O Futuro da Função de Pai

Hoje, os filhos não aprendem quase nada do pai, ao contrário de antigamente.







Em 1929, o filósofo Bertrand Russell fez uma previsão surpreendente que de fato ocorreu 100 anos depois.

A previsão de Bertrand Russell foi esta:

The role of the father is being increasingly taken over by the sate, and there is reason to think that a father may cease to be biologically advantageous, at any rate in the wage earning class.

“A função de Pai de Família está sendo lentamente usurpada pelo Estado, e acredito que um dia o pai deixará de ser um ente biológico para os filhos, pelo menos entre a classe de trabalhadores. 

Se isto ocorrer, é de se esperar o fim da família, casamento, dos valores morais, uma vez que não haverá razão para uma mulher desejar que seu filho tenha um pai presente.” 

Tudo isto previsto em 1929, tempo suficiente para a Igreja, a classe média, os intelectuais, os formadores de opinião, os pais de família tomarem uma atitude e impedir o fim da família como base da sociedade.

E nossa Constituição é bem clara quanto a isto:

Art. 226. A família, base da sociedade, tem especial proteção do Estado.

Mas esta família foi sendo minada, especialmente começando pelo papel do homem.

Nos Estados Unidos, 90% das Mães Negras vivem solteiras, com uma ajuda de custo generoso do Estado.

Obama perdeu as eleições para Mitt Romney, se não computarmos os 99% de votos que ele obteve de 4% da população, que eram as mães solteiras.

Tão generoso é este subsídio, que muitos homens negros se sentem compelidos a abandonar sua família, para que estes possam melhorar seu padrão de vida.

E hoje o homem negro é visto como sendo insensível e irresponsável com relação a família. Totalmente diferente do negro escravo, que quando liberto fazia tudo para reencontrar a sua própria família.

O negro é muito mais família que o branco, mas não é isto que ocorre nos Estados Unidos de hoje. 

No governo Fernando Henrique Cardoso, por inspiração de Ruth Cardoso, o PSDB implantou o Bolsa Família, que o PT ampliou com sucesso.

Até aí tudo bem. Famílias abaixo da linha de pobreza precisam de um empurrão para se tornarem auto-sustentáveis, objetivo de todo governo ou sociedade que procura igualdade e justiça social.

Mas notem um detalhe sutil.

O dinheiro é distribuído para a mulher, sob o pretexto de que homem é um bêbado e irá torrar tudo em mulheres e bebidas.

O detalhe pode ser bem intencionado, as mulheres de fato cuidam melhor do dinheiro, mas que recado isto traz para o marido pobre e fracassado?  

Nem como provedor mais ele serve, um recado que não irá melhorar a sua autoestima, bem como suas chances de sair da miséria e da dependência do Bolsa Família.

Exatamente como previu Russell, o estado iria lentamente minar a função do pai. 

Ao contrário da Idade Média, pai hoje não ensina sua profissão para o seu filho.

Ele não tem o raro prazer de mostrar “os segredos da profissão”, as inovações que o pai inventou, o prazer de ver o seu filho crescer e seguir o seu exemplo.

Hoje o ensino é terceirizado, para as Universidades públicas e privadas, e filho que segue a profissão do pai é muitas vezes ridicularizado.

Mas não são somente os pais de pobres que estão perdendo a sua função.

São pais de ricos e da classe média que estão perdendo a sua essência de provedor da família.

Hoje, um pai de classe média perde 60% de sua renda que vai direto para o Patrimonialismo de Estado, via descontos na folha e impostos sobre o consumo e renda. Hoje homem é provedor do patrimonialismo do Estado, sustentando a cidade com a maior renda per capita do Brasil, que é Brasília. 

Hoje a sua mulher tem que trabalhar também, porque o homem não consegue pagar estes impostos sozinhos.

De 1914, quando os impostos eram 10% do PIB, e hoje são 40%, quase todo o rendimento trazido pela  mulher casada que trabalha, vai para sustentar o patrimonialismo de estado, ela sequer está ajudando a sustentar a família, como ela acredita.

Não é à toa que a mulher brasileira está cada vez mais insatisfeita com a vida, com o trabalho e com o seu próprio marido.

Todo trabalho da mulher feminista parece ser em vão, as finanças de sua família não melhoraram, o padrão de vida de seus filhos não melhoraram, apesar do seu enorme sacrifício. 

