E Se a Renda Fosse “Perfeitamente” Distribuída?

Hoje a renda é ganha com suor e lágrimas.

 

Hoje a grande bandeira perseguida por mais de 200.000 economistas, desde Krugman até Piketty, desde Celso Furtado até Suplicy , é o sonho da “renda bem distribuída”.

Hoje, de fato, a renda não é distribuída.

Hoje a renda é “merecida” e ganha com suor e lágrimas.

O que impera não são os “direitos universais” desses economistas, mas sim a Meritocracia.

Numa Meritocracia os melhores médicos recebem de fato fortunas, tipo R$ 2.200,00 por consulta, e os piores médicos recebem somente R$ 22,00.

Os melhores médicos de fato recebem 100 vezes mais do que os médicos mais “pobres” de conhecimento médico, o que gera um índice de Gini próximo de 1.00, um horror.

O mesmo ocorre com os melhores arquitetos, advogados, cozinheiros, economistas, engenheiros e assim por diante.

O que esses 200.000 economistas justiceiros não contam, é que normalmente os melhores advogados consultam os melhores arquitetos, engenheiros e médicos, e vice-versa.

Os segundos melhores advogados consultam os segundos melhores médicos, e assim por diante.

Para a direita um mundo injusto seria aquele que não fosse assim.

Onde, por exemplo, o pior Presidente da República do Brasil tivesse de graça o melhor médico desse país, graça à uma “política econômica redistributiva” calhorda e injusta.

Agora vem a parte que esses economistas de esquerda escondem dos jornalistas, do leitor, do povo enfim.

Embora cada um dos “melhores” está cobrando uma fortuna do outro, na realidade eles simplesmente estão trocando uma hora de trabalho entre si, o elevado valor não importa.

O advogado que cobra R$ 22,00 a hora, e que será atendido pelo médico que cobra R$ 22,00, no fundo também está trocando uma hora de trabalho com o outro.

A renda já é perfeitamente bem distribuída nesse sentido, cada um de nós está trocando suas horas de trabalho.

Qual é o problema nisso, pergunto a vocês 200.000 economistas justiceiros?

O dia que em vocês conseguirem “distribuir” a renda do mundo, tirando dos ricos, um mundo onde todos ganharão uma renda “média” igual onde todo médico, arquiteto, advogado, ganhariam os mesmíssimos R$ 220,00 por hora que vocês sonháticos acham justo, eu vou dizer o que vai acontecer.

Vocês economistas não vão ter os melhores médicos, advogados e arquitetos que estão imaginando que irão ter.

Os melhores médicos vão continuar atendendo os melhores arquitetos e advogados, cada um cobrando R$ 220,00 a consulta e vice-versa.

Eles continuarão a fazer o que sempre fizeram, trocar horas de trabalhos entre si.

Se Eduardo Suplicy quiser pagar agora R$ 220,00 pelo melhor médico de câncer do Brasil ele vai descobrir que o “Dr. está compromissado até 2032, e não poderá fazer uma exceção.”

Num mundo justo os Eduardo Suplicys terão os médicos à altura de suas inteligências, nem mais nem menos.

De alguma maneira, como ocorre em todos os países que o Socialismo foi implantado, os melhores políticos foram atendidos pelos melhores médicos, como antes, e assim por diante.

Acho incrível que 200.000 intelectuais não entendam nem consigam extrapolar a realidade.

 

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6 Comments on E Se a Renda Fosse “Perfeitamente” Distribuída?

  1. Considerar nossa renda e economias por horas-trabalho é a melhor foram de ilustrar tudo. Gosto de fazer esse comparação quando falo de finanças pessoais. Quando guardo parte do meu salário, estou guardando algumas das horas de trabalho que suei para conquistar. Até que um dia, essas horas de trabalho possam ter rendido o suficiente para trabalharem pra mim e me permitir mais tempo livre.

  2. Concordo com suas ideias em parte. A lei do movimento é para todas as pessoas. Como diz a lenda cobra que não anda, não engole sapo. Andar é se atualizar aprendendo sempre, fazendo o trabalho bem feito procurando sempre melhorar, seja médico, advogado ou cozinheiro. Mas a estrutura economia contém alguns vícios que criaram impasses no mundo atual superpovoado, globalizado, automatizado, com diferentes tratamentos para contratar mão de obra, tributarias, e cambiais e nos juros. Acresce ainda a incompetência dos estadistas e a má fé na gestão do dinheiro público. Isso tudo complicou e esses 200 mil criaram um clima de os coitados prejudicados precisam da assistência do Estado. Sou adepto que todos precisam ter a oportunidade de se preparar, trabalhar de forma eficiente, e ter uma forma de vida condigna, como a grande distribuição igualitária.

