O Engodo dos Donos do Poder

 [pullquote]Por que os empresários Donos do Poder criariam o Imposto sobre a Renda?[/pullquote]

Fico preocupado e assustado com o número de jovens universitários e pessoas inteligentes que acredita que a classe e a elite dominante brasileira são os empresários, capitalistas e especuladores brasileiros.

A começar por Raymundo Faoro, em seu livro Os Donos do Poder, que achava que o Brasil se fundamenta num sistema patrimonial do capitalismo politicamente orientado.

A tese é normalmente do tipo: o poder econômico, os “donos”, controlam a Globo, a imprensa, o Congresso, as leis, os juízes, etc, para criarem leis e valores que permita-nos locupletarem e abocanharem 40% da renda deste país.

Jovens leem estes livros sem perceber as flagrantes incoerências que nem Raymundo Faoro nem nenhum outro intelectual brasileiro jamais abordou.

1. Se os empresários são a nossa classe dominante, “os donos do poder”, por que conduziram tecnocratas a criarem o Imposto de Renda Progressivo, onde quem ganha mais não somente paga mais, mas paga progressivamente mais imposto?

Em vez de pagar 0 a 15% como todo mundo, estes idiotas donos do poder, usaram o seu poder para aumentar para 27,5% o imposto para quem ganha mais.

2. Por que esta classe dominante, os Donos do Poder, criaria outro Imposto de Renda, agora incidindo sobre as Empresas, com alíquota de até 35% para grandes bancos e indústrias?

Por que não isentaram de Imposto de Renda os lucros reinvestidos na empresa, alegando que estes gerariam mais emprego, produtos e mais impostos como ICMS e IPI? 

Na história da humanidade, a classe dominante cria impostos para os outros pagarem, nenhuma classe dominante se onera de impostos, porque isto reduziria justamente o seu poder econômico e político. 

Elites dominantes se isentam de impostos e oneram o inimigo.

3. Se o Brasil é dominado por Banqueiros e especuladores por que então criariam a CPMF, imposto sobre transações financeiras de 0,38% sobre cada especulação?

4. Um país “Capitalisticamente Orientado” criaria o Imposto Sobre Ganhos de Capital que varia de 15 a 80%, dependendo da inflação do ano?

Por que não se isentaram deste imposto, como se isentam de impostos os livros, a cultura, os áudio visuais, as ongs, tão queridos da nossa verdadeira classe dominante?

5.  Por que os Donos do Poder, a classe que vive de juros, criariam um imposto de renda sobre juros nominais de 12%, e não sobre o juro real de 3%, o verdadeiro juro?

Este pequeno detalhe eleva o imposto de renda sobre juros neste país, para 40% a 100% da renda, dependendo da inflação do ano. Os banqueiros usam o seu poder sobre a Globo, a Veja e o Estadão para criar um enorme imposto sobre juros?

Raymundo Faoro, que ingenuidade é esta?

Já ouvi intelectual afirmar que empresário fez tudo isto porque não paga todos estes impostos, que é tudo para inglês ver.

Mas porque criariam um passivo fiscal e ficar torcendo para não aparecer fiscalização? 

6. Empresário como Roberto Civita, da Veja, recebe hoje uma aposentadoria de R$ 980,00 por mês, depois de 30 anos de contribuição.

Professores de Sociologia, Geografia, História, Política, Ciências Sociais, Filosofia, aqueles que indicam o livro “Os Donos do Poder“, receberão aposentadorias públicas entre R$ 8.000,00 a R$ 12.000,00 por mês.

Por que O Dono do Poder, de uma Revista como a Veja, beneficiaria justamente aqueles que espalham que são os empresários que dominam e criam as injustiças sociais e má distribuição da renda deste país?

Quem controla 60% do PIB entre impostos e Estatais nunca é mencionado.

Que haverá empresários favorecidos pelos 60%, não há dúvida.

Que o BNDES e o Ministério da Fazenda irão privilegiar alguns em detrimento dos outros, por razões que ninguém pode mencionar também não há dúvida.

Que os favorecidos irão retribuir de alguma maneira, que farão parte da corte, também é plausível.

Mas o poder corre na direção diametralmente oposta ao que afirma Faoro.

Se você não quer ser enganado na vida, estude um pouco de Administração. Você irá aprender coisas mais ou menos óbvias como estas, mas que as demais profissões passam batido sem questionar.

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