POLÍTICA - Stephen Kanitz https://blog.kanitz.com.br/artigos/politica/ Blog para se Pensar Fri, 22 Aug 2025 15:22:40 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.7.5 https://blog.kanitz.com.br/wp-content/uploads/2021/06/stephenkanitz-favicon-150x150.png POLÍTICA - Stephen Kanitz https://blog.kanitz.com.br/artigos/politica/ 32 32 O Erro Fatal da Direita https://blog.kanitz.com.br/o-erro-fatal-da-direita/ https://blog.kanitz.com.br/o-erro-fatal-da-direita/#comments Fri, 22 Aug 2025 15:21:29 +0000 https://blog.kanitz.com.br/?p=30033 O que é ser de direita? Pergunte a um jovem brasileiro e ele provavelmente não saberá responder. Muitos acreditam que “ser de direita” significa apenas preocupar-se com dinheiro, enriquecer a qualquer custo, desprezar os outros e proteger a própria fortuna. Mesmo entre jovens que se identificam com a direita, quase ninguém conhece os valores históricos […]

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O que é ser de direita?

Pergunte a um jovem brasileiro e ele provavelmente não saberá responder.

Muitos acreditam que “ser de direita” significa apenas preocupar-se com dinheiro, enriquecer a qualquer custo, desprezar os outros e proteger a própria fortuna.

Mesmo entre jovens que se identificam com a direita, quase ninguém conhece os valores históricos que a sustentaram por mais de dois mil anos: cooperação humana, preocupação com a ética, lisura, reputação pessoal e o dever de deixar um legado às próximas gerações.

O problema é que a direita brasileira abandonou seu papel de defensora desses valores para se transformar em uma força quase exclusivamente de ataque à esquerda.

Por isso o resultado foi a polarização que paralisa o país até hoje.

É verdade que foi a esquerda que iniciou o embate com slogans violentos: “morte à burguesia”, “enforcar os capitalistas com a corda que eles mesmos fabricaram”, ou ataques à família, à poupança pessoal, à relação paciente-médico, e assim por diante.

Os nossos intelectuais da direita quase todos influentes no combate ao socialismo e ao progressismo dentro da Igreja.

Foi assim que a direita abandonou seu patrimônio mais valioso: o discurso da conduta humana, do não mentir, não roubar, não abandonar a família, não ser um peso na velhice, e centenas de outros princípios que organizam sociedades prósperas e coesas.

Hoje vivemos no pior dos dois mundos:

1. Uma esquerda em pânico, sem razão, que superestima a força da direita.

2. E uma direita sem voz própria, incapaz de divulgar seus verdadeiros valores e mostrar os benefícios concretos de vivê-los: prosperidade pessoal, estabilidade familiar e cooperação social entre ricos e pobres.

Em suma, a direita só terá futuro quando recuperar seu discurso afirmativo, lembrando aos brasileiros que valores conservadores não são meras tradições antiquadas, mas regras práticas já testadas de convivência, cooperação e prosperidade.

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A Volta do Antiamericanismo https://blog.kanitz.com.br/a-volta-do-antiamericanismo/ https://blog.kanitz.com.br/a-volta-do-antiamericanismo/#comments Fri, 15 Aug 2025 00:46:49 +0000 https://blog.kanitz.com.br/?p=30025 Os Estados Unidos são o país com o maior mercado consumidor logo ao nosso lado. Os americanos são um povo meio ingênuo, vivi com uma família por ano, e dois anos com meus colegas de Harvard. Não se interessam nem um pouco pelo Brasil, acham corretamente que temos pouco a oferecer além do samba. São […]

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Os Estados Unidos são o país com o maior mercado consumidor logo ao nosso lado.

Os americanos são um povo meio ingênuo, vivi com uma família por ano, e dois anos com meus colegas de Harvard. Não se interessam nem um pouco pelo Brasil, acham corretamente que temos pouco a oferecer além do samba.

São comunitaristas, do tipo que começam cooperando, acreditam num ganha-ganha para ambos os lados, jamais um soma zero como acham quem nunca negociou com eles.