Por isto também, hoje em dia filhos e filhas acham, com razão, que nada devem aos pais e sim ao Estado generoso e protetor. 

Estas ideias, devo repetir, não são minhas, mas uma previsão de Bertrand Russell, um dos grandes filósofos de seu tempo.

Algo para se pensar.  

 

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35 Comments on O Futuro da Função de Pai

  1. Talvez o Sr. possa ver também algum valor social na função dos filósofos, diferentemente do que já disse antes, de que não dão tanto retorno sobre investimento na forma de tributos para o Estado como os contadores. Gostaria que retornasse a este tema, sobre o qual o Sr. deu uma opinião demasiada simplista e não-sistêmica.

  2. Sr. skanitz, a grande maioria dos comentários e logo leitores, não estão compreendendo seus textos, ou estão desejosos por expressar pensamentos e desejos enrustidos, algo tipicamente politico, o que não é o caso.

  3. Professor ! A sociedade é um organismo vivo e mutável com o tempo, evolucionista, naturalmente. A vida humana progride e evolui a passos largos. A familia do passado, a familia biblica, a familia da idade média, já era. Estamos num período de mutação. A familia do futuro será coletiva, todos cuidarão de todos. Não haverá filhos abondonados. Como poderia meu pai, no Cariri da Paraiba, me legar uma profissão de agricultor em uma terra estéril. Ele bom comerciante, além de agricultior sofrido, correu para a capital para legar aos filhos uma nova educação. Sou engenheiro e ele ficou muito feliz. Seus ensinamentos ficaram na minha memória pelo seu exemplo, que transmito para meus filhos também pelo exemplo de solidariedade, respeito e compaixão. Os modelos foram criados para serem quebrados por novos modelos, sempre melhores.

  4. Sou mãe, e junto com meu marido estamos travando uma verdadeira batalha na educação de nossos filhos. Nossa luta é contra o estado e a parte da sociedade.
    Ensino ao meus filhos o que achamos o que é certo, somos a favor da família, não apoiamos relacionamento de pessoa do mesmo sexo. Ensinamos sobre fidelidade em qualquer relacionamento que os mesmo estejam comprometidos.

    Nenhum relacionamento ”moderno” passa por crises ou desavenças, já caem diretamente no divorcio, como se viver a dois fosse um conto de fadas. O governo ajuda a separar, paga pensão e na historia só mudam os personagens.

    Se você quer casar é ter um relacionamento de conto de fadas, aqui vai um conselho, nem comece.

    Casada há 27 anos, meu amor pelo meu marido vem da luta e da busca constante do entendimento, da família, de vencer todas as dificuldades e adversidades imposta pela vida.

    Triste ver crianças criadas sem a figura e o exemplo de um pai e de uma mãe. Jamais deixarei que o estado ou a sociedade criem meus filhos, quem dá o remédio sou eu, e muita das vezes ele tem o gosto amargo. Isso sim é educar. A grande maioria cria. ”Não há escola que se iguale a um lar decente, nem professores que se igualem a pais honestos e virtuosos.”

    Ps: A fuga do tema principal é proposital, quis falar da ”família acima de tudo.”

  5. Obrigado pela resposta. Vou lá pesquisar e saber do que falam. Mas poxa Sr. Kanitz… me diga, eles falam que o Bolsa Família causa a saída dos pais de casa etc?

  6. É o sistema de quotas mas empresas familiares. Os cargos vao para os que tem mais capital e não os que tem mais capacidade administrativa.

    O mesmo nas estatais.

    Os cargos vão para os amigos de confiança, dai o nome ” cargos de confiança” somente porque o estado é detentora de 100% do capital.

    Esse foi o grande erro de Karl Marx, nao perceber que o capital precisa ser bem administrado, e no capitalismo familiar e no socialismo econo-tecnocratico isto nunca irá ocorrer.

    Somente em paises que se preocuparam com a ciencia da administração mais do que com a ciencia economica, é que vemos progresso.

    Vide EUA, Mexico e agora China.

  7. Eu tambem me assustei com o Relatorio Mohanyan, de um respeitado democrata.

    Veja tambem o movimento de Paternidade Responsavel nos Estados Unidos.

