Por que uma Nova Greve dos Caminhoneiros Será Muito Pior?

Quem diz isso não sou eu, mas o Professor da Escola de Administração Dom Cabral, Paulo Resende.

“Será agravado pelo baixo nível de estoque da indústria e do varejo.”

No ano passado os estoques eram maiores, e supriram boa parte do abastecimento que os caminhoneiros não estavam repondo.

Agora, os estoques estão ainda mais baixos.

Novamente surge o problema da falta de capital de giro, que venho alertando os economistas do governo há mais de dois anos.

Tive uma hora com o Temer no início de seu governo, porque no telefonema que ele me deu falando de outra coisa, eu reclamei.

“O Senhor está só ouvindo os donos de empresas e economistas, e não o segundo escalão das empresas que fazem as coisas acontecerem, como administradores, por exemplo.”

Para minha surpresa ele marcou uma reunião comigo já para o dia seguinte, e gastei meia hora explicando por que a economia não cresceria no seu mandato, pela falta de capital de giro.

Como previ corretamente que o PIB não cresceria em 2019 o quanto todos os economistas da Focus achavam.

Agora fiquem sabendo que a falta de capital de giro terá outra consequência.

Desabastecimento imediato numa nova greve.

E aí posso lhes assegurar que muitos pacientes de hospitais irão morrer. Hospitais também estão com seus estoques baixos.

Pena que não tem ninguém do segundo escalão das empresas assessorando o Bolsonaro ou o Paulo Guedes, para explicar como a economia de fato funciona, razão da maioria dos meus acertos.

A Reforma da Previdência não fará absolutamente nada para repor o capital de giro permitindo à economia decolar, como acredita Bolsonaro.

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5 Comments on Por que uma Nova Greve dos Caminhoneiros Será Muito Pior?

  1. A meu ver a Reforma da Previdência terá um impacto inicial recessivo pois deve induzir a um aumento na poupança. Boa parte do crédito às empresas é baseado em operações comerciais. Consumo fraco gera asfixia financeira e parece que a equipe econômica não se atentou a dimensão do problema

  2. A reforma da previdencia beneficia diretamente apenas ao governo (que posterga uma eventual “quebra”), e sua eficácia ocorre no médio/longo prazo. Empresas e cidadaos nao tem nenhum beneficio direto, pq na verdade podem até pagar mais e ainda verao seus benefícios reduzidos. A potencial vantagem é transmitir a investidores extrangeiros mais confianca para investir aqui. Resta saber, o quanto essa confianca pode se reverter em expansao economica. De qualquer forma, nao há nenhuma conexao entre a reforma e capital de giro.

  3. O estoque mínimo é o ideal para toda e qualquer empresa. Principalmente porque a tal greve pode vir ou não. Então manter um estoque máximo, com risco da inflação, obsolescência, falta de demanda, entre outras coisas corroer o investimento também é um risco. Com relação aos hospitais, o governo já tem quem culpar, pois na visão dele será os caminhoneiros os verdadeiros irresponsáveis pela falta de medicamentos e outros insumos.

  4. Perfeito texto, como sempre profesor. Comentário também oportuno de José Ribeiro.
    Esse fim-de-semana que passou falei muito com a esposa sobre essa possibilidade de greve e das consequências críticas dessa possibilidade, exatamente como o professor bem expôs!
    As empresas estão morrendo e a reforma da previdência deu um bolha de ar ao governo mas não aos empresários.
    Tudo pode ruir se o Paulo Guedes não olhar de fato a economia como um Administrador de Empresas que sabe muito bem que sem Capital de Giro, uma ideía superavitária não tem ferramentas para chegar ao Lucro.

  5. O que me preocupa é enxurrada de falatórios sobre a repercussão da Reforma da Previdência sobre a economia brasileira
    Como Administrador, que vivo de política e nem faço parte de governos, eu entendo que isso é BENÉFICO e NCESSÁRIO, sem dúvidas, com resultados de médio e longo prazo.
    O governo não pode ficar vendendo a ideia que a Reforma da Previdência vai fazer milagres, como se fosse surgir novos empregos de uma hora para outra como querem fazer acreditar.
    Isso é um tiro no pé do governo

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