Os super-ricos são de esquerda, Bill Gates, Elon Musk irão doar tudo para os pobres, algo que ninguém da esquerda brasileira pretende fazer.

Contudo o antiamericanismo no Brasil é mais do que uma opinião política: é um traço cultural, um mito nacional, um reflexo do nosso complexo de inferioridade travestido de soberania e não consequências de maus tratos ou guerras.

Cultivado por gerações de intelectuais, reforçado por militares, encenado por diplomatas e idolatrado por estudantes, esse sentimento tem custado caro ao país em termos de desenvolvimento, inserção internacional e até mesmo governança interna.

Em vez de exportar para o mercado americano como fizeram o Japão, Coreia do Sul e China, nossos economistas fizeram o contrário, pois insistem na política de substituição das importações americanas, por produtos nacionais fabricados aqui.

China, Coreia e Japão estão agora na frente, e o Brasil nunca mais conseguirá alcançar. Nesse período, estes países administrados por administradores e não por economistas criaram marcas poderosíssimas com Sony, Yamaha, Samsung, BYD, que americanos jamais permitiriam serem taxados.

Em suma, a única marca internacional que possuímos, a Varig, faliu.

Vargas usou a rivalidade entre americanos e alemães para barganhar investimentos, como a CSN. Recebeu ajuda, mas manteve um projeto nacionalista e autárquico.

Nos anos 50 a 70, a esquerda brasileira transformou os EUA no grande vilão do capitalismo internacional.

Curiosamente, mesmo durante a ditadura militar alinhada geopoliticamente aos EUA persistia um discurso nacionalista na economia e na cultura, desconfiando de multinacionais e resistindo à “entrega” de setores estratégicos.

Decretamos a “Moratória da Dívida Externa” bestamente em praça pública, assustando todos os depositantes dos bancos, em vez de ligar as 16 horas dizendo que não poderíamos pagar, e ninguém precisava ficar sabendo.

Durante os governos do PT, especialmente sob Lula e Dilma, o antiamericanismo ganhou status oficial.

O Brasil se aproximou dos BRICS, sabotou a Alca, criticou guerras americanas no Oriente Médio e buscou protagonismo no Sul Global.

Nas universidades e na cultura, o antiamericanismo é praticamente hegemônico. Livros, teses, filmes e músicas retratam os EUA como corruptores, violentos, racistas, imperialistas.

A elite cultural brasileira se define, muitas vezes, mais por aquilo que rejeita (EUA, liberalismo, capitalismo) do que por aquilo que propõe.

Enquanto isso, modelos administrativos, técnicos e educacionais americanos focados em eficiência, mérito e responsabilidade são descartados como “neoliberais” ou “coloniais”. Minha luta pró administrador nem obteve apoio das escolas de administração.

A insistência em ver os EUA como inimigo impediu o Brasil de fazer alianças estratégicas, como fizeram Coreia do Sul, Taiwan, Polônia ou Índia. Enquanto outros países usavam o capital, a tecnologia e o conhecimento americanos para se desenvolver, o Brasil preferia “resistir” e permaneceu estagnado.

Em nome da soberania, mantivemos estatais ineficientes, universidades ideologizadas e um setor público hostil à inovação.

Soberania volta às manchetes, reforçando mais 50 anos de substituição das importações, e ignorar o imenso mercado americano, bem como parcerias tecnológicas imprescindíveis pois nossas universidades nada pesquisam que seja útil para as empresas.

O Que Ganhamos com Isso?

Pouco. Um senso falso de independência, talvez. Um discurso soberano para consumo interno. Mas perdemos relevância internacional, acesso a mercados, investimentos em tecnologia e influência diplomática.

Portanto, está na hora do Brasil abandonar essa adolescência diplomática.

Os EUA não são um inimigo a ser odiado, nem um pai a ser bajulado.

São um parceiro estratégico, com o qual podemos e devemos ter relações pragmáticas, baseadas em interesses mútuos.

O antiamericanismo pode ser um excelente discurso para assembleias estudantis.

Mas é um péssimo alicerce para um projeto de país.