    Voce tem toda a razão de ficar com medo, não de mim, mas dos dados e estatisticas americanas sobre o assunto.

  8. Só agora notei que o artigo foi reescrito. Certamente, ele me parece bem mais razoável agora (perdeu aquela aparência infeliz de guerra dos coitados dos homens contra as crianças incômodas e as mulheres, que viraram amantes do Estado, não dão o devido valor aos brios dos homens e acham que eles só “enchem o saco”).

    1) Os impostos são altos, e os governos ainda timbram em gastam mais do que arrecadam, aumentando a necessidade futura de arrecadar. A questão, então, é: que tarefas o Estado assumiu que deveriam ser realizadas por outros agentes ou mesmo por ninguém? Mitt Romney, ao mesmo tempo em que criticava asperamente o aumento de gastos sob Obama e acusava os beneficiados pelos programas sociais, recusou-se terminantemente a dizer o que ele iria cortar, exigindo arrogantemente dos eleitores um cheque em branco. A razão é mais ou menos evidente: todo serviço público, ajuda financeira ou subsídio tem sua clientela cativa (basta lembrar que o grosso dos gastos americanos vai para a defesa, incluindo a poderosa indústria bélica e seu lobby; para os benefícios para idosos razoavelmente afluentes e policamente influentes, a única “minoria” com que os republicanos ainda podem pensar em contar depois que os eleitores de ascendência asiática, instruídos, prósperos, com famílias intactas e pouquíssimo dependentes do Welfare, apoiaram Obama em uma proporção de mais de três para um-lembremos que os “Asian-Americans” tinham votado contra o democrata Clinton nas duas vezes em que ele foi eleito; para pagamento de juros). É injusto- e pouco realista- cobrar dos políticos austeridade quando a mensagem que enviamos a eles é a oposta. Romney, supostamente um defensor da austeridade fiscal, não teve coragem de se arriscar com propostas concretas de equilíbrio fiscal. Quem, no lugar dele, teria? O último presidente republicano esmerava-se em cortar impostos para seus apoiadores ricos, atacar retoricamente os benefícios para os pobres e, sob o lema “Déficits não importam”, aumentar os gastos públicos como nunca antes. Essa esquizofrenia tem origem no eleitorado-rico ou pobre- de modo geral e só poderá ser resolvida por ele quando ele estiver pronto.

    2) A ajuda financeira direta aos pobres é uma gota d’água no oceano de gastos públicos-como a própria menção a Brasília e a sua renda demonstra. Ainda assim, ela realmente pode acabar ajudando a exacerbar e perpetuar a situação mesma de pobreza e falta de oportunidades que se deseja que ela combata. Nossa Sociedade pode achar um meio-termo virtuoso entre os extremos de abandonar as crianças pobres às suas próprias sortes (o modus operandi brasileiro por vários séculos) e o risco de acorrentar suas famílias a uma vida de dependência do governo? Se “as mulheres de fato cuidam melhor do dinheiro”, temos o direito de não mirar “no melhor” quando se trata de um dinheiro curto para proteger as crianças mais vulneráveis do Brasil mesmo que o preço seja um recado negativo “para o marido pobre e fracassado”? Quem decide? Uma das maiores vantagens do Bolsa Família e dos seus predecessores tucanos para a Sociedade foi justamente ter colocado a questão da extrema pobreza em pauta: essas famílias não podem mais ter suas necessidades política e eleitoralmente ignoradas (e quem quer que conheça um pouco da história do debate público brasileiro não pode deixar de ficar com a impressão de que até pouco tempo atrás éramos uma Suíça onde se discutia tudo, da partilha da Palestina à remessa de lucros das multinacionais, menos a situação dos brasileiros mais pobres e o que se podia fazer por eles). Apesar de tudo, avançamos um pouco. A questão que se impõe é: como ajudar a família carente a se pôr de pé e a caminhar com as próprias pernas? Até pouco tempo atrás, ignorá-las ou tratá-las a pontapés, como um caso de polícia, era o procedimento-padrão. Se nosso país está finalmente tendo essa conversação-com avanços e recuos, paradas e retomadas-, algo mudou para melhor.
    Alguém ainda se lembra da ideia de “conservadorismo compassivo” trombeteada pelo ex-presidente George W. Bush (o rótulo em si é mais antigo e razoavelmente “bipartisan”), basicamente uma colaboração entre Terceiro Setor, incluindo organizações religiosas, governo e empresas para-sem estimular o gigantismo estatal- enfrentar os problemas sociais e quebrar o ciclo de dependência e sensação de inutilidade dos beneficiados pelo Welfare State? Infelizmente, em meio a escândalos de favorecimento a entidades sem serviços prestados- mas com influência no governo- e às obsessões plutocráticas e belicistas daquela administração, ela foi, na prática, jogada na lata de lixo. Talvez, ainda se possa resgatá-la de lá. Mal não faria.

