__ __ __ Entenda Reservas Internacionais - Stephen Kanitz __ __

Entenda Reservas Internacionais

O sucesso de Henrique Meirelles no Banco Central, o primeiro administrador profissional a comandar o Banco Central implantando várias medidas há anos defendidas pelos administradores brasileiros, não poderia deixar de trazer críticas.

Um grande banco de São Paulo divulga relatório onde critica o custo das Reservas Internacionais acumuladas pela primeira vez em 500 anos de história, e que permitiu pela primeira vez o Brasil não pedir uma ajuda e fazer uma dívida monstruosa com o FMI.
Como criticar uma medida destas?
Meirelles modificou uma série de práticas dos governos anteriores, como reservas praticamente nulas, dívida interna denominada em dólar, dívida interna com juros flutuantes e não pré-determinados, e assim por diante, coisas defendidas por administradores há muito tempo.
O custo destas reservas, diz o estudo, representa 0,8% do PIB, porque as reservas são aplicadas em títulos americanos de juros baixos e custeadas por dívidas internas que são mais caras, o que é parcialmente correto.

O ataque velado aos administradores em geral, e Meirelles em particular, fica evidente quando autor usa o termo “rentabilidade gerencial” em vez da usual rentabilidade econômica.

Muitos acadêmicos discutem agora se estas reservas não são elevadas demais.
Não encontrei nenhum artigo de nenhum destes acadêmicos anterior a 2005, propondo aumento de reservas ou apoiando meu artigo na Veja Colchão de Segurança argumentando a necessidade do Brasil aumentar as suas pífias reservas de 18 bilhões na época. Antecipava a discussão de AntiFragility do Nassim Taleb em 10 anos.
O estudo compara os custos de juros com as receitas das reservas e deixa de fora uma série de “receitas” e externalidades das nossas reservas.
“Como o BC não age como hedge fund, eu não inclui a variação do câmbio como receita.”  
Assim é fácil provar qualquer coisa em matemática.
É só não incluir o que não se gosta.
“Banco Central não é um hedge”, vai contra tudo que se fala da função estabilidade do governo.
O fato das reservas manterem o câmbio baixo numa crise, o que impediram uma fuga de capital e reduziram a taxa primária de juros que o país tem de pagar não entrou nestes  nos cálculos.
Muito menos entrou nos cálculos o enorme custo da dívida do FMI que o Brasil teve que pagar de 1998 em diante, por não termos tido reservas suficientes na época.

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Comentários

Respostas de 9

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    Professor, você poderia comentar o post do Anderson? Assim como ele, não vejo por que alguem compra algo mais caro se tem outro produto mais barato no mercado? Até o momento, a única explicação que consegui é que o dinheiro não é do comprador… e tem alguém ganhando algo com isso, mas quem? Informação assimétrica…

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    Mainardi é o ”jornalista”, se é que aquilo pode ser considerado um jornalista, mais estúpido que eu conheço, seua artigos nao têm fundamentos, são apenas críticas vazias! nao sei como a Veja mantem ele na revista! ps:. Ele não é economista!

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    Sinceramente, acho que temos um problema de definição de funções. Como o sr.Kanitz mesmo argumenta, cabe ao BC o “hedge” da moeda e aqui terminamos um ponto. Outro ponto, completamente diferente, trata-se da dívida. O problema é que, a partir daqui, temos que encarar a vida de frente e isso nem sempre é fácil: logo percebemos que não há mágicos, economistas, administradores ou qualquer outro sábio que seja capaz de solucionar essa questão se não levarmos em conta fatores como a black-economy, a sonegação, a corrupção, o despreparo educacional, a péssima representação partidária, a falta de competitividade de nossas empresas e tantos outros fatores que inviabilizam uma arrecadação mais equitativa e um melhor gerenciamento da dívida. Atribuir esses fatores ao presidente do BC é como dizer que o palmeiras não ganhou o campeonato porque choveu muito esse ano.

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    Parabéns Anderson . Seu raciocínio esta correto no sentido que usar poupança externa é muito mais barato do que poupança interna, especialmente sob forma dívidas . Mas a minha geração nunca entendeu isto .

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    Duas críticas cabem nessa situação: a primeira é a óbvia escolha por quitar débitos onerosos internacionais com recursos mal-remunerados. Meirelles, como amigo dos bancos internacionais, nunca fará isso.
    A segunda é mais preocupante: existe uma grande possibilidade de o dólar se desvalorizar ainda mais e as aplicações do Brasil virarem fumaça. Índia e China estão comprando todo o ouro disponível no mundo.
    Enquanto isso, aqui no Brasil, ninguém nem toca no assunto.
    O problema não é o excesso de economistas no Brasil, o problema é que eles são ruins. Precisamos urgentemente de BONS economistas, e não de preconceito ingênuo contra a ciência econômica.

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    Algumas publicações de alcance popular estão há muito tempo fora da minha preferência, por estarem dando espaço a esse tipo de gente que de economista estão mais perto de chatos com direito a difundir bobagens para quem acredita em textos sem qualquer conteúdo ou sustentação de suas teses fúteis e descompromissadas com a verdade.
    Aconselho as pessoas que tem alguma intenção em ser correntista do Banco que o Sr. Rawing Dib tem o seu vínculo a pensar bem qual é o tipo de intenção ou seriedade dessa gente

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    O Mainardi é economista ? Pensei que fosse apenas um “bobagista” afinal, nada que escreve presta.
    Vou reproduzir, digo, copiar e colar, este seu artigo em outros blogs. Depois coloco os links aqui.

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    Em primeiro lugar, parabéns pela análise, apesar de eu não ter entendido todos os detalhes, confio mais na sua opinião do que na de um funcionário de um banco privado.
    E o Mainardi é economista? Ele se formou? Na Wikipedia está escrito que ele cursou apenas um ano…

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