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A Negociação Tarifária Lula e Trump https://blog.kanitz.com.br/a-negociacao-tarifaria-lula-e-trump/ https://blog.kanitz.com.br/a-negociacao-tarifaria-lula-e-trump/#comments Thu, 07 Aug 2025 22:12:48 +0000 https://blog.kanitz.com.br/?p=30019 O consenso é que Trump é um idiota metido a sabichão, enquanto Lula, o “sábio ponderado”, vai conduzir uma negociação onde o Brasil sairá vencedor e ele, claro, reeleito. Até quando vamos continuar com essa ingenuidade suicida? Vamos aos fatos. Lula é um ex-torneiro mecânico que passou a vida negociando greves sindicais, não tratados comerciais. […]

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O consenso é que Trump é um idiota metido a sabichão, enquanto Lula, o “sábio ponderado”, vai conduzir uma negociação onde o Brasil sairá vencedor e ele, claro, reeleito.

Até quando vamos continuar com essa ingenuidade suicida?

Vamos aos fatos.

Lula é um ex-torneiro mecânico que passou a vida negociando greves sindicais, não tratados comerciais.

Nunca se profissionalizou, não fala inglês, depende de intérprete nomeado por político de estimação e achamos mesmo que ele vai “enfrentar” Trump numa mesa de negociação?

Trump, goste-se ou não, é um estrategista, escreveu “The Art of the Deal”, cercado de profissionais com décadas de experiência.

Lula tem… Janja, e um PowerPoint mal elaborado do Haddad.

Em suma, negociação é técnica, é estratégia, é timing.

Existe BATNA, ZOPA, escuta ativa, preparação. Lula acha que BATNA é marca de cigarro, e ZOPA, nome de cachorro.

Aliás ele sabe mentir, mas não sabe blefar.

Contudo sabe discursar, mas não sabe escutar. E principalmente: nunca defende o Brasil só seu partido, sua base e sua biografia.

Acham que Lula e Trump será uma luta equilibrada, com Lula esperto que é levará vantagem.

Quando participei da renegociação da dívida externa brasileira, sugeri contratar William Ury, meu colega de Harvard e coautor de “Getting to Yes”, para nos ajudar a entender a lógica dos banqueiros.

Afinal, um especialista, um aliado. “Mas ele é americano!”, berraram os nacionalistas de jaleco acadêmico. Resultado: fomos engolidos.

Pois bem. Ury é amigo de Trump. E Lula sequer leu “The Art of the Deal”. Nem ele, nem o anestesista que virou vice, nem o filósofo que virou Ministro da Fazenda.

Estamos mandando uma equipe de amadores para enfrentar profissionais. Gente que nunca negociou nada relevante na vida nem aluguel. E acreditamos que vão trazer bons acordos?

Isso não é política externa. É roteiro de comédia.

Mas a conta, como sempre, quem paga somos nós.

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O Intelectual de Uma Variável Só https://blog.kanitz.com.br/o-intelectual-de-uma-variavel-so/ https://blog.kanitz.com.br/o-intelectual-de-uma-variavel-so/#comments Fri, 18 Jul 2025 10:25:21 +0000 https://blog.kanitz.com.br/?p=30013 O Brasil é vítima de cientistas fake, que eu chamarei de “Intelectuais de Uma Variável Só”. Como aqueles que afirmam que se combate inflação como uma taxa de juros nominal de curto prazo e nada mais. Ou que o problema da nossa dívida são os bancos, que o problema do Brasil é devido a concentração […]

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O Brasil é vítima de cientistas fake, que eu chamarei de “Intelectuais de Uma Variável Só”.

Como aqueles que afirmam que se combate inflação como uma taxa de juros nominal de curto prazo e nada mais. Ou que o problema da nossa dívida são os bancos, que o problema do Brasil é devido a concentração de renda.

Para verdadeiros cientistas é obvio que o mundo é mais complexo do que isso, por isso nós sempre analisamos n variáveis.

Mas infelizmente nossos jornalistas preferem e só divulgam diagnóstico fácil.

Enquanto alguns intelectuais sérios se debruçam sobre modelos complexos que tentam captar a realidade como ela é multifacetada, imprevisível, sistêmica, outros ganham os holofotes apontando um único culpado para todos os males do mundo. Racismo. Capitalismo. Desigualdade. Patriarcado. Clima. O que for.