    3) Quando os impostos eram baixíssimos- no início da República e no período imperial-, educação formal era um luxo, ser alfabetizado, um privilégio. Para o ensino superior, a solução-para os abastados, claro- já foi Coimbra ou o buraco de agulha de um sistema universitário excludente e economicamente elitista. Bem ou mal, houve uma grande expansão do Ensino Superior e da pesquisa, a Educação Básica alcança basicamente todas as crianças brasileiras, o que trouxe para nós com atraso a questão universal do conflito entre as diversas visões de mundo que se desejam representadas (basta pensar na disputa quanto ao ensino do Evolucionismo nas escolas americanas desde o Scopes Trial no começo do século passado até a polêmica atual do “intelligent design” e na controvérsia japonesa entre aqueles que desejam, nos livros e salas de aula, mais ênfase nos abusos contra os direitos humanos cometidos na ocupação de países como Coreia e China e aqueles que querem basicamente exaltar o papel “civilizatório” do antigo regime imperial nesses países). Quem decide o que as crianças devem aprender? E quem paga? Podemos evitar um Estado que ameace usurpar certos privilégios tradicionais da família sem que tenhamos que nos conformar em copiar nosso passado de analfabetismo endêmico e hereditário, que tanto custou aos indivíduos e ao país na trágica moeda das oportunidades perdidas?

    4) No caso americano, eu não sei dizer quanto do fenômeno das famílias sem pai presente deve-se ao fator generosidade, que Kanitz aponta, e quanto, agora, deve-se ao descaso para com a família (é triste- mas útil- recordar que algumas gerações de jovens sem pais presentes já cresceram nos guetos americanos, essa pode ser a nova norma cultural, infelizmente, afinal o número de nascimentos fora do matrimônio explodiu). De um jeito ou de outro, infelizmente, não é de hoje que se discute como conciliar a proteção às famílias, especialmente às crianças, contra os perigos da miséria e a necessidade moral de preservar a instituição familiar e a independência individual frente ao Estado. No seu discurso “A Time for Choosing”, uma defesa da candidatura de Goldwater em 1964, Ronald Reagan já tocava nesse ponto e, de quebra, garantia que os republicanos racionalizariam o sistema, que gastava muito mais dinheiro com benefícios do que o necessário, segundo ele, para, através de transferências diretas de dinheiro (se pensarmos bem, ele defendia uma espécie de Bolsa Família com grife dólar), eliminar a pobreza. O problema é que muitas discussões, muitos ataques contra os pobres-às vezes, vazados nos termos mais grosseiros- e muitos cortes de impostos para os ricos sem a devida contrapartida em cortes de gastos (sob Reagan e seu sucessor Bush I,o déficit público triplicou) depois, ninguém-nem republicanos nem democratas- racionalizou muita coisa. Será que podemos fazer melhor? Espero que sim.

  9. .. caminhamos para o MINIMALISMO em varias areas da vida. cada vez mais os casais se juntam tarde para manter seu individualismo. nao eh raro ter filhos cuidados por diferentes maes e nao necessariamente dando pensao alimenticia. o “EU” eh o q impera na vida dos jovens de hoje, mas ha excessoes.
    quando chegar a “melhor idade” talvez mudem de ideia mas pode ser tarde.. ..

  10. Sou formado em Engenharia Mecânica. Tento ficar atualizado com as Ciências Humanas (uma das razões para acompanhar os artigos de Kanitz sobre Administração desde que li pela primeira vez um artigo dele- “O Fim da Incompetência”, acho- na Veja), especialmente História e Economia, mas, ao fim e ao cabo, tenho tantas credenciais formais relacionadas às Humanidades quanto, imagino, Kanitz relacionadas à aplicação da Genética ao comportamento (mesmo assim, presto bastante atenção aos textos dele relacionaos ao assunto desde que ele apresentou suas ideias sobre a evolução história do casamento-é,no mínimo, instigante). De qualquer maneira, vamos aprendendo todos e, como dizia Machado de Assis, com os haveres de uns e de outros se faz o nosso pecúlio comum.

