E se a Economia Não Decolar? E aí?

Eduardo, Flávio e Carlos Bolsonaro, por favor, prestem atenção.

Essa visão generalizada de que a economia vai decolar com a volta da confiança, após a reforma da previdência, poderá não ocorrer.

Como também acreditavam em 2017, Michel Temer e Henrique Meirelles, achando que se elegeriam com a esperada retomada do crescimento que não ocorreu em 2018, como previ pessoalmente.

Hoje, a economia já deveria estar bombando, afinal esperamos 24 anos pelo fim do socialismo nacionalista PSDB e PT, e isso já ocorreu, mas a economia está travada.

Portanto, tem algo mais em jogo.

Metade das 500 maiores empresas usou seu capital de giro próprio nesses últimos cinco anos para sobreviver.

É uma autofagia, mas não há outra saída.

Vou desenhar para deixar bem claro a importância do capital de giro próprio.

Se uma empresa, como a Volks, voltar a fazer um pedido de R$ 6.000.000,00 de autopeças, a uma metalúrgica sua fornecedora antiga, terá uma surpresa.

A metalúrgica não tem mais os R$ 2.000.000,00 de capital de giro próprio que precisaria para comprar a matéria prima para “girar” sua capacidade ociosa, nesse volume.

“Lamentamos, depois que vocês deixaram de comprar em 2016, usamos boa parte dos R$ 2.000.000,00 do nosso capital de giro para despedir pessoal e sobreviver.”

“Hoje sobraram somente R$ 500.000,00 e que só dá para atender 10% de seu pedido.”

Se crescermos será pouco, atentem a isso, por falta de capital de giro.

Pelos meus cálculos faltam R$ 168 bilhões de capital de giro, para fazer esse país andar.

Empresas americanas trabalham com 20 vezes mais capital de giro do que as empresas brasileiras possuem hoje.

Esse problema é gravíssimo.

Ficou claro?

O que fazer?

1. Bancos brasileiros não emprestam para financiar matéria prima porque o risco é maior, e não serve como garantia. Criem um programa para isso via Banco do Brasil e BNDES.

2. Governos passados exigiram que empresas pagassem seus impostos mesmo antes de receberem de seus clientes. Isso impede que os próprios fornecedores de matéria prima resolvam o problema. Adotem a proposta da Triplicata, onde o prazo de pagamento do imposto é igual ao prazo de pagamento da Duplicata, e o ônus é do cliente e não do produtor.

3. Aumentem seletivamente o Prazo de Crédito do IPI para 30 dias, injetando capital de giro para toda a economia, sem necessidade de Bancos.

4. Captem a juros de mercado via Tesouro, e repassem sem spread para as pequenas e médias empresas, com prazos ainda mais generosos de IPI, a custo mais barato.

5. Aumentem os prazos de outros impostos, seletivamente por setor, por estado, por empresas de matéria prima, maximizando os poucos recursos que o governo tem.

6. Fim da Substituição Tributária, que é inconstitucional, é antecipação ou prazo negativo, antes do fato gerador.

7. Combate a monopolistas, como a AmBev, que extorquem CGP de seus fornecedores.

8. Com a economia crescendo, agora sim, poderemos introduzir uma política de aumentos progressivos de prazos, até 120 dias, ou até 360 dias eliminando o IR na fonte que é outra antecipação absurda.

9. Percebam Eduardo, Flávio e Carlos, que assim estaremos resolvendo outro grande problema que a constante antecipação de impostos de Ministros da Economia passados gerou. Nós devolveremos a previsibilidade orçamentária, vocês poderão ter um fluxo de caixa de 120 a 360 dias totalmente previsível, independente dos humores futuros da economia.

Eduardo consulte Steve Bannon, que foi meu colega de Harvard, que ele lhe dirá a mesma coisa.

Percebam que vocês não têm um único assessor formado em Administração no seu núcleo duro, para lhes explicarem como a nossa economia realmente funciona.

Eu tenho todos os dados, setor por setor, posso até identificar empresa por empresa, entre as 500 maiores, mas vocês têm dados de todas as empresas e não os usam.

Espero ter colocado pelo menos uma pulga na orelha, porque de fato a economia não está mexendo, como venho lhes alertando.

