Tempo de leitura: 1 minuto
Acho impressionante como tantas pessoas acreditam na “ideia contagiante” de que o setor bancário é tipicamente capitalista e o seu mais digno representante.
E, em movimentos como Occupy Wall Street que acreditam neste meme. Eu também acredito que o setor bancário precisa ser modificado, mas por razões totalmente diversas.
Intelectuais famosos não percebem o contrário, que o setor bancário é a essência do Keynesianismo com proteção privilegiada e quase ilimitada do Estado.
Analisando as 1.000 maiores empresas do Brasil e do Mundo, você vai logo perceber que as empresas de metalurgia, siderurgia, varejo, farmacêutico, automobilístico, etc… possuem na média 50% de dívidas para cada 100% de capital.
Isto confere aos credores destas empresas quase 200% de proteção, e crises financeiras nestes setores são raras, a não ser que haja crise nos bancos, que são uma constante.
O único setor que destoa é o setor bancário, e de forma impressionante.
No setor bancário a relação dívida/capital é de 2.000%. Ou seja, para cada 100 milhões de capital eles têm 2 bilhões de dívidas.
Como este setor consegue este milagre?
Graças a Keynes e um enorme conluio Bancos/Estado e uma maciça intervenção do Estado a cada crise. Vejamos.
1. As dívidas dos bancos são garantidas pelo Estado, via o FDIC ou no caso da Caixa de São Paulo, “garantidas por dois governos” .
Nenhum outro setor capitalista tem este privilégio.
2. Os bancos podem emprestar entre si à vontade, num mercado chamado interbancário.
É como se a Coca-Cola comprasse da Pepsi quando precisasse de água e açúcar e vice-versa, com o beneplácito do Governo, o que nos países capitalistas é proibido.
O setor bancário é o único cartel regido pelo Estado.
3. Os preços no setor bancário são determinados como num cartel.
A taxa CDI ou Libor é igual para todos os bancos, determinadas diariamente pelos próprios bancos.
No capitalismo isto é proibido. Existem controles severos contra concorrentes estabelecer o mesmo preço.
É como se todos os supermercados do mundo se reunissem todo dia e estabelecessem o preço Selic da carne ou da manteiga. Tudo isto com o beneplácito do Governo.
4. O Banco Central foi criado especialmente pelo Estado, para servir de garantidor da liquidez deste setor.
Com dívidas de 2.000% acima do Patrimônio, os bancos passam diariamente por grandes sufocos.
E, o Banco Central está lá para socorrê-los com o Redesconto, diário.
Nenhum outro setor “capitalista” tem isto.
5. A grande maioria dos Presidentes do Banco Central são acadêmicos, críticos contumazes do capitalismo até galgarem o poder.
E que, por milagre, obtém elevados cargos em bancos que ajudaram, depois do seu mandato.
Professor Mario Henrique Simonsen virou conselheiro do Citibank, e basta ver o Wikipedia para perceber a relação incestuosa entre academia, governo e setor bancário.
Nenhum outro setor tem esta relação incestuosa.
6. O governo faz tudo isto porque depende dos bancos para colocar a sua enorme dívida, feita para financiar os continuados deficit Keynesianos e de má gestão financeira destes acadêmicos inexperientes.
Basta lembrar da crise da Banda Diagonal Exógena, ideia maluca do nosso Banco Central.
7. O Governo, nas crises sistêmicas desta alavancagem de 20 vezes para 1, ajuda os bancos inclusive imprimindo moeda, um crime para a Economia Popular como agora faz Ben Bernanke sob os aplausos do setor bancário.
Nenhum outro setor “capitalista” jamais conseguiu que economistas imprimissem moeda para os salvar.
Redução de impostos sim, mas imprimir moeda sem lastro, nunca.
8. O Banco Central, para auxiliar os bancos a carregar o endividamento de 20 vezes para um no meio de uma crise, manipula a taxa de juros para baixo.
Nos Estados Unidos virou subsídio desde 2008 com juros negativos.
Assim, quem tem 20 vezes dívida ganha 20 mais com os juros negativos. Nenhum outro setor “capitalista” tem esta mamata.
Nem o setor farmacêutico, ou hospitaleiro, ou educacional, muito mais importantes socialmente do que o setor bancário.
9. Existem acordos internacionais, como a Basileia, para controlar estes bancos para se manter abaixo dos 1.200% de envidamento, que não são respeitados pelos governos locais.
Mas não existe Basileia para o setor farmacêutico, automobilístico, têxtil, computação, aviação, supermercados e outros setores “capitalistas”.
Ou seja, o setor bancário, graças à sua relação incestuosa com o Estado e com o lado esquerdo da sociedade, consegue lucros se endividando e assumindo riscos que nenhuma empresa capitalista consegue, ou quer.
Isto não é capitalismo, nem aqui. Só na China.
Isto é um cartel criado, mantido e incentivado pelo Estado.
Isto é a tecnocracia acadêmica tomando conta dos Estados, não de empresários com seus espíritos animais locupletando a população.
Portanto, precisamos tornar os bancos capitalistas.
Reduzindo a alavancagem para no máximo 100% e não 2.000%, como são hoje as empresas de Private Equity e Fundos de Pensão.
Aí não precisaremos de Banco Central, nem Interbancário nem Redesconto nem Selic e Libor, nem crises sistêmicas com soluções Keynesianas que só aumentam ainda a mais a dívida do sistema, que agora é 4.000% e subindo.
Em nenhum manual de Capitalismo você vai encontrar menção sobre alavancar sua empresa 30 vezes para poder maximizar o lucro.
Isto simplesmente não existe. Leiam todos os livros de Administração Socialmente Responsável ou Administração Financeira.
Eu darei destaque aqui no blog para quem achar.
Sinto muito Occupy Wall Street, Paul Krugman, Joseph Stiglitz, vocês estão mentindo para a população, como sempre.
E, a enorme concentração da renda do setor bancário foi possível pela relação incestuosa, os conflitos de interesse, e a garantia de que o Banco Central iria salvar este pessoal. Risco para eles é zero com este aparato todo.
E a essência do capitalismo é controlar e minimizar risco, e não repassá-lo para o povo e o governo cada vez que os modelos econométricos e value at risk dão errado porque a alavancagem de 30 x 1 se mostrou excessiva devido à um cisne negro que não existia nos livros acadêmicos. Sorry!










Comentários