Devo ter sido um dos primeiros economistas a usar planilha econômica, era o Visicalc na época, e que me permitiu simular dezenas de variáveis ao mesmo tempo, vide Superestimação da Inflação, nada menos que 40 anos atrás.

Nossa inflação continua sendo superestimada porque a maioria dos economistas não sabem ler planilhas somente regressão lineares.

Mas no Brasil são os intelectuais de uma variável só que mais fazem sucesso.

Eles são adorados pela mídia, pelas redes sociais e por políticos em busca de slogans.

Eles entregam aquilo que o mundo moderno mais deseja: simplicidade com autoridade. Uma explicação única. Um vilão claro. Um remédio fácil.

Mas a realidade é outra.

Problemas sociais, econômicos e culturais são, por natureza, multicausais.

A criminalidade, por exemplo, não é “só” fruto da desigualdade, da pobreza, ou do racismo estrutural. É uma combinação complexa de fatores: colapso familiar, ausência de instituições, impunidade, incentivos distorcidos, baixa capacidade estatal, normas culturais, entre outros.

No entanto, a narrativa que aponta “um único fator explicativo” é mais sexy. Mais digerível. Mais vendável.

E assim, quem mais simplifica, mais influencia.

Os intelectuais mais responsáveis, que ponderam múltiplas variáveis, admitem incertezas, são justamente os que menos aparecem.

Contudo eles não viralizam, suas análises não cabem em tweets, suas conclusões não alimentam paixões ideológicas. E, por isso, são esquecidos, mesmo quando estão mais próximos da verdade.

 Como Resolver Esse Problema?

1. Expor os custos da simplicidade: Toda simplificação é uma mutilação. Devemos exigir de nossos intelectuais modelos com variáveis reais.

2. Criar incentivos à complexidade: Se o ambiente intelectual premia certezas e frases de efeito, teremos sempre mais ideólogos que pensadores. Precisamos recompensar quem estuda, compara, duvida.

3. Ensinar a pensar em sistemas, não em slogans: A formação educacional precisa sair do binarismo (“culpa do mercado” vs. “culpa do Estado”) e cultivar a análise sistêmica. O mundo é feito de interações não-lineares, feedbacks, termo que nunca traduzimos, e efeitos colaterais, não de causas únicas.

4. Confrontar os intelectuais-celebridade com variáveis ausentes:

Pergunte sempre: o que está faltando na equação? Qual é a variável que o guru ignora porque complica sua tese?

O verdadeiro pensador ilumina. O pregador apenas inflama.

Enquanto celebramos quem grita certezas, talvez estejamos ignorando quem sussurra verdades incômodas, mas reais.

A história tem sido cruel com os intelectuais de uma variável só. Seus diagnósticos podem até conquistar o presente, mas quase sempre afundam o futuro.

Talvez esteja na hora de pararmos de premiar quem tem respostas simples e voltarmos a ouvir quem tem perguntas sérias.

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As Portas se Fecham para nós Brasileiros https://blog.kanitz.com.br/as-portas-se-fecham-para-nos-brasileiros/ https://blog.kanitz.com.br/as-portas-se-fecham-para-nos-brasileiros/#comments Fri, 06 Jun 2025 15:35:36 +0000 https://blog.kanitz.com.br/?p=29983 Quem teve juízo já foi embora. Quem ficou, ficará para sempre. Os últimos a saírem ainda conseguiram um visto italiano, português, americano. Os que zombaram da política, que votaram “no que fala pouco”, agora vão entender o preço da omissão. No Brasil do futuro, que já começou, você somente obedecerá. Obedecerá calado. Entretanto, pagará impostos […]

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Quem teve juízo já foi embora.

Quem ficou, ficará para sempre.

Os últimos a saírem ainda conseguiram um visto italiano, português, americano. Os que zombaram da política, que votaram “no que fala pouco”, agora vão entender o preço da omissão.

No Brasil do futuro, que já começou, você somente obedecerá.

Obedecerá calado.