  3. Smith,
    Sim concordo em partes com você.
    Acho que você está com uma visão passiva das coisas.
    Isso tem que ser um trabalho feito em casa, de formiguinha porquê Educação se recebe em casa, na escola se adquire conhecimento via ensino se perdeu um pouco do significado da raiz da palavra aluno ( sem luz).
    O governo que foi impichado foi resultado da revolta social do período da ditadura e precisou de 20 anos das primeiras eleições (1982) pra alcançar o poder.
    Não existe regra fácil.
    Desde a ascensão do lula como líder sindical até presidente da república foram 23 anos.
    Uma grande vantagem a nova geração tem que nós não tivemos são as ferramentas que hoje se tem para interagir com pessoas pensam como eles.
    Eu tenho uma teoria o que estamos vivendo hoje é o fim do modelo econômico criado no século XX como o Estado fomentador da economia.
    Durante a eleição se discutiu uma frase do Ricardo Semler a respeito de corrupção.
    E a explosão que teve com a Educação Superior vai aumentar as pessoa que quando alcançarem seus 50 anos que trabalharão no terceiro setor da economia.
    O que precisa é a sociedade civil se organizar e colocar o Estado no seu devido lugar que ele tem por natureza se intrometer aonde a sociedade não controla.
    O Estado é o único negócio que se perpetua devido a sua incompetência.

  4. ok. Mas para uma população sair de um mero consumidor/pagador de impostos e virar um “agente econômico” requer uma boa educação, o que requer além de investimentos, uma boa organização. E com esses políticos que temos (independente de partidos), não teremos tão cedo.

  5. Kanitz,
    Não defendo a redistribuição de renda. Sou uma pessoa de centro esquerda. Me considero de centro porque em muitos pontos defendo o que você colocou no texto que os melhores devem receber mais . Exemplo é a história do pianista Arthur Moreira Lima. Ao terminar uma apresentação, um jovem chegou a ele e disse ‘adorei o concerto, daria a vida para tocar piano como você’. Ele respondeu: ‘eu dei’.
    O problema do discurso da meritocracia. Não é o melhor receber mais. É entender o porque ele é o melhor. Imaginemos que esse pianista crescesse ouvindo Arthur vai trabalhar, não sonha Arthur você não vai ser um grande pianista.
    A invenção do dinheiro como benchmarking gerou consumo. Todos somos consumidores.
    Minha distração hoje quando vou fazer compras é ver crianças de até quatro anos fazendo pais de gato e sapato. Hoje uma criança dessa idade interfere no poder de compra de uma família.
    Minha mãe me ensinou a três décadas atrás ( hiper inflação, plano cruzado) eu poderia comprar três coisas no supermercado, eu girava “30” coisas mas chegava no caixa com 3 e se eu queria algo mais caro nós buscávamos entrar em acordo ( relação ganha-ganha).
    Em discurso a meritocracia de que o melhor tem que ganhar mais é lógico.
    Hoje nós vivemos em um país que passou nos seus últimos 45 anos:
    Milagre econômico, período de hiper inflação, estabilização da moeda e crescimento econômico de novo.
    Não são economistas que irão resolver o problema. E não é a redistribuição de renda que resolverá o problema. Se todos os Brasileiros comprarem uma Ferrari, A Fiat aumentará o preço da Ferrari por uma questão de parque industrial e controle de demanda.
    O que falta aos brasileiros é entender como funciona os mecanismos da economia e administrar bem o seu dinheiro e se conhecer como um agente econômico. e entender se eu hoje sou o primeiro médico ou advogado da família irei receber meus R$22,00 no meu início de carreira mas quando for mais velho serei referência na minha área.
    Toda essa confusão que está hoje no Brasil é devido a briga pelos meios de produção, que embalou tantas pessoas no mundo a fora até um cara desconhecido chamado Karl Marx.

    Tivemos evolução, o brasileiro típico saiu de um zé ninguém e hoje se reconhece como consumidor e pagador de impostos, espero que um dia e torço para que ele se torne um agente econômico.
    Daí socialmente seremos um país de primeiro mundo e acabaremos nos tornando não só pelo um país com um PIB per capto real de mais de mais de 10 mil dólares.
    E não precisaremos de mais presídios, como falou nosso futuro ministro do STF o que poderia ter sido feito com o possível “dinheiro desviado” num vídeo que circula no youtube.
    Esse é o pensamento do eu acima do nós. E que um futuro minisitro do STF que foi secretário de segurança pública e ministro da justiça de um país não deveria ter.
    Deveria sim estar pensando em mecanismos para acabar fazer com que novos brasileiros não enveredam pelo mundo crime.

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