente; quase uma década de estabilidade econômica; os ajustes previdenciários e as normas de responsabilidade fiscal; e claro, o imenso crescimento mundial, impulsionado pela China, que proporcionou vários anos seguidos de imenso crescimento de nossas reservas cambiais; NADA DISSO possibilitou ao atual governo uma posição mais confortável para que pudesse optar pela substituição de dívidas com juros flutuantes por juros fixos?
Não sou economista, e acreditarei no que me disser. Só que a sua matéria faz parecer que as decisões tomadas no passado e no presente foram motivadas somente por vontade política.










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