Entretanto, pagará impostos cada vez mais pesados, aceitará uma saúde pública em colapso, verá seus filhos estudarem em escolas sucateadas. E ainda agradecerá, pois reclamar será crime.

Desde o fim do regime militar, único período de crescimento sustentado, nossa renda per capita foi cortada pela metade, pois o dado é escondido pelo IBGE, abafado pela imprensa.

Caímos do 40º onde hoje está a Grécia, para o 81º lugar no ranking global de renda.

Sim, caímos, mas acreditamos todo este tempo estar subindo.

Em suma, foram 40 anos de doutrinação.

Nossos jornalistas, intelectuais e professores venceram: conseguiram fazer o país regredir em nome de justiça social, contudo uma justiça que só distribui miséria.

Como ex-professor universitário, afirmo: nunca ouvi na USP uma conversa séria sobre crescimento. Só sobre distribuição.

Nunca discutimos eficiência. Só aumento de gastos.

Nunca produtividade. Só aumento de salários do funcionalismo.

Agora, quando o Brasil se tornar verdadeiramente inviável, Flórida e Portugal não estarão com os braços abertos para nos receber. Estarão com os portões trancados. E com razão.

A esperança de que Tarcísio, Caiado ou Ratinho, poderão mudar tudo isso sozinhos, é uma ingenuidade atroz.

Como se trocar o piloto mudasse o avião em queda.

A verdade é amarga: 1,5 milhão de brasileiros irresponsáveis, somados aos 12 milhões que anularam o voto, colocaram no poder um condenado em três instâncias. Mesmo que a primeira instância fosse falha, a segunda e a terceira confirmaram e isso ainda não foi contestado.

Prepare-se. O Brasil caminha para mais 50 anos de estagnação, comandado por políticos e economistas que vivem do que você produz, sem entregar nada em troca.

Mas ainda há tempo para reagir.

Comece se educando, politicamente e economicamente.

Exija reformas, desmascare as mentiras, confronte o discurso único.

Ensine seus filhos a pensar, e não a repetir slogans.

Denuncie o populismo, o aparelhamento, a corrupção sistêmica. Vote com coragem, com lucidez, com memória.

O futuro do Brasil não será diferente enquanto os brasileiros forem os mesmos. Mude. Agora.

Ou se conforme em assistir o país definhar, por sua culpa.

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A Gerontocracia e a Encruzilhada dos Jovens de Hoje https://blog.kanitz.com.br/a-gerontocracia-e-a-encruzilhada-dos-jovens-de-hoje/ https://blog.kanitz.com.br/a-gerontocracia-e-a-encruzilhada-dos-jovens-de-hoje/#comments Sun, 30 Mar 2025 13:21:55 +0000 https://blog.kanitz.com.br/?p=29911 O conflito geracional nunca esteve tão acirrado quanto hoje. As gerações Z e Y, chamadas de “preguiçosas” ou “ingratas”, olham para os Baby Boomers e enxergam mais que uma simples diferença de valores: um legado de promessas quebradas e um mundo em “ruínas”. Se antes as disputas eram entre esquerda e direita, agora o verdadeiro […]

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O conflito geracional nunca esteve tão acirrado quanto hoje.

As gerações Z e Y, chamadas de “preguiçosas” ou “ingratas”, olham para os Baby Boomers e enxergam mais que uma simples diferença de valores: um legado de promessas quebradas e um mundo em “ruínas”.

Se antes as disputas eram entre esquerda e direita, agora o verdadeiro embate parece ser geracional.

Os Baby Boomers viveram um período de crescimento econômico, com acesso à educação e a ilusão de progresso infinito. Exploração de recursos parecia inesgotável, e o impacto ambiental era ignorado.

Mas, em vez de usarem sua posição privilegiada para criar um futuro sustentável, consolidaram estruturas que priorizaram lucros a curto prazo e perpetuaram sistemas com políticos obsoletos.

Os piores governam, não saem mais. Criaram a “ditadura dos partidos”.

A encruzilhada dos jovens:

Hoje, o mercado de trabalho é precário, a educação não garante dignidade, habitação virou luxo, e as mudanças climáticas ameaçam o futuro.