  11. Gostaria de ver algum trabalho sobre as futuras gerações chinesas. Recentemente em conversa com um chinesa, perguntei sobre o controle de natalidade e como funciona o mercado de trabalho feminino, e encontrei uma combinação interessante, que é: Mães que trabalham e filhos UNICOS criados por babas e por avos.

    Como sera as futuras gerações criadas nesse ambiente!
    Algum futurologista se arrisca?

  12. Thiago Ribeiro…que resposta perfeita ao Kanitz. Gosto dos artigos sobre Administração Pública do Sr. Stephen, mas quando ele começa a escrever sobre o que não entende eu tampo o nariz. Só por curiosidade, qual a sua formação acadêmica?

  13. Kanitz, pode ser que adjetivar, tipo: dizer que o fim do papel de pai seria um “desastre”, talvez seja demais.
    No íntimo comemoremos o fim de todos os “papéis”, de todas as imposturas.
    Ser pai é um grau de responsabilidade, nunca um papel, concorda?

  14. Independente da opiniao individual, é uma interessante materia e interessante ponto de vista. De certa maneira, o conceito de familia já se alterou há algum tempo, quando foi oficializado a união de duas mães ou dois pais. Em uma simples analise, a familia que antes era representada por um pai, uma mae e os filhos, cujo modelo sempre foi patrocinado pela igreja, já não é mais unico. Alias, a Igreja ja não é mais a mesma, após o facebook – que é a “nova” igreja. Vamos encarar de que maneira?

  15. Agradeço ao sr. Russel, que tive a oportunidade de ler no começo da faculdade (Marriage & Morals, na biblioteca da Cultura Inglesa). Ajudou-me a colocar os pés no chão e a entender muita coisa.

  16. Exatamente como o senhor interpreta a ideia de que as mamães são malvadas porque amam seus filhos mais do que amam os “brios” de certos machos? Como o senhor interpreta o que é uma conclamação a abandonar as crianças do Brasil à miséria e à ignorância para poupar aos ricos uns cobres? Como o senhor interpreta o ataque à educação pública, que, tratada com seriedade, permitiu que países se elevassem da pobreza à prosperidade e do caos à ordem (veja, por exemplo, as observações de Landes sobre o Japão) e escancarou os portões da oportunidade aos pobres (leia, por exemplo, os comentários do general Colin Powell sobre a dívida que ele tem com a educação pública)? Eu lamento, mas “farinha pouca, meu pirão primeiro” não é um preceito moral, é só egoísmo mesmo.

  17. Interpretação Thiago, Interpretação!…… Nem perco tempo lendo suas baboseiras.

  18. O Velho Testamento relata a família sendo abençoada pelos pais. Naturalmente vamos enconrar problemas algumas famílias. Esta é a beleza da Bíblia, ela nos mostras as virtudes, mas também os erros das famílias que ali estão mencionadas. Vamos para o Novo Testamento, onde Jesus Cristo inicia seu Ministério em uma festa de casamento e a presença dele transforma aquele casamento, quando o vinho que é servido depois é melhor do que aquele que fora servido Com Jesus podemos passar pelas dificuldades, mas o fnal será sempre melhor, porque ele nos abençoa e abençoa tudo o que fazemos. inicialmente. Creio que a família está se destruindo porque esqueceram do criador da família, esqueram co criador do homem e da mulher.
    Por isso deixará o homem a seu pai e a sua mãe, e unir-se-á a sua mulher, Marcos 10:7
    Por isso deixará o homem seu pai e sua mãe, e se unirá a sua mulher; e serão dois numa carne. Efésios 5:31
    E disse: Portanto, deixará o homem pai e mãe, e se unirá a sua mulher, e serão dois numa só carne? Mateus 19:5
    Portanto deixará o homem o seu pai e a sua mãe, e apegar-se-á à sua mulher, e serão ambos uma carne. Gênesis 2:24

    Uma nação será abençoada quando for temente a Deus.
    Bem-aventurada é a nação cujo Deus é o Senhor, e o povo ao qual escolheu para sua herança. Salmos 33:12

    Há pouco comemoramos mais um aniversário da Reforma Protestante e quando ela aconteceu foi exatamente para combater todas as injustiças instaladas naquele momento. Precisamos de avivamente em nosso Pais, pois onde as boas novas chegam elas tranformam a realidade.