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12 Comments on E se a Economia Não Decolar? E aí?

  1. Ouvi de um diretor financeiro do Itaú que nosso modelo sempre foi empresário forte/empresa fraca. A empresa pede um empréstimo, o financeiro do banco oscila e o gerente esclarece: “mas tem o aval dos diretores”. Se só capital resolvesse, Guido Mantega teria feito a economia disparar, com os 570 bilhões que torrou nas empresas. Quem quer, faz capital de giro, sem precisar de dinheiro público barato (a solução de sempre). Você próprio cita um exemplo de quem consegue, a Ambev, a quem o sr. quem punir com intervenção estatal.

  2. Stephan, algumas dúvidas:

    No ponto 1, de onde virão os fundos, já que o Estado está quebrado? E como evitar o desastre político de escolher os novos amigos do rei em exercício?

    No ponto 2, dado o perfil da dívida pública brasileira, a ansiedade por disponibilidade de caixa no governo é enorme. Dilação de prazo para recolhimento do tributo não é algo que sequer cogitem. Como conseguir implementar essa proposta sem causar distúrbios severos no caixa público?

    No ponto 3 confesso minha ignorância. Como a extensão de prazo seletiva no IPI causaria injeção de capital de giro na economia?

    No ponto 4, como fazer para cobrir os buracos que irão ocorrer quando algumas da empresas destinatárias desses créditos falirem? O governo vai rolar a dívida, como sempre fez? E, como no ponto 1, como evitar o desastre político de escolher os novos amigos do rei em exercício?

  3. Concordo com o Ricardo. Vimos recentemente o quão bem um governo sabe investir. Não cairemos nesta novamente. Ainda sobre o item 4, gostaria que o professor dissertasse sobre o quão conveniente é emitir dívida diante da insana liquidez do mercado mundial, forjada a juros negativos e dinheiro farto.

  4. Ótimos conselhos Stephen. Mas acho muita ingenuidade do blog achar q a família Bolsonaro tem o mínimo interesse em fazer algo de bom para o país. Chamá-los de asnos é uma afronta a parte da familia Equidae.

  5. Olá Kanitz
    O Brasil exporta o petróleo pesado por US$ 50 o o barril e importa a US$ 65, o governo poderia aumentar o Imposto de Exportação para cobrar esta diferença que a Petrobrás está dando para os outros países que sabem destilar o petróleo pessado.
    O Brasil exporta mais US$ 800 milhões de madeira das nossas florestas, estamos exportando desmatamento para os países compradores, os mesmos que reclamam que tem muito desmatamento na Amazônia. Era só taxar em 200% de Imposto sobre exportação para acabar com o desmatamento. Duas propostas que ajudariam a receita do governo para atender o caixa durante a implantação das suas propostas.

  6. O Brasil precisa de propostas simples, exequíveis, mensuráveis e auditáveis. Chega de tanto plano cheio de análises micro e macro econômicas, com palavreado acadêmico, cujo resultado é de difícil execução, demorado e pouco representativo. Temos que obter mais produtividade, mas só com simplificação e gestão conseguiremos.

  7. Estou falando tudo isso aí para os Bolsominios desde o começo do ano, porque nós que somos da linha PME não tem capital de giro e nem os bancos querem emprestar, só com juros muito elevado que se torna inviável, mas é mesmo que falar com umas mulas! Já afirmei para vários que a reforma da previdência é para resolver parte do problema dos estados, municípios e União, nada além disso. Vai ajudar muito pouca coisa para o mercado em geral, portanto se não o você está falando, realmente vamos continuar no buraco.

  8. Professor, sugiro fazer o mesmo texto e endereçar ao Min. Paulo Guedes. O Carlos, o Eduardo e o Flávio estão tão cegos focados com guerra ideológica que não vão ler isso. E se lerem, não vão entender como é importante….

  9. Este é mais um dos teus artigos que devemos guardar e tornar leitura diária, professor.

  10. Item 1 e 4 são muito problemáticos. Provavelmente calotes em série resultariam disso e favorecimentos a “amigos do Rei” como no tempo das “campeãs nacionais” fabricadas pela irresponsabilidade de Dilma.

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