Pior, decisões seguem nas mãos de líderes de uma geração que insiste em manter o controle. A gerontocracia — domínio dos mais velhos — paralisa as mudanças que os jovens clamam.

O custo da estagnação:

Nos parlamentos, conselhos e corporações, Boomers ainda dominam. Governam um mundo que não compreendem e ignoram uma sociedade digital, globalizada e em crise climática.

Enquanto isso, jovens pagam a conta de escolhas irresponsáveis.

O real inimigo:

O problema não é odiar indivíduos, mas reconhecer o impacto estrutural de uma geração que falhou em preparar o terreno para a próxima.

A gerontocracia resiste ao progresso enquanto perpetua modelos econômicos e sociais insustentáveis.

O que fazer?

Os jovens precisam ocupar espaços de poder, substituir a gerontocracia por uma meritocracia geracional e moldar o futuro que viverão.

Boomers que desejam um legado positivo devem apoiar como mentores, não líderes. A encruzilhada não é esquerda ou direita, mas submissão ou transformação. E essa transformação exige o fim do domínio de uma geração que falhou em cuidar do amanhã.

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Governo como um Balcão de Negócios https://blog.kanitz.com.br/governo-como-um-balcao-de-negocios/ https://blog.kanitz.com.br/governo-como-um-balcao-de-negocios/#respond Wed, 13 Nov 2024 20:52:55 +0000 https://blog.kanitz.com.br/?p=29855 Governo como um Balcão de Negócios Existem dois tipos de governos. No primeiro, políticos e pessoas sem formação técnica são nomeados para cargos de ministro e secretário. Esses ocupantes, muitas vezes, conhecem pouco sobre as áreas que lideram e raramente apresentam propostas significativas de melhoria para seus setores específicos. Uma vez empossados, esses ministros e […]

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Governo como um Balcão de Negócios

Existem dois tipos de governos.

No primeiro, políticos e pessoas sem formação técnica são nomeados para cargos de ministro e secretário. Esses ocupantes, muitas vezes, conhecem pouco sobre as áreas que lideram e raramente apresentam propostas significativas de melhoria para seus setores específicos.

Uma vez empossados, esses ministros e secretários passam a receber incontáveis parlamentares, que trazem as demandas de seus eleitores, ou empresários de diversos setores, como saúde, educação, agricultura e indústria.

Para esses ministros, em sua maioria professores universitários, a função parece ser simplesmente ouvir todas as partes e, com a ajuda de assessores, apresentar uma solução.

Eles acreditam que sua inteligência basta para compreender qualquer problema, e que isso é suficiente para o sucesso.

Esses governos se consideram atentos às demandas populares e chamam isso de democracia.

Por outro lado, há governos que se dedicam ao estudo dos grandes problemas do país anos antes de serem eleitos.

Durante as campanhas eleitorais, eles apontam a gravidade de certas questões e expõem como pretendem solucioná-las, estabelecendo uma ordem de prioridades.

Esses governos atuam de forma proativa, abordando os causadores dos problemas em Brasília ou buscando-os ativamente.

Certa vez, tive uma intensa discussão com um ministro do Planejamento exatamente sobre essa questão.

Eu havia proposto uma solução “ganha-ganha” para a então Crise da Dívida Externa, uma proposta que foi considerada pelo FMI como uma das 20 melhores e que recebeu destaque em um editorial da revista Euromoney.

Diversos banqueiros demonstraram interesse em conhecer os detalhes da solução, e, na condição de secretário do Planejamento, agendei 40 reuniões com banqueiros, fundos de pensão e atuários em Washington e Nova York.

O objetivo da viagem, que fiz acompanhado do ministro, era resolver a questão.

Ao chegarmos à Embaixada Brasileira, o embaixador nos apresentou uma lista de 40 banqueiros e outros interessados no Brasil que desejavam conversar com o ministro.

Não conhecíamos essas pessoas, nem sabíamos se seus interesses eram prioritários, mas, para o Itamaraty, era uma prática padrão atender a essas demandas.

O ministro quis repassar 20 dessas reuniões para mim, sem ele mesmo ter marcado qualquer compromisso além de uma reunião com o secretário do Tesouro.