    O filósofo Bertrand Russell deve ter lido a Bíblia e chegou na carta que Paulo escreveu a Timóteo que nos diz:

    Sabe, porém, isto: que nos últimos dias sobrevirão tempos trabalhosos.
    Porque haverá homens amantes de si mesmos, avarentos, presunçosos, soberbos, blasfemos, desobedientes a pais e mães, ingratos, profanos,
    Sem afeto natural, irreconciliáveis, caluniadores, incontinentes, cruéis, sem amor para com os bons,
    Traidores, obstinados, orgulhosos, mais amigos dos deleites do que amigos de Deus, Tendo aparência de piedade, mas negando a eficácia dela. Destes afasta-te.2 Timóteo 3:1-5

  19. Em primeiro lugar, não são “as” famílias (a minha vai bem, obrigado), talvez sejam algumas- e o fato de que essas famílias estejam doentes, envenenadas pela inépcia e pelo descaso, é justamente razão para a Sociedade intervir e proteger as crianças. Em segundo lugar, lamento, mas não chamo aderir ao machismo mais tolo e sacrificar mulheres e crianças aos “brios” -diga-se logo egoísmo- de certos homens “abrir os olhos” (não deixa de ser interessante a visão de que o desemprego e a miséria são normais, anormal e pernicioso é que suas vítimas-especialmente crianças- sejam socorridas). Pelo contrário, abrir os olhos é entender que “só” quatro meses de desemprego para quem não tem nada já são um desastre e, sem programas de intervenção social sérios, a miséria tende a se reproduzier, geração após geração, devorando o futuro de um país.

  20. Concordo com você Thiago. Fiquei muito surpreso com a fragilidade dos argumentos do autor nesse artigo.

  21. Onde estão os dados? Os republicanos desde o começo do século 20 geraram mais crises, mais desemprego e mais tempo de desemprego do que os democratas, por consequencia mais violência letal, conforme James Gilligan em “Why some politicians are more dangerous than others” (http://books.google.com.br/books?id=Hcod33epvPwC&lpg=PP1&dq=james%20gilligan&hl=pt-BR&pg=PP1#v=onepage&q=james%20gilligan&f=false).

    Observo ainda que os partidos não são imutáveis e que as políticas defendidas/rejeitadas por um partido em um período podem ser defendidas/rejeitadas pelo outro partido em outro período. O partido Whig, que daria origem ao GOP (partido republicano), era protecionista enquanto os democratas eram contrários às barreiras, hoje a coisa se inverteu (http://en.wikipedia.org/wiki/Protectionism_in_the_United_States).

  22. Parabéns pelo artigo. Como homem e pai me entristeço ao ver tantos pais deixando tanto a desejar na educação e cuidado com os filhos. Ao ler um texto como este penso em mim. Como estou como pai e qual legado deixarei para os meus filhos. Como ficou na moda relegar o cuidado dos filhos para as mulheres. É tempo de abrir o olho e fazer a nossa parte, se não mundo afora, pelo menos dentro da nossa casa, cuidando melhor da nossa família. É isso ai.

  23. Thiago, muito interessante sua observação que mais se parece com um novo artigo. Mas, me desculpe ou voce não entendeu o artigo, ou voce não tem sabido interpretar o que tem acontecido com as famílias em nossos dias. É bom abrir o olho.

  24. Leia-se: a Sociedade malvada não reconhece o direito de propriedade sobre crianças nem o direito de matá-las de fome nem o direito de condená-las, por inépcia ou desídia, à ignorância e à pobreza. Onde vamos parar? Daqui a pouco, vão acabar abolindo a Escravidão e concedendo o direito de voto às mulheres, meu Deus!
    Nesses ataques aos programas sociais e ao futuro dos brasileiros, ecoa impávida a voz de Mr. Scrooge:
    “Many thousands are in want of common necessaries; hundreds of thousands are in want of common comforts, sir.”

