Por Que Homens Só Pensam “Naquilo”?

Por que os homens só pensam “naquilo”?

Por que nossas novelas só mostram “aquilo”?

Por que nossos anúncios e propagandas insinuam “aquilo”, sem parar?

Porque fomos geneticamente programados a pensar “naquilo” com muita frequência.

Podemos esquecer de fazer uma série de coisas na vida.

Podemos nos esquecer de tomar café ou de dizer bom dia ao vizinho, mas de uma coisa jamais podemos nos esquecer: de nos reproduzir e ter filhos.

Cada um de nós está vivo porque somos o último elo de milhões de antepassados, nenhum dos quais se esqueceu de reproduzir-se.

Quando as mulheres reclamam que homens só pensam”naquilo”, elas estão sendo tremendamente injustas porque o instinto do “não esquecimento” está em ambos os sexos, e com a mesma intensidade.

Afinal, nenhuma das mães das mulheres vivas hoje se esqueceu de reproduzir-se.

Hoje se suspeita até que mais mulheres traiam o marido do que vice-versa, mas isto contarei um outro dia.

Coloque-se na posição de Deus no dia da criação.

Você tem de decidir que tipo de ser humano criar. Você precisará definir a intensidade de qualidades como agilidade, inteligência, força, solidariedade e que grau de instinto sexual atribuir ao homem e à mulher.

Como a energia é escassa, você não poderá dar grau 100 a cada qualidade humana.

Você daria 100 à inteligência, 60 à agilidade e 40 ao instinto sexual?

Ou você daria 40 à inteligência, 60 à agilidade e 100 a nosso interesse “naquilo”?

Ou dividiria igualmente, 66% para que característica humana? Você tem 5 minutos para decidir. Não continue a ler, sem ter tomado uma decisão.

Você preferiria criar um ser humano inteligente, mas desligado sexualmente , ou um ser humano mais bobão, mas com pouco risco de ser levado à extinção, porque ele só pensa naquilo?

Como vocês mulheres já suspeitavam, Deus optou por essa segunda opção.

E faz muito sentido.

Pela lei da probabilidade, entre nossos 4 milhões de ancestrais, mais de uma vez tivemos um antepassado meio esquecido e desligado, que só teve um único filho aos 26 anos, pouco antes de ser comido pelos leões.

Mas foi o suficiente para ele deixar você como descendente.

Todos nós vivos hoje escapamos por um triz de não estar lendo este artigo.

Se Deus tivesse atribuído grau 40 em vez de 100, o que provavelmente muitos teólogos, papas e moralistas teriam escolhido, a sua história familiar seria outra, ou seja, inexistente.

Essa decisão divina explica muita coisa deste mundo maluco: esta burrice coletiva que assola o mundo e o Brasil e as besteiras que homens e mulheres cometem.

Uma sábia decisão que hoje provoca uma série de problemas, como o erotismo desenfreado, a preocupação exagerada com o sexo, o desempenho e a traição, que trazem como consequência esta sociedade de consumo e de ostentação. Mas que nos permitiu chegar até aqui como somos: lerdos, burros, mas vivos.

A encrenca é que a maioria dos nossos publicitários, autores de telenovela, artistas, cineastas, a turma do “trair é normal” e do “tudo é permitido”, usa e abusa desse nosso instinto super caprichado para os próprios interesses.

Um jovem hoje em dia terá sido exposto a 12.000 apelos sexuais antes de completar 14 anos, uma aberração cultural sem precedentes na história da humanidade.

Hoje não precisamos ter doze filhos baseados na chance de que dois chegarão até a vida adulta.

Estão deliberadamente abusando desse nosso gene de preservação para ganhar dinheiro para suas empresas e para si.

Se você acha divertido assistir a novelas que só tratam “daquilo”, se você vive na internet procurando “aquilo”, se você acha o máximo os livros que só tratam “daquilo”, saiba que você está sendo usado e correndo risco de extinção.

Estão afastando-o de sua verdadeira tarefa de procurar alguém ideal para fazer “aquilo” com amor e diversão.

Estão usando o instinto mais caprichado que Deus nos deu para fazer justamente o contrário, deixar você isolado na frente do computador ou da televisão.

Nossos professores, artistas e cineastas, nossos líderes espirituais, nossa Igreja, nossos intelectuais estão se esquecendo de que sexo precisa ser de fato divertido, mas o segredo do divertimento são o comedimento, a surpresa e o mistério, e não estão nos submetendo.


Publicado originalmente na Veja.  

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