Entenda a Independência do Banco Central

 

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Em Dezembro, o Congresso irá votar um projeto que poderá dar independência total ao Banco Central por 6 anos, mais 6 com renovação.

Um atentado à Democracia Brasileira porque você vota para mudar o Governo, mas os indicados para o Banco Central ficam.

E neste caso, quem está propondo são justamente os neoliberais. Aqueles que supostamente defendem a liberdade do cidadão.

Imaginem se todos os demais Ministérios pedissem este privilégio, “para podermos executar nossas missões sem interferência política“, que é o argumento usado pelos proponentes do Banco Central independente.

Ora, sabemos que todos sofrem interferências políticas, e onde fica Kant, a generalização das regras éticas como teste de justiça na escolha? Por que o setor bancário é mais importante do que Educação?

Por que não se mantêm o Ministro da Educação por 6 anos com renovação?

Se esta regra de intervenção política serve para um órgão do Governo, porque não serviria para todos?

Para entender a “agenda oculta” deste golpe na Democracia, entenda o que é um de fato um Banco Central, do ponto de vista da Ciência da Administração.

Todos os setores produtivos, comércio, indústria, serviços, trabalham com capital próprio e capital de terceiros.

Quem acompanhou minhas pesquisas em Melhores e Maiores por 25 anos, percebeu como eu me preocupava com a alavancagem financeira das nossas empresas, que é a relação capital de terceiros sobre capital próprio.

O usual em qualquer empresa ou família é ter pouca alavancagem financeira, entre 0,50 e até no máximo 2. Ou seja, você tem 100.000 de reservas e se endivida mais 50.000 ou no máximo 200.000, além disto é perigoso para a sustentabilidade a longo prazo da empresa.

Falências normalmente ocorrem justamente quando empresas se “alavancam” demais.

Como fez Eike Batista com a total aprovação do seu Conselho de Administração, a maioria dos quais tenho certeza nunca analisou com profundidade os benchmarks de Melhores e Maiores.1

Acontece que existe um único setor da Economia que está totalmente fora da curva. É o setor bancário privado e estatal.

Ele possui uma alavancagem indecente, irresponsável ao extremo, acima de 30 vezes os recursos próprios, os recursos aportados pelos capitalistas.

A alavancagem do setor bancário  não está entre 0,5 e 2, e sim entre 12 e 100, este último número nos Estados Unidos, ( por sinal a verdadeira razão escondida pelos defensores de um Banco Central independente, da crise de 2008).

Vejam o gráfico deste artigo.

Isto permite ao setor Bancário ser 100 vezes mais poderoso do que os outros setores da economia, ofuscando todos os demais, dominando os demais. Isto permite os capitalistas do setor bancário exercerem 100 vezes mais poder do que os capitalistas que produzem bens e serviços a nação.

Por isto tantos leigos confundem capitalismo com o setor bancário, criando movimentos como Occupy Wall Street quando deveriam estar lutando para coibir esta alavancagem indecente e irresponsável do setor bancário.

É este poder dos bancos, tão fácil de corrigir, que deveria ser a luta correta dos Marxistas do mundo.

A luta dos Republicamos, por incrível que pareça, que são contra o “Fractional Banking”. Ron Paul on CNBC: End The Fed & Consider Outlawing Fractional …

A crise de 2008 não tem nada a ver com subprime, como acredita Stiglitz e Krugman, minha gente, e sim com esta irresponsável alavancagem de um único setor da Economia.

A pergunta que todo intelectual de esquerda deveria fazer é como então este único setor conseguiu sobreviver às crises financeiras apesar desta flagrante imprudência financeira?

Graças à intervenção do Estado na economia. Isto mesmo, graças a criação do Banco Central, o Banco que salva os Bancos. 

Ou seja, governos que possuem um Banco Central são tão irresponsáveis quanto. Países que querem dar independência aos Bancos Centrais estão delirando.

Banqueiros e seus economistas que lhes ajudam a ganhar nas arbitragens financeiras, convenceram o Estado, em nome do bem público, a criarem os Bancos Centrais.

John Maynard Keynes, foi mais longe e criou o Fundo Monetário Internacional. O Banco que salva os Bancos Centrais, quando até estes não aguentam o tranco desta alavancagem de 12 a 100 x.

Os Bancos Centrais passaram a dar guarida e proteção aos Bancos Privados e Públicos, para que este pudessem operar com alavancagem descomunal, e ganhar 12 a 100 vezes mais do que se fossem somente uma vez alavancados.

É o  Estado e seus Bancos Centrais que permitem bancos a terem os lucros colossais que têm.

Isto nunca foi ideologia capitalista. O capitalismo é contra a intervenção do estado para privilegiar um único setor. (Poderia ser a favor todos terem o mesmo nível de proteção, mas nunca o fornecedor do capitalismo em termos de grana.)

Tanto que os Republicanos sempre foram a favor em deixar os Bancos quebrarem, e são os economistas Democratas que são a favor desta proteção a um setor imprudente.

Diz o nosso economista Belluzzo, que é keynesiano e identificado com os Democratas.

“O Banco Central é um órgão de Estado que não dever ser capturado nem pelo governo nem pelos interesses privados”.

Esquece Belluzzo que nenhum órgão de governo dever ser capturado pelo partido eleito, e o Banco Central foi criado especificamente para atender os interesses de alavancagem descomunal do setor bancário.

No fundo Beluzzo está defendendo o corporativismo de classe, a aliança mais abertamente conhecida entre ex Ministros da Fazenda e Presidentes do Banco Central e os milionários cargos para que são convidados depois. Não na Indústria e Comércio, modestamente alavancados.

E pior, capitalistas bancários não investem em máquinas, equipamentos, processos e software para aumentar a produtividade.

Eles investem em derivativos, subprimes, financiam governo, com poder de fogo 12 a 100 vezes mais.

Se você é anticapitalista, concentre o seu fogo revolucionário para reduzir a alavancagem irresponsável dos Bancos, votando contra a independência do Banco Central ou pelo menos reduzindo seu poder absurdo 40 vezes maior que o livre mercado permitiria.

Você que é Engenheiro, Advogado, Comerciante, Industrial ou Prestador de Serviços, e sente na pele o poder dos bancos e acha que este poder é excessivo, pense e distribua este artigo.

Você tem que lutar para que seu deputado federal vote contra a Independência do Banco Central no mês que vem.

Só assim podemos tirar o Capitalismo Alavancado 100 vezes da mão dos especuladores, dos financistas, dos derivativistas, e colocar o Capitalismo Com Recursos Próprios e Comedido de volta na mão dos engenheiros, dos inovadores, dos empreendedores, dos inventores, dos pequenos empresários e dos detentores do micro crédito.

 

1. Um aparte pessoal. Um dos argumentos que convenceu Roberto Civita a lançar Melhores e Maiores pela Revista Exame foi um gráfico que  apresentei em 1974, mostrando que a Editora Abril estava tímida demais em sua alavancagem financeira, comparada com o Estado de São Paulo e a Folha, e sendo assim ficaria para trás.

Ele saiu da sala e foi direto para a sala de Richard Civita, o Diretor Financeiro, mostrar o gráfico. Imaginem por quê.

Ganhei um aliado e um inimigo naquele dia. 

 

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