Recusei-me a cancelar reuniões estratégicas que eu havia planejado para atender a reuniões desconhecidas, o que gerou um grande conflito entre nós.

Essas experiências moldaram minha péssima opinião sobre economistas.

Um governo não deve ser clientelista; deve ser proativo e ativista.

É o governo quem precisa determinar os interlocutores certos para resolver problemas.

Por isso, em vez de ficar parado na embaixada, empenhei-me em convencer advogados, representantes do Banco Mundial, contadores, agências de classificação de risco como a Moody’s, entre outros.

Enquanto isso, o ministro, um economista, limitava-se a receber pessoas desconhecidas sem critérios definidos.

Esse é o problema de um governo que age como um balcão de negócios, sem uma visão estratégica.

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O Ódio da Esquerda Americana Contra Trump https://blog.kanitz.com.br/o-odio-da-esquerda-americana-contra-trump/ https://blog.kanitz.com.br/o-odio-da-esquerda-americana-contra-trump/#comments Wed, 13 Nov 2024 20:46:59 +0000 https://blog.kanitz.com.br/?p=29847 O Ódio da Esquerda Americana Contra Trump Nunca um candidato foi tão perseguido, processado, difamado e injuriado como o empresário Donald Trump. Tentaram matá-lo duas vezes, assim como tentaram matar Bolsonaro e Carlos Lacerda no Brasil. A imprensa espalha que ele precisa ser eliminado a todo custo, que ele é uma ameaça à democracia, quando […]

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O Ódio da Esquerda Americana Contra Trump

Nunca um candidato foi tão perseguido, processado, difamado e injuriado como o empresário Donald Trump.

Tentaram matá-lo duas vezes, assim como tentaram matar Bolsonaro e Carlos Lacerda no Brasil.

A imprensa espalha que ele precisa ser eliminado a todo custo, que ele é uma ameaça à democracia, quando nada poderia ser mais mentiroso.

Trump foi um dos únicos a escrever um livro muito antes de se candidatar, sobre como ele iria governar e impedir o caos futuro dos Estados Unidos, que seria um governo fantoche de Kamala.

É assustador o número de democratas e brasileiros que não sabem que não será ela quem governará, assim como não teria sido Biden. Quem será? Vocês estão comprando dólares por quê?

O livro de Donald Trump, Great Again, apresenta suas opiniões sobre uma série de questões que afetam os Estados Unidos, incluindo economia, imigração, segurança nacional e política externa.

Quem é formado em Administração perceberá que a maioria das medidas de Trump se enquadram na categoria “volta ao básico”, “fazer o que já fazíamos quando éramos grandes”, nada revolucionário, pelo contrário.

Já escrevi isso dezenas de vezes: a maioria dos nossos 450 problemas não resolvidos são consequências de opções equivocadas que tomamos há 50 anos, e não problemas novos e pontuais.

O livro apresenta as críticas de Trump ao sistema político americano com muitos argumentos de “volta ao básico”, focando em princípios como fronteiras fortes, trazer indústrias americanas de volta, reinvestir (de volta) dividendos, reempregar negros e pobres desempregados por imigrantes ilegais.

  1. Revitalização Econômica
  • Ele propõe renegociar acordos comerciais (como o NAFTA) para proteger os empregos americanos e enfatiza a redução da terceirização.
  • Reformas tributárias (como a redução de impostos corporativos) ajudarão a trazer empregos de volta.
  1. Reforma da Imigração
  • Trump propõe garantir novamente as fronteiras, com uma política direta que prioriza a segurança e os empregos dos cidadãos americanos.
  • Trump defende um retorno à responsabilidade governamental e à redução da burocracia.

Ele propõe limites de mandato para membros do Congresso, para evitar que “políticos de carreira” acumulem poder, e defende transparência nos gastos do governo.

Ele sugere medidas como permitir que seguradoras atuem entre estados e aumentar a concorrência para reduzir os custos de saúde.

  1. Reforma Educacional
  • Trump sugere um retorno ao controle local da educação, em vez da supervisão federal. Ele critica o Common Core e defende mais poder para estados e comunidades na definição de políticas educacionais.
  • Ele propõe empoderar os pais com a possibilidade de escolha de escolas, defendendo programas de vouchers e escolas charter para promover a concorrência e a qualidade.