    “Are there no prisons?”
    “Plenty of prisons…”
    “And the Union workhouses.” demanded Scrooge. “Are they still in operation?”
    “Both very busy, sir…”
    “Those who are badly off must go there.”
    “Many can’t go there; and many would rather die.”
    “If they would rather die,” said Scrooge, “they had better do it, and decrease the surplus population.”

    É só o egoísmo mais baixo, que não se choca com o sofrimento dos pobres, mas se irrita profundamente com o fato de que eles possam estar sendo ajudados, tentando cobrir sua feia nudez com um manto de supostas boas intenções. Tem tanto sucesso em tal operação quanto o rei da história de Hans Christian Andersen teve com sua roupa invisível.

  25. Esta conclusão é fruto de um longo raciocínio? O Bolsa Família tirou os pais de casa? Tenho medo. Muito medo! Ler isto e depois ver que foi escrito por alguém que admiro tanto, é de assustar.

  26. Excelente artigo. Quanto à questão dos filhos seguirem a mesma profissão dos pais (ou mães), o que vemos em muitas empresas é alguém ocupar um cargo somente por ser filho, e não por ter a aptidão necessária. Melhor seria estar escrito “herdeiro” no crachá. Em muitos casos, é a causa mortis de empresas

  27. Parece discurso do TFP – Tradicao, Familia e Propriedade. Impressionante como o Sr. Kanitz se perdeu desta vez. Pensamento de extrema direita. Lamentavel…

  28. O poder do Estado está sendo posto acima das relações familiares. É mais cômodo produzir um questionamento político do que discutir a relação intrafamiliar.

  29. Todas as vezes que uma realidade é exposta, quem não consegue aceitar, não concorda. Russel, além de filósofo, era profeta. Os pais vão perder importância gradativamente. A família, está por definição, na era da incerteza. O Leviatã do Estado aos poucos vai ocupar todos os espaços. E como diz o texto, através da opressão dos impostos e com o apoio dos setores improdutivos da máquina estatal, que fazem benesses e ganham eleições à custa do suor dos setores produtivos da economia.

  30. Artigo desastroso do começo ao fim, puro preconceito com a assistência ao mais necessitados;

  31. Um dos melhores artigos que li nos últimos tempos!

  32. Pedindo antecipadamente desculpas pelo tom (e reconhecendo que o senhor tem o direito de apagar o comentário se achar melhor), sinto-me obrigado a manifestar meu radical desacordo com um artigo que eu considero desastrado e desastroso, apesar de ser de um autor que conta com meu respeito e cujos textos costumo considerar edificantes e informativos. Em suma, a crítica não é pessoal.

    “Homem com brio não aceita esmola, mas depois de quatro meses desempregado a sua mulher pensa diferente.”

    E isso não tem absolutamente nada que ver com o amor da mãe pelos filhos (tinha esquecido: pensando nos filhos em vez de nos “brios”-há nomes bem melhores para isso, mas admito que não são especialmente publicáveis- do macho, ela está amando o Estado em vez de amando a Família)?! Depois de quatro meses (para não dizer mais tempo, não há nenhuma razão para o desemprego durar “só” quatro meses, não é?) desempregado, sem economias e sem esmolas, o casamento já fracassou no essencial: ser um arranjo social para a proteção da prole. O pai tornou-se dispensável, não por algum ardil do Estado malvado, mas justamente, pelo seu fracasso no papel masculino mais velho do mundo, o de provedor. Se não fosse o Bolsa Família, seriam as “workhouses”, a mendicância e a forca vitorianas, soluções diferentes para sensibilidades sociais diferentes, certo, mas o problema continua é o mesmo: a existência de indivíduos inadaptados. Não reconhecer isso e ao mesmo tempo lançar olhares saudosos para o passado é, creio, postura de homem que quer comer o bolo e conservá-lo e defende para a “classe” todos os privilégios do papel masculino tradicional e absolutamente nenhuma das responsabilidades. A grande questão é: como a Sociedade falhou a ponto de produzir multidões e mais multidões de homens totalmente dispensáveis do ponto de vista econômico e o que podemos fazer para evitar que esse quadro-e com ele o sacrifício das oportunidades da juventude brasileira-perpetue-se? Os programas sociais deveriam, isso sim, enfatizar a educação-intelectual e profisisonal- dos jovens (o que imagino seria outra malvadeza contra os “brios” de certos machos, fazer por seus filhos o que os pais deveriam, mas não querem ou não podem fazer nem por si mesmos), para que eles possam assumir seu lugar como adultos produtivos na nossa Sociedade. Filhos não são uma propriedade, muito menos um “direito”, eles são uma séria responsabilidade, e o Estado deve, lançando mão de todos os meios possíveis, garantir que as pessoas nominalmente incubidas dela cumpram-na. Falhando isso (pelo menos, até que, em defesa dos já referidos e sagrados brios, decida-se caridosamente afogar as incômodas crianças pobres no Nilo ou atirá-las do alto de alguma colina em Esparta), deve ele mesma assumi-la porque a opção é dizer às crianças-e ao futuro do nosso país- que, se não têm pão, vão comer brioches.

