Precisamos de Economistas Independentes

 

Precisamos de Economistas Independentes não de um Banco Central Independente.

Hoje o BC aumentou os juros, três dias depois das eleições.

Uma medida impopular três dias depois de uma eleição cheira estelionato eleitoral, como foram o represamento da inflação, a postergação do racionamento elétrico e as maquiagens contábeis.

Por trás de todas estas medidas normalmente encontramos um economista que não teve a coragem de ser independente, que não teve a coragem de pedir demissão.

O BC vinha pressionando por um aumento dos juros há muito tempo, era o que a ciência da economia prescrevia com todas as letras.

“Só depois das eleições Tombini, você quer que eu perca a eleição?”

A resposta de Tombini deveria ter sido:

“E a senhora quer que a profissão de economista perca a sua ética e dignidade?”

“Eu vou aumentar os juros sim, e se a senhora quiser me demitir depois, fique à vontade. Eu não vou comprometer a reputação de 20.000 economistas brasileiros em troca da sua ambição eleitoral.”

Henrique Meirelles pediu demissão uma meia dúzia de vezes porque não concordava com as ordens eleitoreiras vindas do Ministério da Fazenda.

Ganhou a parada por sua ética profissional, e ninguém ficou sabendo destas ameaças de demissões porque Meirelles foi elegante, e não fez questão de mostrar que ganhara a parada.

Mas eu, e muitos outros sabemos disso, e de sua ética profissional, e para ele é o que basta.

Ajudou que Henrique Meirelles estava no fim de sua carreira, já era rico, e não um professor universitário até então desconhecido, louco para ter um emprego num dos bancos que supervisionaria, ou num Asset Management.

Eu concordo com todos os economistas éticos deste país, que um Banco Central independente facilitaria uma recusa, mas o mesmo pode-se dizer do Ministro da Agricultura, da Indústria, do Planejamento, etc.

Quando vejo um ex Presidente do Banco Central lutar pela independência, vejo um economista com remorso de ter comprometido a sua ética, de ter engolido algum sapo que nunca será revelado para manter o seu salário e posição no governo.

Podem crer que todos a favor de um Banco Central independente, tomaram uma medida econômica contra os seus princípios, e contra o que a ciência econômica sugeria no momento.

A comissão de ética do Sindicato dos Economistas, o sindicato mais poderoso do Brasil, deveria chamar todos os ex presidentes do Banco Central, e questionar decisões como essas feitas por Tombini.

Se de fato ficar comprovado que ele postergou esta decisão para depois da eleição, ele de fato comprometeu a reputação de todos os economistas deste país.

Depois me acusam de falar mal de economistas, quando os próprios economistas não se defendem como estou fazendo agora.

Todo economista, administrador, contador têm o direito e até obrigação de pedir demissão.

Pena que tão poucos o fazem.

 

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