Assustador nessa pandemia é ver essa Torre de Babel, ninguém conseguindo se comunicar corretamente.
99% do que eu li nesses 90 dias foi totalmente irrelevante.
70% se restringia ao total de mortes, o que gera pânico, afeta nosso sistema imunológico, o que aumenta ainda mais o número de mortes.
Um dos cursos obrigatórios em Administração é saber se comunicar, curso que infelizmente não é dado em muitas outras profissões que lidam com pessoas.
Justamente quando mais precisamos dessas outras profissões, percebe-se que eles não são bons em comunicação, especialmente os cientistas.
Começam com o problema, a pandemia, depois tem uma introdução, depois falam horas como eles chegaram a um novo modelo de previsão, como eles são geniais em colocar uma nova variável, como aplicaram o modelo para cidade de Estocolmo, e assim por diante.
Como você deveria escrever num momento de crise?
Nessas horas as regras são outras, por isso nossos jornalistas, blogueiros, pseudo cientistas e cientistas fracassaram criminosamente.
Qual deveria ser seu primeiro parágrafo, talvez o mais importante nessas horas?
Tentar achar a resposta sem ler adiante, assim estarei só confirmando o que você já suspeitava, lhe validando e não ensinando.
Nessas horas a primeira frase precisa ser uma ordem, o que você quer que eu faça já, o que é importante fazer.
O segundo parágrafo é alertar o que ocorrerá se você nada fizer.
Somente no terceiro parágrafo é que eu explico por que essa ordem, injunção, regra, é a mais adequada.
E não começar com “considerando que”, “todos sabemos que estamos diante de uma enorme crise”, “introdução”, como somos cientistas geniais por acharmos algo novo.
No quarto parágrafo é que eu coloco os alertas, que os números não são confiáveis, o que cientistas chamam “tirar da reta”.
O primeiro parágrafo é sempre o que você quer que eu faça ou mude, por interesse pessoal.
Nossos jornalistas aprendem a escrever assim:
“Avião Cai na Índia, 260 Mortos.”
Agora por que isso deveria me interessar, o que eu deveria mudar.
Agora se jornalistas escrevessem “Nunca Mais Viaje Com a Air India”, descobririam por que suas profissões estão em franca decadência.
Primeiro ninguém está pensando em voar Air India, não havia nenhum brasileiro a bordo.
Segundo, não se pode sugerir algo com um único evento, queda de avião.
Talvez o problema seja da Boeing e não da Air India.
Aí, se comunicarão efetivamente.
Nesse artigo científico não fiquei sabendo o que deveria fazer até o fim.










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