    “… sob o pretexto de que homem é um bêbado e irá torrar tudo em mulheres e bebidas, e mulher é responsável.”
    Se a mulher é geralmente mais responsável do que o homem, eu não sei, mas . autores responsáveis como Jared Diamond e David S. Landes apontaram nos briosos homens das classes mais baixas de diversas sociedades uma tendência evidente a gastos supérfluos e/ou exploração da familia. Negar que a mulher, de modo geral, é muito mais ligada aos filhos do que o pai é simplesmente querer negar a Biologia e incorrer-por motivos ideologicamente opostos, mas patologicamente semelhantes, já que fundados no combate ao sexo oposto- no mesmo erro das feministas radicais. Colocar o dinheiro nas mãos dos homens-justamente os inadaptados-mas tão briosos!- que ficam pelo menos (só?) quatro meses desempregados- seria, sim, na maioria dos casos, sacrificar as crianças e nosso país no altar de um orgulho de gênero mesquinho, cruel e sem sentido.
    A função de um aparato educacional formal-seja dirigido pelo Estado (e no caso das classes média e rica, definidas por qualquer critério que não seja o ufanismo de um governo que considera que qualquer pessoa com renda suficiente para manter corpo e alma unidos seja de classe média, ele nem é tão importante assim-uns 15% das matrículas brasileiras no Ensino Básico estão no setor privado), seja dirigido pela Igreja- e no que tange aos mais pobres são essas e só essas as opções- É tornar os filhos diferentes dos pais, incutir-lhes valores morais diferentes-porque superiores- e fornecer-lhes melhores habilidades. Foi assim que o sistema público americano colaborou na assimilação dos imigrantes europeus e evitou que se tornassem uma classe perpetuamente marginalizada, perigosa e desenraizada. Foi assim que a educação pública salvou o Japão.
    No caso das classes média e alta e dos trabalhadores pobres, a coisa muda de figura, até por se tratar da transmissão de valores morais valiosos e conhecimentos úteis à formação do futuro profissional- e não aprender a ficar desempregado quatro meses, a recusar
    briosamente ajuda enquanto as crianças definham e se estiolam em meio à miséria e a reproduzir todos os desajustes sociais e intelectuais do lúmpen. É importante que a experiência dos pais, seus valores sejam transmitidos. A questão é como conciliar tal necessidade com a crescente necessidade de instrução formal (homeschooling?) e com o leque mais amplo de oportunidades de trabalho (não acho que estejamos pior porque 90% da população não precisa mais herdar a enxada dos pais e, nos dias difíceis, trocar a vaquinha da família por feijões mágicos). Sem falar que, nos países civilizados, a existência de um sistema público de educação abrangente não é exatamente uma novidade, o Brasil está é atrasado nessa corrida e, por isso mesmo, precisa ficar trocando o pneu com o carro andando.
    É uma pena que quem acredita que “médicos eram mais competentes, advogados eram mais éticos” não possa pegar uma máquina do tempo e ir se tratar com os açougueiros que as faculdades americanas formavam -quando um candidato a esculápio consentia em se deixar formar- antes do Relatório Flexner, sofrer algumas salutares sangrias e tomar um pouco de óleo de cobra ou ir conviver com os advogados-e juízes- de Al Capone e dos barões ladrões É possível, embora eu duvide, que os médicos de Nathan Rothschild fossem melhores do que os seus ou os meus (ainda assim, ele morreu de uma infecção besta), mas os médicos da (então abundante) criadagem inglesa não eram melhores que os da sua (hipotética) empregada.

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