Ele é um planejador urbano e, portanto, comunitarista, mais ou menos como os Estados Unidos eram 200 anos atrás, antes do crescimento estrondoso do Estado e do Deep State, como ocorre também aqui no Brasil.

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O Que É Ser de Direita no Brasil https://blog.kanitz.com.br/o-que-e-ser-de-direita-no-brasil/ https://blog.kanitz.com.br/o-que-e-ser-de-direita-no-brasil/#comments Wed, 13 Nov 2024 20:28:55 +0000 https://blog.kanitz.com.br/?p=29832 O Que É Ser de Direita no Brasil Nos últimos anos, uma questão tem emergido com força no debate político brasileiro: o que significa, de fato, ser de Direita? Embora muitos celebrem as vitórias eleitorais recentes como uma “derrota da Esquerda”, uma análise mais profunda revela que ainda existe uma ampla confusão entre os eleitores […]

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O Que É Ser de Direita no Brasil

Nos últimos anos, uma questão tem emergido com força no debate político brasileiro: o que significa, de fato, ser de Direita?

Embora muitos celebrem as vitórias eleitorais recentes como uma “derrota da Esquerda”, uma análise mais profunda revela que ainda existe uma ampla confusão entre os eleitores sobre o que constitui a identidade da Direita.

Mais de 50% ficaram satisfeitos com os resultados das eleições em São Paulo e na maioria das capitais simplesmente porque “vencemos a Esquerda”.

Essa confusão revela algo mais profundo: a educação política brasileira raramente aborda de maneira clara os princípios que sustentam uma ideologia de Direita.

No ensino formal, o foco majoritário é em conceitos de Esquerda, enquanto as ideias de Direita geralmente aparecem sob estigmas e estereótipos, como “fascismo”, “ganância” e “defesa do status quo”.

Essa lacuna não é apenas institucional. No Brasil, faltam também figuras de destaque que possam ser consideradas verdadeiros “gurus” da Direita, no sentido de articularem e discutirem os dilemas e desafios enfrentados pela corrente conservadora em um mundo moderno.

Personalidades como Olavo de Carvalho, embora influentes, concentraram-se mais em textos anti esquerda do que na construção teórica sobre a Direita.

Enquanto isso, a Esquerda discute continuamente seus ideais; tanto que uma das principais think tanks do Brasil é a Fundação Perseu Abramo, ligada ao PT.

Há cerca de 20 anos, me pediram para expor minha tese sobre “Produtos para Classe C e D: Uma Nova Política Econômica”, mas nenhum think tank liberal ou de Direita demonstrou interesse em ouvir.

Se Nunes, Tarcísio e os demais líderes eleitos não conseguirem fazer o país crescer 4% ao ano, uma esquerda mais radical certamente voltará ao poder.

O que se viu nas últimas décadas foi um padrão em que eleitores optaram por nomes como Fernando Henrique Cardoso, Fernando Collor e Jair Bolsonaro não por convicções genuinamente direitistas, mas como uma tentativa de conter o avanço da Esquerda.

Mesmo hoje, a maioria dos brasileiros teria dificuldade em listar vinte e cinco características que definam uma pessoa de Direita. Ser contra o aborto, por exemplo, não é necessariamente uma demanda da Direita, mas muitas vezes uma posição religiosa ou cristã incorporada.

Eu não me atrevo a escrever esses 25 conceitos porque não quero ser taxado como louco, como foi Olavo de Carvalho, mas precisamos urgentemente de um documento claro e preciso, assinado a muitas mãos. Portanto, mexam-se, se não quiserem Boulos e Lula em 2026.

É preciso um entendimento mais claro e aprofundado sobre o que significa ser de Direita, para que essa corrente ideológica ganhe identidade própria e autonomia.

A eleição de Tarcísio de Freitas e Ricardo Nunes representa, de fato, um afastamento temporário da Esquerda, mas isso só se sustentará se esses líderes abordarem os problemas acumulados e apresentarem resultados tangíveis.

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